Diário de Isabela......parte 2
14 Juntos....
Notas iniciais
Ele não disse nada, me puxou para um beijo, de repente eu senti ele me segurar firme, e meus pés saíram do chão, ele me ergueu e girou comigo, acho que quem nos visse acharia a cena bem romântica. Quando ele me pôs no chão, e me olhou, pude ver a tristeza que estava nos olhos dele a dias sumir, dando lugar ao brilho de sempre.
— eu sempre me senti seu namorado...... apesar dos últimos dias.
— eu senti muito a sua falta.
— mas você ainda não acredita em mim....né.
— Téo.
— tudo bem......eu ainda vou provar que eu não fiz nada........mas por enquanto vamos esquecer disso, eu não vou insistir, eu só quero ficar com você........só quero ficar perto de você.
— eu também quero ficar com você.
Eu segurei a mão dele, e puxei ele para dentro de casa, não queria ficar namorando no portão, a sala ainda estava toda enfeitada, com as flores, sentamos no sofá e conversamos.
— foi o Omar quem te deu essas rosas vermelhas.
— sim...... mas....
— tudo bem..... até que ele é legal......
— oi......acho que eu não ouvi direito.
— foi ele que me disse pra vir atrás de você...... na verdade ele gritou isso pra mim......foi ele que me deu a ideia de fazer isso na sala.
— é serio.
— sim..... ele disse que eu teria que fazer uma coisa bem romântica, que te emocionasse, pra que você não me expulsasse da sua casa, aos gritos.
Eu acabei sorrindo.
— é......deu certo.
— é............e agora eu preciso agradecer ao Omar.................se ele não tivesse gritado comigo, e dito que o meu problema nos olhos afetou meu cérebro, eu não teria vindo aqui.
— ele disse isso.
— disse.....e ele estava certo......eu estava tão perdido sem saber o que fazer que eu acabei ficando mais cego que antes.
— o Omar se tornou um grande amigo.
— é.........quando eu conheci ele, bem....... ele aprontou bastante.......nunca pensei que chegaríamos a ser amigos.
— as pessoas mudam.
— é.
Ficamos na sala, juntos, depois que a festa acabou e a mamãe voltou, bem ela fez a gente juntar todas as pétalas das rosas, que estavam espalhadas pelo chão. Mas ela também achou o gesto fofo.
Depois eu acompanhei ele até a porta, e nos despedimos com um beijo. E ele foi.
Ainda era estranho, pra mim, beijar o Téo, mesmo ele dizendo que foi ela que agarrou ele....... ele havia beijado outra, ele sentiu o gosto da boca dela, eu não era mais a única, era estranho beijar ele sabendo que aquela mesma boca que eu beijava, havia beijado a Camila.
Eu queria esquecer, queria mesmo, achei que eu era moderna, mas na verdade estava mais parecida com a Manuela do que eu gostaria, mas pensando bem, não era ruim parecer com ela. Acho que é a convivência, será que daqui a alguns anos, eu vou estar falando como a Manu, e molhando meu pãozinho no cafezinho...... e achando tudo bonitinho........ aff.
Quando fui dormir, ou melhor tentar, porque a Manu, não parava de me perguntar o que o Téo falou pra mim, e dizer que tinha ficado feliz por nós termos nos reconciliado. Dormi olhando a pulseira que ele me deu, achei muito lindo esse gesto.
Quando acordei, eu estava confusa, não sabia o que fazer, eu queria ficar com o Téo, mas eu não suportaria ser magoada de novo, ele me dizia que me amava, mas eu já passei por tanta coisa, tantas decepções, medo, humilhações, traumas e solidão........ que ficava difícil acreditar em alguém, ficava difícil acreditar que depois de tudo, eu seria feliz.
Mas resolvi que eu daria outra chance pro Téo, até porque eu não estava mais suportando ficar longe dele. Quando sai de casa, o Téo estava no portão, era cedo, cheguei a ficar preocupada.
— oi.....aconteceu alguma coisa.
— não..... eu só queria te convidar pra dar uma volta.
— mas é tão cedo........ você não quer entrar e tomar o café comigo.
— você ainda não comeu nada.
— não.
— ótimo....
Ele sorriu, e me mostrou uma cesta que ele segurava.
— você aceita fazer um piquenique comigo.
Eu sorri, fui até ele e dei um beijo. Ele sorria pra mim.
— e aonde nos vamos.
— eu quero levar você em um lugar, vamos..........eu ia lá quando era cego, espero que agora eu não erre o caminho.
— que.
— vamos.
— vamos.
Nos fomos andando, passamos pelo haras, pela fazenda que tínhamos acampado uma vez, e chegamos em uma cachoeira, aquele lugar era lindo, com flores do campo de varias cores por todos os lados, o perfume das flores, misturado com o cheiro de terra molhada, deixavam o lugar ainda mais bonito.
O Téo colocou uma toalha no chão, e nos sentamos, ele pegou a cesta, e me alcançou um sanduiche e um suco.
— foi a Marina quem preparou, ela disse que sabia o seu gosto.
— tá tudo perfeito..
Nós lanchamos, e depois ele pegou um buque de flores pra mim, como eu senti falta disso, do romantismo e da atenção que ele tinha comigo.
— Isa, fecha os olhos.
— que.
— confia em mim.
Eu fechei os meus olhos, e ele também.
— eu sempre gostei de vir aqui, ainda mais agora que eu posso ver, a beleza desse lugar........mas antes eu vinha aqui, e podia sentir o perfume das flores, o cheiro da terra, de grama, da agua, de campo........ podia ouvir o barulho da água da cachoeira, dos pássaros.......sentir o vento no meu rosto, o sol , a sombra das arvores...........você consegue sentir isso Isa.
— sim, não sei se da mesma forma que você, mas eu posso sentir.
— é a primeira vez que eu venho aqui, depois da operação, e a primeira vez que eu vejo esse lugar, e fico feliz que você esteja aqui comigo.
Ficamos naquele lugar incrível, até a hora do almoço, depois voltamos pro vilarejo, o lugar era longe, mas era tão lindo que valeu a pena.
— faz tempo que eu queria ter te levado na cachoeira........... eu nunca levei ninguém lá antes........
— ninguém.
— é que lá sempre foi o meu lugar preferido de todo o vilarejo, e eu sempre fui sozinho, bem com o manteiguinha, mas desde que eu conheci você, eu queria te levar até lá........
Eu não sabia o que dizer pra ele, então eu parei na frente dele, ele me olhou confuso, passei meus braços envolta do pescoço dele, meus dedos pelos cabelos dele. Ele deixou cair a cesta que segurava, e me puxou para um beijo.
Eu poderia ficar ali para sempre, me sentindo protegida e apaixonada, entre os braços do Téo.
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