Diário de Isabela......parte 2
8 A amizade....
Notas iniciais
— Omar.... — eu disse chorando.
— não precisa dizer nada..... eu vi...
Eu chorei nos braços dele, me senti bem, era tudo o que eu precisava naquele momento, carinho, mas eu estava com raiva, queria me vingar, eu tentei beijar o Omar, e ele fez uma coisa, que me fez ter certeza que ele havia mudado, ele me afastou.
— Isa, não.....por mais eu quisesse, não vou me aproveitar, você está frágil, com raiva, e eu tenho certeza que amanhã você ficaria arrependida de ter me beijado.
— você é um ótimo amigo.
— então não estrague a amizade, agindo por vingança.
— você viu.
— sim, mas eu acho que vi uma coisa, que você não prestou atenção.
— eu não quero mais falar do Téo, nunca mais.
— mas Isa, a Camila.... bem ela....
— não.....Omar....chega, se você não quiser que eu te deixe falando sozinho, não fala mais nada.
— tudo bem, e o que você vai fazer.
— não sei, a única coisa que eu tenho certeza é que amanha bem cedo eu vou voltar pra cidade.....daqui a poucos dias nos vamos entrar de férias, e eu já passei de ano, então minha mãe não vai reclamar.
— ela vai querer ir junto, a Manu.
— a Manu vai ter que ficar, ela ainda precisa fazer provas de recuperação, se não vai repetir de ano, e a minha mãe esta toda envolvida com a compra de uma casa nova, agora com o Otávio a casa ficou pequena demais, mesmo com a Helena, morando com o Pedro, e o Otávio e a mamãe terem um quarto só deles, nada se compara a uma casa nova.
— eu entendo......mas você vai ficar sozinha na cidade.
— não me importo, meu padrinho com certeza vai me visitar, e tem os empregados.
— eu vou com você....... eu também já passei de ano..... e estou com saudade da cidade.
— é serio.
— eu sou seu amigo, você me fez perceber o quanto eu era.....
— idiota, arrogante, mimado.
— eu ia dizer sozinho, mas concordo com você.
Eu sorri, ele me acompanhou até em casa, dei um abraço bem forte nele, ele disse que ia arrumar as coisas dele e bem cedo estaria aqui pra ir comigo.
Quando entrei em casa, minha mãe e o Otavio, estavam na sala, eu ainda estava com os olhos inchados e o rosto vermelho, ela correu ao meu encontro, e me abraçou.
— o que houve filha.
O Otávio se aproximou, e a Manu veio correndo, quando minha mãe me soltou eu disse.
— tomei uma decisão, amanha estou indo pra cidade.
— mas....não..
— não adianta falar nada, eu vou, já passei de ano, as férias vão começar, e eu vou.
— mas filha....eu não posso.....
— não precisa ir comigo, quando eu chegar na mansão eu ligo pro meu padrinho, e tem a Laura......e o Omar vai comigo.
— que....o Omar.
— não começa..... ele se mostrou um grande amigo.
Deixei os três na sala, não sei a expressão deles, porque não olhei pra trás, entrei no meu quarto, e comecei a arrumar as malas.
— Isa.....você quer conversar...
— não.
— mas...
— amanha, depois de eu ter ido, vai lá e pergunta ao seu amiguinho de infância o que ele fez.
— o que foi que o Téo fez........ele pode ser meu amigo, mas você é minha irmã.
Eu olhei pra ela e comecei a chorar de novo, contei pra ela, e ela ficou apavorada.
— eu não acredito que o Téo fez isso.
— mas fez.
— amanhã eu vou brigar com ele, quem ele pensa que é pra magoar a minha irmã......Isa, assim que terminar a escola, eu vou pra cidade ficar com você.
— você quer ir por minha causa, ou pra ficar perto do Joaquim.
— Isa.....eu amo o Joaquim, mas amo você muito mais, quando você vai entender, que a família é o mais importante.
— tá...
— e o Omar...
— ele se tornou um grande amigo.......eu tentei beijar ele.
— O QUE !
— mas ele não deixou..... ele disse que por mais que ele gostasse de mim, eu estava querendo vingança.....e não era o certo.
— nossa....quem diria.....não esperava uma atitude assim.
Arrumei as malas, com a ajuda da Manu, depois tentei dormir, demorei, mas acabei adormecendo, cansada de tanto chorar.
No dia seguinte, fui a primeira a levantar, peguei as minhas malas e fui levando pra rua, liguei pro Ofélio, e ele não demorou a aparecer com o carro pra me levar pra cidade. Quando o Ofélio estava colocando a ultima mala no carro o Omar chegou.
— tem certeza que quer fugir em vez de enfrentar a situação. – ele me disse.
— tenho..... e se for pra falar bobagens, então pode ficar por aqui.
— eu prometo que não vou falar nada que te lembre desse vilarejo, ok.
— tudo bem.
O Ofelio colocou as mochilas que o Omar tinha trazido no carro, me despedi da Manu e da mamãe, ela me disse que quando ela tivesse uma oportunidade, iria pra cidade me ver, mas que se eu precisasse era só ligar que ela iria correndo.
E então fomos pra cidade, de volta a mansão, o Omar sentado do meu lado, me dando apoio, e dizendo que iriamos nos divertir, que me faria esquecer as coisas ruins e quando eu voltasse pro vilarejo, eu estaria preparada, pra enfrentar tudo de cabeça erguida.
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