Notas iniciais
No boyfriend, no problem!

Oi Titia, quanto tempo!

Eu ando tão corrido nesses últimos dias, que mal tive tempo de te escrever. Mas aqui eu para contar as “novidades”, eu pensei em te escrever antes, mas não havia acontecido nada que fosse significativo o suficiente. Bom, vou tentar começar do inicio; e desta vez eu acho que vai ser um pouco diferente das outras, porque eu estou me sentindo diferente .

Sabe aquela sensação de estar vivo? Pois é, durante um bom tempo nesse ano, eu não vivi uma vida que era minha, tudo o que eu fazia era em pró de agradar/tentar conquistar uma pessoa. E eu demorei muito pra cair na real.

Na ultima carta eu havia falado de um ser que iria me buscar no trabalho, um garoto do tinder que nem o nome eu sabia, mas ele era tão gato que eu relevei esse detalhe. Ele chegou quando a Neria e eu estávamos fechando a loja, ele é muito alto, eu me senti um anão ao beijar ele( com os meus um metro e oitenta). Agora ao menos eu sei o nome dele, é Thales. Só descobri quando o uber chegou e chamou ele pelo nome.

Eu cheguei uma da manhã em casa, com a maior cara de pêssega do mundo. E eu sei que você sabia o que estava fazendo. Aquela estória do ônibus ter demorado e blá blá blá, funciona com os outros, mas nunca te engana. Na verdade eu acho que nunca conseguiria te passar a perna, você me conhece melhor do que eu mesmo.

No outro dia de manhã Roselanis não me viu na cama (Um viado deste tamanho),e mandou mensagem pra minha tia, que por sua vez se assustou e supôs que estávamos mentindo por algum motivo (não sei pra que mentiria sobre algo assim pra ela, eu sempre durmo fora e aviso). Eu li as conversas dela com a Rose, elas acabaram com a nossa raça, ta?! Minha tia chegou a falar pra Rose que eu não era boa companhia, Cedo! Mas posso te contar um segredo? Valeu a pena levar uns sermões no outro dia, pois a noite foi maravilhosa. O Thales toda hora elogiava algo em mim, meu sorriso os olhos, a forma de beijar e etc.. depois de tanta coisa, ter o ego massageado dessa forma, é uma sensação extremamente confortante. Acho que o que ele falava me dava mais prazer do que o sexo em si. E depois do meu ex ter transado com o meu primo (que por sinal, não puxou em nada os Pedrosa), porque ele nem bonito é. Os Pedrosa podem não valer uma coxinha, mas são lindos, traços delicados e marcados que enlouqueceria qualquer Gestalt. Mas isso não importa mais.

O Gabriel tem sido um fofo comigo, assim como o Caio, o Euro, o Bruno, o Dani e os demais. Sei que parece feio da minha parte “colecionar” contatinhos, mas real, não estou enganado ninguém, todos sabem que eu só serei capaz de abrir o coração pra outra pessoa quando ele estiver inteiro de novo. Uma coisa de cada vez, estou me sentindo atraente outra vez, e ver os meninos com tanto empenho em me conquistar, me mostra que não há nada de errado comigo, ao menos eu acho.

Eu estou conversando com tantos boys, que daqui a pouco vou etiquetar um com cada dia da semana, igual aquele filme que assistimos. Não quero mais ser o Gabriel fútil que eu já fui, e nem o Gabriel idiota que eu me tornei, procuro um meio termo; estou indo devagar, estou me encontrando e me encantando com tudo que eu posso me tornar, em todas as coisas que eu deixei passar por bobagem, em tudo que eu poderia ter corrido trás e não corri.

Consegui mais um aluno por indicação, tia. Um homem de meia idade que quer voltar a conhecer a língua, e sair do país. Aos poucos tudo esta se encaixando, cada pecinha fragmentada do meu ser esta voltando pro seu lugar. E agora eu já estou pronto para voltar a ser útil pra você, cuidar de você, você quem tem uma doença grave e não tem que ser babá de marmanjo. As minhas idas à casa do Igor tem me ajudado muito nessa fase de afastamento, de dar um tempo para os dois esfriarem a cabeça e reconquistar certo “espaço” individual que ambos acabaram perdendo. Inclusive queremos você numa das nossas festas do pijama regados a jogo de cartas, muita risada, Mary Jane, uns bons drinks, e distração dos problemas do mundo lá fora. Eu me sinto numa bolha, um escudo; e que nada poderá me machucar, tudo de ruim fica da porta pra fora.

Sobre a música, eu pensei em várias, e todas me fizeram perceber que a vida é feita de fases. Chorar por querer algo de volta é perda de tempo. Nem tudo que queremos, é o que nos trará felicidade; pelo contrario, a desilusão vira um desapontamento; que por sua vez, abre feridas que só o tempo pode cuidar.

Depois de entender isso, eu tive mais uma vez a certeza, que mesmo amando o Felipe mais que tudo, nosso relacionamento se tornaria algo tóxico, e ambos sairiam machucados outra vez. Me dói admitir que eu me senti em plena felicidade ao lado dele apenas em duas ocasiões. E não, não é aquele velho joguinho de ego, não perdeu a graça porque finalmente eu havia conseguido. Quanto mais eu penso, mais eu me lembro da época em que éramos só amigos, me lembro da época em que não havia cobranças e nem explicações. Eu daria tudo para voltar para essa época. Mas como já disse, tudo são fases e o relógio não anda para trás.

Eu quero ganhar o mundo, quero me arriscar, bater a cara na parede, quero tentar, quero dizer sim quando o mundo diz não, eu não nasci para a monotonia, eu nasci pra me aventurar, nasci pra ser lembrado com carinho e admiração por todos aqueles que me cercam.

Quero sim viver uma grande historia de amor, mas não sozinho como foi a primeira, quero algo recíproco, excitante, quero ver o meu coração batendo a mil por hora. Quero ser amado.

Hoje eu vou à festa da Ana, e tudo que tinha pra dar errado deu. A minha fantasia não chegou, meu dinheiro não caiu, o presente não ficou pronto. Mas a gente dá um jeito, como sempre fizemos!

Até mais tarde, titia,até a próxima carta.

Notas finais
Castle on the hill- Ed Sheeran (É como eu sempre vou me lembrar de blue sky, nem que esteja do outro lado do mundo) No Goodbyes- Dua Lipa (Você sabe pra quem eu cantaria essa)
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.