Notas iniciais
Eu sei que vocês estão querendo me matar depois do último capítulo, mas me deixem terminar isso antes do atentado, ok?

James se afastava mais e mais, a toda velocidade, o que era pior pois Isa só ficava mais angustiada.

– Acho que já pode diminuir um pouco o ritmo? — pedi. — Estamos longe o suficiente.

Parece que ele entendeu, e reduziu a velocidade, nos fazendo ir pra frente num solavanco.

– Longe... — Isa mantinha seu olhar fixo nas pernas trêmulas, deixando os braços apertados cruzados contra o peito. — Precisamos voltar!

– Isa, calma! A gente vai chegar nas portas bem rápido, talvez ele já até esteja lá quando chegarmos.- Fer tentou reconforta-la.

– Talvez... — ela repetiu com a voz fraca.

Revirei os olhos e olhei feio para Fernando. Ele se encolheu ao meu olhar e voltou a se concentrar em alguma outra coisa. Isa estava muito pálida e parecia que ia desmaiar a qualquer segundo. Podia ver que ela estava tentando ao máximo não pular do carro e voltar, mas eu tinha fé que Diego tivesse sobrevivido. Ele tinha que ter sobrevivido a isso.

– Gente... Estamos só a 3h do Central Park... — James falou cautelosamente com medo de falar algo errado.

Isa assentiu devagar e se abraçou com mais força. Ela estava pra perder o controle com tudo isso. Eu fiz uma coisa que nunca esperei vindo de mim, que foi abraçar Isa. Ela enterrou o rosto em meu ombro e começou a chorar. Fer e James também estavam abalados, mas não tive reação. Eu não sabia o que fazer e parecia que Isa perdeu uma parte de si naquela piscina.

As 3h seguintes foram intermináveis. Uma camada de chuva começou a cair, piorando tudo para todos. Isa estava deitada em meu colo, abraçando as pernas como se quisesse se proteger de alguma forma. Aquilo era triste, a garota que sempre estava com um sorriso no rosto agora parecia ter sido destruída. Quando finalmente avistamos as árvores que anunciavam a chegada ao Central Park tentei me animar, mas não seria o mesmo sem Diego. James estacionou o carro e saiu de cabeça baixa. A chuva fazia seus cabelos grudarem em seu rosto, enquanto Fer colocava o capuz do moletom sobre a cabeça. Olhei pra Isa que ainda estava deitada.

– Vamos Isa. Temos que seguir em frente... — falei.

Ela olhou pra mim com os olhos azuis cheios de dor. Meus deuses, como ela estava suportando?

– E-eu... Não sei se consigo... — ela respondeu com a voz quase sumindo.

– Claro que consegue. Você tem que ser forte Isa. Tem que ser forte por ele...

– Ele era tudo que eu tinha Nath. Tudo que eu tinha...

– E agora ele não é mais o que você precisa... Você tem que lutar, lute por ele. Ele faria o mesmo.

Ela cedeu. Se levantou enxugando as lágrimas com a manga do casaco que percebi depois que era o preferido de Diego. Ela colocou o capuz sobre a cabeça e saiu do carro, fiz o mesmo para acompanha-la. James gesticulou para que a gente o seguisse, já que ele conhecia o Central Park melhor que nós. Isa ia atrás e eu e Fer andamos juntos atrás deles.

– Meus deuses, ela está péssima... — Fer começou.

– Está. — falei — Será que Di está vivo?

Fer me olhou de relance. Seus olhos verdes estavam tristes.

– Eu não sei... Olha Nath, se essa também for a última vez...

– Não começa. — o interrompi — Você também não. Chega desse papo de morte.

Ele parou por um instante e depois se aproximou de mim. Seus lábios tocaram os meus por um instante e depois ele me abraçou.

– Não quero te perder também Nath...

– Não vai...

James estava parado junto com Isa, ambos encaravam uma enorme rocha no meio do lugar. Não parecia algo especial, mas quando me concentrei vi que alguns espíritos rondavam por ali. Não sei se com os outros acontecia o mesmo, mas senti um frio muito estranho quando me aproximei da rocha.

– Esses são os portões? — Fer perguntou.

James assentiu tirando alguma coisa da mochila. Era uma flauta de bambu. Eu lembrava de ouvi-lo tocar uma vez, mas não entendi o por que de usa-la ali.

– São os portões de Orfeu. Só serão abertos com música. — ele falou.

James começou a tocar uma melodia suave e melancólica. A rocha começou a se abrir em duas, revelando um extenso corredor onde tochas de fogo grego se dispunham regularmente, formando uma trilha de luz pelo caminho. James guardou a flauta novamente e começou a entrar dentro do lugar. Fer o seguiu e eu o acompanhei. Isa estava parada olhando pra trás. Ela deixou algo no chão e nos seguiu para dentro. Quando ela olhou novamente para trás juro por Zeus que a escutei dizer.

"Encontre o caminho boy. Eu sei que você está vivo..."

Notas finais
Quem está torcendo pra Isaego voltar vai ter umas surpresinhas nos próximos caps...