Notas iniciais
Altos xingamentos, pelo menos pra mim q não gosto de xingar
*-* o melhor capítulo q já fiz na minha opiniao, quero saber a do povo ^^

Nós rodamos um pouco por Marietta e Kennesaw procurando suprimentos e um lugar para ficar, mas nos mandamos ao encontrarmos vários zumbis espalhados pelas ruas. Quando subimos a 75 o sol já estava se pondo e decidimos acampar mais uma vez perto de água.

Quando descemos até o parque estadual da montanha de Red Top, que era um parque florestal circundado por um lago de águas escuras chamado Allatoona, Carlos criticou meu tio afirmando que não era bom ficarmos perto de um lago dados os acontecimentos da nossa manhã, no entanto Johan afirmou convicto que era nossa melhor chance permanecermos em um lugar aberto, atentos à presença de zumbis.

Então Carlos e Eagle, que agora dirigia nosso caminhão, estacionaram em frente à igreja Baptista de Bethania.

— Carlos e George, venham comigo! —chamou meu tio, eu obedeci imediatamente enquanto Carlos resmungava. — O resto de vocês verifique a igreja, lá que vamos dormir hoje. Espero que esteja enganado, mas tenho quase certeza que está cheia de zumbis então tomem cuidado e de maneira alguma usem armas de fogo, manter esse lugar livre de zumbis é fundamental.

Nós descemos por entre trilhas e montes de terra íngremes e instáveis, rumando para o lago a oeste, atravessamos a rua sem ver um carro ou alma viva, ou morta. Quando chegamos ao lago a decepção tomou conta de nós novamente, convidando dessa vez seu amigo horror para passear por nossas almas e me fazer vomitar.

O lago corria lentamente com grandes manchas de sangue boiando na superfície juntos de corpo deformados ou com partes faltando, a água estava inteiramente poluída por zumbis mortos.

— Tudo bem, isso está parecendo a “Guerra dos mundos” — meu tio comentou, também demonstrando enjoo —, é melhor voltarmos.

Estávamos perto da rua novamente quando Carlos impôs um plano.

— Ei Johan!

— Pode falar, estou sempre ouvindo — meu tio falou com mais tédio do que sentia, eu acho.

— Escuta, tem uma marina aqui perto, a norte daqui, a marina faz parte do parque.

— Vá logo ao ponto!

— Deveríamos dar uma olhada, se pudéssemos ficar lá, acho que deve ser mais difícil dos zumbis se aproximarem tendo que passar por uma passarela de madeira, talvez se alguns deles nos atacassem a maioria cairia na água.

— Parece uma ótima ideia. Sei onde fica a marina, fica a alguns quilômetros de distância daqui, você quer mesmo ir a pé até lá agora? — meu tio parecia cético, apenas indiferente à ideia.

— Eles vão limpar a igreja por nós, vamos ter bastante tempo — Carlos deu um sorrisinho após a resposta e então seguimos rumo a tal marina.

— Kátia você pode ficar com a Indy aqui fora? Acho que ele não aguenta mais zumbis por hoje — minha mãe não era muito discreta, fez essa pergunta na frente de Indy, que não se sentiu ofendida apenas deixou cair mais algumas lágrimas.

— Certo, você é quem manda, vamos voltar para o caminhão, qualquer coisa apito.

— Ótimo. Sigam-me pessoal, vamos limpar essa bagunça!

— Queria saber quem a deixou no comando — falou Bernard baixinho, minha mãe não prestou atenção, pois tentava abrir os portões da igreja.

— Deixa disso Bernard, vou ajudar a mulher — Eagle falou indo até Amélia para ajudá-la.

— Velho babão, deve estar querendo pegar a mulher, já que o marido se foi mesmo — bufou Bruna aproximando-se das portas do templo com o taco de baseball que trazia, sem cogitar em fazer um esforço para ajudá-los.

A porta abria para dentro e com um estalo elas se afastaram Eagle bambeou com a surpresa e não teve como segurar minha mãe que caiu dentro da construção. Três zumbis se aproximaram procurando a fonte do barulho, um deles caiu sobre Amélia e ela só conseguiu gritar, pois havia soltado a faca que trazia na queda.

Ela foi trazida de volta da luz quando a cabeça do zumbi saltou de seu pescoço com uma tacada certeira de Bruna.

— Levante-se! —Bruna estendeu a mão para minha mãe. — Agora você me deve uma. Vamos pessoal! Eu lidero essa porra agora! — Berrou indo à frente soberana no seu direito de liderar.

— Olhem aquilo! Essa represa é enorme! — falou Carlos admirado. — Será que a água da parte de cima está contaminada?

— Provavelmente — meu tio falou sem emoção, apertava os olhos na direção da represa, parecia procurar algo por lá.

— Vou averiguar se há possibilidades de ficarmos aqui — Carlos anunciou meio desconcertado por ter sua admiração pela muralha ter sido retribuída com tal frieza.

— Faça isso — meu tio concordou, parecia ansioso por algum motivo.

— Tio? O que você está tentando ver? — perguntei tentando descobrir o que o afligia.

Nós não sabíamos que estávamos na mira de uma barrett m107. Mas meu tio logo sugeriu uma ideia interessante.

— Vamos entrar, estou com um pressentimento estranho.

Então nós dois entramos e fomos falar com Carlos.

— Cara, levaram todos os barcos, Jet-skis, não temos nada — Carlos anunciou quando nos aproximamos.

— Como assim não temos nada? Sua ideia não era ficar aqui?

Fiquei impressionado com a astúcia do meu tio.

— Bem, talvez mar aberto fosse ainda mais seguro sabe.

— Seguro e com muita comida também não é?

— Sim, isso mesmo.

— Quando você pretendia nos contar o seu plano? Nunca? Pretendia escapar com sua namoradinha e nos deixar para trás? Na merda? — meu tio começou a gritar e assim se iniciou uma discussão.

No alto da represa a discussão era totalmente diferente.

Um homem vestido de camuflagem urbana estava deitado com uma barrett m107, mirando um homem com aparência forte e um garoto, que também aparentava ser forte, pelo menos para sua idade.

— Então? Vai atirar? — uma mulher loira de aparência arrogante se aproximou do soldado, ela tinha uma grande cicatriz que atravessava o lado direito do seu rosto do queixo à fronte.

— Quais são as ordens? — o homem perguntou formalmente.

— Espere um pouco, temos bastantes escravos já, mas uns dois a mais não fariam mal. Estou entre a preocupação com nossa mão de obra e com nosso estoque de alimentos, é uma decisão difícil, então me deixe pensar — ela falou pondo a mão no queixo, como se estivesse indecisa entre qual combinação de decoração utilizar no casamento ou como se escolhesse qual marca de café colocar no carrinho de compras.

— Senhora, eles estão entrando.

— Ah, olha o que você fez! Não me ponha pressão, tolo! — então ela olhou no rosto de Johan que deu uma última espiada na imponente muralha. — Não pode ser! Mande dois exploradores irem buscá-los imediatamente! E mande tratá-los bem! — Ela falou para outro soldado que até então admirava a cena estagnado.

— Sim, senhora! — ele bateu continência e saiu correndo.

— Sabe que eu não faria isso Johan! — Carlos respondeu às perguntas de Johan.

— São poucas as coisas de que tenho certeza ultimamente — Johan comentou, eu apenas observava os dois homens que pareciam tão amigos, agindo como leões prestes a se devorar.

— E se eu tivesse pensando em fugir com Bruna? O que você poderia fazer? Somos adultos cacete! Nós escolhemos a maneira que achamos mais fácil de sobreviver! — Carlos enfureceu-se.

Johan não falou mais nada, apenas aproximou-se dele, frio e vazio. O soco ecoou na noite que caía, quando Carlos caiu de joelhos com os lábios ensanguentados.

Eu estava em pânico e não sabia o que fazer. O homem tatuado não suportou a humilhação e logo se levantou e derrubou Johan com um golpe de judô. Eles dois rolaram pelo chão se esmurrando até que eu ouvi um som de motores se aproximando na água.

— Parem! — gritei, mas eles estavam ensandecidos um com a vontade de destruir a cara do outro e não me ouviram.

Então dei um tiro para o alto com minha Glock que os fez parar.

— Para com isso garoto — Carlos levantou-se e ergueu os braços.

— George, acalme-se! — meu tio falou, também se recompondo.

— Você não tem moral para falar pra mim. Você que pediu que eu mantivesse a calma, que mostrasse que eu era bom na frente dos outros, é isso que você faz quando está nas sombras? Briga como um animal?

— Esse idiota que...

— Você que é um imbecil e não entende que...

— Vocês são dois ridículos, deixando que uma criança tenha mais controle que vocês. Vocês têm suas razões, cada um tem os motivos para fazer o que faz ou o que fará! É isso o que vocês adultos fazem quando não conseguem concordar? Arrebentam a cara de quem tem opiniões contrárias? Isso é ridículo.

—Tem razão George, eu não deveria ter deixado chegar a este ponto. Principalmente depois do que falei a você — meu tio foi o primeiro a concordar com meu choque de caráter.

Carlos permaneceu calado.

— Ótimo, temos que sair daqui. Eu ouvi uns... — comecei.

— Barulhos estranhos? — uma voz seca falou, se aproximando pela escuridão.

Quando procuramos o dono da voz cada um de nós foi preso em uma rede, nós lutamos, gritamos e nos debatemos, mas acabamos sendo jogados em uma lancha que partiu assim que batemos no chão.

Logo paramos em um lugar escuro que parecia o interior de alguma construção bem grande, onde era possível ouvir ecos de conversas e de barulhos de motor. Por algum motivo eu sabia onde estávamos, mesmo tendo ido até lá com o rosto grudado no chão, sem poder ter visto nada.

Fomos erguidos por mãos indelicadas e levadas por centenas de metros de corredores e escadas até chegar em um lugar iluminado pela luz da lua, de onde era possível ver o céu.

— Ponha-os sobre meus pés! — uma voz autoritária ordenou.

Fomos atirados sem dó de cara no chão.

— Olha um brinde! — a mesma voz quase feminina falou, parecendo alegre.

Meu tio foi erguido por sua mão direita de unhas longas e foi obrigado a encará-la face a face. Embora ela tivesse belos olhos verdes, não havia charme algum naquele rosto de várias batalhas.

— Johan, seu maldito! Como você pode ainda estar vivo? Você sempre foi tão frágil — a mulher comentou de um jeito que me pareceu estranho.

— Olá Érika! Vadia maldita, eu também me pergunto como você sobreviveu.

Notas finais
Érika é uma grande vadia, entenderão lá na frente