Notas iniciais
Concorre ao título de melhor capítulo ever..
Um capítulo muito fodástico, modestia a parte, tem ação, drama, matança de zumbis, manadas, batidas de carro, mortes, e mais, além de ser o capítulo com mais xingamentos (n exatamente algo bom) e de ser o maior capítulo q já me atrevi a ecrever XD

Imaginei que deveria ter uma reação diferente, talvez gritar um paranoico “o quê? Você está falando sério?”, mas talvez depois de tudo que eu tinha visto, depois que a morte se tornou banal no dia a dia de um sobrevivente, fosse mais difícil ter uma reação histérica ao ouvir que alguém que aprendi a chamar de amigo iria morrer em um futuro próximo.

Ele continuou avaliando meus olhos por alguns segundos, como se esperasse reação, depois pareceu desistir e virou-se de costas, espreguiçando-se.

— Não se preocupe Helsin, esse encadeamento de acontecimentos me faz pensar em algo — tranquilizei-o.

— Sério? Você é um garoto muito esperto.

— Sim — respondi, sem a mínima intenção de ser modesto —, quando eu sair, provavelmente sua execução será organizada. Mas eu creio que ela vai esperar até que eu volte para cumprir o ato, sua mente psicopata deve concluir que eu iria querer ver meu amigo “traidor” sendo justamente exterminado, vai me dar um monte de desculpas idiotas, mas enfim, o que importa é que vamos dar um jeito de pegar esses suprimentos para nosso grupo e fugir no helicóptero, já que nós temos um piloto que também abomina esses planos horríveis. O que ainda não me veio à mente é como vamos tirar você da mira de sabe-se lá quantos fuzis.

— Agora eu digo para você não se preocupar, só precisamos de algo mais impactante do que um ato, uma distração — ele piscou pra mim, o que me fez acreditar que tinha tudo sobre controle, afinal era sua vida que estava em jogo.

Com um plano mirabolante completamente estruturado na minha mente, eu avaliei cada cantinho daquele quartel com mais atenção pela manhã, no caminho para o treinamento. Depois de um treino igual ao do dia anterior encontrei-me com o contato no refeitório e expliquei todo o plano para ele. O sargento ficou estupefato com a velocidade que um garoto planejara tudo aquilo e ao mesmo tempo maravilhado com a ideia de poder metralhar alguns maníacos.

Ao voltar para minha cela, repassei o plano novamente com Helsin no que ele insistiu decidido que precisaríamos fazê-lo para evitar erros. Ao término voltei à leitura do livro o qual já havia alcançado a metade. Convenientemente me encontrava em um trecho que descrevia o cavalo de Tróia, um plano tão perfeito que o disfarce de presente é citado várias vezes em outros acontecimentos e é um fato extremamente famoso. Eu acreditava que meu plano também poderia aparecer um dia nos livros de história, mas poderia estar sonhando alto demais.

Acordei antes dos primeiros raios de sol atingirem a terra, levantei-me e fui até a grade, observei de cima a baixo do corredor e voltei até Helsin.

— Ei, amigo!

Ele acordou resmungando.

— Ainda está cedo.

— Nem parece que é sua vida que está em jogo — reclamei.

— Qual o problema?

— E se o plano não der certo? E se aquela mulher decidir matar você antes de eu voltar? Estou com medo.

Ao longo dessas semanas e depois de tudo que nós tínhamos passado eu ainda não havia visto a expressão de surpresa do coronel Jack Johnson. No entanto não tive muito tempo para avaliar o quão ridícula era sua face estupefata, pois ele logo se recompôs.

— Então o garotinho assassino de mortos sente medo não é? — ele caçoou assanhando meus cabelos já bagunçados.

— Sim, sim, dá pra parar de brincar com a própria morte?­

— Escuta garoto, fico feliz de que a vida como ela é agora rodeada pela banalizada morte não afetou você de uma forma irreversível. Você demonstrando preocupação e medo por mim, significa que mesmo depois de todas as pessoas que você perdeu e de tudo pelo que passou ainda consegue confiar e gostar de alguém. Você tem sentimentos, e isso é o que o difere desses corpos podres que perambulam por aí e também dessas malditas pessoas que acreditam que vidas humanas podem ser manipuladas e descartadas a bel-prazer. Isso me faz confiar em você garoto, me faz acreditar que você é um vencedor — ele inspirou fundo e em seguida falou. — Você está vivo até agora, depois de policiais, soldados, lutadores e todo tipo de sobreviventes mais fortes, e sabe por quê?

— Não — respondi timidamente.

— Bom, eu também não sei — retorquiu ele coçando a cabeça. — Mas deve ter algo a ver com seus instintos, você tem instintos de sobrevivente, mas sem perder a razão e a consciência ética que pesa sobre seus pensamentos, devido justamente a seus sentimentos como ser humano solidário. Eu devo ter enrolado sua cabeça agora, mas o que quero dizer é que você tem ótimos instintos e eu confio neles, e você deveria confiar neles também.

— Obrigado — respondi quando ele apertou meus ombros. — Então eu digo que vamos sair daqui ainda hoje, independente de quando aquela mulher queira executar você.

— Ótimo! — exclamou ele com um grande sorriso.

Eu terminei de ler o livro e fiquei o que me pareceu meia hora jogando uma bolinha na parede, antes da mulher que eu odiava aparecer à frente das grades acompanhada de dois soldados.

— Nós estamos desarmados, não consigo matar ninguém com essa bola de gude — caçoei quando vi os homens um tanto franzinos para que fossem a escolta dela, seria mais fácil ela defendê-los se houvesse uma briga.

— Esses são meus carregadores ninjas, como gosto de chamá-los. Eles fazem o trabalho silencioso — ela indicou os homens tão sérios que me pareciam engraçados.

— Então, suponho que já vamos?

A primeiro tenente me pôs a pá da estratégia inteira para pegar suprimentos antes de chegarmos ao caminhão, no que me fez pensar mais sobre meu ridículo plano infantil e me perguntar se daria certo contra uma oficial do exército tão fria e calculista. Quando eu sentei no banco do passageiro ela me chamou a atenção.

— Vou te dar um voto de confiança — disse ao me entregar um objeto cilíndrico de plástico que eu havia visto somente em filmes. — Esse é o sinalizador de emergência do grupo de busca, se vocês estiverem em uma situação difícil podem acioná-lo que mandarei reforços imediatamente.

— Certo — respondi avaliando minha situação. Havia um motorista bem armado sentado ao meu lado e o outro soldado estava na carroceria, talvez para cuidar dos recursos quando já o tivéssemos ou, o mais provável, para me vigiar de um ponto cego. Eu trazia minha Crossman 357 que Taylor me devolvera e com a qual já havia me acostumado com o peso excessivo e com a empunhadura difícil, mas ainda era pior do que a Glock. Eu não tinha muitas opções a não ser esperar pacientemente para voltar ao quartel e esperar que nesse meio tempo Jack Johnson continuasse vivo.

— Abram os portões! — gritou ela para dois soldados musculosos que manipulavam os controles do portão gradeado.

Então nós finalmente saímos para a assustadora manhã repleta de zumbis e do assombroso desconhecido entre as paredes sombrias ou acima dos telhados com visão privilegiada. Viajamos meia cidade silenciosamente, não conversávamos e o caminhão com motor visivelmente modificado, carburador silenciado e suspensão suave emitia o mínimo de ruídos.

Vemos poucos zumbis vagando tristemente por entre as colunas dos prédios de negócios, tentando entrar em algumas casas onde talvez um gato tivesse miado alto demais ou um sobrevivente estivesse buscando por comida e ainda outros mortos vivos estavam caídos esperando a sorte lhes presentear com um viajante distraído que tropeçasse neles e caísse para sua morte. Fomos diminuindo a velocidade ao nos aproximarmos de um enorme prédio circular de topo enviesado com paredes cobertas por vidro.

— Chegamos? — perguntei sem necessidade.

— Sim, escolhemos lugares altos, por motivos óbvios, o helicóptero quanto mais alto está faz menos barulho — respondeu o motorista enquanto o outro soldado mexia em um rádio à pilha e ouvia estática.

— Chegamos, podem retirar — o homem falou no rádio recebendo uma resposta igualmente simples e depois disso nós vimos um helicóptero decolando do alto do prédio, fazendo mais barulho do que eu esperava ouvir.

— Hora de sair — o motorista anunciou, apanhando sua M4 e colocando as costas, o outro soldado fez o mesmo.

Nós saímos do caminhão e o motorista trancou a porta, o outro louco tirou seu revólver e apontou para três zumbis que circulavam feito baratas tontas na frente do prédio e ainda não haviam notado nossa presença.

— Espere! — gritei para ele.

— Não podemos subestimar essas criaturas, por mais que pareçam frágeis e estejam em pequeno número — falou o soldado que apontava a arma.

— Mas também não podemos superestimá-los e chamar a atenção de mais com o barulho das balas — retorqui correndo na direção deles e tirando meu facão com que já estava acostumado e que havia quase implorado para que Taylor me devolvesse.

— O que você vai fazer? Está louco? — gritou o outro soldado.

— Você verá — exclamei.

— Deixe que ele se mate Roger — anunciou o soldado que já guardava o revólver.

Eu segurei o meu chapéu e cortei facilmente a cabeça do primeiro zumbi na altura da mandíbula. Corri então para o segundo e derrubei-o com um chute que quase me fez cair, o outro veio pra cima de mim mais rápido do que calculei então segurei no seu ombro e enfiei a lâmina afiada no alto da sua cabeça onde acabou ficando presa. Vendo o outro zumbi tentando se levantar eu juntei a adrenalina e deslizei a lâmina para o lado direito do crânio dele, arrancando um pedaço como se fosse coco e levando um pedaço do seu cérebro podre junto. Depois corri para o pobre coitado que se levantava do chão e desci a lâmina sobre ele como um guerreiro medieval finalizando um homem caído.

— Incrível — sussurrou o motorista sendo que eu pude ouvi-lo dado o silêncio quebrado apenas pelo som do vento.

— É o que se aprende vivendo como um nômade e fugindo dessas coisas diariamente.

— Vamos entrar — falou o outro tentando parecer impassível.

Eu fiquei a postos vigiando de alto a baixo a rua à frente das portas de vidro quebradas da grande construção, enquanto os dois homens iam e voltavam com grandes caixas em plataformas de madeira móveis como as que são usadas em depósitos. Faltavam duas caixas daquelas quando eu pude ver com o binóculo que havia recebido, de cima do caminhão onde havia subido para vigiar melhor, uma enorme manada, tão grande que eu não podia contar, mas que eram com certeza mais do que algumas centenas e vinham na nossa direção do final da extensa rua. Eu corri de volta até a porta em pânico.

— Amigos — gritei de lá e fiquei aliviado ao vê-los voltando com mais uma caixa.

— O que houve? — perguntou o motorista.

— Veja com seus próprios olhos! — berrei apontando o final da rua e dando-lhe o binóculo.

Os dois riram.

— E quanto a história de não superestimar essas coisas? — perguntou o auxiliar de motorista debochadamente.

— Seu idiota, talvez haja mil daquelas coisas ali, não são como três merdas que se mata com uma faca, são centenas! — bradei para ele a plenos pulmões.

— Controle-se! — ele me ordenou segurando meu braço. — Descarregue essa caixa, falta apenas uma.

— Vocês vão voltar para lá? São idiotas? — perguntei descrente.

— Nossa missão é recolher todos os recursos, contenha-se! — o motorista se impôs impaciente. — Agora nós vamos voltar rapidamente para pegar a última caixa e você vai ficar aqui, bonitinho, vigiando, como esteve desde o começo. Vamos! — Ele terminou achando-se imponente.

Eu subi novamente no caminhão com meu binóculo, observando os zumbis vindo lentamente do final da rua, se não desse tempo dos soldados voltarem eu pensava em dirigir o caminhão sozinho de volta ao quartel. Havia uma rua lateral pela qual podíamos contornar para tomar outro caminho de volta ao forte seguro. Então de repente tive um mau agouro, algo como meu instinto avisando que aqueles zumbis seriam um sinal, pensei que poderia usá-los de alguma forma.

Alguns minutos mais tarde, quando os zumbis já haviam percorrido metade do caminho até nós, os dois soldados voltaram com a última caixa de suprimentos.

— Vamos — anunciou o motorista Roger.

— Espere! — pedi, chamando a atenção dos dois.

— O que foi agora? — o outro soldado indagou impaciente.

— Nós vamos sair pela rua lateral certo? Mas e se estiver cheio de zumbis como esta? Nosso caminhão é silencioso, mas mesmo assim chama atenção, precisamos de algo que atraia os zumbis mais do que nós — falei nervoso e visivelmente consegui convencê-los.

— O que propõe geniozinho?

— Me ajudem rápido! — solicitei saindo do carro. — Vocês devem ter uma vela nesses suprimentos, me arranjem um isqueiro também, Roger venha aqui e levanta esse blocos de concreto para mim!

O sinalizador tinha um pavio minúsculo mais eu já havia visto algo útil com relação a isso em um filme. Roger veio e levantou dois blocos de concreto juntando-os e eu apanhei a vela e o isqueiro do outro, cortei a vela, derreti um pouco a cera e grudei-a contra o fundo do sinalizador. Depois que meu extensor de pavio ficou pronto prendi o objeto no meio dos blocos onde havia apenas um espaço para minha mão com o isqueiro que eu usei para acender a vela.

— Vamos dar o fora daqui! — gritei, rindo interiormente comigo mesmo ao pensar como esse meu plano de última hora fora maravilhoso.

— No que você pensa que isso vai ajudar? — perguntou Roger ao arrancar com o caminhão pela rua lateral.

— Nosso caminhão chama atenção, entretanto não mais do que uma bola de chamas luminosa flutuando no meio do céu.

Para meu espanto quando saímos para a rua paralela àquela onde estávamos havia pelo menos mais uma centena de zumbis.

— Droga! — xinguei.

— E agora? — perguntou o motorista.

— Pelo beco, vamos esperar que a explosão os afaste de nós.

— Certo, mas pegue isso, para o caso de se aproximarem de nós — falou, me dando a M4. — Você sabe atirar com isso?

— Sim, tive um ótimo tio — sorri. Em seguida olhei para o outro soldado, que também carregava uma M4 e aguardava que alguma criatura se aproximasse para chumbá-la. Ao perceber que ele estava solto na carroceria eu tive mais um plano, este sendo mais insano. — Vamos!

Vimos o sinalizador finalmente explodindo e chamando a atenção dos mortos vivos que começaram a olhar para o alto, procurando a grande luz. Muitos começaram a andar na direção do sinalizador, mas outros avançaram na direção do alvo móvel e quando o caminhão fez a curva para entrar no beco eu os derrubei com balas de fuzil.

Ao sairmos do beco para um estacionamento eu senti pena do motorista ao ver o tanto que ele tentava evitar qualquer dano no veículo e pensar no que aconteceria ao final da nossa viagem de volta. Com um sorriso o vi derrubando a grade e saindo para a avenida. O resto da viagem foi tranquila, enquanto eu pensava em quantos soldados Taylor enviaria de reforços e quantos fuzis a menos eu e Helsin teríamos para atirar em nós.

Meia hora depois que eu saí do quartel, Taylor foi até a nossa cela e abriu a grade, encontrando seu alvo relativamente fácil deitado na cama de olhos fechado. Helsin abriu minimamente os olhos para avaliar os dois soldados que acompanhavam a tenente e calcular se seria capaz de derrubar os dois. A segundo tenente trazia algemas e o coronel pensou que se ela colocasse aquilo nele não seria capaz de sobreviver o tempo necessário.

Taylor Clarkson se aproximou do homem quando ele virou de lado para a parede. Ela ergueu a algema vagarosamente e então a mão do homem cortou o ar e um projétil aceso caiu aos pés da tenente. Uma explosão digna de uma pequena bomba fez Taylor cambalear para trás e os dois soldados fecharem os olhos. Quando a segunda tenente se recuperou viu uma cama vazia, os lençóis no chão e só então percebeu que a mesa tinha uma perna faltando e ficava em pé encostada na parede.

Quando se virou viu os dois soldados caindo e um coronel aposentado algemado as grades e prendendo-a na cela onde há meio minuto estava deitado.

— Você vai precisar chamar alguém para soltá-la então vou deixar a porta do corredor aberta — caçoou ele.

Ela empurrou a porta ferozmente e esticou o braço para ele, sua mão com garras inúteis esganando o vento por estar a um centímetro de distância do pescoço dele.

— Adiós — Jack Johnson debochou mais uma vez fazendo uma reverência.

— Miserável — ele ouviu-a gritar saindo do seu curto cárcere e deixando a porta aberta.

Helsin passou pelos corredores silenciosamente vendo das sombras os soldados, que estavam mais próximos e ouviram a explosão, correrem até a masmorra. Depois foi até os dormitórios, onde sabia que iria encontrar um velho que deveria saber que estava livre. Ele bateu na porta e quando o homem abriu ele entrou rapidamente.

— Começou? —perguntou ele.

— Ainda não, ainda estou aqui não é mesmo? Vou tentar adiar pelo menos por meia hora, talvez dê tempo para ele voltar, mas prepare-se logo, talvez ele consigam me apanhar antes.

— Você quer dizer que escapou da cela?

— Isso mesmo, agora tenho que ir antes que me vejam aqui e nosso plano vá por água a baixo — Jack Johnson respondeu respirando fundo, depois abriu a porta, espiou o corredor e saiu correndo novamente.

— Você é mesmo um herói do exército — o sargento da aviação falou assombrado observando o homem sumir nas sombras.

Já estava acabando a meia hora que Jack Johnson havia dado. Ele estava no telhado do arsenal, aguardando que alguém o encontrasse quando viu algo estranho. A mais de vinte quilômetros de distância dali, um pequeno ponto vermelho brilhava no céu acompanhado por uma cauda de fumaça, depois de quase um minuto brilhando ele cessou. Alguns soldados apareceram no terraço, Jack deitou-se para escutar o que eles diziam.

— Então senhora, você acha que devemos mandar o reforço mesmo precisando de pessoal aqui para apanharmos o coronel? — perguntou nervosamente o major.

— Evidentemente, não podemos arriscar perder nossos recursos. Além disso, estamos atrás de um único soldado desarmado, não vamos sobre-estimá-lo — Jack ouviu a voz da tenente de algum lugar que ele não podia ver.

— Sim senhora, vamos enviar então um grupo de quatro soldados bem armados com ordem para abrir fogo.

— Faça isso, nesse ínterim vamos capturar nosso fugitivo sem delongas, soldados lembrem-se de não atirar nele, não podemos atrair atenção de zumbis para esse lugar. Tenham em mente que o coronel acha que vocês são inocentes, ele não vai matá-los por que acha que são soldados de baixo escalão sendo manipulados, então mostrem pra eles.

Os soldados bradaram e correram em várias direções.

Jack ficou deitado de costas, pensando no que havia ouvido. O sinalizador era para pedir reforços, ele sabia que eu não usaria isso a não ser que estivesse em extremo risco. Ele imaginou que talvez eu tivesse sido pego ou estivesse cercado por uma manada, quase chorou ao pensar que havia colocado suas coisas no helicóptero e já estava pronto para partir e que talvez eu não voltasse para ir com ele. Por fim ele respirou fundo empurrando essas coisas para longe da mente, acreditando que eu estava em dificuldade e apenas sofreria um atraso, então pensou em uma forma de alongar mais o tempo de ser capturado.

Ele passou um tempo escondido no sótão do refeitório, depois voltou para a masmorra, onde seria o último lugar que procurariam. Depois de quase uma hora estava andando pelos corredores quando estagnou ao ouvir vozes de soldados vindo em sua direção, ao dar meia volta se encontrou com a pessoa mais improvável, Taylor Clarskon.

— Ora, ora. Devo admitir que não esperava encontrá-lo pessoalmente — falou ela.

Ele tentou correr para o outro lado, mas os dois soldados que ouviram conversando apareceram lá e apontaram as armas para ele.

— Não atirem! — ordenou a segundo tenente com um sorriso maligno. — Deixem que eu cuide disso.

Ela se aproximou vagarosamente, Helsin tentou acertá-la com um soco, mas ela se desviou e torceu seu braço colocando a algema. Ele tentou acertar um golpe com a outra mão, mas ela pulou para trás e deu um chute que ele também desviou, no entanto não foi rápido o suficiente para escapar da joelhada. Quando ele tentou dar outro soco ela aplicou-lhe um golpe de judô e imobilizou o braço dele nas costas, apanhando o outro braço prendeu ambos com as algemas.

— Você está velho — debochou — e agora vai morrer.

Helsin foi levado a um dos lugares onde eu considerara provável que o matassem, debaixo da única árvore que havia naquele lugar. No estacionamento, um carvalho posto em uma área gramada. Na grama havia uma plataforma de madeira abaixo de uma corda presa em um galho.

— Uma forca, vocês pensaram muito bem, pena que é previsível — mangou mais uma vez o coronel aposentado, sorrindo ao ver um “X” quase imperceptível na terra à frente da plataforma.

— De que adianta ser previsível coronel? Só significa que você morrerá de uma forma clichê — replicou a segundo tenente.

— Isso só o destino dirá minha bela jovem — redarguiu Jack, deixando a mulher confusa.

— Coloquem a corda no pescoço dele! — ordenou ela para afastar a estranha intuição.

Os dois soldados que o seguravam fizeram-no subir num banco, Helsin piscou para a mulher enquanto a corda descia pela sua cabeça.

— Alguma última palavra? — perguntou Taylor, com um sorriso sádico.

— Já pensou em ser morta por um guri? Ou por um velho? O que é pior? — interrogou Helsin sério.

— Matem-no! — gritou ela, antes que várias coisas acontecessem.

Quando o banco foi chutado e Helsin caiu pendurado pelo pescoço, um caminhão derrubou os portões do quartel e bateu de raspão em vários carros antes de passar pelo lugar fazendo vários soldados se jogarem no chão e depois se chocar contra a parede do prédio principal. Nesse mesmo momento, Helsin ergueu as mãos para o alto e depois abaixou, em seguida um tiro de sniper cortou a corda e ele se atirou na grama. Enquanto os soldados se levantavam Jack cavava com as mãos o lugar marcado com o “X”.

Alguns minutos atrás eu estava encarando as grades do quartel em pânico. Desesperado, com as mãos tremendo loucamente e sem saber se Jack ainda estaria vivo decidi colocar meu plano maluco em prática. Prendi o cinto o mais apertado que pude e peguei meu revólver, olhei para o soldado na caminhonete, ele estava atrás das caixas, não poderia fazer nada contra mim, na melhor das hipóteses ele voaria do caminhão.

Roger estava acelerando e eu sabia que logo reduziria para esperar que alguém abrisse os portões, então decidi que era hora de agir. O homem percebeu meu revólver.

— Pra que você precisa disso garoto?

— Pra matar você — falei colocando a arma na cabeça do homem aterrorizado e apertando o gatilho.

Nisso o pé do homem pesou sobre o acelerador e o veículo começou a passar de 60km/h. Quando o outro soldado ouviu o tiro e mirou em mim o caminhão se arrebentou contra o portão e ele foi atirado para a frente e bateu com a cabeça em uma das caixas. Cortei o cinto com o facão e me joguei para cima do volante quando o veículo ia bater em um carro. Era difícil controlar o carro em alta velocidade, então atingi alguns carros e me choquei contra a parede do edifício depois de fazer vários soldados se jogarem para longe.

Taylor foi a primeira a se levantar, descabelada ela encarou com terror a corda partida. Com as mão em sua Magnum ela encontrou Jack caído no chão.

— Levantem-se e esburaquem esse maldito! — gritou ela histérica.

Mas à medida que os soldados se levantavam eram atingidos pelo nosso franco-atirador.

— Desgraçados — ela decidiu atirar em Helsin tarde demais.

O coronel tirou de dentro da terra uma bomba de fumaça e jogou-a na frente da tenente aturdida. Nessa hora eu jogava uma caixa de suprimentos para fora do caminhão, empurrando com as costas e apoiando as pernas na caixa à frente.

Quando a caixa caiu fora do caminhão eu vi a fumaça tomando conta do pátio, então corri por trás do caminhão para o lugar combinado. Para meu alívio Helsin apareceu correndo ao meu lado e junto rodeamos o prédio laranja até o heliporto na parte de trás, onde Charles Magno nos esperava.

— Onde está o Will? — perguntei desesperado para ele.

— Está vindo — respondeu ligando os motores do helicóptero e colocando o capacete.

— Não podemos partir sem ele, se não fosse por ele não estaríamos vivos — gritei para o sargento da força aérea.

— Aí está ele — falou Jack.

De fato ele estava descendo as escadas de incêndio na parte de trás do prédio. No entanto, para o nosso horror, pela lateral do prédio vinham Taylor e seus soldados.

— Droga Will, corre! — Charles gritou da porta do helicóptero.

— Volta pros controles seu merda — berrei pra ele.

Will, o homem franzino de cabelos raspados e boné cobrindo a cabeça, com uma dragunov às costas correu e se jogou dentro do helicóptero no momento em que os soldados começaram a atirar.

Charles voltou para os controles cambaleando estranhamente e fez o helicóptero decolar à sua velocidade lenta. Enquanto subíamos lentamente, Helsin me pediu seu cinto de granadas e atirou uma granada explosiva nos soldados, o que os fez parar de atirar.

— Graças aos céus não acertaram os tanques de combustível — agradeceu Helsin aos berros.

— É, mas de qualquer jeito vocês estão fodidos — falou o piloto arrastadamente mostrando um buraco na sua barriga, do qual saía o líquido vermelho e viscoso que nos mantém vivos.

Notas finais
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