Notas iniciais
Boa noite! Demorei mais do que esperado, mas final do ano ao menos para mim é sempre meio enrolado 'hehe. Aqui está o capítulo, no qual temos Sakura mostrando seu lado atriz! Obrigada á todas as leitoras, ainda responderei os comentários do último capítulo e agora um obrigada especial e um oferecimento especial á cherry blossom que recomendou a fic, fiquei muito feliz com suas palavras minha linda, valeu! Enfim, boa leitura...

– Até que enfim. Madara ficará sabendo dessa demora, sua dupla de incompetentes! –o homem exclamou de forma rabugenta, assim que viu a carroça de suprimentos, era madrugada e àquela hora, até mesmo a movimentada Ponte Primavera se encontrava deserta.

Apenas uma das figuras encapuzadas desembarcou da carroça. No breu noturno, Takamura foi incapaz de ver qualquer pedaço de pele do indivíduo, mas quando a lâmina prateada deslizou pela manga da capa, todo o seu ser entrou em estado de alerta. Porém antes que pudesse correr, a adaga foi arremessada em sua direção, acertando seu braço de raspão. Quando parou para recuperar-se, foi o bastante para que a figura misteriosa avançasse sobre si.

– Não, por favor, eu lhe suplico não me faça mal! Se for pela forma como falei anteriormente, peço perdão. –Takamura disse desesperado.

O encapuzado apenas segurou-o pela camisa encardida que vestia, fazendo com que seus pés deixassem de tocar o chão. Só então ele reparou que o segundo encapuzado, este mais miúdo, descera da carroça e estava diante da porta que guardava o prisioneiro na outra condução.

– Chave. –uma voz feminina pronunciou.

– A chave não está comigo... Deixem-me ir, por favor! –protestou, mas o outro que o segurava tratou de sacar outra arma, dessa vez uma katana com uma lâmina tão translúcida que foi capaz de ver suas próprias feições apavoradas refletidas nela. – Está bem... Eu a coloquei pendurada ao meu pescoço... Poupem-me, por kami! –entregou-se por fim, a mulher coberta tratou de arrebentar o cordão em seu pescoço, levando junto, a chave da cela.

Ela destrancou o cadeado e as portas da prisão móvel se abriram rangendo, um fino suspiro de surpresa escapou de sua boca. Quem o segurava, largou-o no chão com voracidade e foi conferir o prisioneiro de perto.

Era sua chance, se aqueles bastardos achavam que iriam ameaçá-lo daquela forma e sair ilesos, estavam erroneamente enganados. Takamura pegou a adaga que o havia acertado anteriormente do chão e partiu para cima de um deles:

– Sasuke-kun! –a voz fina alertou á tempo de que o alvo do homem se voltasse e fizesse a lâmina de sua espada atravessar a garganta de seu oponente.

Sasuke lançou o corpo ao chão novamente, tendo a certeza de que dessa vez, certamente não seria capaz de erguer-se novamente. Em seguida, encarou com angústia a imagem que encontrara: Itachi jazia deitado, suas feições estavam inchadas e marcadas por hematomas enquanto fraturas expostas tomavam conta de seu corpo coberto por trapos que usava desde sua prisão no distrito. Obviamente a surra foi dada de forma covarde á mando de Madara. O maior desejo de Sasuke naquele momento, era ter os nomes de todos os responsáveis e fazê-los engasgar com seu próprio sangue.

– Ele respira, mas arde em febre. –foi a garota ao seu lado que dissera, tocando levemente a testa do ferido.

– Temos que levá-lo daqui. –falou atordoado, enquanto segurava-o com cuidado. Não sabia para onde levar Itachi, levando em conta que todos que considerava aliados estavam no distrito, que á essa altura era o lugar mais improvável para onde pudessem ir.

– Sas...Sasu...ke.

– Não se preocupe onii-san, irei salvá-lo. -sussurrou-lhe de volta.

– Sasuke­–kun é bom que se afaste com Itachi­-sama o quanto antes... Há uma escolta samurai da Akatsuki se aproximando, leve-o daqui. Tentarei lhes ganhar algum tempo. –Sakura decidiu ao ver o pequeno grupo que se encontrava ainda á alguns metros de distância.

– E como pretende derrotá-los sozinha Sakura? –perguntou raivoso, apoiando o peso do irmão sobre seus ombros.

– Penso que as minhas habilidades como gueixa possam fazer algo á respeito... Agora vá! –tentou parecer confiante á si mesma, embora temesse o que poderia lhe acontecer, tinha que tentar.

Franzindo as sobrancelhas, o Uchiha virou as costas carregando Itachi junto consigo. Apressadamente, Sakura retirou a capa dos Uchiha e jogou-a dentro da carroça. Seus cabelos longos estavam soltos, a Haruno fez o possível para ensaiar uma expressão abatida, enquanto seu cérebro buscava as palavras certas.

Não tardou para que o grupo se aproximasse e com isso, vissem o cadáver de Takamura e a garota com expressões assustadas no rosto. Um dentre os quatro homens foi o primeiro a se pronunciar intrigado:

– O que aconteceu aqui?

– Eu e meu otousan transportávamos um prisioneiro, quando um grupo nos atacou. Libertaram o criminoso e ainda... Mataram meu otou-san, ele suplicou para que me poupassem. –mentiu mostrando-se falsamente abatida com a morte do homem jogado no chão.

– É uma Uchiha? –outro perguntou verificando o cadáver no chão.

– Não, mas minha família sempre prestou serviços á eles, assim como há outros clãs dos arredores, transportando mantimentos e até prisioneiros, como esse ladrão que levávamos essa noite.

– E viu para onde os assassinos foram? –o terceiro deu um passo á frente.

– Eles saíram da ponte pela esquerda, estava escuro e não consegui vê-los depois.

– Vocês dois retirem o corpo. Enquanto isso, queira nos acompanhar, o Imperador deve estar ciente pela manhã. –a dupla retirou o corpo para dentro da carroça que servira de prisão móvel, e pôs-se em movimento, deixando apenas os outros dois samurais e a garota de cabelos róseos para trás.

Gomen, mas... Nesse momento tudo o que quero é encontrar minha okaa-san. –choramingou, ser levada á capital poderia lhe trazer problemas.

– Isso não é necessário garota. –um deles se aproximou tocando seu rosto, Sakura via nitidamente as segundas intenções em seu olhar, assim como o vira em algumas ocasiões na casa de chá.

– Não, eu não irei com vocês. –alegou afastando-se, mas o mesmo homem lhe puxou de volta pelo pulso.

– Deixe-a ir Hiroshi. –o outro falou entediado.

– Uma beleza assim não se encontra sempre Kazuo. –sorriu bobamente.

Movida pelo temor, Sakura deixou que a sua pequena espada lhe escapasse pela manga da bata, e em seguida usou-a no braço que a segurava. Surpreso, seu agressor recuou, o ferimento não fora grave graças á proteção de sua armadura.

– Essa ratinha ousa me atacar! Irei lhe ensinar uma boa lição. –partiu irado em sua direção.

Sakura caiu em si, nunca havia estado em uma situação como aquela antes, mas sabia que se não provocasse ao menos um ferimento que incapacitasse o homem, provavelmente sua vida correria perigo, e não poderia esquecer-se do segundo samurai que á essa altura também já havia retirado a katana da bainha. Suas mãos tremeram ao redor da espada e antes que pudesse investir, o samurai arrancou-a de suas mãos, jogando a lâmina longe.

– Agora o lince não tem mais suas garras para se defender. –pegou-a pelos cabelos com força.

A Haruno tentava se soltar quando ouviu um grito de dor próximo á si, logo o samurai que a segurava se virou á tempo de ver o parceiro cair ao chão após o moreno retirar sua própria lâmina de seu pescoço.

– Uchiha?! –exclamou antes de atacá-lo, porém o moreno impediu o golpe com sua própria espada, para então fincá-la, assim como havia feito ao outro Alatsuki.

– Qual o seu problema Sakura? Pensei que resolveria a situação com suas habilidades de gueixa. –Sasuke disse deixando a irritação lhe transparecer.

– Sasuke-kun... Eu não fui capaz de feri-lo, quanto menos tirar-lhe a vida assim como tu o fizeste. –alegou de cabeça baixa.

– Humpf, não seria essa sua escolha se soubesse o que esse verme pretendia fazer contigo. Agora vamos, não me faça perder mais tempo com suas frescuras. –disse já de costas, só então Sakura se deu conta de que Sasuke provavelmente havia abandonado o irmão debilitado em algum lugar, apenas para vir prestar-lhe algum tipo de auxílio, atitude que surpreendera a garota de certa forma.

Ela o ajudou a jogar os corpos dos samurais no rio abaixo da ponte, então se aproveitaram da carroça de suprimentos que conduziram antes, chegando com mais rapidez até o ponto onde o Uchiha havia deixado seu irmão. Sasuke o deitou, descartando vários mantimentos que havia trazido do distrito, e logo em seguida pôs-se a conduzi-los. Sakura estava atrás junto de Itachi, por qualquer que fosse o motivo, o castigo do primogênito de Fugaku havia sido cruel. Seu coração doera só de pensar no que Mikoto sentiria ao ver um de seus filhos naquele estado.

– Para onde irá levá-lo? –questionou preocupada.

– Á um velho amigo. –respondeu.

Chegaram á uma cabana velha localizada no meio de um bosque tomado por vegetações altas e igualmente mal cuidado. Mesmo com o irmão mais velhos sobre os ombros, Sasuke deu várias pancadas fortes na porta que ameaçou cair devido aos impactos:

– Quem é o inútil que perturba alguém á essa hora?! Já estou indo! –a voz mal humorada soou do outro lado e assim que a porta foi aberta, Sakura se deparou com feições já conhecidas.

– Sasuke, mas o que... Ei, o que houve com Itachi? –indagou dando passagem para as visitas inesperadas.

– Madara o tirou do calabouço para levá-lo a outro inferno ainda pior. Penso que meu onii-san sabia de algo que não devia, por isso os ferimentos.

– Então o roubou da própria guarda Uchiha?

– De um subordinado e posteriormente tive de me livrar de dois da Akatsuki.

Kami, você tem sérios problemas!

– Na verdade espero que possa me ajudar com eles. Não posso levar Itachi de volta ao distrito, quanto menos ausentar-me, então lhe peço que o mantenha em segurança. –discursou diretamente.

– O quê?! Sasuke, sei que compartilhamos mais do que a linhagem de nosso clã e é verdade que vi á ti e Itachi crescerem, embora não seja tão velho assim... Mas venho conseguindo me manter invisível aos olhos de Madara e da própria Akatsuki, arruinar isso não poderia resultar em algo bom.

– É justamente por que vim até aqui. Se Kakashi o visse agora, provavelmente diria o quão covarde está sendo. Madara está nos escondendo algo muito grande e Itachi sabe o que é, porém para nos contar precisa estar em condições para isso.

– Tudo bem... Venceste Sasuke. –o moreno alegou após um amplo tempo de receio. – Deite-o naquele futon, parece que terei de arrumar algumas ervas para tratar desses ferimentos.

– Ele também tem febre. –a garota interveio, chamando a atenção do anfitrião pela primeira vez.

– Está fazendo parcerias com mulheres agora Sasuke? Espere, essa não é a acompanhante de sua okaa-san? –voltou-se confuso.

– É uma longa história. Nós precisamos voltar antes do amanhecer, para que não percebam nada. Arigatô Obito. –o mais jovem agradeceu sincero.

– Não há de quê, além disso, devo ao seu otou-san por todos esses anos. –o outro retribuiu sorridente, na verdade Obito sempre fora o Uchiha mais risonho dentre todos os outros, seu sorriso aberto só perdia para o de Naruto.

Sasuke ainda caminhou para o lado de seu irmão uma última vez, olhando-o com esperança e compaixão. Algo lhe dizia que estava diante de uma arca, a qual somente Itachi possuía a chave e esperava que ao abri-la, conseguisse desmascarar Madara, fazendo-o pagar por deixar seu irmão mais velho naquelas condições.

Acenaram uma última vez á Obito, para em seguida partir á caminho do distrito. Em seus pensamentos, Sakura temia que descobrissem algo, porém estranhamente a presença de Sasuke ali a acalmava, como se o moreno fosse ter a solução ou a força para enfrentar qualquer pedra que viesse á ser posta no caminho.

Abandonaram a carroça de mantimentos no meio da mata, prosseguindo o restante do caminho á pé. Separaram-se próximos ao distrito e entraram por portões distintos.

Os ninjas estavam ali, vigiando seus passos, mas Sakura se encontrava exausta demais para se preocupar com isso. Quando cruzava um dos corredores próximo ao seu aposento, foi surpreendida por um movimento da escuridão. Sentiu o impacto de suas costas na parede, uma mão fria segurava a sua impedindo que alcançasse sua espada, enquanto outra cobria seus lábios para que não gritasse:

– Não se atreva a contar a qualquer um sobre o paradeiro de Itachi. –não podia ver os intensos orbes negros de Sasuke, contudo seu perfume único e o tom da voz eram inconfundíveis.

Balançou a cabeça positivamente e sentiu a mão descobrir sua boca aos poucos. Pareceu-lhe uma eternidade os segundos que ficara ali, parada na escuridão com a respiração dele bem próxima á sua. E logo, tão subitamente quanto surgira, deixou de sentir a presença do moreno ali.

Não se ouvia agora mais nenhuma voz, quanto menos sentia seu cheiro, no entanto em seu peito, o coração continuava a pulsar descompassadamente.

...

Notas finais
Pobre Ita... Peço desculpas se houve algum erro nesse capítulo, sinto que preciso voltar a ler, tem me feito falta na hora de raciocinar na escrita. Já aviso que no próximo tem SasoSaku e, acho que consequentemente SasuSaku, mas não se preocupem, afinal nosso cannon é o foco! Obrigada á todas que acompanham, beijinhos e até mais. Pretendo voltar antes do Natal... Até lá!