Diz pra Mim

20 Para Sempre uma Gueixa


Notas iniciais
Boa Noite! Sei que ficaram ansiosas depois do último capítulo, mas o reencontro da Sakura com Sasori é só no próximo minha gente... Bem, esse aqui tem uma pitada SasuSaku e dona Mikoto se sacrificando pelos filhos... Boa Leitura!

Sakura não tardou a retornar. Deixara Sasori em seu sono profundo, torcendo para que o plano de Sasuke desse certo. Sentia-se mal por enganar alguém que sempre fora tão doce e gentil consigo, no entanto não podia permitir que esse plano lhe levasse á caminhos sem volta. Assim que entrou em seus aposentos, Mikoto a esperava com um olhar ansioso estampado nos orbes negros, logo a mulher a questionou:

– E então?

– Está feito, a enguia fez sua visita e foi embora. –concluiu ainda distante.

– Sinto muito que tenha perdido algo tão importante numa situação como essa, mas logo estaremos todos livres e tudo será como antes. –a mulher a abraçou e a Haruno permitiu-se pensar no que seria de si mesma.

Na manhã seguinte, estavam todos reunidos á mesa, como há tempos não acontecia. Madara parecia ainda mais apático dessa vez:

– Como vai a procura por Itachi? –indagou diretamente á Sasuke, enquanto Mikoto mostrava-se apreensiva.

– Não há nenhum sinal dele. Temo que quem o fez tinha a intenção de feri-lo ou até... –parou ao se lembrar da presença da mãe ali. – O fato é que não haveria motivos para sequestrá-lo, o status dos Uchiha já não é tão grande.

– Ao menos que ele tenha sido resgatado não é Sasuke? Acho bom que encontre algum indício, ou será a sua cabeça que irá rolar, já que na falta de um culpado, tu és o principal suspeito. –insinuou em tom de ameaça.

– Pare com isso Madara! Será que já não basta o que fez á minha família?! Itachi estava sobre seus homens, cabe á ti resgatá-lo. Fugaku jamais permitiria uma fuga dentro de seus calabouços. –Mikoto disparou antes de se erguer para sair, porém Madara conseguiu segurá-la pelo pulso.

– Fique. –sua voz foi sombria.

– Tire a mão de minha okaa-san. –Sasuke ordenou.

– Tudo bem Sasuke... –a mulher assentiu ao filho, voltando ao seu lugar.

– Dê-me uma boa notícia Mikoto, por favor, diga que o rapaz já está comendo nas mãos de sua pupila. –solicitou já com seu tom usual.

– Está sim. Sasori parece cada vez mais encantado por Sakura. Ela logo fará sua estreia como gueixa, talvez seja a hora perfeita para agir. –a Uchiha informou. Sakura ao seu lado achava estranho o fato de que, sempre que tocavam no assunto do plano, era como se a mesma não estivesse ali, como se nunca tivesse, ou melhor, nunca pudesse dizer nada sobre o assunto.

– É isso, uma verdadeira festa. Nagato têm de estar lá e então, antes de toda a sua tropa chegar, seu capitão já estará morto. –sorriu satisfeito.

Gomen, sinto-me indisposta. –a rosada disse antes de se retirar.

Pouco depois da saída de Sakura, Sasuke deixou a mesa e logo a alcançou.

– Parece que sua noite não foi das melhores. –comentou sarcástico.

– O que quer de mim Sasuke-kun? –foi direta ao ponto, fazendo o Uchiha estranhar sua frieza.

– Aderiu ao meu plano? –foi igualmente direto.

– Não sei o porquê está tão preocupado com essa questão, a desculpa de que se importa comigo soa ridícula vinda de você. –rebateu.

– Não me faça colocá-la em seu lugar. –disse em tom de aviso, embora não tenha amedrontado Sakura em nada, muito pelo contrário, a rosada aceitou o desafio, tirando sua pequena katana dentre as próprias vestes e colocando-a diante do rosto do mesmo.

– Sou apenas uma peça que se encaixou por acaso, não pertenço a lugar algum se lembra, Sasuke-kun? –usou das palavras que ele pronunciara na noite anterior.

Mas Sasuke não deixou barato. Segurou o pulso da mão que a garota usava para manter a espada e girou-o, até que Sakura não tivesse outra escolha a não ser largar a arma. Logo, segurou-a junto de si até o mesmo oratório e sussurrou olhando em seus olhos:

– Encontrarei Itachi, ele sabe algo sobre Madara. Acharemos uma forma de acabar com aquele velho e com a Akatsuki, e então Sakura... –plantou um beijo simples em seus lábios, para então continuar com a boca ainda bem próxima á sua: – darei um lugar que a pertença.

Sakura remexeu-se, porém antes que escapasse, o homem afastou-se com a sombra de um sorriso em seus lábios finos. Não soube dizer o que suas palavras significavam, contudo não se permitiu ser otimista, afinal o que poderia haver entre ela e Sasuke?

...

O Uchiha se assegurou de que não era seguido por nenhum ninja, por mais que eles fossem um tanto imperceptíveis, decidiu arriscar. Estava preocupado com Itachi e seus ferimentos graves. Bateu na porta da cabana e assim que Obito a abriu, ele entrou ligeiramente para dentro.

– Como ele está?

– Itachi é forte, embora esteja coberto por ataduras. O que me preocupa é seu estado mental, ele vem delirando enquanto fala de ninjas e tal livro que é a chave de tudo a seu ver. –Obito respondeu conduzindo Sasuke até junto de seu irmão, que jazia deitado repousando.

Nii-san...

– Sasuke, finalmente você veio. Nós não temos tempo á perder. –disse com muito mais facilidade do que da última vez que se viram.

– Primeiro me explique o porquê de Madara tê-lo deixado nesse estado. –exigiu.

– Lembra-se das histórias que Ryu, aquele tratador de corvos nos contava quando erámos apenas duas crianças?

– Sim, as lendas das criaturas da noite. –completou.

– Isso. Acontece que não eram apenas lendas. Na dinastia passada, estima-se que o Imperador Xang destruiu todos os seus inimigos com um exército de criaturas feitas de sombras. Havia boatos que eles ainda existiam nas províncias ao sul, pois lá existem muitos xamãs e diz-se que a energia daquelas terras atrai seres surreais. –fez uma pausa e respirou fundo antes de prosseguir: – Eu e Shisui já havíamos investigado esse tipo de existência e quando vi aqueles ninjas de Madara, desconfiei desde o princípio. Lembrei-me de textos que conhecia, descrevendo os poderes de tais criaturas e então, quando o declamei perto de Madara, tive minha certeza. E o mesmo tendo o conhecimento de minha descoberta, ordenou que seus ninjas me fizessem isso, ainda me pergunto o porquê ele me manteve vivo.

– Essa história me parece a mais insana o possível! –exclamou Obito que também estivera por perto todo o tempo.

– Não duvidarei de ti onii-san, porém... Como Madara tem os ninjas ao seu lado?

– Feitiçaria oculta. Há muitos livros e pergaminhos contendo esse tipo de magia. Nem todos são verdadeiros, mas existem. Lembro-me que os olhos de Madara de repente foram tomados por tons de vermelhado e negro.

– Agora que o disse... –Sasuke pronunciou, recordando-se de ter visto a mesma mudança nos olhos do tio. – Em certa ocasião, notei mudança nos olhos de Madara.

– Ele deve ter se envolvido com algo muito grande para ganhar as habilidades que possui. Contudo penso que ainda deva existir uma forma de pará-lo. –Itachi continuou a dizer.

– O que tem em mente? –Obito perguntou curioso.

– Temos de achar o livro, ou pergaminho de onde Madara tirou seu ritual. Shisui conhecia mais dessa área do que eu, no entanto penso que se tiver o material em mãos, posso descobrir uma forma de reverter seus efeitos.

– O problema é que por ser algo tão importante, Madara deve guardá-lo muito bem, não acham? –Obito manifestou-se.

– Com certeza. Ele é matreiro como uma raposa, arrancar essa informação de Madara é tão impossível quanto uma chuva de katanas. –o irmão mais velho consentiu.

– Talvez uma pessoa consiga essa proeza. –Sasuke afirmou, deixando os outros dois Uchihas intrigados com sua frase.

...

– Aquele cretino fez o que ao meu filho?! –Mikoto indagou revoltada após Sasuke lhe contar que havia resgatado Itachi e o motivo disto.

– Acalme-se Mikoto-sama. Se alguém ouvir, estaremos todos arruinados, inclusive seus dois filhos. –Sakura falou atenciosamente.

– Acha que não tenho vontade de destruir aquele patife toda vez que o vejo? Mas será necessário muito mais do que vontade para isso okaa-san, e por isso mesmo precisamos de sua ajuda. –o Uchiha sussurrou-lhe. – Esses ninjas que vemos por toda a parte são controlados por Madara com poderes especiais, temos que encontrar a fonte desses poderes e levá-la até Itachi, só assim conseguiremos acabar com ele.

– Que tipo de histórias anda ouvindo por aí Sasuke? Isso não existe.

– Na verdade Mikoto-sama esses ninjas são mesmo estranhos e Lee, um soldado que veio do sul vive falando de criaturas desse tipo, das terras em que habitava.

– Suponhamos então que essa seja mesmo a verdade por trás desse exército de Madara. E então? Como posso ajudar a encontrar essa fonte?

– Teremos de ser astutos, fica cada vez mais difícil esconder a verdade de Madara, no entanto a única pessoa aqui capaz de despertar em Madara algum tipo de confiança, és tu okaa-san. –depois disso, Sasuke continuou a explicar suas ideias, eles não teriam muito tempo para agir, visto que a estreia de Sakura como gueixa, aconteceria na noite seguinte.

...

Já havia passado o jantar quando um de seus ninjas anunciou a presença de alguém do lado de fora de seus aposentos. Madara praguejou mentalmente, imaginando quem poderia incomodar o sossego de sua noite. Porém, quando seus lacaios abriram a porta do painel e a bela morena adentrou o cômodo, ele contentou-se apenas em ficar intrigado com sua presença:

– Nunca pensei que a veria em meus aposentos, não depois de tudo o que passamos. –alegou sorrindo, enquanto observava melhor o simples quimono que a mulher vestia, deixando-a ainda mais linda do que de costume.

– Admito que jamais havia me imaginado nessa situação, porém não sei mais o que fazer... –nesse momento, lágrimas brotaram e escorreram por seu rosto pálido. – Meu primogênito está desaparecido, já não tenho mais um homem ao meu lado para aguentar essas tormentas. Parece que todo o meu mundo se encontra de cabeça para baixo. –continuou a se lamuriar.

– Não se sinta assim bela Mikoto, esses olhos não foram feitos para o pranto. Encontraremos seu filho, quanto ao seu homem... A verdade é que nunca o teve de verdade ao seu lado, Fugaku sempre esteve mais para um saco de batatas. –alegou, envolvendo-a em seus braços.

– Sempre pensei que Fugaku poderia ser um bom alicerce para que construísse minha vida, mas ele se foi deixando apenas meu desamparo. Descobri que sou alguém fraca e que necessito de uma pessoa forte ao meu lado. –continuou com sua farsa, olhando-o nos olhos.

– É bastante óbvio que Fugaku não é essa pessoa. Eu podia lhe oferecer tanto bela Mikoto.

– As coisas estão confusas em minha mente, coisas que antes não me faziam sentido agora parecem as mais certas... Diga-me Madara: ainda tens algo a oferecer-me? –questionou com a voz melodiosa.

– Bela Mikoto, saiba que tudo o que sempre lhe prometi, permaneceu especialmente guardado para esse momento. –dito isto, o Uchiha curvou-se o bastante para que seus lábios tocassem os da mulher.

Mikoto sempre ouvira dizer que gueixas eram o tipo de artista mais completo que deveria existir. Elas deveriam cantar, tocar, dançar e até atuar. Naquela noite, porém a Uchiha descobriu que uma vez sendo gueixa, o seria até os fins de seus dias. Implorou aos deuses em pensamento, para que Fugaku jamais tivesse o conhecimento dessa desonra. E foi assim, que pelo bem de sua família e de todos aqueles que sobreviveram ao massacre do clã, a mesma suportou com repúdio e fingimento, os toques do homem que mais menosprezava.

Madara adormecera ao seu lado, com um dos braços envolto em sua cintura. Teve vontade de vomitar ao lembrar-se do que havia acabado de fazer, porém se deteve com a ausência de tempo que tinha. Ergueu-se sem movimentos bruscos e começou a procurar em gavetas da cômoda, entre as roupas, papéis e envelopes velhos, na verdade não sabia bem o que procurar. Qualquer livro ou pergaminho antigo bastaria, segundo Sasuke, ainda que fossem descrições muito vagas.

Foi á uma segunda porta do quarto, que dava em uma pequena sala onde antes, seu marido guardara suas melhores espadas e relíquias, assim como a mulher depositava suas joias. E foi ali, que encontrara uma caixa média, feita de ferro escuro, na parte de cima, a imagem de um corvo era formada e no lugar de seus olhos, havia duas pedras de rubis. Mikoto abriu o objeto, dando de cara com uma folha antiga, quase apodrecida toda enrolada. Ao ver melhor, percebeu que não era capaz de entender nada do que os estranhos símbolos significavam, e mesmo que não tivesse certeza, sabia que o pergaminho se encaixava perfeitamente como documento que continha algum ritual antigo.

Pegara o mesmo, colocando-o entre suas vestes. Ao retornar ao quarto, viu que Madara continuava adormecido, logo prosseguiu com o plano. Saiu sorrateiramente do cômodo. Do lado de fora, ninjas guardavam o local e quando passou por eles, sentiu seus olhos vazios a acompanhando.

Assim que virou o corredor, começou a correr, pois temia que Madara ou até mesmo as tais criaturas dessem falta do pergaminho. Já do lado de fora, próxima a um riacho, o qual sua discípula sempre gostara de apreciar, encontrou-se com Sasuke e entregou-lhe o item roubado. Mas a mãe não se deu por contente, e tomou a katana da bainha do filho. Segurando-a, tratou de utilizar apenas da ponta para fazer um corte em seu próprio pescoço. Em seu tempo como gueixa, Mikoto jamais devia permitir que nada ferisse sua pele, pois qualquer cicatriz era dispensável, sua pele deveria ser perfeita.

Okaa-san! O que está fazendo?! –Sasuke sussurrou desesperado.

– Apenas tornando minha atuação mais real. Agora vá Sasuke, se afaste o máximo o possível com isto, algo me diz que eles podem farejar essa coisa. Vá logo! –hesitante, o moreno afastou-se.

Mikoto pôs a mão no ferimento que escorria sangue e tratou de sentar-se desajeitadamente no chão. Tal como esperava, não tardou para que Madara e seus ninjas aparecessem:

– Mas o que houve aqui? Diga-me Mikoto! –quando o avistou, mesmo no escuro conseguira enxergar seus olhos rubros, no entanto preferiu desviar deles.

– Achei que não era decente dividir o mesmo quarto que você, então quando estava prestes á entrar em meus aposentos, quando algum ladrãozinho colocou uma adaga em meu pescoço e me arrastou até aqui pelos fundos. O mesmo tentou retirar o quimono de mim, por ser a única coisa de valor que porto e então, quando ouviu um barulho próximo, na pressa de sua fuga, fui ferida. –tirou a mão do ferimento, deixando seu corte exposto, a expressão de angústia em seu rosto deveria ter funcionado, pois no momento seguinte, por mais que ainda estivesse zangado por outro motivo, Madara ordenou:

– Alguém a leve daqui para ser tratada. Botaremos esse distrito de pernas para o ar, a fim de encontrar o que me foi roubado! –a morena sentira um calafrio percorrendo sua espinha quando o Uchiha passou por si, era como se o mal em pessoa estivesse ali, encarnado a sua frente. Por um momento, a única coisa que quis foi que seu filho conseguisse escapar á tempo.

...

Notas finais
É, agora sabemos de quem Sasuke herdou seu talento como ator, não se preocupem pois o ferimento da okaa-san Uchiha foi superficial. Enfim mistério de Madara solucionado? Agora a ação começa 'hehe. Bem, tenho que deixar avisado que em breve começarei minha faculdade, logo não sei com que frequência vou poder postar, mas não irei deixá-las na mão, trabalho iniciado é trabalho concluído! Muito obrigada por acompanharem, não sei o que seria de mim sem vocês. Beijos e até o próximo!