Dividida
12 Exposição Cultural Pt. 1 - Akai Ito
Notas iniciais
P.O.V MÔNICA
Era sábado e eu acordei me lembrando da porcaria de exposição cultural que o DC tinha me convencido a ir, não só a mim como todo mundo, menos a Denise e o Xaveco que iam ter um jantar em família. Mesmo depois de a Marina ter me contado que talvez ele pedisse a Carmem em namoro eu continuava gostando dele, mas o que se esperar de alguém que gostou a vida toda do Cebola apesar dele ser um galinha ignorante. Olhei o relógio e ainda eram oito horas da manhã, mas eu combinei de encontrar com o resto do pessoal 10 horas então eu teria que me arrumar rápido. Levantei da cama e fui em direção ao banheiro, tomei um banho rápido e fui escolher a roupa que iria vestir, fazia calor então acabei escolhendo um short e uma camisa de alcinha amarela. Tomei um café da manhã reforçado, afinal andaríamos muito.
Cheguei à casa do DC exatamente no horário proposto, mas todo mundo já me esperava, ate mesmo o professor Franja que pra minha surpresa estava lá
– Ei Magali – falei puxando-a para um lugar onde ninguém pudesse nos escutar – O que o professor Franja tá fazendo aqui?
– Pelo que eu entendi, ele e o Nimbus são amigos, parece que quando o Nimbus tava no Japão ele dava informações sobre algumas coisas da cultura japonesa pro Franja
– Ah claro e a Marina já sabe disso?
– Não sei, mas ela vem. Desde aquele dia que eles se beijaram eles não se falaram, essa me parece uma boa oportunidade pra quebrar o gelo
– O que as duas meninas tanto cochicham? – era o Nimbus
– Nada que seja da sua conta, gatinho – a Magali falou bagunçando seus cabelos
– Só vim avisar que a Marina chegou e que a van já está aqui pra nos levar
– Ok, capitão – nós falamos juntas e sorrimos
A viagem até a exposição foi tranquila e ninguém ali parecia tão animado quanto o DC, só ele mesmo pra ficar animado indo pra um lugar desses. Depois de uma hora de viagem chegamos e pra minha surpresa do lado da exposição tinha um parque de diversões!
– Se você tivesse me falado que tinha um parque eu teria me animado mais – falei provocando-o
– Achei que isso não importasse muito, a maioria das pessoas vem aqui por causa do parque, mas eu vim aqui porque quero adquirir um pouco mais de cultura!
– Ok maninho, depois desse seu discurso do contra a gente pode entrar?
– Não pode – ele falou
– Hã? – todo mundo perguntou confuso
– Ele quis dizer que pode sim galera – o Nimbus falou
Todos nós entramos na exposição e logo nos dividimos em dupla, o Nimbus foi com a Maga, eu com o DC e a Marina com o Franja... É, eu dei um jeito pra todo mundo ficar juntinho.
– Então o ponto de encontro é na roda gigante do parque ás 18h00min?
– Aham – todos respondemos juntos e cada dupla foi em uma direção
P.O.V MAGALI
Depois de a Mônica ter que dizer mil vezes que eu e a Marina não sabíamos andar pela feira e por isso o Nimbus e o Franja não poderiam ficar na mesma dupla nós finalmente podíamos andar pela feira. Eu tinha que lembrar de agradecer a ela
– O que você quer fazer? – ele estava sorrindo e o sol forte do meio dia batia em seu rosto
– Não sei, você que conhece as coisas por aqui
– Que tal a gente ir a uma tenda de objetos da antiguidade? Agora você precisa ter cuidado pra não derrubar nada, as coisas lá são muito caras.
– Por mim tudo bem – qualquer coisa com ele seria divertida
Andamos até a tenda que ele havia falado. Apesar das coisas lá terem a aparência de serem muito velhas, elas eram lindas, com uma quantidade de detalhes fora do comum, tudo tão bem feito e toda vez que o Nimbus via que eu estava muito interessada em algum artefato ele simplesmente parava o que estava fazendo e vinha me explicar a história do objeto. Estava tudo correndo da mais perfeita harmonia quando do nada eu escuto um estrondo vindo de dentro da tenda, quando eu olho pra trás um vaso quebrado e o Nimbus vindo em minha direção e puxando meu braço
– CORRE E NÃO OLHAR PRA TRÁS! – mas eu olhei e o que vi foi o dono da tenda correndo enfurecido atrás de nós dois
– O QUE HOUVE NIMBUS
– EU QUEBREI A MERDA DO VASO! NÃO TENHO TEMPO PRA EXPLICAR – nós dois corríamos muito rápido até que ele avistou uma tenda de cortinas vermelhas – Vamos nos esconder aqui, isso servira pra despistá-los
Entramos dentro da tenda e a cena com a qual nos deparamos lá foi o maior caos, eu podia ver pessoas correndo de um lado pro outro, todas fantasiadas, maquiadas e tinha uma mulher que gritava com todos dando ordens, até que ela veio em nossa direção. Pronto ra agora que a gente tava fudido, não tinhamos sido pegos pelo dono da outra tenta, mas tínhamos sido pegos por uma louca!
– AH MEU DEUS, FINALMENTE VOCÊS CHEGARAM! ACHEI QUE IA FICAR SEM MEUS DOIS PERSONAGENS PRINCIPAIS JUSTO NA ESTREIA! – a mulher gritava e parecia desesperada – O QUE VOCÊS DOIS ESTÃO FAZENDO AI PARADOS, VÃO PARA O CAMARIM SE TROCAR — eu não sabia o que fazer até que o Nimbus falou
– Tivemos um problema com o transporte, em cinco minutos estaremos prontos! – com isso a mulher se afastou de nós
– Você tá louco?
– Louco eu seria se voltasse lá pra fora!
– Você pelo menos sabe que peça é?
– Sim, eu li na programação! Vai contar a história da lenda japonesa Akai Ito
– E que merda é essa?
– Ai, meu Deus. Akai Ito é: "Um fio vermelho invisível que conecta os que estão destinados a conhecer-se, independentemente do tempo, lugar ou circunstância. O fio pode esticar-se ou emaranhar-se, mas jamais se quebrará." Quanto mais longo for o fio, mais longe e tristes as pessoas destinadas estão e vice versa... (Quanto mais curto for o fio, mais perto e mais felizes as pessoas destinadas estão). A lenda espalhou-se pelo espalhou-se pelo Leste Asiático (Japão & Coreia) e foi incorporada no folclore oriental, sofrendo apenas algumas modificações. A versão mais conhecida desta lenda é a versão nipônica, na qual a corda passa a ser um fio fininho no dedo mindinho. Um fio fino vermelho (diz-se que é de algodão), também invisível aos olhos humanos, é amarrado, pelos deuses ao dedo mindinho dos futuros amante. E, claro, como estamos falando de alma gêmeas, apenas duas pessoas podem estar conectadas... Por isso, não importa quantos relacionamentos tenhamos, pois só viveremos a "experiência do verdadeiro amor" com a pessoa que estiver na outra ponta do Fio Vermelho. – ele me explicou de maneira rápida – Agora vai se trocar, porque a gente não tem muito tempo!
– Ok, ok – me vesti com o figurino que algumas moças me deram, até que...
– AINDA ESTÁ ASSIM? VOCÊ TEM QUE IR VER A PEÇA PARA SABER A HORA QUE VOCÊ ENTRA! VÁ LOGO! AINDA TEM QUE FAZER A CICATRIZ
– C-c-c-e-rto – eu falei nervosa e fiz a melhor cicatriz no meu rosto que podia
Fui para trás das cortinas e pude escutar e ver a peça que era narrada, pelo menos isso
P.O.V AUTOR
“Debaixo da escura noite, iluminada apenas pela brilhante lua cheia caminhava, apressadamente, para a sua casa um pequeno menino. Enquanto caminhava encontrou um velho, sentado por baixo de uma árvore observando a grande lua.”
– Boa noite rapaz!
“O menino nunca antes vira o velho, por isso, continuou o seu caminhou sem lhe prestar atenção.”
– Sabes! — continuou o velho — Devias começar a preparar-te para o teu destino. Já não falta muito para te tornares um homem e, como todos os todos os homens, precisas de uma esposa
–Eu nunca me vou casar. — Disse amargamente.
– Isso só o destino pode dizer. E sabes o que ele diz agora? – o garoto que fazia o papel fez um movimento negativo com a cabeça — Ele diz que te casarás com a jovem que estiver do outro lado da corda que amarrei ao teu tornozelo.
“Pela primeira vez,o menino conseguiu ver a corda vermelha amarrada ao seu tornozelo, que se estendia no chão formando um estreito caminho cor de sangue. Na outra ponta da corda estava uma jovem menina, sentada à porta da sua casa, observando o céu escuro da noite. O menino não queria acreditar no que os seus olhos viam, pegou então numa pedra e atirou-a ao rosto menina, pensando que aquilo seria o suficiente para a manter longe dele para sempre. De seguida, limpou as mãos sujas de terra aos calções e correu, como nunca antes havia corrido, passando por tortuosos caminhos, deixando completamente emaranhada a corda vermelha que continuava amarrada ao seu tornozelo.”
“O menino, agora já homem, esquecido da conversa que tinha tido com o velho à uns anos atrás, caminhava debaixo da lua cheia, pensando que talvez nunca conseguisse encontrar o seu par ideal. Foi então que, passando por uma das casas da região, viu a silhueta de uma mulher. Pela primeira vez, sentiu que aquela era a mulher com quem queria passar o resto da vida, mesmo que dela conhecesse apenas a sua silhueta.”
– VOCÊ MOCINHA, SUA VEZ DE ENTRAR! – a velha se dirigia a Magali
Magali entrou em cena e Nimbus já estava lá, só agora ela tinha percebido que estava vestida de noiva e usava um véu preto que cobria seu rosto.
– Fale alguma coisa – Nimbus sussurou para ela
– Não tire meu véu, meu rosto está marcado! Um garoto um dia jogou uma pedra nele e o deixou assim para sempre!
“Aquelas palavras trouxeram-lhe à memória aquela noite. A noite em que tinha falado com o velho, o Deus Xia Yue Lau. E com um suave movimento retirou o véu à sua esposa, deparando-se com a mais bela mulher que alguma vez havia visto. Nesse dia o jovem percebeu que não adianta fugir, pois o destino do Akai Ito será sempre cumprido.”
– BEIJA, BEIJA, BEIJA, BEIJA – A multidão que assistia a peça gritava animada, então eles olharam para a mulher que só sabia gritar e ela fazia que sim com a cabeça
– Eu posso? – Nimbus se aproximou e perguntou
– Pode sim – ela respondeu nervosa
P.O.V MAGALI
Nimbus foi se aproximando de mim devagar e colocou suas mãos em minha cintura, de maneira lenta e carinhosa me deu um selinho e quando eu achava que seria só isso, ele simplesmente pediu passagem e eu pude sentir sua língua dentro da minha boca. Eu nem podia acreditar, ele estava me beijando de verdade e eu correspondia seu beijo com todo o desejo que estava guardando esse tempo todo. Ele apertava forte minha cintura e eu sua nuca! Até que notamos que tínhamos passado muito tempo nos beijando, nos soltamos e agradecemos ao público.
– Vocês foram perfeitos! Uma pena que hoje nós só temos uma única apresentação – finalmente ela tinha parado de gritar – Aqui está o dinheiro de vocês – ela estendeu 200 reais para cada um, Nimbus aceitou o dinheiro e eles foram embora
Depois que saímos da tenda a caminhada foi silenciosa até que eu resolvi quebrar o gelo
– Ainda são 15h00min... O que acha de nós irmos ao parque?
– Desculpa pelo beijo na tenda, eu não sei o que deu em mim – ele estava tão fofo envergonhado
– Tudo bem Nimbus, você estava dentro do personagem – ele riu
– Você é muito divertida sabia? E linda também – agora quem estava envergonhada era eu
– Obrigada e sobre o parque?
– É uma ótima ideia, chega de confusão por aqui – nós dois rimos e fomos em direção ao parque
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