Dividida

4 Capítulo 4


Notas iniciais
Então... é isso!
TahTulipa, obrigada!

Ri e corri escadas abaixo, mesmo descalça, sentindo o frio da tijoleira nos pés. Abri a porta e encontrei quatro rapazes sorridentes à minha porta.

- Entrem! – Convidei, recebendo um beijo na bochecha de cada um, excepto de Zayn, o chato, que me abraçou e pegou ao colo. – Estejam à vontade, eu vou só preparar algo para comer. Alguém tem fome?

- Eu! – Niall disse imediatamente e, rindo, fomos os dois para a cozinha, onde, em cima da mesa, repousava um bilhete da minha mãe.

“Sophie

Espero que tenha ficado tudo bem com o Harry. A Marie sentiu-se mal e vou com ela ao pediatra. Por favor, quando leres este bilhete, telefona-me.

Mil beijos,

Mãe”

Peguei imediatamente no telefone. A minha irmã mais nova sentir-se mal não era bom. Tinha leucemia, um tipo raro, e podia morrer a qualquer momento. Niall observava a minha cara de pânico e eu, enquanto ligava para a minha mãe, peguei na mão dele, procurando algum apoio.

***

-MÃE! O que se passa, como está a Marie?

- Sophie, querida... é melhor vires ao hospital...

- Mas...o que foi, o que se passa?

- Vem querida, precisas de te vir despedir da tua irmã. Rápido.

***

Desliguei-lhe o telefone na cara e, Niall que ouvira toda a conversa, abraçou-me e disse. – Anda, eu vou contigo. Vai calçar-te, eu aviso os rapazes.

- Obrigada.- Gritei, enquanto corria escada acima, calçando umas havaianas, a primeira coisa que encontrei. Sabia que estava a chover , mas não me podia dar ao luxo de demorar nem mais um segundo. A minha irmã era a coisa mais preciosa da minha vida e, depois de ter perdido o meu pai num acidente há um ano atrás, não me poderia arriscar a perder mais ninguém.

Não disse nada aos rapazes, que olhavam espantados para nós quando eu e Niall saimos de casa a correr. Só quando estávamos quase a chegar ao hospital, me lembrei deles e bati com a mão na testa.

- Os rapazes! – exclamei. – Devem estar a achar que sou doida.

- Eu já lhes telefono. – Niall prometeu, uma vez que estávamos a chegar ao hospital. Assim que Niall estacionou, corremos ambos para fora do carro e entramos juntos a correr, de mão dada, nas urgências, onde a minha mãe nos esperava.

- Vai vê-la, Sophie... pode ser a última vez... – A minha mãe murmurou, apontando para o quarto onde a minha pequenina estava e eu corri, deixando ali Niall.

- Mars... – Chamei baixinho, entrando no quarto e tentando não chorar. A minha pequenina estava cheia de fios. – Estás bem, meu anjo.

- Mana... o pai está ali, num tunel, a chamar por mim... Eu quero ir ter com ele...

- Não vás, princesa. Luta... Se ficares boa, podemos ir ao parque...

- Eu quero ir ter com o pai... – Ela falou com a sua vozinha infantil e suspirou. – Eu gosto muito de ti mana, e da mãe também. – Pegou-me na mão. – Mas o pai está a chamar por mim.

- A mana ama-te. – Murmurei, beijando-lhe a testa. Assim que o fiz, ela fechou os seus olhinhos verdes e a sua respiração cessou.

- NÃO! – Soltei um grito agudo e os médicos entraram a correr no quarto, seguidos da minha mãe e de Niall.

- Ela... Ela... ela... – gaguejei, enquanto Niall me abraçava e a minha mãe fixava a filha pequenina deitada. – di-di-disse que foi ter com o p-p-p-ppai...

O médico pediu para sairmos e assim o fizemos. A minha mãe chorava baixinho, enquanto que eu soluçava escandalosamente e Niall me abraçava, tentando acalmar-me.

- Mãee... – guinchei baixinho...

- Foi o melhor para ela, filha. – A minha mãe murmurou, olhando para mim com o rosto marcado pelo sofrimento. – A Marie sofria muito e tu sabes disso...

- Mas... – eu continuava a guinchar baixinho, abraçada a Niall, que me tentava acalmar. O namorado da minha mãe entretanto tinha chegado e abraçava-a com força.

- Niall, tira-a daqui, por favor. – A minha mãe pediu e Niall fê-lo, segurando-me com força.

- Pequenina...tem calma... – Niall pedia, baixinho, e eu apercebi-me de que ele deveria estar a boiar naquela história toda. Abracei-me a ele com ainda mais força – pendurando-me no seu pescoço – e ele pegou-me ao colo, levando-me para o carro, perto do qual Liam, Zayn, Louis e Harry esperavam por nós. – Telefonei-lhes e Harry também quis vir... desculpa.

- Não quero saber. – murmurei baixinho. – Leva-me para casa...

Niall sentou-se comigo no banco de trás (ou melhor, sentou-se comigo ao colo, uma vez que eu não o largava... era como se a minha sobrevivência dependesse disso), tal como Zayn e Liam. Harry conduzia e Louis estava ao lado dele.

Chegámos rapidissmo a minha casa e Niall levou-me até ao quarto, até porque eu ainda não o tinha largado. Ele pousou-me em cima da cama, mas eu continuava sem lhe largar o pescoço.

- Queres que fique aqui contigo? — Ele perguntou, meio a medo, e eu limitei-me a acenar que sim. – Então eu vou lá abaixo dizer-lhes, pode ser? – Voltei a acenar com a cabeça e ele deixou-me ali. Fiquei na mesma posição até ele voltar.

- Eles já foram. – Niall informou, sentando-se ao meu lado. Eu arrastei-me até ficar ao colo dele e continuei a chorar ali. Agora sim, a minha razão de existir tinha desaparecido.

Notas finais
reviews? xx