Divide comigo o seu brigadeiro?

1 Divide comigo o seu brigadeiro?


Notas iniciais
Bom, bom, bom. Cá estou eu, como te disse ^^ Não sei se ficou do jeito que você gosta, mas coloquei elementos na história que combinassem com você (Tirei do seu perfil pra ajudar, então não me bate >.<), e como essa é a primeira vez que escrevo uma One Shot assim, ainda mais de Presente de Níver, eu não sei se ficou muito bom...
Enfim, Boa leitura, e até as notas finais ♥

Droga...

Como eu pude esquecer?

Era um dia nublado. O céu era como uma mancha cinzenta borrando a paisagem tranquila, como uma parte sem cor de um lindo arco-íris, formando um manto sem vida e deprimente, que cobria a pacata cidade rural. Não passava de meio-dia, mas assim como o céu, as pessoas e as coisas também pareciam nubladas; distantes, absortas, depressivas. Seria a previsão de uma pancada de chuva daqui a algumas horas? Ou a notícia de que os preços haviam subido? Aquele recente acidente na rua debaixo? Não sabia. Nem poderia dizer. Ela estava igual a todos eles, por mais que fosse apenas alucinação de sua cabeça. E não era por nenhum dos motivos anteriores.

Em todas as outras ocasiões... Tinha que ter sido justo nessa?

Abraçando o próprio corpo devido à brisa suave e refrescante (outro indicador de que a chuva não demoraria a vir), se culpou mentalmente por não ter pegado seu suéter azulado (Seu adorado suéter azulado...), tão confortável e aconchegante como sua casa deveria estar agora, sem o frio e a tristeza. Mas ao contrário do que pensava, resolveu ficar por ali mesmo, naquele parque, onde suas pernas a trouxeram depois da corrida de horas, no qual já estava cansada. E por coincidência, ou acaso do destino, parou justo ali, no local onde se conheceram.

Era um dia como esse, não era...?

Sentou-se nas raízes da árvore, encostando seu tronco no da mesma e esticando as pernas. “Estão doloridas...”, pensou. Era o mais provável de acontecer, não é? Refletiu se sua atitude foi a mais correta a se fazer. Teria pagado mico na frente dos demais, por ter agido como uma criança, quando deveria parecer madura? Pendeu sua cabeça para o lado tentando relembrar àquela cena. Seus olhos cor de mel estavam vermelhos, a roupa amarrotada, e o sorriso já tinha se desfeito.

Ela era a pior pessoa do mundo.

Me desculpa... Fui tão idiota...

Enterrou o rosto nas mãos suadas de nervosismo, e deixou que os pensamentos fluíssem, imaginando e esperando que o pior fosse acontecer. Sua atitude não havia volta. Poderia ter evitado, mas aconteceu. E agora, tinha que lidar com as consequências de tal ato.

Se eu, ao menos, pudesse consertar...

Nosso aniversário de namoro...

Foi tudo culpa minha.

Sentiu seu rosto molhado, com as lágrimas gotejando e escorrendo sem parar em seu rosto pálido. Limpou-as rapidamente com as costas de sua mão, e retomou o fôlego. Iria desistir tão fácil assim? Está certo, foi sua culpa, e a burrada já estava feita. Mas não teria como retomar suas ações? Se redimir, pedir desculpas... Conhecia a namorada na palma de sua mão, ela não recusaria. E para compensar, poderia dar outro presente para ela. Maior, mais caro. Sim, ela merecia, principalmente agora depois do que tinha feito. Não tinha como falhar.

Mas...

E se ela não aceitasse?

Das outras vezes, fora muito fácil. Mas aquela data era uma data importante. Muito importante. Não só para ela, mas para si mesma. E se não houvesse volta?

E se...?

Não, nada de pensamentos depressivos. O clima ruim e pesado do dia não a afetaria. Tinha que permanecer firme e sempre pensando positivamente, como ela tinha lhe ensinado.

— Isso é por você, Amy...

Pôs uma mecha arroxeada e teimosa para trás da orelha, e levantou-se rapidamente. Estava decidida. Arrumaria as coisas, e as deixaria impecáveis. Tudo seria perfeito...

Como ela...

Corou com o pensamento. O que não fazia pela namorada, não é mesmo?

Voltou seu corpo para o da árvore, passando os seus dedos em cima da marca que haviam registrado: Um pequeno coração, com suas iniciais marcadas em seu interior. E pensar que, com uma brincadeira simples de criança, nasceria uma amizade tão verdadeira, e que logo se tornou algo a mais...

Na época, não se imaginava gostando de uma garota. Ainda mais uma menina mimada, cheia de frufrus, toda trabalhada no rosa, que ouvia músicas melosas, assistia filmes de comédia romântica, lia livros de contos de fada e que dormia com bichinhos de pelúcia. Ela, tão na dela e sozinha, sem amigos nem companhias, com seu jeito rockeiro e emo de ser, tocando músicas extremas e se vestindo apenas de cores escuras, havia conseguido conquistar o coração de sua amiga, de uma forma tão envolvente e verdadeira, que quando percebeu, já era tarde demais: Estavam namorando. Um namoro que durava anos. E hoje se completava mais um.

E que eu consegui estragar...

Suspirou, querendo se livrar das emoções negativas. Iria conseguir recuperar o seu amor. A conquistaria novamente.

Como uma brincadeira de criança...

— Juliet? Está aí? – O timbre frágil e doce a atingiu em cheio, fazendo-a recuar da planta majestosa em sua frente. Olhou rapidamente para o lado do qual havia vindo a voz, a voz que a fazia se acalmar quando estava nervosa, a voz que a ajudava a compor suas canções, que lhe dava sermões de vez em quando, que lhe dizia palavras e elogios doces nos momentos íntimos...

— A-Amy...? – Não acreditava na visão que via. Só podia ser uma miragem; Ver sua namorada, usando o mesmo vestidinho florido de alcinha, com suas sapatilhas brancas e o cabelo solto como uma cascata dourada até seus seios parada, na sua frente, não podia ser real. Os olhos continuavam meio inchados devido o choro (Que ela mesma lhe tinha causado), porém bem menos avermelhados do que antes. Odiava vê-los assim. Ainda mais quando era a causa disso...

Não a olhava nos olhos. Tinha medo, vergonha, ansiedade. Um misto de emoções corria em seu peito e pulsava freneticamente. Ouviu passos em sua direção, mas tratou de recuar, sem querer.

— Por que está tão... Evasiva? – Novamente o tom angelical se pronunciou em sua direção. Mordiscou o lábio, nervosa, e cerrou os punhos. Queria correr e abraça-la, dizer que sentia muito, que tudo aquilo não iria se repetir mais. Só que tinha que ser diferente. Precisava mostrar para ela o quanto sentia, o quanto a adorava, de uma maneira real e muito mais madura do que todas as outras vezes.

Suspirou e começou:

— Olha, Amy... Quero te pedir desculpas. Eu... Fui uma sonsa, fiz tudo errado. Cometi o pior erro em um relacionamento: esqueci completamente do nosso aniversário, nosso aniversário de cinco anos! E por isso eu não consigo parar de pensar em como você deve estar me odiando agora. Pode me xingar, me bater, fazer o que quiser, mas... Eu ainda quero ser sua amiga, apesar de tudo. Vou entender se não quiser ser mais minha namorada, e... – O som de um bebê fofucho rindo interrompeu seu discurso.

— Ju... Sua tonta! – Correu em sua direção, mas ao invés de recuar, permaneceu parada, e deixou ser abraçada com vontade pela garota. – Mas é claro que eu te perdoo! Essas coisas acontecem!

Como é...?

— O-O quê? – Teria escutado errado?

— Olha... Esse aniversário significa muito para mim sim. – Ficou quieta, esperando que prosseguisse, segurando o impulso de retribuir o abraço. – Fiquei semanas planejando esse encontro. Semanas! – Aquilo fez seu coração doer. Realmente, significava muito... – Mas aconteceram imprevistos, não só com você, mas comigo também. E mesmo que você tenha chegado atrasada, ou melhor, atrasadíssima, eu te perdoo, porque sei que não foi a sua intenção. Você lembrou no final de tudo, não é? Até comprou um presente Maravilindo para mim! – Riu com o adjetivo utilizado pela adolescente para descrever a lembrancinha que havia lhe dado; um ursinho azul superfofo (Ela mesma tinha que concordar que ele era fofinho...), o único que faltava para a coleção de Amy. Ao lembrar do compromisso, tratou de compra-lo rapidamente, já sabendo que esse era o desejo dela de muito tempo. Mas ela não ganhou nada da sua namorada...

Será que esse foi o imprevisto que ela tinha falado?

—...E para compensar, me senti muito mal com a nossa discussão. Fiquei magoada, mas já passou. Esse era pra ser o dia perfeito, sem brigas, imprevistos, e essas coisas. Mas como tudo isso já aconteceu, então... É. Por isso eu te segui, e vim passar meu tempo com você. – Amy se afastou, e ficou encarando os olhos azuis escuros de Juliet, antes de prosseguir. Pegou as mãos da sua namorada, e retomou sua fala. – Eu sabia que você viria para cá, e não perdi tempo de fazer o que eu queria. Juliet... – Estava para falar a tão querida frase, porém percebeu o rio de lágrimas saindo das belas safiras da adolescente, e se auto interrompeu. – Oh, porque está chorando?

— V-Você... – Fungou algumas vezes, para melhorar a sua fala e fazer com que a loira compreendesse – É a melhor garota que eu podia ter. Desculpa por ser assim tão... – Teve seu rosto pego pelas mãos macias da mais baixa, que fazia um carinho em si, enquanto limpava o caminho de lágrimas.

— Tão linda? Tão especial? Tão perfeita? – Os olhos da outra se arregalam. Não esperava receber tamanhos elogios em um momento tão crucial como esse. Não deixou de corar, devido a aproximação de ambas, e pela extrema vergonha e nervosismo que a loira lhe causava. – Juliet, se eu te perdoei é porque quero que nosso relacionamento dure. Você me faz feliz, e fez durante todos esses anos. Quero que continue assim por muito mais tempo... – Encostou sua testa na da garota de cabelos arroxeados, no qual era tão apaixonada por ter, porém não tinha coragem de pintá-los, e fitou os olhos da menina com intensidade e compaixão — ...Porque eu te amo.

O coração de Juliet não podia estar mais acelerado. Foi impossível conter as lágrimas outra vez, pois agora elas representavam sua alegria ao ouvir as queridas palavras. Cobriu as mãos de Amy com as suas e sussurrou um “Eu também” tímido, sem contar com um puxão repentino da garota para lhe tomar um beijo apaixonado e envolvente. E durante o ato, ambas sentiram um calor familiar, que mesmo com os pingos de chuva que teimavam em começar a cair não puderam apagar. Era uma sensação incrível, e que só elas no meio daquele dia cinzento compartilhavam.

Quando o ar lhes faltou, ficaram ali, paradas, observando cada detalhe umas das outras, se apaixonando outra vez, mantendo uma distância considerável entre elas. A força da chuva aumentou, entretanto elas ignoraram, e ficaram ali, debaixo da copa da árvore, abraçadas. Tornaram a se beijar outra vez, mesmo com a timidez de Juliet em fazer aquilo em público, mas Amy não ligava: Adorava quando a namorada ficava corada.

Foram obrigadas a saírem dali por causa da chuva, que não tardou em virar uma tempestade, e se dirigiram à casa de Amy. O clima estava muito mais confortável, quentinho e aconchegante, do jeito que as duas gostavam. Passaram a tarde juntas, devorando chocolates, assistindo comédias românticas, ouvindo músicas, relembrando histórias. E entre esses momentos, uma dúvida ressurgiu.

— Amy? – Indagou, curiosa.

— Hum...? – Desgrudou os olhos da tela da televisão para encontrar os da sua amada.

— Qual é o meu presente? – A pergunta arrancou um sorriso malicioso de Amy.

— É mesmo... Eu havia esquecido. Não sai daí. – Saiu do lado da garota e correu apressada até outro cômodo. Minutos se passaram, e nada dela aparecer. Estava começando a se preocupar. Teria acontecido alguma coisa?

Resolveu investigar. Mas parou quando pensou na expressão furiosa da sua loira ao ver que ela havia estragado a sua surpresa. Decidiu esperar por mais algum pouco tempo, e se ninguém aparecesse, iria lá.

— Voltei! – Sentiu um alivio enorme ao ouvir a voz angelical se pronunciar novamente. Seus olhos encontraram os de Amy, e lá estava ela, deslumbrante, usando um avental sujo e com um coque desgrenhado (O qual Juliet pensava ser muito Sexy, e isso a fez corar violentamente) encostada no batente da porta.

— Puxa, você demorou...

— Peço desculpas! Mas é que eu tive um pouquinho de trabalho... Vem aqui. – Pediu para segui-la, e assim o fez. Entrou na cozinha e lá estava: Um enorme pote de brigadeiro esperando ser devorado. o doce preferido dela. Procurou o olhar de Amy, que sorriu ao ver a satisfação no rosto da amada.

— Isso... Tudo é pra mim? – Acenou positivamente.

— É sim. E pelo trabalho que deu pra fazer, eu quero te pedir um favor... – Se aproximou lentamente, de uma forma sedutora, a qual não foi muito perceptível para Juliet já que estava de olho no enorme pote de brigadeiro caseiro.

— Tudo por você! – Respondeu, animada. Mas ao ver os olhos petrificantes da adolescente, logo murchou. Estava olhando-a de uma forma diferente, algo como... – A-Amy, o que foi?

Chegou por trás de Juliet, e com uma voz mansinha e calma, perguntou de maneira provocante:

— Você divide comigo o seu brigadeiro...?

Notas finais
Hehe... Brigadeiro né?
(Gente, de onde eu tirei isso? O-O)
Então? Não sei se esse final ficou bom, mas foi o que deu, é o que tem pra hoje. Deu um trabalhinho grande pra escrever, já que eu e o Flipper estávamos sem muita criatividade, mas vamos lá!
Feliz Níver Sever, obrigada por ser minha miguxa e por todo o apoio que você me deu (Tanto na Fic quanto fora dela). Te desejo tudo de bom, okay? Te adoro ♥ E que venha 1.7 ! EEEEEEHHHHHH O/
Beijinhos, e até a próxima ^^
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!