Divertimento
2 II. L
Açúcar
Quando você pensa que um dos maiores, senão o maior, detetive do mundo gosta tanto de doces quanto uma criança com cáries nos dentes, você provavelmente ri, mas L tem uma justificativa para seu “pequeno” vício: alimentos com alto índice de açúcar garantem a energia necessária para o bom funcionamento da mente.
Mas, como é fácil perceber, essa é uma mentira deslavada que ele usa para encobertar o verdadeiro motivo.
L gosta de doces porque... Bem, que graça teria a vida se não existissem doces?
Em diferentes formatos, cores, sabores, doces são alimento para o estômago, para os olhos e para a alma. Talvez fazer doces seja uma profissão mais trabalhosa do que a de um detetive (L sabe disso muito bem — no passado, tivera a oportunidade de tentar, mas concluíra que, cozinhando, ele era mesmo um ótimo detetive).
As guloseimas que o acompanham dia e noite (ninguém sabe exatamente como o detetive consegue manter-se saudável) têm, porém, uma espécie de valor sentimental: em tempos passados, L descontara nos doces a pressão que sentira ao encontrar um ambiente novo e solitário no orfanato.
Hoje, essa continua sendo a forma como o moreno lida com novos desafios e, de forma geral, com tudo que consegue perturbar seu espírito.
E, recentemente, L anda consumindo mais doces do que antes.
Tanto que, agora, sentado em frente aos computadores de sua sala, se surpreende com a rapidez que aquele pacote acabara ao engolir a última bala de doce de leite.
"Matsuda?"
O outro prontamente se apresenta ao detetive.
"O que foi, Ryuzaki-san? Precisa de alguma coisa?"
"Sim. Vá lá embaixo e compre dois pacotes dessas aqui." — L mostra a embalagem, apontando para o logotipo impresso nela.
Uma exclamação revoltada. Matsuda franze o cenho e tenta argumentar com L.
"Matsuda, Watari está ocupado. Vá, por favor, e não discuta. Estou confiando em você para cumprir esta tarefa."
Mais uma exclamação revoltada. O ex-policial finalmente acata.
"Já que pede com tanto carinho..." — murmura ele ao sair da sala do detetive.
"Ainda posso ouvir você, Matsuda."
"A-ah! Esqueça o que eu disse! Já estou indo lá, até mais!"
Uma terceira voz se manifesta:
"Será que os dois poderiam parar com isso e voltar ao trabalho?" — suspira Aizawa.
"... Sim, Aizawa." — O detetive gira em sua cadeira e volta a analisar os dados em seu monitor.
Há mais um motivo para L apreciar tanto os doces, mas esse, no entanto, ele guarda para si como uma espécie de segredo.
L gosta de doces porque a vida é de amargar. E tem essa certeza a cada vez que descobre o quanto a humanidade consegue ser sórdida.
Mas, dessa vez, L abre uma exceção.
L nunca teve ao seu redor tantas pessoas como tem agora.
Aquilo é, para ele, como ter pela primeira vez uma família de verdade.
L talvez arrisque dizer que é o momento mais doce de sua vida.
Notas finais
Ainda não me sinto muito bem escrevendo com o L ou com o presente; espero me acostumar com os dois.
A próxima drabble deve sair nessa semana mesmo. Aguardem-me e até mais o/
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