Açúcar

Quando você pensa que um dos maiores, senão o maior, detetive do mundo gosta tanto de doces quanto uma criança com cáries nos dentes, você provavelmente ri, mas L tem uma justificativa para seu “pequeno” vício: alimentos com alto índice de açúcar garantem a energia necessária para o bom funcionamento da mente.

Mas, como é fácil perceber, essa é uma mentira deslavada que ele usa para encobertar o verdadeiro motivo.

L gosta de doces porque... Bem, que graça teria a vida se não existissem doces?

Em diferentes formatos, cores, sabores, doces são alimento para o estômago, para os olhos e para a alma. Talvez fazer doces seja uma profissão mais trabalhosa do que a de um detetive (L sabe disso muito bem — no passado, tivera a oportunidade de tentar, mas concluíra que, cozinhando, ele era mesmo um ótimo detetive).

As guloseimas que o acompanham dia e noite (ninguém sabe exatamente como o detetive consegue manter-se saudável) têm, porém, uma espécie de valor sentimental: em tempos passados, L descontara nos doces a pressão que sentira ao encontrar um ambiente novo e solitário no orfanato.

Hoje, essa continua sendo a forma como o moreno lida com novos desafios e, de forma geral, com tudo que consegue perturbar seu espírito.

E, recentemente, L anda consumindo mais doces do que antes.

Tanto que, agora, sentado em frente aos computadores de sua sala, se surpreende com a rapidez que aquele pacote acabara ao engolir a última bala de doce de leite.

"Matsuda?"

O outro prontamente se apresenta ao detetive.

"O que foi, Ryuzaki-san? Precisa de alguma coisa?"

"Sim. Vá lá embaixo e compre dois pacotes dessas aqui." — L mostra a embalagem, apontando para o logotipo impresso nela.

Uma exclamação revoltada. Matsuda franze o cenho e tenta argumentar com L.

"Matsuda, Watari está ocupado. Vá, por favor, e não discuta. Estou confiando em você para cumprir esta tarefa."

Mais uma exclamação revoltada. O ex-policial finalmente acata.

"Já que pede com tanto carinho..." — murmura ele ao sair da sala do detetive.

"Ainda posso ouvir você, Matsuda."

"A-ah! Esqueça o que eu disse! Já estou indo lá, até mais!"

Uma terceira voz se manifesta:

"Será que os dois poderiam parar com isso e voltar ao trabalho?" — suspira Aizawa.

"... Sim, Aizawa." — O detetive gira em sua cadeira e volta a analisar os dados em seu monitor.

Há mais um motivo para L apreciar tanto os doces, mas esse, no entanto, ele guarda para si como uma espécie de segredo.

L gosta de doces porque a vida é de amargar. E tem essa certeza a cada vez que descobre o quanto a humanidade consegue ser sórdida.

Mas, dessa vez, L abre uma exceção.

L nunca teve ao seu redor tantas pessoas como tem agora.

Aquilo é, para ele, como ter pela primeira vez uma família de verdade.

L talvez arrisque dizer que é o momento mais doce de sua vida.

Notas finais
Hmm... Acho que essa foi meio óbvia. Estava indecisa entre "doces" e "mentiras", mas acabei optando por "doces" mesmo '-'
Ainda não me sinto muito bem escrevendo com o L ou com o presente; espero me acostumar com os dois.
A próxima drabble deve sair nessa semana mesmo. Aguardem-me e até mais o/