Diversão em um pedido de namoro

2 Capítulo 2 - Conversa com alguns digimons.


Notas iniciais
Henry Wong(Port.) = Jenry Lee(Jap.) Rika Nonaka(Port.) = Ruki Makino (Jap.) Takato Matsuda(Port.) = Takato Matsuki(Jap.) Jeri Katou(Port.) = Juri Katou(Jap.)

Com Takato, Jenry e Ruki sendo tecnicamente funcionários do governo, na imensa maioria das vezes, eles apenas levavam os digimons perdidos de volta para o digimundo, ou em alguns casos, os destruindo, quando um ataque era claro ao mundo real.

No entanto, com o digimundo fora de alguma grande crise, se descobriu que os digimons não tinham real interesse em invadirem constantemente o mundo real, pois com a paz, o digimundo se tornava um local mais agradável para os digimons viverem e começarem a construírem as suas vidas em sociedade. De qualquer forma, isso significava que a não ser em algumas exceções, Takato e seus amigos eram chamados no máximo duas a 3 vezes a cada duas semanas, os que lhe davam bastante tempo livre para estudarem e se focaram em suas vidas. Tempo livre foi uma das principais ofertas que Yamaki ofereceu para conseguir convencer os familiares daqueles três para aceitarem a oferta de emprego.

Assim, logo após ter a conversa com Lee, Takato estava indo até a casa de Ruki, já tendo montado a pequena mentira que contaria a avó ou mãe de Ruki, caso elas estivessem em casa, e sabendo que dificilmente seria chamado para alguma emergência.

Ou então, por pensar isso, o próprio Apocalymon iria surgir no mundo real e trazer a destruição da raça humana.

Takato parou na calçada que andava em direção ao seu destino, esperando que o céu ficasse escuro em plena tarde, ou um imenso tremor acontecesse, ou pior ainda, que seu telefone tocasse e Yamaki fosse informar exatamente a situação que ele imaginou.

Depois de quase um minuto nisso, nada aconteceu e Takato deu um suspiro, satisfeito que aparentemente o mundo não iria conspirar contra ele. Não que ele fosse achar muito ruim.

Pois suprimindo a sua ansiedade novamente e retornando a andar, ele percebia que era mais fácil lidar com o fim do mundo do que pensar em como pedir a garota que gostava em namoro.

[...]

Chegando a casa de Ruki, Takato apertou a campainha e esperou que a porta de madeira fosse aberta por alguém. Após alguns instantes, Seiko Hata surgiu, com um sorriso simpático e a aparência que mostrava uma jovialidade que não aparentava em nada a sua idade real.

“Ora, como vai, Takato. Veio visitar Ruki? Já é bem a oitava vez neste mês, não?”

A pergunta foi feita por Seiko para causar a exata reação que Takato fez, corando bastante, pois havia um motivo para as suas visitas a casa de Ruki terem aumentado bastante e ele esperava que a avó dela não suspeitasse do motivo.

Seiko sabia desde do momento que Ruki parecia repentinamente mais feliz pelas últimas semanas e se preocupava mais com a sua própria aparência, começando a usar roupas pensando em ficar mais bonita, chegando até a perguntar a mãe sobre dicas de maquiagem, algo que Rumiko praticamente chorou, na hora que recebeu o pedido.

A avó sabia que havia um motivo para essa mudança e não foi difícil para ela e Rumiko somarem com as visitas mais constante de Takato para “jogarem” no quintal, e descobrir quem era o responsável pela mudança. Obviamente, Seiko fazia Renamon manter vigilância de Ruki e Takato quando juntos para que eles não avançassem demais em seus encontros, já que eram jovens, mas aparentemente, ambos apenas gostavam de conversar e beijar um ao outro, algo bastante fofo na opinião da senhora.

Retornando ao diálogo, Takato respondeu, conseguindo diminuir o seu rubor:

“Eu apenas queria perguntar para Renamon se ela viu Ipmon. Eu preciso conversar com ele e não consegui entrar em contato com Ai e Mako, seus domadores.”. mentiu Takato, com uma leve culpa, mas sabendo que não poderia contar a verdade para a senhora.

Seiko não o questionou, abrindo espaço para ele entrar enquanto afirmava:

“Renamon está jogando Digimon Cards com Terriermon nos fundos da casa. Os dois já estão nisso a horas.”, dando uma leve risada com esse relato, ela concluiu, “Eu irei preparar um chá para você tomar quando terminar a sua conversa.”

Takato não pretendia continuar mais tempo depois de conversar com Renamon, mas vendo o sorriso de Seiko, ele não tinha coragem de recusar e apenas assentiu humildemente, entrando e indo rapidamente até os fundos da casa. Seiko deu um sorriso satisfeito, finalmente tendo a chance de conhecer melhor o seu futuro genro.

Oh, seria uma ótima conversa que ela teria com sua filha no final da noite.

[...]

Takato logo se aproximou nos fundos, e pode ver Renamon, a bela raposa amarela humanóide na ponta de uma pequena mesa de jogos, com Terriermon, um digimon coelho com grandes orelhas longas, sentado na outra ponta, ambos extremamente focados na partida, que Takato podia reconhecer que já estava em seu final.

“Muito bem, Renamon. Claramente a sua convivência com a “Rainha Digimon” lapidou bem as suas habilidades, mas você ainda assim irá perder perante a minha genialidade!”, com essas palavras, Terriermon lança uma carta de modificação, para a carta de monstro com um Terriermon que havia em seu campo, junto com a carta de um Lopmon. A carta de modificação era azul, com um D em amarelo junto a uma imagem de um Agumon em bits na cor preta. Era uma réplica da carta original “Matrix Evolution”, que faz os digimons de Takato, Ruki e Lee chegarem ao nível perfeito. Após os eventos D-REAPER, a empresa responsável pelas as cartas fez novas cartas e adicionou essa réplicas, sem qualquer efeito real em digimons de verdade, ao jogo.

Afirmando com orgulho evidente, Terriermon continuou com sua jogada:

“Eu lanço a Matrix Evolution e sacrificando 4 cartas da minha mão, eu juntos os dados necessários para fazer Terriermon e Lopmon digivolver para o nível perfeito e assim surgem gloriosamente, Rapidmon e Andiramon!”, já levantado, ele continuava, completamente perdido em sua empolgação no que ele julgava ser o seu triunfo, “Assim, ativo a habilidade da dupla “Irmãos coelhos”, e seus pontos de ataques dobram quando juntos em campo, resultando em 200.000 mil de ataque!”

Terriermon praticamente iria rir em triunfo, finalmente ganhando de Renamon, depois de 8 derrotas seguidas, mas com uma tranquilidade natural de uma raposa, Renamon lançou a sua carta de modificação ao campo, afirmando sem sequer alterar a sua voz:

“Eu lanço a carta de modificação “Separação de dados plug-in A” e você perde todos os dados que reuniu na sua rodada.”, vendo a cara de choque e descrença, Renamon continuou, ainda sem alterar o tom, “Junto a isso, eu lanço a carta de modificação “Marineangemon: Ocean Love”, que concede a sua técnica especial para o meu Greymon, fazendo com que seu Terriermon e Lopmon percam seus espíritos de luta e sejam deletados.”

Assim, Terriermon perdeu seu triunfo e humilhantemente foi derrotado. Ainda não percebendo a presença de Takato, já que estava de costas a ele, o pequeno digimon deu um gemido de frustração, questionando com indignação:

“Como raios você tinhas essas duas cartas na sua mão? Só pode ter uma de cada no deck!"

Renamon, que sabia da presença de Takato desde que entrou na casa, mas o ignorando para se focar no jogo, respondeu com calma:

“Eu segurei uma delas desde da segunda rodada e a outra desde da quarta. Eu sabia que você faria esse exato movimento como estratégia final pois você é um grande narcisista e sempre quer ganhar usando você mesmo ou seu irmão.”

Terriermon poderia negar, mas aquilo era a mais pura verdade. Renamon abusava disso toda vez que eles jogavam, mas o pequeno digimon não conseguia resistir. Ele e seu irmão eram tão fodas!

A discussão continuaria entre os dois digimons se Renamon não tivesse movido seu olhar para o jovem humano calado que não sabia como interromper o momento dos dois digimons. Às vezes, Renamon não entendia como o líder da equipe de domadores de elite da Hypnos poderia ter esses surtos de timidez repentino.

Talvez fosse aquela coisa chamada puberdade que Renamon leu em uma revista que Rumiko-sama estava lendo. Aparentemente era algo que deixava os humanos na idade de Takashi muito confusos de se entender.

“O que você quer, Takato? Ruki não está em casa. Ela deve voltar só depois de algumas horas.”

O jovem, vendo que se tornou o centro das atenções, com Terriermon se virando para ele e o cumprimentando, começou a falar, percebendo que iria ser meio estranho o assunto que falaria com Renamon e aumentado mais ainda a sua timidez:

“Bem… eu queria saber se você poderia me ajudar com um problema.”, começou ele hesitando, e um silêncio persistindo no ambiente, com Renamon ainda não entendendo porque justamente ela seria de ajuda para ele.

Entendendo isso, ele continuou:

“Envolve a Ruki.”

“Ela está grávida?”, questionou Terriermon, em uma face de surpresa falsa.

A questão não pareceu impactar Renamon, que tinha a certeza absoluta que Ruki e Takato não fizeram em nenhum instante o ato biológico necessário para que Ruki chegasse a esse ponto, mas no caso de Takato, isso não impediu dele arregalar os olhos e logo depois, praticamente explodir em vergonha, imaginando a situação necesséria para se chegar a esse ponto.

“Não! Como raios você chegou a isso?”, questionou Takato, ainda em choque.

“Você e a Rukia são adolescentes entupidos de hormônios e estão trocando salivas a semanas. Para ser sincero, as chances disso acontecer não são tão impossíveis assim.”, explicou Terriermon, com naturalidade.

“Isso não aconteceu. Eu os vigiei cada segundo que estavam sozinhos e se ele tentasse alguma coisa do tipo, eu o castraria.”, afirmou Renamon, como se comentasse o clima de hoje.

Isso fez Takato apenas esbugalhar seus olhos mais uma vez, recebendo informações demais naquelas últimas frases e tentando manter minimamente a sua sanidade, ele se firmou no pouco que conseguiu processar:

“Vocês sabem sobre eu e Rukia?”

“Sim, Takato, sabemos de vocês. O Jenry me contou no segundo que você contou para ele e Renamon não saber seria meio que idiotice, né?”, explicou Terriermon, como se falasse para uma criança.

Ouvindo dessa maneira, parecia mesmo que óbvio, mas Takato poderia ser denso o suficiente para não perceber isso, e Renamon e Terriermon sabiam disso. Indo para o próximo tópico, Takato questionou novamente, olhando para Renamon:

“Porquê você estava nos vigiando, Renamon?”, perguntou Takato, ainda envergonhado que a digimon via tudo que Takato e Ruki faziam junto. Não que fosse nada além de beijos, mas para a mente do jovem de 14 anos, isso ainda o fazia ficar vermelho.

“Recebi ordens para os vigiar.”, respondeu a raposa, não dando qualquer sinal de quem seria o responsável pela ordem, mas Takato, apesar de ser denso, não era burro e logo pôde somar as coisas e perceber que a conversa que teria com Seiko-san, poderia ter um motivo oculto por trás.

Amaldiçoando internamente, ele se sentia cansado com tanta coisas surgindo e enrolando para o assunto mais importante. Irritado, ele exclamou:

“Foda-se!”, o xingamento fez Terriermon e Renamon olhar com leve surpresa com o garoto, que muito raramente xingava, mas parecia ser cada vez mais recente quando completou 14 anos, “Renamon, eu quero que você me ajude a me dar alguma ideia de como pedir a Ruki em namoro e não quero que nenhum de vocês falem para ela.”, afirmou ele, em um tom autoritário, muito parecido com uma certa domadora ruiva.

Na realidade, Renamon já sabia que Ruki queria fazer a mesma coisa que Takato queria, demorando vários dias para a ruiva admitir para si própria que o que sentia por Takato era além de uma uma atração física por ele. Numa situação que estivesse apenas ela e Takato, ela iria contar isso para o jovem humano e no mesmo dia, um novo casal de domadores de digimon iria surgir na cidade de Shinjuku.

No entanto, havia um digimon que também sabia dessa situação, tendo recebido um email de Jenrya a alguns minutos atrás, enquanto estava no banheiro, para a sua pausa para o xixi. Terriermon, sendo de longe aquele com os planos mais mirabolantes e a personalidade travessa que potencializa mais ainda esses planos, logo aproveitou a oportunidade.

“É claro que não iremos contar para Ruki, né Renamon?”, olhando para a amiga, Terriermon deu uma piscada, indicando para que ela seguisse o que ele dizia, e não esperando uma confirmação dela, logo continuou, olhando para Takato, “Afinal, você tem que pensar num pedido bem legal para garantir que ela vai aceitar. Seria muito ruim se ela o recusasse.”

A isca foi lançada e Takato a pegou sem sequer questionar, mostrando claramente em sua face, se tornando de temor, ao imaginar a possibilidade de Ruki o recusar. Se Terriermon fosse um humano, talvez ele se sentisse levemente mal em manipular as emoçõe de Takato, mas sendo um digimon, ele apenas ria internamente com o que ele estava planejando.

Muito mais humilde, tendo todo o seu estresse esvaziado, Takato questionou mais uma vez:

“Por favor, Renamon. Você pode me ajudar?”

A digimon raposa parecia refletir e isso fez Takato se sentir apreensivo, mas enquanto ele achava que ela pensava se devia ajudar ou não, na realidade, Renamon decidia se devia seguir com o aparente plano de Terriermon para o casal. Ela conhecia o digimon atrevido o suficiente para que qualquer coisa que pensasse não iria magoar os dois humanos, talvez irritar, mas nada de muito grave.

No final, concluindo que tanto ela quanto Terriermon tinham o mesmo desejo, que era ver Takato e Ruki juntos, ela decidiu ir pela a opção que parecia ser a mais divertida.

“Sim, Takato, posso lhe ajudar. O que você precisa?”, questionou Renamon, em um tom tranquilo.

Takato deu um sorriso de alívio, agradecendo Renamon e logo começando a falar:

“Você tem alguma ideia para um presente para ela? Eu não sou muito bom nisso, e eu realmente quero dar um presente especial para ela.”, confessou o jovem.

“Para garantir que ela não vai recusar o seu pedido,né?”, provocou Terriermon.

“O quê? Não! Ruki não é tão superficial a esse ponto!”, defendeu Takato, ganhando, sem perceber, vários pontos com Renamon, que deu um pequeno sorriso ao ouvir isso.

Decidindo para retornar ao foco da conversa, Renamon disse:

“Takato, você conhece Ruki a anos. O que você acha que ela mais gosta de fazer?”

“Além de trocar saliva com você.”, complementou Terriermon, novamente provocando Takato, e dando um sorriso com a reação do jovem que era ficar vermelho de vergonha.

“Terriermon!”, exclamou o humano envergonhado.

“Momentai. Eu vou ficar quieto.”, concluiu o digimon, usando o seu bordão, que vinha do Cantonês e significava “relaxe”,

Com Terriermon fora da conversa, Takato se focou em Renamon, e refletindo na sua pergunta, ele pensou por alguns segundos, até vir com algo em mente.

“Digimons!”

“Sim. Como você quer dar algo especial para ela, acho que você poderia entregar um Digimon Card a ela de presente. Tem uma carta em específico que ela perdeu a alguns anos e tem um significado bastante especial para ela, apesar dela nunca ter me contato o que era.”, explicou Renamon.

“Como ela perdeu?”, questionou o domador.

“No Digimon Card Tournament, quando ela perdeu para Ryo na final. Eles haviam apostado as suas cartas mais raras e o vencedor pegava a do perdedor.”

“Então, está com Ryo?”

“Eu não sei dizer. Mas se alguém sabe onde pode estar essa carta, esse alguém é Ryo.”, concluiu a digimon.

“Ótimo, agora eu vou ter que ir para o digimundo atrás dele.”, lamentou Takato, já ficando cansado de ir atrás de tantas pessoas, mas tendo gostado bastante da ideia de Renamon, ele decidiu em seguir em frente.

“Certo, eu vou precisar de uma carona até lá. Não posso ir pelo o portão de acesso da Hypnos pois Ruki saberia e precisa de uma burocracia imensa para conseguir passar por lá.”, pensava Takato, em voz alta.

“A moto de Beelzebumon, Behemoth, tem a capacidade de cruzar o mundo real e virtual.”, informou Renamon.

“Essa moto já não foi destruída umas 10 vezes? Como ela sempre volta?”, questionou Terriermon, não conseguindo ficar mais quieto.

Renamon deu de ombros, não se importando com isso e Takato, satisfeito com a ajuda de Renamon, a agradeceu novamente, e iria partir de lá, querendo ir para a casa de Ai e Mako, os domadores de Ipmon, a forma novata de Beelzebumon. No entanto, quando ele iria se virar, começando a se despedir dos dois digimons, Renamon o interrompeu, dessa vez, utilizando um tom mais gelado, causando medo para Terriermon e Takato, ela disse:

“Seiko-sama lhe convidou para tomar chá. Seria extremamente rude da sua parte, você furar seu compromisso com ela, Takato.”

A mensagem ficou clara para Takato, ouvindo a sua voz que parecia afiada como uma faca e com seus olhos azuis com as íris em forma de fenda. Com isso, gaguejando levemente, ele afirmou:

“É claro! Eu nunca faria isso! Ha,ha,ha,ha,ha!”

Com isso, a passos tensos, Takato entrou em um dos corredores de acesso da imensa casa e foi em direção a Seiko, tendo como objetivo da sua vida ser a pessoa mais agradável do mundo para a matriarca da casa.

Quando Takato partiu, Terriermon olhou para Renamon e em um tom bastante divertido, afirmou:

“E me chamam de cruel com as pessoas.”

“Calado, Terriermon. Vamos, quero fechar a minha décima vitória seguida antes de você ir embora.”

Notas finais
A ideia dessa história é ser divertida. O romance é o objetivo, mas meu principal foco será momentos de humor na história. O nomes estão de acordo com a versão japonesa, então um simples google e vocês descobrem quem são os personagens que me refiro, caso se confundam. Elogios, críticas, dúvidas e sugestões são bem-vindos. Todos os comentários serão respondidos com a devida atenção.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.