Divergências do Amor
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Nunca fui chegada naquele lance de príncipe encantado, princesas, e muito menos no amor eterno, ou o tão sonhado felizes para sempre. E por mais que desejasse arduamente uma felicidade próxima aquilo, sabia perfeitamente que aquele romance todo só acontecia nos contos de fadas.
E não sou mais criança.
Mesmo que na infância não acreditasse naquilo, embora desejasse, com o passar dos anos não mudou muita coisa. Fiquei mais realista, e sempre mantive meus pés no chão a cada passo dado, a cada sonho sonhado.
Tudo foi na medida, do jeito que eu gostava.
Foi.
Isso me perturbava. Por ter sido quem eu fui, e agora, nessa lástima realidade. Tudo por culpa dele, do garoto de olhos ônix. Cada vez que me olhava, tinha o poder avassalador de me arrancar da zona de conforto, fazer meu estômago remexer de uma forma fora do normal, e corar.
Estava sendo uma boba.
Minhas mãos ficavam trêmulas num piscar de olhos, à boca secava como se a dias não bebesse nenhum líquido, mas o pior de tudo, era as batidas incessantes que meu coração dava, indo para a garganta em questão de segundos. E isso somente com o olhar.
Só havia uma explicação: estou enlouquecendo.
Estudamos no mesmo colégio — uma instituição de ótima qualidade que valoriza a educação e não o quanto você possuí na conta, localizada ao centro da nossa populosa cidade —. Por sempre ter sido muito estudiosa, ganhei uma bolsa.
No começo a ideia de qualquer tipo de convívio com pessoas esnobes me incomodava, mas levei em consideração o que ganharia com aquilo, o quanto faria a diferença para mim. Somente isso importava. O meu futuro, e o sonho de ser médica.
Por mais que meu otou-san trabalhasse feito louco, jamais poderia me bancar naquele colégio.
No inicio da ano letivo tudo foi da maneira que imaginei: pessoas ricas para todos os lados, fazendo tudo da maneira que queriam. Atormentando aqueles que não faziam parte da classe sociais deles. Mas houve poucas exceções que fez minha estádia no local torna-se interessante
Isso foi à muito tempo. E nessa longa jornada, conheci Uzumaki Naruto, — um jovem cabeça oca que possuía um dom indescritível para alegrar aqueles ao seu redor —. Por mais que fosse bobo quase tolo as vezes, ele havia ganho minha admiração.
Me espelhei nele e só assim consegui enfrentar aqueles que ousaram ficar em meu caminho.
Tenten, — ou Pucca, como lhe chamo. —, tornou-se minha melhor amiga. Somente por eles pude aguentar permanecer na instituição.
O tão aguardado último ano letivo havia chegado. O final do ano já dava às caras.
Em poucas semanas ficarei livre daquele universo mesquinho onde havia me enfiado.
Só havia um pequeno, quase mínimo, detalhe que me angustiava.
Ele. Uchiha Sasuke.
Não saberia dizer quando criei aquela fixação por ele no decorrer daquele ano. Era algo surreal. Num momento eu não dava a mínima para sua presença, no outro, me sentia nervosa ao olhar sua face inexpressiva. Quando nosso olhar se cruzava, sentia-me inquieta, corada e sempre, sempre fazia alguma bobagem.
Tropeçar em meus próprios pés era normal quando sentia sua presença. Culpava-o pelo meu descuido, pela humilhação pública.
Era difícil admitir, mas era por ele que meu coração batia acelerado. Sabia o que era aquilo, embora preferisse ignorar.
Ah! Eu sempre ignorava. Quase sempre.
Ter a consciência que não tenho nenhuma chance com ele é uma coisa, suportar esse fato era completamente diferente.
Ser apenas a garota tímida, metida a inteligente do colégio, e tachada à estranha por ser pobre não é algo que atrairia alguém.
Tento, até hoje, não me importar com isso.
Sasuke tem todos os adjetivos que as garotas almejam, — tudo ao contrário de mim. Possuía inteligência admirável, a beleza hipnotizante, querido entre os alunos e, ainda por cima, capitão do time de futebol. Com ele, o time sempre ganhava. Sasuke tinha qualidade que as pessoas almejam, e eu sou apenas a garota normal.
Quem seria eu perto dele? Sasuke nunca, nunca iria me olhar de outra forma. Por mais que meu tolissimo coração desejasse por ele, tenho a consciência que estamos em universos diferentes; assim como água e óleo não podem se misturar.
Sasuke e eu não poderíamos ficar.
— Hinata, está tudo bem?. — tirou-me de súbito de meus devaneios, Tenten. Ela me dirigia um olhar preocupado.
Talvez, só talvez minha cara de desapontada denunciasse minha aflição.
— Hm? Ah, sim, claro... Tudo ótimo!
Nada estava ótimo.
O armário aberto a minha frente lembra-me do material que necessito na próxima aula. Retiro-os dentro tentando ao máximo ignorar o olhar dela sobre mim. Com os livros em mãos, fecho e tranco o armário. Olho paro os lados, direção contrária onde Tenten está, então o vejo lá. Parado, com as costas encostada na parede, uma das pernas dobrada apoiada na parede.
No mesmo instante que aprecio seus cabelos negros que tapava parcialmente sua face, sua atenção é voltada a mim. Rápida, desvio o olhar sentindo o uma fisgada no coração. Agarro o pulso de Tenten e lhe arrasto para longe dele.
Já não bastava meu coração morrer de amores por ele, seria o cúmulo alguém saber disso.
+++
Era estranho aquilo. Aquele sentimento.
Eu nunca havia sentido algo do tipo, nem passado por experiência igual, mas foi impossível não se apaixonar por ela.
Ela era tão ela a todo momento. E a muito tempo eu ficava somente observando-a de longe. Apreciando o jeito e as manias que tinha. Os sorrisos hipnotizante que esboçava quando feliz, o torcer de lábios quando algo não lhe agradava, ou então a careta quando se sentia frustada.
Tudo nela me atraía.
Quem seria eu perto dela. Daquela inteligência fantástica, do afeto que ela mostrava sentir por seus amigos, e eu sabia que era verdadeiro. Hinata era pura, e aquela inocência dela me deixava sem chão, querendo proteger de tudo, mas eu sabia que ela não necessitava disso, afinal, ela sabia fazer isso por si só.
E por mais que eu odiasse admitir, estava apaixonado, mas quem não ficaria? Se parassem para observar ela atentamente. Tudo nela me deixava louco. A face corada igual tomate — eu amava tomate. —, os atos delas quando nossos olhares cruzavam.
Hinata era demais para mim.
Sou apenas um jovem que tirava notas mais ou menos, joga no time da escola, e só. Tão pouco perto dela.
Tenho a consciência que Hinata nunca me olharia com outros olhos, a não ser daquela maneira que fazia questão de mostrar não se importar comigo, com minha presença. E isso, também me encantava, enquanto muitas fazia questão de se jogar em cima de mim, ela me ignorava.
Como não se deixar enfeitiçar?
Por ironia do destino, fui logo me apaixonar por aquela que não se importava comigo, mas não ligava.
Eu poderia facilmente me contentar apenas ao observar ela, aquilo poderia acalmar meu coração, não é?. Seria o suficiente, teria que ser, afinal, um nunca teria chance com ela.
O sinal toca, me assustando. Acordando-me para a vida. Só então noto minha atenção voltada nas costas dela, que pelo pulso, arrastava a amiga para longe dali. Acompanhei-a com olhar até desaparecer pelo corredor.
Eu poderia me contentar, não é?. Somente observar ela...
Ah, é claro que não! Por mais que fosse um privilégio amim poder apreciar ela de longe, aquilo não seria o suficiente, não poderia me contentar apenas com aquilo. Afinal, era muito pouco pelo que eu ansiava. Eu queria amar ela, fazê-la sorrir, e por mais que levasse um fora, eu ainda sim me sentiria melhor em saber que ela saberia de meus sentimentos.
Sentindo a adrenalina pulsar em minhas veias, a coragem, que a muito tempo tentava obter, percorrer em meu corpo. Corri. O mais rápido que pude. Não ligava se poderia ser repreendido por tal ato, aquilo não importava no momento, apenas queria chegar até a ela e me declarar.
Passava pelos vários corredores do colégio, o nos alunos que estavam no meu caminho. Sequer parei para me desculpar, quando enfim alcancei o corredor da sala dela, segui mais calmo, mas ainda em passos rápidos.
O som dos meus sapatos ressoava pelo corredor, o barulho dos alunos conversando cada vez mais se tornava auditivo a mim. Meu coração batia acelerado, pequenos pingos de suor se formava em minha testa, obrigando-me a limpar. Ao me aproximar da porta da sala dela, respirei fundo, sentindo o ar entrar em meus pulmões, e trazendo um certo alívio, ao notar que prendia a respiração.
Eu estava nervoso. Poderia desistir de tal ato e deixar para uma outra vez, quem sabe. Então vinha aquela voz, saindo diretamente do peito mais precisamente do coração, indo a minha mente dizendo que se não fosse agora, eu não teria outra chance, coragem. E claro, eu sabia que isso era verdade.
Juntando toda a coragem, que aos poucos foi me abandonando, parei em frente a sala. Bati na porta, em seguida um 'Entre' chegou ao meu ouvido, pude reconhecer a voz de Asuma, o professor de matemática que me dava aula. Levei a mão até o trinco da porta, girando devagar, não sem antes, respirar profundamente, e então entrei.
Olhei para o professor que me encarava em interrogativo, então vasculhei cada canto da sala, em busca dela, e não foi tão difícil encontrá-la na primeira carteira da ultima fileira, perto da mesa do professor, me encarando sem nenhuma expressão aparente.
— Sasuke?
— Sim, Asuma?
— O que quer em minha sala?. — perguntou ele, desconfiado.
Não pude responder de imediato, é claro. Eu podia sentir os olhares curiosos cravado em mim, até uns suspiros.
Em passos firmes, segui em direção à Hinata, dona de meus pensamentos. Enquanto me aproximava pude vislumbrar da sua expressão confusa assim que parei em sua frente.
Era agora ou nunca.
Será que ela ouvia meu coração batendo? Tamanho meu nervosismo. Ou poderia ver minhas mãos suadas? Não me surpreenderia se eu começasse ficar trêmulo ou tivesse um ataque cardíaco.
Suspirei. Baguncei meus cabelos, num gesto que evidenciava meu nervosismo.
— Hinata...— comecei incerto, naquele momento, as palavras havia se dissipado da minha boca, deu um branco. — É repentino para você, mas não à mim. — tossi. Mirei seus olhos confusos, e suas bochechas logo tomavam-se avermelhada. — Não sei bem como aconteceu, mas estou ficando louco... Se eu não lhe falar logo, irei me engasgar com tantas palavras não ditas. Hinata... Eu estou louco por você, apaixonado como nunca fiquei antes, e esse sentimento vem me consumindo cada vez mais.
Despejei em cima dela sem mais nem menos. O choque em sua face, seus olhos trêmulos claramente denunciava que não acreditava em minhas palavras, ou apenas o medo me fazia ver isso. Murmúrios invadiu a sala, muitos não faziam questão de serem discretos. Não me importava. Apenas esperava a reação dela, mas não veio. Pra ser exato não veio nada.
Hinata somente ficou olhando-me com aqueles olhos que me apaixonei quase instantemente.
Entendia que tudo foi repentino, mas meu coração ainda sim se despedaçou, ficando em mínimos pedaços ao não ver nenhuma reação dela.
Machucava.
Sem coragem para ficar ali, olhando-a, apenas sai em passos lentos porta a fora daquela sala sem olhar para ninguém. Queria ir longe do local o quanto antes, era como se o ar da sala houvesse tornado-se pesado, insuficiente para mim respirar.
Coloquei as mãos no bolso da calça do uniforme. Cabisbaixo, andei um rumo qualquer.
Era como se um peso enorme esvaziasse em meu coração, mas ao mesmo tempo, me sentia mal pelo vazio nele.
Era confuso.
Ouvi um murmúrio soar atrás de mim, não dei importância, apenas continuei meu caminho. Mas de novo a voz se fez presente e dessa vez mais audível a mim.
Meu coração acelerou.
Olhei para trás querendo constatar se aquilo seria fruto da minha imaginação, mas não era. Para a minha surpresa, ela estava ali.
Hinata vinha correndo em minha direção em passos desajeitados, os cabelos esvoaçantes, e um sorriso enorme.
Eu nunca havia visto aquele sorriso.
Não saberia descrevê-lo. Era único, e o mais lindo de todos que já pude contemplar vindo dela.
As bochechas estavam coradas, da maneira que me tirava o chão. Hinata pulou em meu colo, abraçando-me apertado. Contornei meus braços em sua cintura, agarrando-a com paixão, desejando que o tempo parasse naquele instante.
O cheiro adocicado dela me fez fechar os olhos, era tão viciante.
Sentia respiração ofegante dela em meu pescoço, e aquilo me arrepiava.
Afastei apenas para visualizar seu rosto, seus lindos olhos brilhosos que encarava diretamente os meus, e o mínimo sorriso que ainda brincava em seus lábios.
Tudo nela era perfeito.
Ela era perfeita, perfeita pra mim.
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