Divagações Após uma Leitura
1 Capítulo Único - Divagações Após uma Leitura
Notas iniciais
Divagações após uma leitura
Doce suspiro,
Doce amor,
Doce experiência,
Doce inconsistência,
Doce toque,
Dor que resvala
Dor que persiste,
Dor que atormenta,
Dor que insisti,
Beijo conhecido,
Beijo temido,
Beijo que não foi dado,
Beijo que foi tomado,
Amor que foi postergado
Alice fechou o livro de poemas após marcar a página que havia acabado de ler, os pequenos versos a haviam deixado meia área, mergulhada em lembranças, “Divagações após uma leitura” não a revelaram apenas alguns poucos sentimentos sobre oque gostava tanto de fazer, como também remeteu a outros sentimentos quase que totalmente esquecidos a duras penas, certo tempo atrás.
Deixou-se respirar profundamente o ar fresco que o parque lhe proporcionava, sentada em um banco podia observar com clareza o ambiente tomado pelas cores do outono, as folhas haviam caído quase que completamente das árvores, formando um tapete em tons de laranja e vermelho, os troncos marrons escuro ficavam com a tonalidade ainda mais acentuada e o céu estava levemente nublado.
Não foi preciso fechar os olhos para que as lembranças viessem à tona em sua mente, normalmente tendia a ser muito esquecida quanto suas memórias, mas aquelas lhe pareciam ter sido gravadas a ferro e fogo, a imagem do garoto de cabelos pretos e olhos verdes amendoados, ainda vívidas em sua mente.
Recordava-se de quando conversavam, costumavam andar pelos lugares distraindo-se com conversas aleatórias, ela sempre prestara extrema atenção ao que ele falava, guardando tudo em mente, pois ele também parecia o fazer. Mero engano. Pedro sempre fora bonito, os curtos cabelos pretos eram brilhantes e lisos, parecendo sedosos ao toque, às vezes lhe caiam nos olhos. Ah, os olhos. Quanta vezes não os encarou tentando descrever a cor que eram, o verde e o mel predominavam, mas era possível ver pequenos traços de azul e uma cor mais dourada, eram lindos, hipnotizantes.
Fora sua primeira experiência se apaixonando por alguém, ainda conseguia se lembrar em como suas bochechas coravam quando ele se aproximava, como tendia a gaguejar e esquecer quase que completamente o mundo que os cercava, em como as pernas tremiam levemente e o coração batia tão veloz que ela pensava poder ser ouvido.
Atualmente estas lembranças lhe eram melancólicas, causando-lhe certa vergonha e mais um misto de sentimentos confusos. Nunca chegou a se declarar, afinal tinha uma boa noção da realidade e sabia que seria rechaçada se o fizesse, por isso preferiu manter-se calada, aproveitando da boa amizade que achava que tinham.
Mas um dia a verdade lhe bateu na cara, fazendo-lhe a face arder e quase, quase derramar lágrimas, ele havia ido embora, simplesmente assim. Não havia avisado, deixando-a preocupa por um mês sem notícias, até saber pela boca de outros que Pedro havia ido, simplesmente Alice não tinha relevância suficiente para ser ao menos avisada.
Sentiu-se traída e muito triste no início, para depois vir à raiva e a incompreensão, que depois de um bom tempo refletindo foram substituídas pelo arrependimento e pela realidade. Sua mente deturpada pela paixão a fez enxergar as coisas da maneira como não eram, embelezando-as de certo modo, ele não tinha culpa nem merecia seus sentimentos negativos.
Ser desiludida tão de repente a fez perceber que o grande ocupante de seus pensamentos não possuía nem um sentimento por ela, nem a mínima consideração, e foi naquele momento que agradeceu por nunca ter se declarado, mas se culpou por nunca ter notado antes.
Era como diziam, o amor é cego e burro, machuca, mas não deixa de ser admirado.
Algum tempo depois Alice o encontrou novamente, em um mero acaso, o garoto fingiu que não a conhecia e ela resolveu fazer o mesmo, se contentando com a realidade na qual já havia aceitado, mas não conseguindo reprimir a mente fértil, que a fez imagina-la contestando-o sobre o que ouve.
Balançou a cabeça expulsando todas aquelas memórias que lhe vieram á tona, por mais que tivesse sido doloso foi importante, uma boa lição que a fez aprender que não se era aconselhável se apaixonar tão facilmente, ao menos se não quer arriscar machucar o coração.
Por mais que parecesse ser alguém forte, Alice era somente o reflexo de alguém que queria se proteger, queria guardar os sentimentos para quando tivesse seus, noventa e cinco vírgula nove por cento, de certeza de que não sofreria se os liberasse, ela só era cuidadosa.
No momento os livros que lia eram mais do que o suficiente, as palavras tão bem escritas lhe traziam emoções arrebatadoras, eram calorosas, cálidas, fortes, profundas, eram todo um mundo que ela amava se entregar.
Os livros lhe enchiam o coração, levavam-na para outros lugares e realidades e a faziam sorrir, chorar, se apaixonar, torcer, viver!
Eles eram parte de sua vida, parte de quem era, eles compunham seu coração.
Sorriu contido para o livro de poemas com a capa cor creme, parecia que aquele autor realmente a entendia, oque era totalmente compreensível, já que quase todas as pessoas passavam por uma situação similar a sua em determinado momento da vida, mas era de certo modo estanho, afinal o autor era Pedro Reus, seu antigo amigo, primeiro amor, e dolorosa desilusão.
Talvez, bem no fundo, ela ainda conserva-se certa mágoa dele.
E Alice simplesmente fitou o céu com a clássica expressão melancólica.
“Outro ditado que está correto.”- pensou.
“O primeiro amor, o coração e a mente nunca esquecem...”.
Notas finais
Estou aberta a sugestões e críticas construtivas!
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