Diva
13 Capítulo 13 - Mistério no Caribe
Na sexta-feira que antecedeu o fim de semana da mostra, os alunos foram dispensados das aulas para os preparativos das exposições. Os setimanistas da Grifinória e alguns amigos se esforçaram para fazer todo o necessário para as exposições acadêmicas de manhã e reservaram a tarde para a montagem do palco que seria utilizado tanto para o teatro no sábado quanto para o sarau no domingo.
Os meninos foram para a orla da floresta onde transfiguraram algumas árvores em tábuas de madeira que, com a ajuda de Hagrid, foram usadas para construir a estrutura do palco e dois camarins. As carteiras das salas de aula que seriam ocupadas com a Mostra foram para o jardim onde foram transfiguradas em cadeiras mais apropriadas para um teatro. Quem se encarregou disso foram as meninas, que também cuidaram das cortinas e da decoração.
Após as primeiras marteladas, a montagem não parecia promissora, e Alex passou por um momento de angústia. Bela, animada com tudo aquilo, disse a ela que não se preocupasse, aquele era o rosto com apenas a base, faltava ainda todo o resto da maquiagem.
A montagem de todo o esqueleto durou até à noite. Enquanto os meninos sentaram no gramado para descansar um pouco, Alex e Alice foram ajeitar os camarins colocando cadeiras, apoios para os figurinos, além de conjurarem espelho e todo o resto necessário. Ao mesmo tempo. Bela e Rach transformavam o trabalho rústico da estrutura em madeiras finamente entalhadas com a ajudinha de um feitiço que Bela tinha encontrado na biblioteca. Lily, por sua vez, conjurava uma faixa de um grosso tecido roxo.
—Isso não está muito curto para ser a cortina? – Sirius perguntou
—É claro que está. – ela respondeu – Mas é muito mais fácil manejar desse tamanho e depois alongar com um feitiço. Aliás, já que você não está fazendo nada agora, que tal me levitar para eu prender isso?
—Claro, por que não?
A ruiva já estava na segunda metade do trabalho quando Alex apareceu pra ver como andavam as decorações.
—Está muito melhor! – falou ela admirada
—E eu não terminei ainda. – disse Bela
—Nem eu! – falou Lily do alto – Sirius, mais um pouco para a direita por favor.
Depois de toda a extensão da cortina presa, ela pediu:
—Sirius, me coloquei no centro de novo.
—Coloco. – ele falou já movendo-a – Só vê se não demora que meu braço está cansando.
—Já estou acabando. – ela respondeu
Lily então tirou do bolso uma plaquinha de madeira onde estavam entalhadas as duas máscaras do Teatro. Em seguida, aumentou-a com um aceno da varinha.
—Sirius, pode me abaixar devagar.
Conforme ele fazia isso, ela ia encantando as cortinas, que iam alongando conforme ela descia.
—Pronto. – disse ela – Obrigada, Sirius.
—Tudo pronto. – comentou Alex ao chegar ao lado deles – Gostei do resto da maquiagem, Bela.
—Achei que ia gostar. – disse a amiga sorrindo.
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No dia seguinte, embora fosse sábado, o castelo inteiro acordou cedo. O café da manhã foi apressado e barulhento. Os alunos haviam montado turnos, assim parte estaria em suas próprias exposições e parte estaria circulando pelos trabalhos de outras pessoas.
Alex e Frank ficaram com o turno da manhã em sua exposição de Defesa Contra as Artes das Trevas sobre Duelos. A primeira demonstração era para cinco primeiranistas, três do segundo ano e três do terceiro.
—Bom, a boa educação nos ensina a fazer uma reverência a nosso oponente antes de um duelo. – explicou ela já de frente pra Frank, e os dois se cumprimentaram – E só então o duelo começa. É necessário perceber qual o melhor momento para o ataque e quando é melhor se defender.
—E isso se aprende muito mais com prática do que com livros. – Frank acrescentou – Agora, fiquem encostados na parece, não queremos acidentes por aqui. Pronta, Alex?
—Sempre. – ela respondeu
Os dois fizeram uma reverência novamente e se encararam por um segundo.
—Expelliarmus. – disse Alex
E a varinha do amigo voou para longe.
—Esse é o primeiro feitiço que se aprende quando estudamos duelos. – explicou Frank. Como vocês viram, desarma o oponente. Mas é possível se defender dele. Outra vez, Alex. – disse ele com a varinha na mão novamente
—Expelliarmus.
—Protego.
—Levicorpus.
E Frank foi erguido no ar de cabeça para baixo. Os alunos dos primeiros anos pareceram impressionados.
—Muito bem, Alex. Agora me ponha no chão. – pediu o rapaz
Quando os mais novos tinham saído e antes que chegassem outros, a garota falou:
—Obrigada por me deixar acertá-lo, Frank.
—Eu não deixei.
—Oh, e ainda está tentando me deixar a creditar que o mérito foi meu, que cavalheiro.
Ele a olhou divertido.
—Nós dois sabemos que você é muito melhor do que eu em duelos. Qual a chance de eu conseguir acertar um levicorpus em você de verdade. – disse ela
—Sabe como é, eu sempre quis saber como é ficar levitando de cabeça para baixo.
—Até parece. – ela deu um tapa amistoso no braço dele.
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No almoço, Alice, Alex e Sirius correram para os Jardins para verificar a estrutura do palco e conferir se não faltava nada. Por isso, demoraram para ir ao Salão Principal.
—Você viu que tem uns alunos do terceiro ano da Lufa Lufa falando sobre animagia em uma sala do primeiro andar? – perguntou James quando o amigo finalmente chegou
—Ah, eu vi. – disse Sirius sentando já com a travessa de arroz na mão – Achei meio fraquinho. Eles poderiam, sei lá, ter convidado uns animagos para ficarem lá em exposição.
—É? Conhece algum Padfoot?
—Claro. – disse ele – A professora McGonagall – ele levantou o copo como se fizesse um brinde ao amigo
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Na sala em que foi montado o Atelier sempre estava presente Lily ou Remus. Como eles eram responsáveis por cada peça ali, apesar dos feitiços de proteção que tinham espalhado, precaução não era demais. Por isso, no meio daquela tarde, a ruiva circulava pela sala de novo sem nunca ficar entediada. Até que a pessoa que ela havia pessoalmente convidado chegou.
—Hagrid! – ela o recebeu com um sorriso – Que bom que veio. Vai ter de me desculpar se eu pedir que venha ver uma peça antes das outras. Se importa?
—Claro que não, Lily.
Ela então o encaminhou para o fundo da sala e apontou.
—O que acha?
—É a minha casa? – perguntou o meio gigante – Mas quem pintou...
A pergunta ficou inacabada quando ele viu o nome na placa abaixo do quadro: Lily Evans.
—Foi você! Lily, ficou muito bonito... isso... é minha lareira acesa?
—É. – ela respondeu com um sorriso vendo que ele realmente gostara – Fico feliz que tenha gostado, porque é seu.
—Pra mim? – ele desviou os olhos da pintura para ela – Verdade?
—Sim. – seu rosto parecia iluminado
—Puxa, obrigado, Lily. Não sei o que dizer. – ele a abraçou quase a esmagando
—Não foi nada, Hagrid.
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Alex, Alice e Sirius não foram vistos no jantar no Salão Principal. Eles tinham comido qualquer coisa na cozinha à tarde e correram para levar os figurinos e cenários para o palco. O elenco e as outras pessoas de apoio jantaram com pressa e também seguiram para lá logo.
Bela foi uma das primeira a aparecer carregando um arsenal de bases, blushs, sombras e outras coisas úteis que parecia maior do que ela conseguia segurar.
—Bela, você é uma linda. – falou Alex
Gustavo e Sirius subiram com vassouras até a plataforma construída na parte de cima do palco com todos os brotos de cardo de Lily magicamente aumentados e coloridos para fazer a iluminação.
Enquanto isso, Alice passava distribuindo os figurinos.
—Aqui, James. – ela deixou um cabide ao lado dele.
Ele não teve tempo de agradecer, Bela apareceu na sua frente;
—James, preciso que passe isso no rosto e nas mãos. – ela estendeu a ele um frasco com um líquido viscoso.
—O que é isso?
—Uma poção para deixar você com rugas.
—Como é? – fez ele surpreso
—James, relaxa, você não vai ficar com 80 anos antes do tempo, o efeito passa sozinho.
—Eu vou ter de passar isso também? – perguntou Olívia, que acabara de chegar
—Vai. – Bela respondeu
—Eu vou ficar com rugas de verdade? – perguntou Olívia preocupada
—Quem fez a poção foi a Lily, Slughorn confirmou que ela estava certa e o efeito passa em quatro horas. – disse Bela entediada – Agora será que vocês poderiam passar isso logo? O efeito demora dez a quinze minutos e eu ainda preciso maquiar vocês.
Os dois se entreolharam antes de pegar os potes da mão de Bela.
Alex circulava de um lado para o outro conferindo check lists. Encontrou Alice e Frank colocando os painéis dos cenários na ordem certa.
—Lice, conseguiu entregar todos os figurinos?
—Falta só o de Sirius.
—Como assim o de Sirius?
—Ele está lá em cima ajudando o Gustavo
—Ainda?
Mas Alex não esperou resposta.
—James! James!
—Aqui. – o rapaz respondeu
—Você... James? Uau, a poção é boa.
—Obrigada, Alex. – disse ele em um tom nem um pouco agradecido – Já me olhei no espelho.
—Sério, ficou muito bom.
—Você veio aqui só para me dizer isso?
—Certo, não. Como eu faço para falar com o Sirius?
—Chamando ele?
—Ele está lá em cima mexendo com a iluminação e não quero ficar gritando. Já tem algumas pessoas sentadas lá fora.
—E como você acha que eu conseguiria falar com ele, telepatia?
—Como, eu não sei. Mas eu suspeito fortemente que vocês têm um jeito de se comunicar durante as detenções.
—Por que você acha isso?
—Por que a monitora aqui não é tão boba assim.
—E por que eu diria a você?
—Porque eu posso diminuir meia hora da sua detenção semana que vem.
—Uma hora.
—Fechado.
James tirou um espelho do bolso e entregou a ela.
—É só chamar. Ele vai te ouvir.
—Engenhoso... Sirius!
—Alex? – o rosto dele entrou no reflexo – O que está fazendo com o espelho de James?
—Ele me emprestou.
—Você o ameaçou com o quê?
—Foi um trato amigável. – ela respondeu – Desce daí, você ainda precisa se trocar.
—Estou descendo. Eu queria...
—Ótimo, não quer mais. Desce.
—Sim, sargento! – ela ainda ouviu antes de devolver o espelho
Um pouco depois, Sirius desceu da vassoura e tentava passar despercebido por Alex. Sem sucesso.
—Sirius, vem já aqui. – ela chamou brava apontando para o chão como se falasse com um cachorro, o que fez James rir por motivos que a garota nem sonhava – Bela precisa fazer sua maquiagem.
Quando toda a lista de Alex estava ticada, eles estavam apenas dez minutos atrasados. Fantástico.
—Lice, você pode ir lá fora apagar os archotes para chamar atenção que já vai começar? – ela pediu
—Claro.
Alice voltou com uma expressão de espanto.
—O que foi? – Alex perguntou
—Dublendore está lá fora. – respondeu ela – Na verdade todos os professores estão lá fora além dos alunos.
Alex precisou respirar fundo.
—Okay... vai dar tudo certo. Olívia e Pendleton para o palco. Preparem-se para abrir as cortinas.
—Houve mesmo um crime há uns dois anos. Um homem chamado Harry Western. Houve muita onda nos jornais. Garanto que a senhora se lembra. – falou Pendleton da Corvinal na pele do Major Palgrave
Não houve nenhuma reação audível quando as cortinas se abriram e Olívia Grant, de 17 anos apareceu cheia de rugas. Porém quando James Potter entrou em cena aparentando 70 ou 80 anos, ouviu-se um "ah" feminino pela plateia.
— Sente-se. Quero conversar com você. Algo muito estranho está ocorrendo nessa ilha. – falou James como Mr Rafiel
Em alguma cena, Sirius, no papel de Jackson, ficaria um tempo parado, sem falas. Quando percebeu, ele estava procurando alguém na plateia. Parecia improvável encontrá-la tão rápido, a escola inteira estava ali. Contudo, ele tentaria...
—Jackson... Jackson?
Sirius se distraíra. E agora, qual era sua fala? Das coxias, Alex estava apreensiva. Se James estivesse perto dela... Espera, ele estava! Tinha acabado de sair de cena! Sem nenhuma cerimônia ou pedido de licença, ela puxou o espelho do bolso dele e sussurrou: "Lá vou eu outra vez. Não há paz para os infelizes..."
—Lá vou eu outra vez. Não há paz para os infelizes... – magicamente Jackson voltou à cena – Duas chamadas telefônicas e a petição de uma comida especial...
Alex voltou a respirar.
Passada aquela cena, Sirius voltou para as coxias agradecendo a James.
—Não fui eu. – o amigo respondeu e apontou para Alex
—Desculpa, Alex.
Ela balançou a cabeça.
—Deu tudo certo. Nunca fiquei tão feliz por vocês terem um jeito de se comunicar clandestinamente.
—Então temos o seu perdão por isso?
—Tolerância. – ela respondeu
—Disse que ela era uma mulher muito bonita e que olhando sua cara ninguém a julgaria capaz de cometer um crime. – falou Bárbara McGregor como Esther Walters
Após fazer um balcão entrar no palco para formar o cenário do bar de um hotel do Caribe, Frank puxou Alice pela mão para um canto e a envolveu pela cintura.
—Você está louco? Alex vai matar a gente! – ela sussurrou
—Eu mataria se vocês fossem menos fofinhos juntos. – disse Alex ao passar por ali – Só fiquem espertos que tem outro cenário para entrar daqui a pouco. – e saiu
—Alex está de bom humor hoje, não? Você sabe porquê?
—Tenho minhas suposições...
—Que são...
—Se eu falar, ela não vai ter dó de me matar.
—Então tem um cara na história? – fez ele com ares de detetive
—Shh! – e ela o beijou antes que ele falasse mais alguma coisa
—Se ficasse ao alcance dele, ouvia a mesma história três ou quatro vezes. – falou James como Mr. Rafiel
—Eu penso que isto acontece muito com os homens, quando envelhecem. – comentou Olívia como Miss Marple
—Eu não conto histórias.
—Lily! Que bom que está aqui! – falou Alice logo depois de mover o último cenário.
—Você sabe porque eu estou aqui? Alex só me disse para vir para cá depois que descobrissem o assassino.
—Porque eu não queria que você perdesse o desfecho da história. – disse Alex – Você vai entrar para agradecer com a gente
—Eu? Por quê? Não faço parte da organização.
—E mesmo assim ajudou com todos os cenários e na montagem do palco. Tudo isso não teria dado certo sem você também.
Bela chegou em seguida e parecia fazer um esforço para tossir sem fazer muito barulho.
—O que foi, Bela? Engasgou? – Alice perguntou
—Não. – ela respondeu – Minha garganta começou a raspar de manhã e agora estou tossindo um pouco. Amanhã já deve estar melhor.
—Foi um imenso prazer conhecê-lo. – disse Olívia (Miss Marple) a James (Mr. Rafiel), atravessou o palco fingindo entrar em um avião e as cortinas se fecharam
Quando se abriram novamente, os alunos-atores foram entrando em fileiras para agradecer os aplausos entusiasmados que vinham de toda a escola. Por último entraram os três diretores, Alex, Alice e Sirius, Gustavo, Frank e Lily.
—Alex, seus olhos estão vermelhos. – notou Lice
—Impressão sua. – disse ela, mas sorriu aplaudindo com todos dentro e fora do palco.
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