Diuturno
1 Dia um. Fones de ouvido.
Notas iniciais
Hinata rodopiava animado ao redor de Tsukishima. Entretanto, o outro tinha uma expressão neutra para a energia que transmitia. Tentava chamar a atenção do loiro de todas as formas. No entanto, o namorado parecia distraído com qualquer coisa. Foi, então, que Hinata viu os fones de ouvido que bloqueavam sua voz.
Hinata devia estar concentrado demais em suas tentativas para não notar aquilo antes. Portanto, tratou de tirar logo o aparelho do Tsukishima, que não demorou a lhe dirigir um sorriso divertido:
— Estava pensando quando você ia perceber, às vezes me esqueço como pode ser simples.
— Ah, você acabou de pensar que eu sou um idiota, não é? — Hinata disse aborrecido — Que vergonha, me deixar falar sozinho...
— Ficou zangado? — Tsukishima disse, com as palavras no mesmo tom de antes.
Contudo, passou a bagunçar os cabelos de Hinata com carinho, o que dificultava para definir um entendimento de suas reais intenções.
— Bastante! — Hinata disse, sem querer mostrar a sua confusão.
Tsukishima discretamente os tirou da direção em que seguiam. Após isso, em um espaço mais isolado, lhe segurou o rosto de leve. Com isso, Hinata considerou que Tsukishima fosse beijá-lo. Entretanto, ao invés disso, o outro disse bem baixo, próximo ao seu ouvido:
—... sabe que eu só quero mexer com você, não é?
— Claro que sei, porque senão não seria o Tsukishima. — Hinata disse, como se constatasse uma coisa óbvia.
Diferente do que Hinata poderia prever, porém, Tsukishima pareceu incomodado ao ouvir isso. O que poderia estar diferente? Era mais um mistério que teria com relação aquela pessoa, porque, no momento, algo mais simples o incomodava.
Quando Tsukishima ficou concentrado nos próprios pensamentos, Hinata pegou os fones de ouvido que descansavam sobre o pescoço do outro. Acabou por colocar o aparelho sobre os próprios ouvidos. Dessa forma, surpreendeu-se.
— Ei, Tsukishima, não estou ouvindo música nenhuma. — Hinata disse, sem entender. — Acho que quebrei seu fone de ouvido... Desculpa aí…
Tsukishima pareceu voltar a si. Todavia, ainda parecia incomodado.
— Claro que isso aconteceria. Você é muito imprudente, Hinata… vamos logo ou Yamaguchi vai perguntar porque nos atrasamos.
Tsukishima voltou ao caminho de antes, dessa vez a passos mais largos. Hinata considerou estranho, pois não era do perfil de Tsukishima guardar a irritação que sentia para si mesmo, pelo menos era o que imaginava. Então, arriscou:
— Eu te compro outro! — Hinata disse, com preocupação — Quer dizer, ele parece bem caro, mas…
Tsukishima se virou para Hinata, e acabou por revelar um leve rubor em uma das bochechas, quando disse:
— Não precisa. — Tsukishima disse, sem encarar Hinata na última sentença. — Eu tenho outro.
— Ah, precisa sim! Não quero que fique desse jeito estranho, Tsukishima! Vou fazer o que eu puder!
—... já que é assim… — Tsukishima voltou a encarar Hinata. Dessa forma, após dar uma leve olhada nos arredores, lhe beijou. Ao se separarem, prosseguiu. —... isso já é o suficiente. A menos que não tenha sido para você.
—... uoooou! — Hinata disse, sentido o rosto quente.
A esse ponto Tsukishima já tinha saído de seu campo de visão. E a pessoa que tinha lhe sacudido o ombro, pois tinha encontrado Hinata petrificado no lugar e resolveu fazer algo, afastou-se um pouco pela exclamação anterior.
— Tsukishima! — Hinata disse, e correu com toda a sua determinação, pois alcançaria o outro nem que fosse a última coisa que fizesse aquele dia. — Eu vou mesmo retribuir isso! Não foi o suficiente!
Faziam duas semanas desde que aquele anúncio foi transmitido para os amigos. Todavia, ainda era complicado para os jogadores da Karasuno se acostumarem com um Hinata se jogando nas costas de Tsukishima e o abraçando, enquanto o outro se desestabilizava física e emocionalmente com isso.
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