Distúrbios.
2 Novato.
Notas iniciais
I
Barnes, Inglaterra, 1901
Acordou e nem parecia ter acordado. Tudo estava tão escuro, úmido, fedido como numa prisão. Piscou para confirmar se os olhos funcionavam. Sim, tanto que conseguia ver a borda luminosa da porta, que tampava a luz de fora como num eclipse. Sentado naquele quartinho, puxou o ar bem fundo pelo nariz. O cheiro era de ovo podre e carne estragada, o que fez Larry tampar a boca. Não queria vomitar na sua nova casa. Também não tinha nada no estômago para vomitar. Ficou com medo de botar alguma creca de dentro para fora.
A barriga roncou. Ela lembrava que o menino era gente e, como gente, precisava comer para não virar banquete de larvas. Como seria bom tomar o caldo cinzento que mamãe preparava especialmente para ele, ou um suculento peito de peru velho, ou um pedaço de bolo queimado. Lar, doce lar. Sentia falta de casa. Irmão deixou claro que Larry e seus bichinhos ficariam nesse lugar que ele nem sabia o nome para todo, todo o sempre. Roncou de novo, Larry sentiu o estômago virar ao avesso. Apertou a barriga e soltou um ganido.
– Estou com tanta fooomeeee... – disse, tristonho. – Bem, o importante é que estou com vocês aqui. – Olhou para o colo, onde era para estar a sua caixa de sapatos. Não tinha nada ali. Nada mesmo. Tocou desorientado no chão, talvez ela estivesse pintada com tinta invisível, criado pernas e fugido para um outro canto. Água fria. Pedra que rala a mão. Nada de caixa.
– Gente? Onde é que vocês estão?! – Quase escorregou na poça de água, conseguiu se segurar na parede. – Já falei que não é nada engraçado brincar de esconde-esconde!
Parou de tatear a escuridão ao ouvir pés pequenos passeando. Uma ratazana ouviu o seu desespero. Os olhos vermelhos arregalados fitavam o pobre coitado. Tanta era a pena que o animal resolveu falar para livrá-lo da angústia.
(Oi, estranho)
– Oi – sorriu. Era comum ouvir animais, brinquedos, paredes falando. Todos têm alguma coisa a falar, pensava Larry. E ele, especial como era, conseguia ouvir todo mundo e até dar conselhos. Já falou para o chuveiro que ele precisava chorar menos, para o cachorro que ele parasse de latir à noite e para os biscoitos se acalmarem enquanto ele os comia impiedosamente. Uns chamavam a crença de que tudo pensava de pampsiquismo. Papai falava que esses dons eram por causa dos seus bichinhos. Eles deixavam-no em sintonia, como uma estação de rádio, em outros vários mundos dentro do nosso. – Por acaso o senhor...
(Senhorita)
– Tudo bem, tudo bem – coçou a garganta, envergonhado por ter feito uma jovem dama ruborizar. – A senhorita sabe onde estaria a minha caixa de sapatos?
(Sim)
– Ótimo! Onde ela está?
(Calma. Tenho de saber se é a mesma caixa que estou pensando, você pode ser um daqueles menininhos de rua pilantras) Sentiu-se ofendido com o comentário da Srta. Ratazana, mas a entendia. Crescera num universo à parte da realidade, que nem esse quartinho fedorento. Sabia muito bem como era difícil confiar naqueles que vieram de fora dele. (É uma caixa com mais ou menos a minha altura?)
– Sim.
(O que tem na tampa dela?)
– Desenhos. E sujeira. Muita sujeira.
(É, acho que você é o dono mesmo)
Larry balançou a cabeça bem rápido, confiando na visão noturna da ratazana e com vontade de vomitar novamente. Ansiedade deixava-o assim mesmo, e o cheiro não ajudava.
(Ela está...)
A ratazana cortou a própria fala para dar um bocejo. Bocejou tanto que a boca engoliu a cara e o resto do corpo gordinho, era como se um alguém a virasse ao avesso que nem roupa suja, porque tinha o simples prazer de observar as larvas saírem desesperadas das entranhas em busca de uma nova moradia escura e aquecida. Larry chateou-se. Tinha certeza que isso foi arte dos seus bichinhos.
– Muito feio o que fizeram! Muito feio mesmo! Deveriam se envergonhar, porque acabaram de colocar a Srta. Ratazana para dormir para sempre. E qual o motivo de não me responderem? Eu vou bater em vocês até... Até... – Larry tentava imitar o discurso desconexo da mamãe, com aquela carga de ódio intenso sobre o universo, mas não conseguia. Havia um sentimento de aperto no coração toda vez que gritava as palavras maldosas. – Droga, eu não consigo. – Bateu as palmas das mãos contra o rosto. Cheiravam a sangue, ralou a palma das mãos no desespero de achar a caixa. Droga.
Duas enfermeiras, trajadas com a cruz vermelha no chapéu, entraram, deixando a luz cegá-lo por uns instantes. O paciente esguio era um menino de doze anos, sardento, de cabelo e olhos cor de terra, sujo e desgrenhado. Um retardado de primeira, era só olhar para o infeliz dando lição de moral a parede de cimento. Nenhum cadáver de roedor, não havia ratos no hospício. Puxaram-no pelos braços magros, o paciente não se importou. Pensava na caixa de sapatos. Não gritaria. Tinha medo de elas arrancarem os benditos olhos, e o sexto sentido Collins dizia para Larry que ambas eram do tipo arrancadoras de órgãos caso ele se comporte como um menino mau.
... Mas não custava perguntar, seus instintos quase sempre estavam errados. Coçou a garganta, quis fingir por um minuto que era um verdadeiro orador. A voz saiu como a de um garoto que tem problemas de falar com as outras pessoas, rouca e fraca.
– Bom dia, senhoras. Por acaso viram uma caixa de sapatos solta por aí?
Uma delas olhou torto para Larry, que resolveu se calar em nome de sua integridade. Precisava pensar em outra coisa para não ter um ataque. Tentou concentrar-se nas janelas enormes engradadas, na fumaça preta que saía das indústrias. Estava no Centro de Barnes pela primeira vez. No lar dos miseráveis, lazarentos, de gente penada trabalhando e trabalhando sem saber o motivo de tanto descaso. Caixa. Seus pais diziam que lá não era o lugar para garotinhos de berço. Caixa. Caixa.
Caixa. Em cima de uma mesa que Larry não via. Correu, deu um abraço nela com o cuidado de evitar qualquer machucado, ainda assim afetuoso. Quanta saudade sentira da companheira fiel de papelão e mofo. Ela era de um marrom morto que poderia fazer as pessoas pensarem que talvez tivesse o cadáver de bichinhos dentro. Cheia de desenhos e riscos curvos, retos, fortes, leves, apagados, destacados. Um em cima do outro, emaranhado de olhos, símbolos esquisitos, selos que Larry desenhava quando o nervosismo atacava. Era medo dos bichinhos travessos saírem por aí e aprontarem. Naquele momento, porém, mal pensava nesses temores bobos. De tão cheio que o corpo estava, a felicidade infantil de rever o que uma vez fora perdido vazava pelos ouvidos.
Dez minutos depois do reencontro emocionante, percebeu que estava noutro quarto. Um escritório rústico com estantes ocupando quase toda mancha de parede. Livros, muitos livros chatos e grossos sobre cabeça de gente, corpo de gente e títulos terminados em “logia”. As cortinas bordadas de fio fino estavam fechadas, então poucos feixes sobreviventes ousaram iluminar o lugar com a luz de um dia nublado. Larry sentou no sofá vermelho bonito com botões de vermelho mais escuro, segurando a caixa no colo do jeito bem comportado que mamãe ficaria orgulhosa. Percebeu também que, a sua frente, tinha um homem. Os olhos verdes-doente e a frieza que retirava o calor do ar davam medo. Entretanto, ele foi suprimido quando reconheceu a figura: era o seu salvador. O homem que impediu as pessoas de amarrarem uma corda em seu pescoço, o homem que lhe devolveu a caixa, o homem que salvou a humanidade!
Larry criou um herói, sem saber que gente é um bicho asqueroso, pior do que a centopeia com as mil patinhas. Quem ajudaria um menino maluco de um julgamento quase certo sem querer nada em troca? Não se fez essa pergunta. Ao invés disso, deu um sorriso bobo para o moço de colete e gravata, com um jaleco cobrindo-os. Ele aguardava as palavras saírem do paciente #509 – 1º Andar.
– Oi! – Abraçou a caixa, alegre. – Você foi o homem que salvou meus bichinhos e eu, não é? Te agradeço muito, muito mesmo.
(É um poste de óculos)
– Shhh... Que coisa feia. Peçam desculpas ao senhor... Senhor...
– Dr. Sean Riley. É um prazer receber o último que restou dos Collins em minha instituição.
– O prazer é todo meu. Eu sou Lawrence, o menino que você ajudou – mal passou pela cabeça-oca que o médico sabia mais de sua vida do que ele mesmo. Porque ele é o médico, dotado de razão, e ele é o paciente, dotado de insânia. O médico sempre é certo. Ele sempre é errado.
– Acho que me recordo dele – havia um leve tom de ironia que Larry, como sempre, não reconheceu. O médico pegou a caneta de tinteiro e começou a anotar com uma letra ilegível palavras que Larry tinha quase certeza de serem sobre si. Deve ser uma carta de boas-vindas ao... Seja lá onde estivesse.
Um silêncio tomou conta do cômodo, o único som audível era o de tinta manchando papel. Larry ouviu uns grunhidos vindos da caixa. Cochichavam sobre uns assuntos que não entendia, como damas prestes a viajar. Seus bichinhos estavam muitos agitados desde que acordou ironicamente numa caixa de sapatos. Não via os bichinhos tão animados desde a noite da festança. Festança. Adicionou o momento ao lugarzinho da cabeça que guardava lembranças que não devem ser lembradas com frequência, ou estragariam toda a magia de serem lembranças. Só sabia que foi uma baita festança mesmo.
– Sr. Collins, já sabe onde se encontra?
– Numa casa bem grande com um monte de gente de branco. – Observou que o médico aguardava uma resposta mais inteligente. Pensou, pensou. – Num hospital? Mamãe falou que hospitais são assim.
– Sra. Collins era uma mulher promissora, meus pêsames. Digamos que seja um hospital destinado a moças e rapazes excêntricos como o senhor alcançarem a sanidade. Hospício Jonathan Riley para almas insanas.
Do nada, uma lembrança vazou da porta de sua muralha mental. Mamãe, muito bonita, gritando e arrancando os cabelos aos tufos, sem se importar com o couro cabeludo que ardia. Uma dor física para abafar a tortura mental. (Protetor de demônios, vou te mandar para o Hospício, HOS-PÍ-CIO! Quantas vezes vou falar que seu pai está MORTO?!) gritava no ouvido como se mamãe se esgueirasse nas sombras do recinto. Larry abraçou a caixa com mais força.
– Sr. Collins?
Levantou a cabeça. Falou de um jeito normal, como se pedisse um sanduíche de geleia para um vendedor de sanduíche de geleia.
– O doutor abriu a minha caixa?
– Não autorizei qualquer inquilino de abri-la, inclusive a mim. Durante o julgamento, o senhor ficou preocupado com o rompimento do sigilo desta caixa em detrimento de sua própria vida.
O homem de jaleco não mentia. Aquele doutor, mesmo sem brilho nos olhos, mostrava por ações que era uma boa pessoa. Além de não abrir sua caixa, salvou a sua vida. Que filantropo incrível! Tinha muito o que agradecer, por isso, deixaria o doutor guiá-lo através do caminho da razão. Ouviria claramente as instruções do sotaque britânico polido, seguiria sem pestanejar. Porque, acreditava ele, sairia mais cedo do hospício, que mamãe chamava de casa dos loucos. Aí, como último Collins, moraria numa cabana em meio ao nada, caçaria deliciosos coelhos e cuidaria de sua caixa. Sozinho? Não. Seus bichinhos estariam lá por toda eternidade.
– Precisarei fazer algumas perguntas, seria incômodo?
– Absolutamente não. O doutor salvou a minha vida, isso seria o mínimo que poderia fazer para recompensar o trabalho que devo ter dado – os olhos frios continuaram frios, mas Larry alimentava a imaginação de que lá no fundo ele agradecia a cooperação de um paciente bom.
– Possui alguém, fora do hospício, que se importaria em visitá-lo durante a sua internação?
– Não.
– Nenhuma amante, ou parente distante que venha a se preocupar com o senhor?
– Pelo que eu saiba, não – moveu a cabeça para o lado.
Dr. Riley fez um “V” em um dos quadradinhos da folha.
– Parabéns, o senhor passou no teste. – Mantinha a expressão inalterável. Dava um pouco de medo. Larry pensou que ele poderia arranjar emprego facilmente numa funerária. (Como cadáver). Ignorou o comentário.
– Ah... Legal. – Sorriu.
Primeira vez que ganhou algo em sua vida. Mamãe, papai e irmão deveriam estar orgulhosos, mesmo que imersos em três metros de terra num caixão caro que em nada serviria para evitar o apodrecimento. Estava gostando da nova casa.
– Agora vem a segunda parte. Ela não possui mais o caráter avaliativo, apenas responda com sim ou não, sem querer ou dar explicações durante o procedimento. Seja o mais verídico possível. – Larry sentiu-se famoso, afinal, está prestes a ser entrevistado por um sujeito que parecia ser importante. Um Riley... Lembrava esse sobrenome de algum lugar.
Costuma a ouvir vozes que os outros não escutam? Ver o que os outros não veem? Parecia a enquete de algum jornal sensacionalista. Sim. Sim. Respondeu uma dúzia de perguntas. Achava que seria mais divertido se o doutor perguntasse sobre o seu gosto por variedades de batata. Por fim, Dr. Riley releu as anotações. Respostas interessantes, batem com as informações adquiridas dos empregados – notas de libra são capazes de violar o descanso dos mortos.
– Creio que, apesar do distúrbio, seja consciente da realidade em sua totalidade. Agora, responda-me as últimas perguntas, prometo ser rápido. Serão perguntas voltadas para o seu relacionamento com este item que está a segurar.
Colocou a mão sobre a tampa da caixa. Não gostava quando as pessoas metiam os narizes grandes nela. Concordou em fazer esse outro questionário, porque Dr. Riley... Era o Dr. Riley.
– Lembra-se do momento em que a caixa tornou-se especial para o senhor?
– Não.
– Desde que se conhece como gente, ela é especial?
– Sim.
– O que faria se alguém resolvesse abrí-la a qualquer custo?
– Eu ficaria triste com essa pessoa.
– A ponto de matar?
– Ah, não. Não mato coisas – sorriu, sem graça. – Acho que seria triste a ponto de pular em cima e gritar até que um ouvido exploda. Se não funcionar, faço isso com o outro ouvido. Dois ouvidos em troca dos meus bichinhos, doutor. Um preço barato. Porque eles gostam de pegar peças, e nem todo mundo gosta. Então não posso deixar eles soltos por aí.
A espécie em questão parece ser mais um infortunado de mente quebrada. Entretanto, era um caso especial a ser analisado, uma raridade no Hospício que já apreciara tantos peculiares. Um garoto que materializa numa caixa os males do mundo, sendo ele o carcereiro do caos. Menor de idade, sozinho em um mundo submerso em loucura, uma Pacote completo, com uma síndrome que, estudada com atenção, poderia ser mais uma catalogada pelos Riley.
Enquanto Dr. Riley pensava, Larry cantava mentalmente uma cantiga de roda. Chegou a mexer a cabeça segundo o ritmo animado da música. Seus bichinhos, de longe, acompanhavam a canção. Como eles eram fofos quando brincavam de rodinha, que nem do jeito que ele desenhara na tampa da caixa tempos atrás. Um círculo de sete bonecos palitinhos com um olho arregalado no meio feito a partir de uma bolota e outra menorzinha no meio, completamente preta. Os traços do desenho ainda estavam destacados, e o olho ao centro parecia fitar o menino como se prendesse uma baita gargalhada.
Larry soltou um riso baixo. Gostava dos seus bichinhos de estimação.
– Sr. Collins, achei o seu caso de instabilidade mental interessante – parou as anotações com a caneta de tinteiro. – Diga-me, por acaso tem medo de objetos pontiagudos? Preciso saber se haverá necessidade de vesti-lo com uma camisa de força durante os testes. E, por um acaso, possui alergia a alguma substância em especial? Não posso me arriscar a matar um espécime excêntrico como o senhor.
Larry ficou com o riso na cara durante uns segundos. A consciência sussurrou, eram raras as situações que ela ousava aparecer. Costumava a entrar em férias por vários períodos indeterminados. Ela dizia: “Ei, garoto esquisito. Escute. Você vai cavar a sua cova aqui, esse cara quer te matar. Se te matar, nada de proteger caixa. Você vai virar pó. Nada do nada”. Seus bichinhos fizeram o favor de despachar a consciência para mais um veraneio. Larry sorriu, ela deve estar se divertindo tanto! Uma voz baixa de lá de dentro, que mais lembrava uma serpente, dizia:
(Gostei desse sujeito. Tem uma posição na alta sociedade de dar inveja. Confiável.)
Larry teve de concordar com o Enguia Gigante. Com um sorriso bobo, respondeu:
– Não, não tenho alergia a nada. Mas tenho medo de facas sim, e coisas pontiagudas. Não gosto delas perto dos meus bichinhos, eles não são muito responsáveis. – Deu uma longa pausa. Incapaz de conter a curiosidade, perguntou – Doutor, para que tantas perguntas?
Olhou para Collins com os verdes-doente. O rosto apático permanecia inalterado, apenas com uma leve curiosidade científica de um intelectual inglês. Verificou as horas no relógio de corda que deveria ter a altura de Larry, se não maior.
– Vejo que a nossa consulta foi demorada, Sr. Collins. As enfermeiras já estão a caminho para leva-lo ao pátio, fiquei absorto com o seu caso, darei uma resposta sobre a doença assim que possível. Cuide bem dessa sua caixa e, principalmente, de si mesmo. Alguns dos enfermos gostam muito de crianças, tanto que as molestam. – Larry deu uma risada, apesar de achar que o doutor não estava brincando. Está sendo uma bela manhã no Hospício Jonathan Riley, fizera amizade com o dono do lugar. Resta saber se sobreviverá a uma tarde empolgante com a nova família.
Ouviu, lá do fundo da cabeça.
(Nós somos a sua família agora, pequeno Collins)
O Homem do Saco de Ouro tinha razão. Nunca estaria sozinho. Tem os seus bichinhos. Eles o acompanhariam ao longo de sua estadia no que ele futuramente chamará de “Inferno Branco”.
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