Disturbia
4 IV - Eu Me Lembro de Você.
Notas iniciais

Sam, Dean e Sarah estavam no impala e faltava cerca de duas horas para chegar à casa de Bobby. O loiro olhou pelo retrovisor e viu a garota dormindo, no banco de trás e, finalmente, desligou o som.
– Cara, está ouvindo isso? — falou Dean.
– O que? — Sam desviou a atenção do computador quando o irmão lhe falou.
– O silêncio. — o loiro respirou fundo e fechou os olhos em uma fisionomia de alivio. — Meu Deus, eu amo quando ela está dormindo.
– Eu não sei o que há com vocês dois. Comigo ela é super gentil.
– Comigo é uma vadia. — Dean concluiu e recebeu um chute forte em seu banco. Sarah o olhava, ainda que estivesse com bastante sono, estava acordada o suficiente para ouvir o que Dean disse.
– Se você me chamar de vadia outra vez, eu juro por Deus, eu não sei o que vou fazer.
Antes que Dean sequer pudesse falar alguma coisa, Sam tapou a sua boca.
– Vocês vão parar com essa briguinha boba, agora e já. — o mais novo dos Winchester estava visivelmente chateado.
– Ela me tira do sério, Sam. — reclamou Dean quando lhe permitiu falar. — Tem menos de vinte e quatro horas que eu a conheço e já me passou pela cabeça todas as formas possíveis de torturá-la.
– Que meigo saber que eu não saio da seus pensamentos. — A loira adorava pirraçar.
– Dá para vocês dois pararem, por apenas um minuto? — falou Sam. — Eu não sei como vocês conseguem viver assim.
– Tá, não vou mais discutir. — a loira cruzou os braços.
– Nem eu.
– Ótimo. Obrigado. — respondeu Sam e encostou-se ao banco. Graças a ele, a viagem seguiu quieta e silenciosa.
...~...
O impala estacionou na propriedade de Bobby algum tempo depois. Sarah foi a primeira a sair e se espreguiçar, pegou a mochila e seguiu na direção da casa, junto com os rapazes. Eles nem chegaram a bater na porta, já que Bobby a abriu preocupado. Não era normal os rapazes aparecerem assim, sem mais nem menos. Ele observou os dois até que a jovem os puxou e passou na frente deles.
– Bobby? — falou ela e encarou o velho caçador que nem ao menos piscava.
– Sarah. — segurou no rosto da jovem, tentando ter a certeza de que aquilo não era um fantasma. — menina, é mesmo você?
– Sim. — respondeu ela.
– Todos acham que você está morta. Mesmo não encontrando um corpo para enterrar, você tem uma lápide em Bangor.
– Eu estou bem viva. — respondeu enquanto abraçava o homem com força.
– Eu vou presumir que vocês dois se conhecem. — comentou Dean e Sarah se separou de Bobby. O caçador mais velho ia dizer alguma coisa, mas foi impedido.
– Não Dean, eu costumo ter essas apresentações calorosas com aqueles que eu não conheço. — respondeu.
– Não comecem vocês dois. — reclamou Sam. — Tudo estava em paz.
– Eu perdi alguma coisa? — perguntou o homem.
– Não, Bobby. — Sarah voltou a abraçá-lo, forçando-o a entrar na casa. — Eu quero saber das novidades. Todas elas.
– Se você me contar a suas...
– O que você quer saber?
...~...
Bobby seguiu até a geladeira e pegou três garrafas de cerveja e uma de refrigerante. Entregou duas aos meninos, uma para a garota e ficou com uma. Sarah olhou a sua garrafa de cola e depois olhou seriamente para o homem.
– Você não vai beber álcool enquanto estiver na minha casa. — explicou e a garota respirou fundo, dando-se por vencida. Dean riu. — Agora sim! Pode me contar como foi que você esqueceu o meu número de telefone?
– Bobby...
– Poderia ter ligado e confortado o coração desse velho caçador.
– É, eu sei que poderia, mas achei melhor não. Aqueles demônios que vieram atrás de mim, poderiam voltar. — Ela deu um gole no refrigerante. — Fazendo todos acreditarem que eu estava morta, era uma forma a mais de proteger aqueles que eu amava.
– Eu sei me cuidar. — respondeu o homem e sentou-se na cadeira de frente para Sarah. — Mas me diga, menina, o que você fez durante todos esses anos? E como você escapou do desabamento?
– Alguma coisa me tirou da casa, naquela noite.
– Um anjo. — respondeu Dean. Sarah o encarou como se dissesse que era ela quem estava contando a história. Dean fez um bico e falou para que ela prosseguisse, com um aceno de mão.
– Apareci em L.A., há 3.200km, na frente de um orfanato. — começou a jovem a falar. Deu outro gole e engoliu forçadamente. Não gostava de refrigerante. — morei nesse lugar por uns dois anos, mas fui expulsa por agredi o marido da dona do lugar.
– Porque o agrediu? — perguntou Sam.
– Ninguém ia passar a mão em mim e ficar por isso mesmo.
– Ele abusou de você? — perguntou Bobby aflitamente.
– Ele tentou. — falou Sarah sorrindo. — Eu o fiz ir para o pronto socorro, com as bolas saindo pela garganta. — Dean contorceu-se como se ele fosse o agredido. Sam e Bobby fizeram cara de dor. — Depois disso eu saí de Los Angeles e fui para uma cidadezinha no interior. Comecei a trabalhar, aluguei um apartamento e lá fiquei até cinco dias atrás, quando eu tive o sonho.
– Que sonho? — perguntou o velho caçador.
– Ela sonhou que morreria e que só tinha uma forma de impedir isso... — falou Sam.
– Pedir ajuda aos rapazes.
– É. — concluiu a jovem. Ela colocou a garrafa de refrigerante em cima da mesinha e prendeu os cabelos em um rabo de cavalo. Assim que o fez, deixou uma cicatriz à mostra. Seguia da raiz do cabelo, passava bem rente a orelha, descia pelo pescoço e parava no ombro.
– Eu sabia que te conhecia de algum lugar. — falou Sam e sorriu. — Eu só tentava lembrar onde eu havia lhe visto.
– Mas é claro que você a conhece. Ela é a minha sobrinha e passou um verão conosco, quando vocês eram moleques.
– Claro, eu me lembro. — falou o loiro e ficou sério. — verão de 1998.
– Isso! Papai estava caçando um poltergeist em Chicago e quase fomos mortos. — falou Sam olhando o irmão. — Então ele disse que era melhor ficarmos um tempo longe daquilo e tivemos que passar esses dias aqui com o Bobby.
– Agora entendo porque você me odeia tanto. — concluiu Dean, mas o irmão não deixou que os dois começassem a discutir, mesmo que dessa vez, Sarah tivesse razão.
– Por que não nos disse quem era você? — perguntou o moreno.
– Porque eu não queria que me ajudassem por eu ser conhecida de vocês ou por acharem que me deve alguma coisa, pelo que aconteceu. — olhou para Dean que abaixou o olhar. — Eu queria que se comovessem com o meu problema.
– E que problema seria esse? — perguntou Bobby.
– É que, eu sou diferente das outras pessoas, tio. Isso explica esse sonho que eu tive.
– Eu sei. — respondeu o homem e bebeu a cerveja. Encarou os três jovens naquele lugar, que o olhava espantados, e continuou. — Eu sempre soube que você era diferente.
– O que você sabe? — Perguntou Sarah.
– O necessário e só porque é coisa de família. Se fosse o contrário, eles não me contariam.
– Como assim? — A jovem perguntou curiosa e Bobby se levantou. — Venham comigo. — Os três se olharam e seguiram o homem até o escritório dele. Pegou um álbum de fotografias e mostrou a foto de uma mulher, sentada em uma cadeira e segurando um buquê de flores.
– Essa é a sua tataravó. Ela se chamava Margô. — falou ele. — Ela era assim como você.
– Então está me dizendo que isso que eu tenho é uma maldição de família?
– Podemos dizer que sim. — confirmou Bobby. — A cada cinco gerações, é levantada uma psíquica nessa família. Sempre mulheres e os poderes se afloram ao completar quinze anos.
– Então o senhor sabia de tudo?
– Desde o dia em que você nasceu.
– Porque não me contou? — falou ela chateada.
– Porque é função do pai contar, quando a menina completa a idade correta de acontecer.
– Mas meu pai morreu na noite em que completei quinze anos. — falou ela com remorso na voz e o caçador ficou triste. — Eu sinto muito tio.
– Não se preocupe! Eu entendo o seu lado.
– Espera, se isso é uma maldição passada de geração a geração. Não tem como isso seguir adiante. — falou a jovem.
– Você é a última. — respondeu o caçador. — Só restou dois galhos dessa árvore genealógica: Eu e o seu pai. Eu não tive filhos e o único que levaria isso adiante era o descendente homem de seu pai, ou seja, o seu irmão, Ted.
– Mas ele está morto e eu não posso engravidar. — concluiu Sarah e se entristeceu, por ter se lembrado de seu irmão. — Então, isso morre comigo.
– É, isso morre com você. — respondeu ele e todos ficaram em silêncio por alguns instantes, até que Sam se pronunciou outra vez.
– Bobby, como isso surgiu? Quero dizer, ninguém nasce psíquico de uma hora para a outra. Ainda mais, sendo algo tão metódico como isso. — Perguntou ele curioso.
– Isso é uma longa história. — falou Bobby.
– Nós temos tempo. — concluiu Dean. — Não temos nada para fazer mesmo. — Ele sorriu e puxou uma cadeira, virou o encosto do acento para frente e se sentou. Gostaria muito de ouvir como começou.
– Está bem. — falou Bobby e se encostou na mesa. — Minha avó, cujo a mãe dela era irmã da que tinha os mesmos poderes que você, me disse que isso remete há muitos anos, antes mesmo de Cristo. A nossa família descende da feiticeira de Endor.
– A bruxa que falou com Saul no velho testamento da bíblia cristã? — perguntou Sam.
– Exatamente. — concluiu Bobby.
– Como você sabe disso? — perguntou Dean encarando o irmão.
– Qual é? Eu li a Bíblia.
– Você leu?
– Cinco vezes. — respondeu o rapaz e encarou Bobby, como se pedisse para ele continuar a contar a história. Dean ainda encarava o irmão quando o caçador mais velho voltou a falar.
– Acontece que o que usou a feiticeira foi um demônio e aproveitou para fazer um acordo com ela. Ela teria todo o poder do mundo e em troca...
– A sua linhagem estaria amaldiçoada. — falou Sarah e suspirou.
– Exatamente. Há cada cinco gerações, uma bruxa poderosa nasceria.
– Eu sou uma bruxa? — perguntou ela seriamente. Dean a encarou e revirou os olhos, odiava bruxas. Mais um ponto contra Sarah.
– Não uma bruxa qualquer. Você é mais poderosa do que qualquer uma delas, porque não precisa de saquinhos de bruxa ou coisas semelhantes. Pode fazer apenas com a mente.
– Eu não consigo controlar isso. — falou a jovem. — Eu matei trinta pessoas em Michigan.
– Porque você deveria ter um instrutor, que era o seu pai.
– E agora? — perguntou Sam. — Não pode instruí-la, Bobby?
– Eu não saberia por onde começar. — falou o caçador.
– Deve haver algum livro que tenha alguns feitiços ou coisas do gênero, como é mesmo o nome? Gilmore, Gildor... — falou Deab
– Grimório. — concluiu o moreno.
– Exato, um grimório.
– É mesmo, vocês me lembraram bem. Tem um livro antigo em algum lugar daqui, mas não é bem um grimório. Na verdade são anotações do meu tataravô, que ficou encarregado de treinar a irmã da minha bisavó.
– Então é isso. — falou Sam. — você vai treinar a Sarah.
– Se eu conseguir encontrar essa coisa. — falou Bobby procurando o livro na estante. De repente, todos ouviram uma trovoada forte e imediatamente olharam para Sarah, que se levantou rapidamente. Nada disse, apena deu a volta em sua cadeira e ia em direção a saída da casa, mas Sam a segurou pelo pulso.
– Ei, ta tudo bem? — perguntou ele.
– Não. — respondeu ela seriamente. — Eu acabei de descobrir que eu sou uma bruxa, Sam. Não estou nada bem. — A mulher puxou o braço e seguiu na direção da porta, batendo-a com força. Imediatamente ao sair, uma tempestade se alastrou pela propriedade e pela cidade de Salvation. Minutos depois, todo o estado de Iowa estava debaixo de uma chuva torrencial.
– Nós temos que encontrar essa louca e fazer ela se acalmar ou vamos ter um segundo dilúvio. — falou Dean olhando pela janela.
– O problema é que não sabemos onde ela pode estar. — falou Bobby que finalmente encontrou o diário.
– Eu vou falar com ela. — falou Sam e tirou o casaco para não molhar, ficando apenas com a camisa xadrez e a calça Jeans.
– Como você vai encontrá-la nessa tempestade? — perguntou Dean.
– Eu sei onde ela está.
– Onde?
– Era um lugar meu e dela. — respondeu o moreno e saiu da casa. Tinha que encontrar Sarah a qualquer custo.
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