Disturbia
2 II - A Garota da Tempestade
Notas iniciais

Sarah encolheu-se no lugar onde estava e pensou que morreria ali, tal qual seus pais e seu irmão, mas essa não era a intenção daqueles homens.
Pelo menos não naquela hora.
Eles seguraram o braço da jovem e a arrastou para o andar de baixo. Quando passou pelos pais, caídos logo na entrada da casa, seu coração disparou. Sentiu uma dor tão forte no peito que, simplesmente, o ar começou a lhe faltar. Tudo piorou quando viu o seu irmão apoiando-se na mesa de canto e tentava levantar-se. O "líder" daquele grupo observou o esforço de Ted e sorriu.
– Matem-no. — ordenou e os outros três seguiram na direção do rapaz, de dezoito anos. — Eu quero que morra gritando e bem lentamente.
– Não. — gritou Sarah. Tentava escapar das mãos do homem. — Deixe-o em paz. — Sacudiu-se outra vez. — Deixe-o em paz.
A jovem pareceu perder as forças e uma espécie de onda eletromagnética, saiu de seu corpo. Atingiu tudo a sua volta. Os quatro demônios foram evaporados, imediatamente, fazendo os corpos caírem no chão.
Não conseguia evitar o que estava acontecendo. Estava desesperada e suas mãos começaram a tremer.
– Sarah, você está bem? — perguntou o irmão.
– Fica longe. Não consigo me controlar. — começou a chorar desesperadamente ao constatar aquilo.
– Ei, olhe para mim. Vai ficar tudo bem. — O jovem deu outro passo na direção da irmã.
– Estou assustada e não quero te ferir. — falou ela. — Sai daqui. Me deixa sozinha.
– Não vou te deixar. — deu outro passo na direção dela que deixou um grito lhe escapar, quando uma onda de pequeno porte deixou o seu corpo.
– Não consigo mais deter isso. — encarou o irmão. O rosto estava completamente molhado de lágrimas. Finalmente o rapaz a alcançou e a abraçou.
– O que quer que tenha que acontecer, eu estarei aqui. — beijou-lhe a testa e a menina relaxou.
– Desculpe. — Uma grande onda eletromagnética deixou o corpo de Sarah e atingiu o rapaz. O arremessando contra uma parede, mas não chegou a atingi-la porque ele desapareceu segundos antes.
Vendo aquela cena e acreditando que havia matado o seu irmão, Sarah caiu desesperada no chão enquanto incontáveis ondas saiam de seu corpo.
As estruturas da casa começaram a ruir e as paredes começaram a rachar. Até que os dois andares da casa, caíram por sobre todos que estavam ali e isso incluía Sarah.
...~...
Oito Anos Depois:
– Sam, apaga a luz, eu estou tentando dormir. — resmunga Dean. Eles haviam acabado de retornar de uma caçada muito difícil, que envolvia cinco Djinns aterrorizando a cidade de Wausau, no estado de Winsconsin. Por isso tiveram que passar a noite em claro, seja para se livrar dos corpos ou fazer os curativos. — Sam.
– Dean, olha isso. — falou o moreno e colocou o notebook em cima do peito do irmão.
– Cara, você não dorme? — perguntou com o rosto inchado de sono e um hematoma no queixo.
– Teremos tempo para dormir depois. — falou o moreno. — Agora, nós temos um problema sério.
– O que é que você tem ai?
– Lê isso. — apontou para a matéria que Dean começou a ler em voz alta.
– "Sobe para trinta o numero de mortos, devido as chuvas fortes que atingiu o estado de Michigan, na tarde de quarta-feira". — Ele fez um bico e encarou o irmão. — Desculpa! Os Djinns devem ter batido na minha cabeça com bastante força, porque eu não sei onde nos encaixamos nisso.
– Olha a data, Dean. Foi uma hora depois de termos deixado a cidade.
– Que sorte a nossa. — o loiro riu e o irmão balançou a cabeça negativamente.
– A coisa está acontecendo aqui também.
– Aqui em Winsconsin?
– Exatamente. — Sam pegou o notebook da mão do irmão. — O que quer que seja, está seguindo a gente.
– Pode ser só coincidência, não pode?
– Quando, nesses anos em que caçamos, foi coincidência?
– Droga! O que devemos fazer? Sair de Winsconsin?
– Só levaríamos mais destruição para outro lugar.
– E se ficarmos, vai haver mais mortes por aqui. — concluiu Dean e levantou-se.
– Não se encontrarmos primeiro o que quer que esteja causando isso. — Sam respirou fundo.
– Cara, nesse mundo sempre tem essas coisas estranhas. — Dean buscou um punhado de roupa dentro da sacola e uma tolha. — e o pior é que parece que essas coisas estranhas sempre estão em nosso caminho. Nós somos imãs de coisas estranhas.
– É, parece que você tem razão. — respondeu Sam e o loiro seguiu para o banheiro.
– Eu vou matar esse filho da mãe que atrapalhou o meu sono, mas antes, vamos passar em uma lanchonete. Eu estou morto de fome.
...~...
Uma hora depois, os irmãos estavam prontos para deixar o motel, quando alguém bateu apressado na porta do quarto. Sam olhou sério para o irmão que sacou a arma imediatamente. O moreno fez o mesmo.
Dean fez um sinal com a cabeça e Sam seguiu até a entrada do quarto. Observou pelo olho mágico e franziu o cenho quando viu uma jovem loira, com uma mochila nas costas, uma mala e mostrando uma grade de cerveja.
Olhou para o loiro e então guardou a arma. Dean não se sentiu a vontade para fazer o mesmo. Sam abriu a porta e a menina entrou sem pedir licença.
– Eu pensei que iam me deixar congelando do lado de fora. — falou sorrindo para o mais alto. — Oi Sam.
– Oi... — respondeu ele sem entender absolutamente nada. A mulher olhou para Dean que tentava esconder a arma, nas costas.
– Dean, sempre desconfiado. — sorriu para ele também. Colocou as suas bagagens no chão e seguiu para o frigobar que estava no canto do quarto. — Eu trouxe cerveja, porque essas que vocês têm aqui, não são dignas de receber esse nome. — pegou a grade de cerveja que Dean havia comprado e jogou no lixo.
– Ei! — reclamou o loiro. Pegou suas garrafas do cesto e voltou a colocá-las na geladeira. — Essas são minhas cervejas e custou caro. Eu decido o que faço com elas.
– Você que sabe. — a mulher abriu uma das suas e tomou um gole. — Abbaye des rocs brune 330ml. Eleita uma das melhores cervejas do mundo e cada garrafinha dessa custa, em média, cinquenta dólares. — Dean olhou para a grade e depois encarou a mulher. — Pode pegar uma, se você quiser.
– Quem é você? — perguntou Sam sem nem ao menos se mexer.
– Desculpa. — respondeu e jogou-se na cama que era de Dean. — Meu nome é Sarah Elizabeth Miller.
– E você está aqui, por que... — falou o loiro, praticamente implorando para que a mulher dissesse.
– Vocês estão procurando por mim e eu resolvi aparecer logo. Para poupar vocês de perder tempo.
– Estamos procurando por você? — perguntou Dean sem entender. A mulher levantou-se da cama e aproximou-se dele. O observou seriamente, como se o examinasse. — O que é?
– Você é burro assim ou é só quando tem uma mulher por perto? — Sarah continuou na mesma posição. Dean estava indignado com a atitude da mulher. Só a conhecia há dois minutos e ela já estava deixando ele doido. Abriu a boca, na intenção de responder as provocações, mas foi interrompido. — Foi uma pergunta retórica.
– É você que está causando essa tempestade. — concluiu Sam.
– E é por isso que eu sou sua fã. — respondeu Sarah e sorriu.
– Acha isso engraçado? Você é responsável pela morte de trinta pessoas.
– Eu não acho isso engraçado, Dean. — a garota sentou-se na cama novamente e ficou extremamente séria. — Acha que gosto de ter o sangue de todas essas pessoas em minhas mãos?
– Então, se não gosta, porque está criando essas tempestades? E como você faz isso?
– Eu estou fora de controle. — olhou para o mais novo dos Winchester. — Por isso eu preciso de ajuda. Só havia vocês no meu caminho.
– Por isso nos seguiu. — Dean cruzou os braços na frente do corpo.
– Exatamente. — concluiu Sarah. — Não sou perigosa. Na verdade, não sei o que sou. Só sei que tenho vários poderes.
– Poderes?
– Consigo ver o passado e o futuro de uma pessoa, basta apenas me concentrar nela. Consigo ter o controle sobre os fenômenos da natureza, consigo fazer as coisas levitarem e ondas eletromagnéticas saem de mim, em explosões.
– E você diz que não é um perigo. — o loiro pegou uma cerveja da geladeira. Olhou a grade de Sarah e a boca encheu-se de água. A mulher levantou-se, pegou uma garrafa e seguiu até Dean. Tomou a que estava na mão dele e substituiu pela cerveja que havia levado.
– Eu disse que pode pegar. — Colocou a outra garrafa na mesa e afastou-se. — Eu sei que é muito estranho uma garota, que vocês nunca viram, bater em sua porta e dizer que só vocês podem ajudar, mas é a pura verdade. Preciso de vocês.
– Põe estranho nisso. — Dean ainda examinava a garrafa de cerveja, para ter certeza de que não era uma armadilha.
– Eu perdi meus pais e meu irmão, há dez anos, e desde então tenho me virado sozinha. Vivendo um dia de cada vez, da forma que eu posso. — respirou fundo e Sam percebeu que a conversa seria longa. Puxou uma cadeira e sentou-se, de frente para a jovem. — Há quatro dias, eu tive uma visão do futuro.
– E... — falou Dean cheirando a cerveja.
– E eu me vi morrer. — respondeu. — Geralmente, quando vejo alguma coisa tão grave quanto essa, vejo também as opções para evitá-la. Havia cinco escolhas a ser feita e quatro delas me levavam ao mesmo destino.
– A morte. — concluiu Sam.
– Exato. — Sarah respirou fundo. — e apenas uma delas, me levava a outro lugar. Levava-me a vocês.
– Por isso você veio. — Dean elevou as vistas até ela.
– Sem vocês, eu vou morrer. — olhou para os dois rapazes. — Então, vocês vão me deixar ficar?
– Ficar? — falou os dois ao mesmo tempo.
– É. Ficar com vocês. Caçar com vocês.
– De forma alguma. — respondeu Dean e colocou a garrafa de cerveja em cima do balcão.
– Dean, deixe-a falar.
– Não, Sammy! E se isso for uma armadilha? Vai confiar? Vai viver sobre o mesmo teto com uma completa estranha?
– Dean, é o nosso dever ajudar e faremos os testes nela, para saber se é de confiança.
– Não estou me negando a ajudar. Só estou dizendo que não aceito que ela entre para o nosso "time".
– Tudo bem, eu entendo. — respondeu a jovem e levantou-se. Pegou a mochila, a bolsa e seguiu na direção da porta. — Eu sabia que convencer o Dean seria difícil. — respirou fundo. — Obrigada por me defender, Sammy. -sorriu para o moreno e depois olhou para o loiro. — E vai se ferrar, Dean. — piscou, mostrou o dedo do meio e saiu do quarto. — Podem ficar com a cerveja.
– Você viu? Esse era o ponto onde eu queria chegar. É uma louca. — falou o mais velho e pegou a garrafa de cerveja do balcão. Esqueceu que havia sido Sarah que trouxe e deu um gole. Encarou o irmão e respirou fundo. — Cara, ela pode ser louca, mas tem um bom gosto para cerveja. — ele olhou o rotulo. — Isso é divino.
– Dean...
– Não me culpe, Sammy. Já não basta eu, você e o Cas, envolvidos nessa merda toda, ainda vamos ter que colocar mais uma pessoa nisso? — Assim que se calou, o telefone do loiro tocou. — Alô!
– Dean, é o Castiel. Onde vocês estão? — O loiro foi até um panfleto que estava em cima da televisão.
– Finnigan's Motel, quarto 1004. Wausau, Winsconsin. — respondeu o loiro e, imediatamente, Castiel apareceu na frente dele.
– Oi Dean! — falou ainda com o celular no ouvido.
– Oi Cas! — respondeu o loiro incomodado. — Aquilo que conversamos sobre proximidade, poderia fazer o favor?
– Me desculpe. — O anjo desligou o celular. — Onde ela está?
– Quem? — perguntou Dean desconfiado. Sabia que Castiel falava sobre a garota loira que saiu puta da vida.
– A Sarah. — respondeu o anjo.
– Graças ao Dean aqui, ela foi embora. — respondeu Sam e sentou-se na cama.
– Como eu ia saber que você queria falar com ela?
– Ela tem que ser protegida. — Castiel falou exaltado. — Vocês têm que protegê-la.
– Tudo bem. — Dean pegou o casaco.
– O que ela tem de tão importante, Cas?
– Ela pode ser a salvação do mundo ou a completa destruição.
– Certo, vamos encontrá-la. — Dean pegou a arma e colocou na cintura. Seguiu em direção a porta, resmungando algo sobre "como teria sido mais fácil se o Castiel tivesse aparecido antes".
...~...
Depois de duas horas de buscas, os rapazes finalmente chegaram ao local onde Sarah estaria.
– Dean, ali. — apontou Sam. O loiro estacionou o impala no píer e os dois desceram correndo. Ela estava debruçada na cerca que dividia a parte seca, da parte do mar. As malas estavam jogadas no chão, ao lado dela, e uma nuvem densa se aproximava, vinda do oceano.
– Quer mesmo acabar com esse dia lindo? — perguntou Dean encostando-se ao lado da mulher, apoiando-se na mesma cerca. Só então reparou a lata de coca-cola e o cigarro queimando em sua mão, além da fumaça saindo de sua boca. — Sério? Sabe os danos que isso causa, não sabe?
– Quer saber de uma coisa engraçada? — começou a mulher a falar. — Foda-se os danos. Eu nunca fumei, nunca usei drogas e nunca fui esse tipo de garota que fica se insinuando e se atirando em cima dos caras, mas o que eu ganhei em troca por ser tão certinha? Nada! Apenas a certeza de que morrerei em uma semana. — tragou a fumaça, prendeu por alguns segundos e então soltou. — Como não tenho nada a perder, eu digo: Que se dane o câncer de pulmão.
– Você não vai morrer em uma semana. — começou Sam a falar.
– Eu sinto muito, rapazes, mas até o momento, eu não errei nenhuma previsão.
– Nós cuidaremos de você. Queremos que fique conosco. — Sarah respirou fundo, deu outra tragada no cigarro, soltou a fumaça e virou-se para encarar o moreno. Aquilo estava deixando Dean desconfortável.
– O que fez com que vocês mudassem de idéia?
– Castiel. — respondeu o loiro.
– O anjo de sobretudo?
– Você o conhece? — perguntou Sam.
– Não pessoalmente, mas já tive muitas visões com ele, sendo o protagonista. — Sarah olhou para os rapazes e respirou fundo. — Então, é isso mesmo que vocês querem?
– Sim. — respondeu Sam, prontamente, e Sarah o encarou sorrindo. O conhecia há muito tempo e talvez tenha sido por isso que desenvolveu aquele sentimento, tão forte, de cumplicidade com Sam. Adorava estar com ele.
– Obrigada. — respondeu. — E você? — Perguntou a garota, para Dean. Ela conhecia o loiro também, mas o que aconteceu com eles, a machucou bastante e ainda machucava. E aquilo se agravava pelo fato do homem não tê-la reconhecido. Era o mínimo que ele deveria fazer, depois de tudo.
– Sinceramente? Eu preferia que você não fosse. — respondeu. — Não pelo fato de ter alguma coisa contra você, mas pelo fato de envolver outra pessoa nessa merda toda. Eu perdi muito e não quero que outras pessoas passem pela mesma coisa que eu passei.
– Não vê, Dean? Eu não tenho nada mais a perder. — A mulher prendeu o choro, odiava demonstrar fraqueza. O cigarro que fumava acabou e ela jogou a ponta dentro de um lixo, próprio para aquilo. Pegou o maço de dentro da bolsa e tentava retirar outro. — Estou no mesmo barco que você há muito tempo. Estou envolvida nessa merda até o pescoço...
– Okay. — respondeu ele e respirou fundo. — Se vai seguir conosco, vamos começar impondo as regras. — Dean tomou o maço e o cigarro, da mão da garota e colocou no lixo. — Regra número um: Pare de fumar. Eu não vou carregar uma chaminé dentro do meu baby.
– Ei! — reclamou a mulher chateada. — Esses são meus cigarros e custou caro. Eu decido o que faço com eles.
– Essas são as regras. — repetiu Dean e sorriu. — Ah! Estamos quites. — Seguiu na direção do impala e por pouco, a lata de refrigerante não o atingiu. Sorte a dele que Sarah tinha uma péssima mira.
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