Distrito 10, Beatrice Solace
7 O Desfile
Depois da festa fomos todos direcionados para o Centro de Treinamento. Lá, nós descansamos e de manhã, nossa equipe de preparação apareceu.
Michael e as três senhoritas de bigodes trouxeram a roupa que eu usaria naquela manhã para o desfile.
Eles me lavaram novamente no chuveiro ultra estranho da Capital. Me secaram e passaram uma especia de pó e gel na minha pele. Depois, cuidaram para que minhas unhas tivessem perfeitas e colocaram a primeira parte da minha roupa — um colant preto super fino.
- Michael time uma ideia a alguns dias antes de você chegar — Disse com os olhos brilhando — Não sei se é permitido, mas eles não vão poder parar o desfile quando tiver acontecido.
- Acontecido o que? — Disse com medo do quão louco meu estilista podia ser.
- Você vai ver.
Depois disso ele não falou mais nada. Saiu do quarto, e após 5 minutos voltou com a outra parte da roupa. Pediu para que os seus ajudantes arrumassem meu cabelo e começou a encaixar a roupa. Isso mesmo, encaixar.
A roupa toda era feita de metal branco com manchas pretas — o que obviamente representaria uma vaca. O metal cobria dos meus pés aos ombros.
- É resistente ao fogo — Ele disse.
- Resistente a que? — Perguntei surpresa e assustada. — Pra que precisamos de uma roupa resistente ao fogo?
- Porque você e a outra garota vão queimar! — Disse com naturalidade.
Eu entrei em pânico.
- Eu preciso entrar na arena viva. Preferencialmente intacta! E você vai por fogo em mim? Você é louco?
Ele riu.
- Eu testei isso milhares de vezes. Fique calma. Eu não seria louco suficiente para matar um tributo. E além disso, não colocarei fogo diretamente em você.
Fiquei imaginando como seria, e esperando que ele terminasse de montar a roupa no meu corpo. Então, ele colocou algo nos meus pulsos. Uma especia de pulseira — ou algema. E mais alguns enfeites vermelhos, laranjas, e azuis no meu cabelo — parecia um carnaval.
Quando acaba, somos encaminhadas — Gabriella e eu — para o térreo do Centro de Treinamento, que abriga o grande ponto de encontro para os tributos e seus carros antes da cerimônia de abertura.
A rouba dela era igualmente montada, como a minha. Mas era marrom — como um boi, ou algo do gênero.
Então, fomos até nossa carruagem e nos preparamos para subir. Ao subirmos a carruagem começou a fazer alguns barulhos, como se fosse explodir, e então começou.
Com o sinal do inicio do desfile o grande portão começou se abrir. Os cavalos foram formando uma fila, por ordem dos distritos. E entrando no desfile.
Eu só ouvia os gritos da população maluca de Panem. Então, antes que nossa carruagem partisse. Michael — nosso estilista — correu até nós e disse:
- Aconteça o que acontecer. Não entrem em pânico! Sejam naturais e acenem. Prometo qu...
E a carruagem partiu.
Nossos garanhões eram marrons e muito bonitos. E por sinal geneticamente modificados pela Capital, pois eu nunca vira cavalos tão espertos.
Fiquei um tempo pensando em cavalos, mas algo chamou minha atenção. Um cheiro de queimado.
Quando nós dobramos a volta da Cidade Circular o cheiro aumentou. Olhei rapidamente para baixo e vi que a carruagem estava pegando fogo. Não totalmente, só onde estavamos.
O fogo subiu até nossa cintura, e eu entrei em pânico. Mas como pediu nosso estilista, não demonstrei. Olhei para a multidão e tentei sorrir. Gabriella, o tempo todo, sorria e acenava. Então, olhei para o telão e vi que estavam focando a câmera em nós. Tem uma piscada provocativa e a Capital ficou aos gritos.
Então, consegui enxergar as gamemakers e o presidente. O maldito presidente.
Mesmo tento me voluntariado, eu o odiava. Ele sorriu para as câmeras e isso me deixou com raiva.
Então, nós voltamos para o centro de treinamento. E ela estavam nossos mentores e equipe de preparação felizes. Até meu pai sorriu.
- Vocês foram demais! — Disseram as moças de bigodes.
- Perfeito! — Disse Michael — Com certeza atraíram patrocinadores. Agora, só falta irem bem no treinamento.
- Muito bem meninas — Meu pai disse sorrindo para mim. E eu sorri também.
Era bom vê-lo assim, feliz. Pois eu também ficava feliz.
Fale com o autor