Todo dia era um novo desafio a arte de fazer o jantar para aquele bando. Talvez se fossem apenas ele, Robin e Nami, a vida de Sanji seria muito mais fácil. Ele poderia fazer vários pratos diferentes para elas, mas não se preocuparia em fazer toneladas de comida para suprir o apetite incansável das duas damas, já que isso não existiria. Mas com aquele bando de animais, ele tinha que fazer tanta comida que quando terminava de lavar a louça, estava exausto.

Naquele fim de tarde, em especial, estava cozinhando os necessários quilos de carne que alimentavam a barriga de Luffy, e do resto do bando. Depois de temperar a carne de rei dos mares, colocou-a na enorme forma e depois no tão enorme quanto fogão da cozinha do Sunny.

Suspirou, satisfeito, e ia acender um cigarro, mas Zoro entrou na cozinha.

– Não chamei ninguém para a janta ainda.

– Não vim jantar, vim pegar saquê.

– Não atrapalhe a fina arte da cozinha, marimo. Dois anos não te ensinaram nada?

– Me ensinaram uns golpes, quer ver?

Sanji bufou, e Zoro ignorou-o, seguindo para a adega. Pegou uma garrafa, abriu-a e engoliu um tanto. Quando o espadachim baixou a garrafa depois do gole, sentiu uma mão em seu ombro, que o obrigou a virar. Deu de cara com Sanji e o cozinheiro o empurrou com força para trás, fazendo-o chocar-se contra a adega. A garrafa escorregou das mãos de Zoro, e caiu no chão, espatifando-se.

– Porra, a garrafa tava cheia! – Ele reclamou.

Sanji, por outro lado, pouco estava interessado na bebida. Quando Zoro tentou sair de perto dele, foi empurrado novamente. A adega sacudiu. As garrafas sacudiram junto, provocando um barulho de tilintar.

– Que pensa que está fazendo?

– Tenho que me ocupar com algo enquanto a carne assa.

– E decidiu passar tempo me empurrando por aí? Quer levar uma surra?

– Não. – O loiro ergueu o queixo, analisando o outro. A cicatriz no olho o havia deixado ainda mais... Selvagem, por assim dizer. – Mas você quer?

Zoro sentiu a malícia na voz do cozinheiro e tentou recuar um passo, mas era impossível.

Não que não gostasse disso. Quer dizer, daquela malícia que saía da voz do rapaz, porém, não era algo que o agradasse todas as vezes que acontecia. Não se incomodava com uns beijos aqui e uma mão aqui e outra lá, o problema é quando a coisa saía do controle. E Zoro não era fã de ser subjugado pelo sobrancelha-de-alvo.

Ou gostava, mas preferia acreditar que não.

Sanji não aguardou resposta, simplesmente pegou Zoro pelas mãos e o imobilizou com elas ao lado da cabeça. Porém, pegou-o de forma afetuosa, entrelaçando os dedos, sem forçar. Se Zoro quisesse poderia perfeitamente jogá-lo longe, mas nada disso aconteceu. O cozinheiro foi capaz de pôr a boca no pescoço do espadachim e ele não reagiu. Aliás, se reagiu, foi apenas perdendo o controle da respiração.

Sentindo a aceitação, Sanji subiu a boca para os lábios de Zoro, encontrando-o num beijo furioso. Aquele homem tinha a capacidade de despertar uma luxúria tamanha em Sanji, num nível que ele jamais havia sentido. Simplesmente queria tê-lo o tempo todo, poderia tê-lo o tempo todo se isso fosse possível. Ou se ele deixasse, mas era lógico que não. Enquanto quando Zoro não fazia circo e o espancava por tentar alguma coisa, tinha mais é que aproveitar.

Soltou-o e enfiou as mãos por dentro da peça de roupa que o cobria. Tocou seus músculos, aliás tudo era músculo. Até o cérebro.

Zoro o pegava pelos ombros, depois descia nas costas e na cintura, ficava mexendo as mãos freneticamente. Talvez não soubesse o que fazer com elas.

Mas Sanji sabia – ah, sabia. Conhecia cada ínfima parte daquele corpo e sabia exatamente como fazê-lo sucumbir. Tocando-lhe a cicatriz do peito e traçando o caminho até o umbigo, chegando lá e descendo um pouco mais, ainda sem invadir as calças pretas. Zoro partiu o beijo e arfou, baixando os olhos como se tentasse ver o que o outro estava fazendo.

Sanji o encarou, tombando a cabeça um tanto para o lado a fim de ver sua reação. Sempre gostava de vê-lo com a cara quente, apertando os lábios entre os dentes e arfando prazerosamente, sempre engolindo os gemidos porque um homem daquele tamanho não devia gemer. Pelo menos era o que o marimo idiota achava. Sanji iria adorar ver isso acontecer, mas ficaria para uma próxima vida.

O cozinheiro beijou o outro mais uma vez, agachando-se gradualmente. Beijou-lhe o peito, lambendo a área da cicatriz, com aquela textura tão interessante. Puxou a já frouxa faixa vermelha que segurava o sobretudo verde, depois abriu os fechos e a braguilha. As espadas foram cuidadosamente postas de lado.

Zoro cerrou os punhos, sentindo vacilarem as pernas ao passo em que Sanji passava a língua pelo membro rijo.

– Alguém vai entrar.

– Não vão. – Sanji deu pouca importância.

– O Luffy daqui a pouco vai vir cobrar a comida, já tô sentindo o cheiro.

– Sshh.

Sanji abocanhou o falo, movendo a cabeça de acordo para fazer um movimento de vaivém. Zoro bateu a cabeça contra a adega e mordeu a boca de novo, evitando qualquer ruído que chamasse o mínimo de atenção. Gostaria de estar sentado, mas não ia demonstrar fraqueza. Sanji era bom, mas não podia ficar muito convencido.

Zoro suspirou, assoprando o ar com força. Sentia todos os músculos reagindo, retesando-se, fazendo-o girar os olhos de prazer. Sanji usava a língua e os lábios e tudo com maestria demais. Com o tempo passara a saber de que forma era possível deixar Zoro mais ou menos excitado. E naturalmente sempre optava pelo “mais”.

Como naquele momento, em que o espadachim apoiava-se em seus ombros, apertando-o, grunhindo e bufando, impaciente. Ele sentia a tensão subir pela espinha quando Sanji aumentou a velocidade dos movimentos, sugando a glande, baixando até a base, indo e voltando, indo e voltando, indo e voltando.

Zoro apertou com força os ombros de Sanji quando sentiu o orgasmo cortar sua respiração, acelerar o coração e fazê-lo perder as forças nas pernas. Veio do jeito intenso que sempre vinha, como se a cada vez fosse uma experiência nova.

Sanji se levantou, sorrindo. Tinha uma expressão satisfeita, algo típico dele. Isso porque sempre se vangloriava dos seus incríveis feitos... Resultando em brigas intermináveis.

O espadachim o agarrou na gravata e o puxou em sua direção, beijando-o com urgência. Sentiu seu gosto vindo da língua dele. Sentia-se familiarizado. Até gostava.

Apertaram-se um contra o outro. Zoro sentia a ereção de Sanji contra si. Assim não era tão difícil ficar excitado de novo.

Sanji deu-lhe um tranco e Zoro fez um ruído gutural, encarando-o. Tão de perto, tão perto. Os lábios se tocavam, os narizes um ao lado do outro. O cozinheiro roçava-se contra o mais alto, estimulando-o novamente e insinuando o que queria fazer naquele momento.

Estava pronto para virá-lo ali mesmo quando sentiu cheiro de queimado.

– Ah não! – Sanji gritou, largando Zoro do jeito que estava e correndo para o fogão.

O espadachim, atordoado, puxou o sobretudo para cobrir-se.

– Meu jantar! – O loiro lamentou-se, tirando do forno o enorme pedaço de carne torrado. Talvez não estivesse arruinado, poderia cortar um pouco as partes escuras, mas mesmo assim... Sanji havia queimado comida. Ele, queimado comida. Parecia piada. Era comida desperdiçada porque é prejudicial à saúde e Sanji não serve coisa assim para as pessoas.

Nem sempre, pelo menos.

Zoro se recompôs rapidamente e deu um passo para o lado, evitando os cacos de vidro, embora não estivesse descalço.

– Merda. – Sanji pegou uma faca e um garfo e começou a cortar a carne para tirar os torrados. – Como vou servir algo assim pra Nami-san e pra Robin-chan?

Zoro o encarou. Estava brincando?

– Qual é?

– O quê? Tenho que consertar agora.

– Isso foi culpa sua!

– Foi culpa sua, apareceu aí! Se tivesse ficado na sua eu não teria—

– Cale a boca. – Zoro projetou-se para frente.

Sanji revirou os olhos, depois sorriu.

– Não esquenta, marimo. Depois eu termino o serviço.

O espadachim sentiu uma veia pipocar na testa. A cada dia que passava aquele cozinheiro ficava mais abusado.

– Eu te arrebento no meio antes disso acontecer.

– Sei. – Sanji jogou fora um pedaço de carne queimada. – Conta outra. Agora me deixa trabalhar e pare de ficar aí, me fazendo querer te—

– Cale a boca, cook. Apenas cale. – Ele falou num tom de ameaça.

Sanji gargalhou, meneando a cabeça, divertindo-se genuinamente. Zoro saiu dali, aos xingos.

Zoro era fácil demais, às vezes.

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