Distração

1 Capítulo único


Notas iniciais
Estou adiantada, mas... Ah, que seja! Parabéns, CupCake_Hime!!! Já que não vai dar pra postar seu presente no dia certo ( por causa das aulas ), estou postando hoje, e eu espero que você goste *----* E se alguém mais ler, eu também espero que goste ^^

Quando seu ódio havia sumido?... Sumiu?... Não.

Estava menor, verdade. Mas por quê? Por que Lelouch ainda possuía tamanho controle sobre suas emoções? Depois de tanto tempo, era como se nada tivesse mudado!

... Mas deveria ter mudado! Suzaku havia mudado, ambos haviam mudado muito, mas mesmo depois de tantos anos, a sensação que Suzaku tinha ao estar perto de Lelouch não mudara nem um pouco. Essa sensação de conforto, bem-estar, de querer protegê-lo, nem mesmo seu ódio era capaz de apagar.

Não passava de um hipócrita, sabia disso.

Queria protegê-lo, tê-lo ao seu lado, mas mesmo assim seguiria em frente com o plano.

... O último plano de Lelouch.

— Lelouch, você está bem? — Suzaku perguntou observando o imperador, que estava em silêncio, com a cabeça entre as mãos.

— Hã? — Lelouch fez distraído, abrindo os olhos — Sim, é que... Estava pensando. Falta muito pouco agora, não é?

— Falta mesmo — Suzaku concordou, mas com um tom estranho na voz que Lelouch não deixou passar despercebido.

— Não se preocupe, eu irei cumprir com minha palavra — Lelouch falou sorrindo.

E foi esse sorriso cheio de melancolia e inconfundível solidão que deu ainda mais certeza à algo que Suzaku já sabia.

" Eu não quero matá-lo ".

Lelouch voltou a ficar em silêncio, fechando novamente os olhos.

— Jeremiah! — Suzaku chamou em voz alta, sobressaltando o jovem imperador.

— Sim, Lorde Kururugi? — Jeremiah apareceu fazendo uma mesura.

— Nós vamos sair, por favor prepare um carro para nós. O mais discreto possível — Suzaku pediu.

— Yes, My Lord — Jeremiah se retirou, mas sem entender o porquê daquele pedido, afinal, até onde se lembrava, não havia nada programado para aquele dia.

— Aonde vamos, Suzaku? — Lelouch perguntou, sem entender também.

— Vista roupas discretas. Será bem problemático se o reconhecerem — foi tudo que Suzaku falou como resposta.

E Lelouch realmente não estava com ânimo para discutir.

Foi para seu quarto, e quando voltou, estava devidamente " disfarçado ". Assim como o próprio Suzaku.

Lelouch tentou perguntar mais uma vez para onde iam, mas novamente, não obteve resposta. Sabia que, sendo o imperador, podia exigir uma resposta de Suzaku, mas não o fez.

Porém, teve de perguntar de novo quando se viu no carro, com Suzaku na direção, no meio de um centro comercial.

— Suzaku, o que estamos fazendo no centro comercial?

— O que se faz em um centro comercial? — respondeu com um sorriso mínimo que Lelouch percebeu e estranhou. Fazia quanto tempo que Suzaku não sorria?

O que se fazia em um centro comercial? Compras.

Mas ainda não fazia sentido.

— Tome cuidado para que não o reconheçam — sussurrou o cavaleiro assim que desceram do carro, indo em direção a um mercado.

Sim, a um mercado.

Lelouch entendia cada vez menos.

Suzaku comprou algumas coisas apenas; doces e besteiras em sua maioria.

O que ele pretendia?

Mal saíram do mercado e voltaram para o carro, e novamente, suzku não disse uma palavra sobre para onde iriam.

Lelouch gostava da companhia do cavaleiro, mesmo que nunca mais fosse poder falar isso à ele. Sabia, tinha plena consciência de que Suzaku o odiava, e que no momento estava ao seu lado apenas esperando o dia em que iria matá-lo.

Ele sabia.

Mas ainda doía.

— Suzaku, você sabe que nós temos um, não sabe? — Lelouch perguntou ao ver para onde o outro os havia levado.

— Eu sei — respondeu simplesmente, entrando no barco que Lelouch olhava sem entender nada.

Lelouch não tinha muita escolha a não ser seguí-lo.

— Então por que você alugou esse barco? — persistiu Lelouch — Nós poderíamos usar o navio do imperador.

— Não, não poderíamos — falou Suzaku, mexendo nos comandos do barco.

— Ahn... Poderíamos sim. Sabe, eu sou o imperador — e se sentiu muito tolo ao pronunciar essa frase. Parecia com uma criança que tenta, à todo custo, entender um exercício particularmente difícil e começa a dar respostas óbvias na tentativa.

E Lelouch não gostava de ficar sem resposta dessa forma.

O barco começou a deslizar pela água e Suzaku finalmente virou para Lelouch.

— Hoje você não é o imperador e eu não sou seu cavaleiro — finalmente uma resposta completa!

... Mas ainda não fazia sentido.

Suzaku suspirou, vendo que o ooutro não havia entendido. E o fato dele não ter entendido deu ainda mais vontade para Suzaku realizar aquele " pequeno passeio ".

Aquilo não estava certo. Lelouch sempre tinha o pensamento mais rápido, tanto que muitas vezes se tornava irritante por causa disso. Mas agora? Agora ele estava... Simplesmente não era ele mesmo.

Suzaku preferia muito mais o Lelouch arrogante de sempre do que aquele Lelouch abatido de agora.

— Lelouch — Suzaku continuou — Hoje você é apenas Lelouch Lamperouge — ele sabia que o tempo em que o jovem imperador havia sido mais feliz havia sido enquanto estava escondido na academia, mesmo que na época ele não houvesse se dado conta disso — E eu sou apenas Kururugi Suzaku.

— Um... Dia de folga? — Lelouch finalmente estava entendendo.

— Isso mesmo.

Lelouch fechou os olhos por um momento e quando os abriu perguntou.

— Por... Por que está fazendo isso? — havia uma dúvida real em seu olhar.

Suzaku o odiava, não?

Mas nem o próprio Suzaku podia mais dizer isso com total certeza.

— Eu não sei — respondeu para sua, e de Lelouch, surpresa.

E os dois ficaram em silêncio, apenas olhando para a água conforme o barco continuava avançando.

Olhavam para o mar, mas não o viam realmente.

Sentiam a brisa refrescante, mas ao mesmo tempo era como se ela os atravessasse.

O silêncio entre eles durou por um bom tempo, e quem o quebrou foi Lelouch.

E não foi com palavras. Ele se levantou e pegou um pacote de doces que Suzaku havia comprado, fazendo barulho ao abrir o pacote.

Suzaku, por sua vez, continuava imerso em pensamentos.

Ele não era cego a ponto de não ter se dado conta do que sentia e do que sempre sentiu pelo amigo de infância, nem orgulhoso o bastante para negar insistentemente tal sentimento.

Sabia muito bem que amava Lelouch.

Então o que o impedia de falar? O que o impedia de demontrar?

Euphie.

Seu amor por ela não foi uma ilusão. Tampouco a dor causada por sua morte.

Mas visualizar toda aquela apatia em Lelouch doía ainda mais.

E pensando bem, ele, Suzaku, não estava prestes a fazer exatamente a mesma coisa que Lelouch? Matar alguém que ama?

Podia ver através das mentiras dele, podia ver que ele não queria ter matado Euphie e que ele gostava dela.

Não era o mesmo?

Era.

Então por que ainda hesitava?

Não sabia a resposta.

Então deixaria de tentar encontrá-la.

— Lelouch — chamou.

— Hum?

E não pôde dizer mais nada, porque Suzaku o beijou assim que se virou.

Um beijo lento, demorado, como se tentassem preencher naquele único beijo, todas as vezes que eles se impediram de iniciá-lo.

— Su-suzaku — Lelouch falou em voz baixa assim que se separaram, mas ainda bem próximos um do outro — Não será pior assim?

— Talvez — respondeu Suzaku dando outro beijo em Lelouch, pouco mais do que um selinho — Mas eu já irei me odiar por te matar, e vou me odiar ainda mais se não fizer isso antes.

Aquela resposta pegou Lelouch desprevenido.

— E... E Euphie? — perguntou hesitante.

— Continua morta. E continua sendo você quem a matou — sua expressão estava séria, mas suavizou quando continuou — Eu tentei. Eu realmente tentei, mas eu não consigo simplesmente apagar o que sinto por você.

Lelouch sorriu.

O primeiro sorriso verdadeiro que dava em muito tempo.

Suzaku suspirou — Não há outro jeito, Lelouch?

— Já é tarde demais — respondeu olhando bem nos olhos dele.

" Eu não tenho o direito de ser egoísta a essa altura " e ele sabia que Suzaki seguiria sua vontade.

O imperador encostou a cabeça no ombro de Suzaku, fechando os olhos e suspirando pesadamente.

— Eu estou cansado.

Na frente de todos, do mundo inteiro, precisava ser o imperador, aparentar força e confiança, enquanto que em seu interior se sentia fraco e com medo.

Medo sim. Afinal, quem não teme a morte?

Apenas aqueles que não sabem dar valor ao que têm em vida.

E Lelouch aprendeu a dar valor. Um pouco tarde, mas aprendeu.

E era por isso que se sentia tão desprovido de forças agora.

— Pode descansar. você pode descansar agora — Suzaku falou mexendo carinhosamente nas mechas de Lelouch.

" Eu estou cansado ". Ele entendia o aquela frase significava. Lelouch estava cansado de fingir, cansado de mentir, cansado de planejar. Os últimos dias eram prova disso.

Mas para Suzaku ele não precisava mais fingir.

Pelo menos não mais.

Suzaku podia ouvir a respiração leve de Lelouch. " Será que ele dormiu? "

Concluiu que sim, então se abaixou e sussurrou bem baixo.

— Está tudo como você planejou, todos te odeiam agora. Mas eu não. Pelo menos eu, não te odiarei.

Porque de nada adiantava o ódio, quando se tinha tão pouco tempo restante ao lado dele.

Notas finais
Ficou bom? Não ficou?

Mesmo se não tiver ficado muito bom, o que vale é a intenção, certo? E as minhas são as melhores!! >.< Eu fiz com todo o carinho, e espero que você tenha gostado, CupCake_Hime!!

Parabéns!! ( adiantado )
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!