Distraction
2 Capítulo 2: Surrender
Notas iniciais
Quando os últimos raios de sol desapareceram no horizonte e as estrelas começaram a brilhar no céu colorido em tons de azul escuro e vermelho, Hibari, ainda relutante, mas com uma vaga ideia do que queria fazer, se pôs a caminho do hotel no qual Dino estava hospedado.
Com seus vários contatos pela cidade, mesmo não tendo mais o cartão que lhe havia sido entregue horas antes, o adolescente precisou apenas perguntar por um "herbívoro italiano cercado por um grupo suspeito de homens" (uma descrição que, apesar de estranha, fora facilmente compreendida, visto que o único estrangeiro visitando a cidade estava, de fato, acompanhado por um grupo singular de subordinados, todos vestidos com ternos e óculos escuros, rindo e falando alto numa língua animada) para que o endereço correto do local de encontro lhe fosse informado sem maiores dificuldades.
As ruas de Namimori, tomadas àquela hora por pessoas apressadas que acabavam de deixar o trabalho ou a escola, eram rapidamente percorridas pelo aborrecido líder do comitê disciplinar; ele não via a hora de se livrar daquela multidão. Se aventurar em meio a tanta gente fora, sem dúvidas, uma péssima ideia. Todo aquele barulho e agitação somados ao calor e ao espaço restrito o deixavam cada vez mais irritado. Caso continuasse naquele ritmo iria acabar descontando toda a sua fúria no homem que estava prestes a encontrar.
Ao terminar de proferir mentalmente a centésima lista de xingamentos e reclamações a respeito de sua atual situação, Hibari soltou um suspiro de alívio ao ver, finalmente, do outro lado da rua, a fachada do hotel. E então, após passar com algum esforço em meio aos carros praticamente parados no trânsito caótico da cidade, ele adentrou o prédio, imediatamente sentindo o frescor do ar condicionado bater em seu rosto.
A movimentação no largo saguão era pouca, mas não que isso fizesse alguma diferença, já que Hibari não precisaria falar com nenhum dos recepcionistas – sua influência na cidade não se limitava apenas à escola e ao hospital, como todos pareciam acreditar. Dois homens de meia idade, vestindo ternos escuros e sapatos brilhantes, conversavam sentados em duas poltronas, com copos parcialmente preenchidos com gelo e uma bebida cor de cobre sobre uma mesinha à frente deles; no guichê um jovem casal acabava de fazer o check-in e, saindo do elevador de serviço, um rapaz uniformizado empurrava um carrinho com três malas. Hibari passou por todos eles sem dar importância a nenhum em particular, e por fim, utilizando um dos elevadores, subiu para o andar desejado.
* * *
Saindo do elevador, Hibari se viu em um dos bem iluminados corredores do oitavo andar. O caminho de paredes claras e assoalho coberto por carpetes aveludados e vasos de plantas esparsos, planejado para que os hóspedes se sentissem como no conforto de suas casas, parecia interminável, longo demais para alguém com a personalidade impaciente do guardião da nuvem.
Respirou fundo, tentando minimizar sua ansiedade e colocar os pensamentos em ordem, e parou em frente a uma das portas. Continuar com aquilo poderia não ser uma boa ideia, afinal. Ainda que certo de suas próprias intenções, ele não sabia o que esperar do outro, e ir adiante com esse "encontro" dependendo apenas de sua única e exclusiva vontade não era encorajador o suficiente.
Porém, após um minuto de reflexão, não havia mais receio em sua expressão e atitude. Hibari Kyoya não era do tipo de pessoa que começava algo para depois desistir na metade, independentemente das possíveis consequências que resultariam de suas ações, fossem elas satisfatórias ou desagradáveis. Por fim, com o nó dos dedos, ele bateu na superfície plana.
Imóvel e olhando fixamente para frente, Hibari esperou até que o ecoar de passos se aproximando no assoalho do outro lado pudesse ser ouvido.
Tão rápida a porta fora aberta, uma cabeça loira espiou por ela, prontamente sendo seguida por um corpo inteiro. A imagem transmitida era a de o ocupante do quarto havia acabado de sair do banho, vestindo apenas uma calça de moletom cinza. Seu cabelo, ainda molhado, deixava que algumas gotas de água pingassem na toalha sobre seu ombro e escorressem sobre o tórax despido. Um olhar confuso – resultado do fato de nenhum visitande ter sido anunciado pela recepção do hotel – completava o visual.
Hibari, ainda sem se mexer, conteve a surpresa que ameaçou tomar conta de seu rosto. Como suspeitava, aquele homem realmente não possuía o mínimo de bom senso. Que tipo de pessoa se apresentava naqueles trajes – ou falta deles – para um (suposto) desconhecido? Novamente ele se sentia atordoado pelas formas coloridas que cobriam o corpo de Dino, embora parte delas estivesse, como das vezes anteriores, encoberta por uma peça de roupa.
Desconcertado, Hibari desviou o olhar, concentrando-o em um ponto aleatório no chão do corredor que ele julgava ser de seu extremo interesse. Mas, apesar de tudo, com uma força de vontade considerável, ele conseguiu manter sua postura tão neutra e séria quanto sempre.
Dino pareceu não notar o embaraço de seu pupilo ou, pelo menos, soube disfarçar muito bem ao perceber que estava sendo observado pelos olhos curiosos do adolescente. Além disso, aquela visita repentina também o abalara por alguns instantes, logo ele não podia ter certeza do que havia se passado.
Então, com um olhar calmo e um pequeno sorriso, ele abriu mais a porta e deu um passo para o lado, permitindo que Hibari entrasse, e fechou-a em seguida.
Hibari adentrou o quarto sem dizer uma palavra e permaneceu de pé a poucos passos da entrada, como se analisasse o território inimigo antes de se arriscar a fazer qualquer coisa. À primeira vista, o ambiente era espaçoso e confortável e não representava nenhuma ameaça.
Dois sofás em tom creme, dispostos um de frente para a porta e o outro perpendicular a ele, e uma mesinha de centro sobre um tapete branco e felpudo mobiliavam a parte inicial do cômodo. Atrás deles estava uma janela aberta com as cortinas puxadas dos dois lados e um vaso com uma árvore de pequeno porte; na parede à esquerda havia uma escrivaninha repleta de papeis e canetas e um notebook, com um quadro retratando uma paisagem de outono pendurado logo acima, e, ao lado direito dessa escrivaninha, era possível ver, através de uma porta entreaberta, parte de uma cama e de outra janela, esta com as cortinas fechadas.
Quando Hibari terminou de inspecionar o quarto e voltou a atenção para seu anfitrião, Dino encontrava-se a centímetros de onde ele estava. O Cavallone havia se aproximado silenciosamente enquanto ele, sem maiores preocupações, se ocupava em avaliar a decoração local.
Com o susto ele deu um passo para trás, esquecendo-se de que não havia para onde correr, já que a porta fora trancada depois de ambos terem entrado.
Decidido, Hibari saiu do rumo da entrada – ele começava a pensar em um plano B, e fugir por ali, ou por qualquer outro lugar, definitivamente não fazia parte dele – e recuou mais, movendo o corpo para o lado, até suas costas baterem em uma das paredes laterais.
Dino, que até então não havia tomado mais nenhuma atitude, sentiu a resistência e a ansiedade do garoto diminuírem (um ótimo sinal, visto que um par de tonfas era claramente visível por baixo da jaqueta preta do uniforme que Hibari usava) e aproveitou para se aproximar de novo, colocando os braços apoiados na parede, um de cada lado da cabeça de seu pupilo.
Hibari, apesar de um pouco surpreso, esperava que o italiano fizesse aquilo. Quando Dino lhe entregara o cartão com o número do quarto de hotel, sua ideia, obviamente, não era a de que eles tivessem uma conversa banal sobre o tempo ou sobre os futuros treinamentos. O que o japonês não esperava, no entanto, era que ele próprio fosse reagir de forma tão diferente de sua compostura e estoicidade habituais.
Mesmo tendo passado horas na sala do comitê disciplinar preparando-se mentalmente para o encontro, ele acabara sendo traído pelas reações involuntárias de seu corpo. Todos os seus músculos estavam tensos, o coração batendo descontroladamente, tão alto que ele tinha medo de que pudesse ser ouvido do saguão do hotel (ou até mesmo da rua), e um grito ficou preso em sua garganta ao perceber que, vagarosamente, a boca de Dino chegava mais perto da sua.
No momento em que seus lábios se encontraram as pernas de Hibari fraquejaram e ele precisou de certo autocontrole para não se agarrar ao pescoço de seu tutor para manter-se de pé. Ciente de sua momentânea fraqueza, Dino passou um dos braços por suas costas, apoiando-o, e aprofundou o beijo.
Movia os lábios com necessidade e desejo, mas sem deixar de ser gentil, explorando com a língua cada canto da boca de Hibari e acariciando sua bochecha com o polegar. Puxando-o pelo braço, e sem romper o beijo, Dino levou-o até o quarto e o jogou com cuidado sobre a cama. O casaco preto, há pouco equilibrado sobre os ombros do adolescente, agora jazia abandonado no chão da sala, juntamente com as tonfas.
Ofegante e sentindo o ar a sua volta esquentar, Hibari mal percebia o que estava acontecendo e apenas se deixava levar pelas carícias do loiro.
— Nee~, Kyoya, – inclinando-se sobre a cama e com a boca próxima ao ouvido de Hibari, Dino sussurrou com uma voz baixa e melodiosa – faz um tempo que eu venho percebendo isso e... – deu uma risada sem graça – eu não sabia se era minha imaginação (e talvez as primeiras vezes realmente fossem) ou se você realmente estava me olhando de um jeito diferente. Mas, para falar a verdade, eu não sei o que te levaria a fazer isso, já que você não se cansa de me chamar de herbívoro idiota.
Quando se afastou, Hibari o encarava como se aquela última frase fosse a coisa mais óbvia do mundo e que apenas um herbívoro idiota não era capaz de perceber isso. Contudo, por dentro, o garoto tremia, ao perceber, no último instante, que havia sido descuidado durante os treinos, alheio ao fato de que Dino também havia lhe observado com mais afinco do que imaginara anteriormente.
— Porém, – o italiano continuou – depois de alguns dias eu notei que realmente havia algo a mais ali, em algum momento eu deixara de ser apenas um adversário qualquer e você parecia verdadeiramente interessado em mim. Ou, pelo menos, em algumas partes específicas do meu corpo.
Um sorriso zombeteiro ornamentou os lábios de Dino ao pronunciar as últimas palavras e ele se afastou um pouco mais para poder ver claramente as reações do mais jovem.
A expressão anterior de Hibari, controlada e arrogante, havia sumido, dando lugar à surpresa, e ele virou o rosto para o lado, propositalmente evitando os olhos castanhos de seu tutor. O tom rosado em suas bochechas, por outro lado, era impossível de ser disfarçado.
Murmurando algo parecido com um "aaaw", Dino envolveu o menor em seus braços, beijando-o demoradamente no pescoço. Em reação, Hibari se remexeu um pouco e levou as mãos até os ombros do Cavallone, puxando-o mais perto e fazendo-o rir novamente, o que enviou sopros suaves à sua orelha.
Beijou rapidamente os lábios de seu pupilo antes de começar a desabotoar a camisa branca do uniforme de Namimori, sempre sustentando o contato visual de forma a transmitir confiança e acalmar o mais jovem. Com a ponta dos dedos, Dino tocou o peito e a barriga de Hibari, apreciando a textura suave da pele clara, e fitou os olhos cinzentos em busca qualquer sinal de desgosto. Entretanto, para seu deleite, Hibari tinha a boca trêmula e parcialmente escondida por uma das mãos, o rubor em suas bochechas ainda mais evidente.
Sentindo-se encorajado a continuar, Dino depositou uma sequencia de beijos pelo peito de Hibari, alternando com lambidas sempre que sentia sua respiração ficar mais pesada. Deu atenção especial a um dos mamilos, sugando-o de leve e passando os dentes cuidadosamente sobre a carne sensível.
— Ahnnn! – Hibari gemeu, arqueando as costas.
Satisfeito com a reação, Dino direcionou uma das mãos ao cós da calça de Hibari, desabotoando-a e puxando o zíper com maestria, sem dar tempo para que o adolescente fizesse qualquer coisa em protesto. Hibari, obviamente, não tinha a intenção de pará-lo, já que se encontrava bastante satisfeito com o que acontecia, mas, caso aquele herbívoro ousasse fazer algo que o incomodasse, ele não hesitaria em usar suas tonfas – mesmo que não tivesse ideia de onde elas estavam no momento.
Sentindo falta dos toques em seu peito, Hibari levantou a cabeça que repousava sobre o travesseiro e observou atentamente as ações de Dino. Dando-se conta do rumo que aquele encontro estava tomando ele prendeu a respiração e, embora estivesse seguro a respeito de tudo aquilo há um segundo, seus olhos se arregalaram, denunciando sua falta de experiência no assunto.
Dino, então, percebendo a insegurança de Hibari, uniu suas bocas em um beijo apaixonado, cessando momentaneamente o avanço para que o guardião da nuvem pudesse relaxar. Enquanto seus lábios e línguas se moviam com ânsia e entusiasmo mal contidos, ele se aproveitou para remover a própria calça e a roupa de baixo de Hibari. Ofegante, o jovem libertou-se do beijo ao sentir os dedos longos e ágeis de Dino contornarem seu membro já ereto e, logo em seguida, iniciarem um movimento lento para cima e para baixo.
Hibari soltou um grito de surpresa e gemeu, quase engasgando, e seu olhar foi automaticamente dirigido para o corpo nu do italiano. As tatuagens representando a família Cavallone saíam do torso esguio e desciam até o meio da coxa esquerda, onde, envolto por chamas verdes e azuis e linhas pretas, o enorme desenho de um cavalo, também em preto, se encontrava. Somado a essa visão estonteante, o movimento hábil da mão de Dino sobre seu pênis, percorrendo-o desde a base até a ponta, que de tempos em tempos seria provocada pela palma, pressionando e movendo-se em círculos sobre a região, era um estímulo delicioso que enviava espasmos de prazer por todo o seu corpo.
De fato, durante os meses de treinamentos realizados pelos dois, Hibari não fora o único a lançar um olhar diferenciado ao seu oponente. Ainda que nunca houvesse ocorrido qualquer tipo de contato físico entre eles, fora aqueles que são comuns durante lutas constantes e enérgicas, Dino parecia saber exatamente o que fazer e onde tocá-lo para desencadear reações cada vez mais voluptosas.
Com os olhos nublados pelo prazer e o corpo tremendo levemente, Hibari gemeu, mais alto do que na vez anterior, e atingiu o clímax, suas mãos apertando os lençóis abaixo de si e a cabeça tombando para trás.
Ainda meio tonto e com a respiração irregular, Hibari tentou focar seu olhar em Dino, apenas para vê-lo levar a mão à boca e lascivamente lamber o liquido branco de seus dedos, sorrindo para ele após realizar a ação. Aquela era uma visão incrivelmente sexy, isso o líder do comitê de disciplina não podia negar – e nem queria –, mas, ao mesmo tempo, também era extremamente embaraçosa.
Hibari podia sentir seu rosto esquentar, e a vontade de se esconder entre os braços de Dino, mergulhando o rosto em seu peito, era crescente. E ele quase fez isso quando, inclinando-se por cima de seu corpo, o homem se esticou até o criado mudo ao lado da cama e retirou um frasco de dentro de uma das gavetas. Mas, em vez de se deixar levar por seu constrangimento, Hibari preferiu observar o movimento do corpo tatuado e a contração dos músculos bem tonificados no momento em que Dino finalmente alcançou o objeto.
Quando o Cavallone retornou à sua posição sentada sobre a cama, Hibari se concentrou nas mãos que abriam o tubo de lubrificante e derramavam o conteúdo viscoso pelos dedos que já abriam espaço entre as suas pernas.
Seu corpo contraiu-se involuntariamente ao imaginar o que estava por vir.
Percebendo que seu pupilo ficara subitamente tenso, Dino inclinou-se para frente com os olhos fechados e levou os lábios à testa de Hibari.
— Eu te amo, Kyoya – Ele sussurrou, os olhos fixos nos de Hibari.
A declaração, dita no calor do momento, mas antes ensaiada várias vezes por Dino, causou grande surpresa a Hibari, o que não comprometeu o sentimento de calma e segurança que tomou conta de seu corpo após ouvi-la. Um peso enorme saíra de seus ombros, e toda a tensão que sentia há segundos desaparecera sem deixar qualquer resquício de dúvidas em sua mente. Seu coração batia rápido, quase pulando para fora do peito, tão intenso fora o efeito daquelas palavras sobre si.
Reunindo toda a sua coragem, e deixando de lado um pouco da timidez que, querendo ou não, ainda lhe restava, Hibari fez o que julgava estar ao nível dos sentimentos do italiano: apoiou-se sobre os cotovelos e beijou-o profundamente, envolvendo sua língua com a dele e gemendo quando seu lábio inferior fora avidamente sugado. Libertou-se do contato em busca de ar e, depois de controlar sua respiração, aproximou a boca do ouvido de Dino.
— Eu também te amo. Agora, pare de enrolação e continue. – Ele disse com a voz baixa e rouca, sua respiração quente fazendo os cabelos na nuca de Dino se arrepiarem.
Um incentivo como aquele (mesmo tendo sido disfarçado com algumas palavras de ordem), dado diretamente por alguém tão introspectivo como o guardião da nuvem, era mais do que suficiente para que o Cavallone prosseguisse com o que estava fazendo. E, beijando Hibari mais uma vez, ele levou um dedo à sua entrada, inserindo-o com cuidado.
— Relaxe, Kyoya. – Dino murmurou ao perceber quão apertado o adolescente era – Relaxe.
Hibari tentava seu melhor para fazer como o mais velho pedia, mas era difícil; ter um dedo dentro de si não era doloroso, era simplesmente incômodo demais. No entanto, quando o segundo e terceiro dígitos foram inseridos, ele não conseguiu esconder a pontada de dor que sentira e fechou os olhos com força.
Tentando distraí-lo, Dino beijou e lambeu seu pescoço e ombros, levando a mão livre a seus mamilos e beliscando-os de leve. Menos de dois minutos depois, a expressão de desconforto no rosto de Hibari se suavizou e gemidos baixos encheram o ambiente.
Dino moveu seus dedos mais algumas vezes e, sentindo que o adolescente já estava preparado o suficiente, retirou-os de dentro dele. Alcançando novamente o tubo de lubrificante, ele despejou uma quantidade generosa do gel sobre seu pênis ereto, espalhando-a por todo o comprimento, e posicionou-o entre as nádegas de Hibari.
Com as mãos apoiadas na cintura do japonês, Dino penetrou-o lentamente, esperando que o corpo menor se acostumasse à invasão, e assim que Hibari lhe direcionou um olhar confiante – embora as bochechas coradas e a respiração rasa teimassem em dizer o contrário (e Dino também sabia que o guardião da nuvem se empenhava em parecer mais forte do que era) –, ele iniciou um movimento cadenciado, balançando sem pressa os quadris para frente e para trás e distribuindo beijos carinhosos pelo rosto de Hibari.
Logo ele relaxou completamente, diminuindo o aperto sobre o membro de Dino, e o Cavallone, então, aproveitou a oportunidade para aumentar o ritmo das estocadas, indo mais forte e mais fundo enquanto uma das suas mãos se ocupava do pênis de Hibari, bombeando-o com intensidade semelhante.
Em resposta, o adolescente tornou-se mais vocal, desistindo de conter os gemidos e agarrando-se a Dino com suas mãos e unhas – as sensações que percorriam seu corpo eram tão incrivelmente arrebatadoras que ele precisava se segurar em algum lugar, fosse o lençol amarrotado sob seu corpo ou as costas do italiano que se movia vigorosamente sobre si –, seu rosto enterrado na curva do pescoço entre os fios loiros molhados pelo suor.
Dino continuou a mover-se rapidamente, parando algumas vezes para retirar seu membro do corpo de Hibari e voltar a penetrá-lo fundo, tentando atingir sua próstata. Nesse ritmo não demorou até que o garoto atingisse o clímax pela segunda vez, estremecendo e despejando seu sêmen sobre seu torso, sujando sua barriga e virilha. Imediatamente seu interior se apertou em volta do pênis de Dino, que, extasiado com a situação, chegou ao orgasmo pouco depois, dando mais algumas estocadas erráticas enquanto se recuperava do esforço.
Quando Dino desconectou seus corpos, Hibari, exausto, praticamente dormia e piscava incontáveis vezes, tentando manter os olhos sonolentos abertos e focados em seu tutor. Sorrindo com a imagem, o Cavallone tentou arrumar os lençóis sobre a cama, para que ao menos cobrissem suas pernas, e escovou alguns fios negros da testa do menor, depositando um suave beijo ali.
Enquanto isso, abalado pelo cansaço, Hibari apenas passava distraidamente a ponta dos dedos sobre as tatuagens no braço e peito de Dino.
— O que foi, Kyoya? – Dino perguntou, curioso com o que o adolescente estava fazendo.
— Hm... – Hibari meneou a cabeça e apoiou a mão sobre os desenhos, flexionando os dedos, os músculos sob a pele firmes ao seu toque, – Não é nada. – e bocejou.
Dino, ainda sem entender o que havia acabado de acontecer, mas preferindo não pensar mais sobre o assunto, deixou que seus dedos corressem pelos cabelos de Hibari, embalando seu sono, e deitou-se ao seu lado.
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