Notas iniciais
Êêê, mais uma õ/Todos pergunta: De novo?E essa aqui vai diretamente pra ela, sim você aí que me preocupou de verdade com essa sua história de ir pro hospital. e quase me mata do coração.Sei não viu ♥Ah, só avisando que não tem personagens definidos, então é só botar quem quiser que tá udo certo e.Quase interativo, aprendi com a Arsi-chan ;) /não que ela saiba e. -QQ

Moravam juntos há cinco anos.

Um dos dois estava mais que irritado, sentado no parapeito da janela, encolhido, abraçando as pernas. Observava as pessoas lá fora. Lá naquele outro mundo, do outro lado, onde tudo é impecável. Algumas andavam apressadas, outras tinham alguém com quem conversar. A maioria vestia grossos casacos, buscando se proteger do frio que a neve caída um pouco mais cedo deixara.

Então foi ver as nuvens.

Desenhos estranhos, identificáveis. Perfeitos. Logo o céu estaria coberto por eles e depois seria a vez das estrelas. Não havia mais interesse algum alí.

Puxou um pouco mais as mangas já alargadas do casaco para cobrir as mãos. Estava frio. E escurecendo. Apoiou o queixo nos joelhos.

Era tão fraco. Tão infantil. Tão pequeno... Não tinha nada que o destacasse. Nada que o motivasse. Não era completo. E era sempre assim que acontecia.

Primeiro a raiva flamejante. Que toma o corpo. Que faz as ações parecerem pouco diante dos pensamentos destrutivos. Que arde pra ser exposta. Pra ser ouvida. Entedida. Minada.

Em seguida a vontade de chorar. Lágrimas o deixavam tão mais impotente. Menos ser humano, mais nada.

Queria gritar. Jogar tudo aos ventos e deixar que eles resolvessem o que fazer com aquilo. Tanta pressão, tanto barulho. Eles querem mais, eles precisam de mais.

Eles precisam demais.

Poderia bradar para eles agora que já haviam chegado ao fundo, não haviam mais o que dar.

Acabou.

Iria se demitir no dia seguinte, se mudar, se livrar das roupas e encher-se com outras. Se livrar dos vícios e adquirir outros. Esquecer de tudo até alí e começar de novo.

Se livrar daquela vida sufocante.

Talvez alguma estrela registrasse o fato de que mesmo sentindo toda a revolução por dentro, nada mudou sua expressão.

Engraçado ter uma máscara tão boa assim.

Quando ainda estava mergulhado em um desespero silencioso, uma caneca contendo chocolate fumegante lhe subiu aos olhos. Não precisava ser um gênio pra saber que ele estava se sentindo culpado. Chocolate significa arrependimento e pedido de desculpas.

Mas só entre eles.

Quis segurar aquele rosto que tanto conhecia e dizer que não era culpa dele. Era culpa dos abutres na perfeição lá fora. Apenas quis, nada fez.

Lágrimas desciam, soluços começaram a doer. É errado um homem chorar? Mesmo sem condição alguma, se preocupou em retirar aquele pedido desnecessário das mãos do outro e deixá-lo num lugar seguro.

Um manto negro se estendia pela cidade agora. Pequenos pontos brilhantes, que caiam irregularmente pediam por uma atenção que não teriam nem tão cedo. Finalmente a neve voltava.

Sentiu braços o rodearem.

Era como se eles tivessem todas as saídas para aquela confusão.

Era como se. Mas não tinham. Eles tinham algo melhor, tinham o conforto. A sensação de que tudo vai ficar bem no final, sem ter certeza alguma disso.

Ainda sentia as lágrimas. E elas pesavam.

Pesavam tanto que foi preciso explodir.

O grito ecoou pela rua mal-iluminada. Muitos dos mudos no seu mundo particular lá em baixo o olharam. Era a melhor expressão da dor. O menor dos atos de desespero, que sempre funciona. Um perfeito louco. E dessa vez deixou a voz arranhar a garganta. Deixou-a faltar.

Aí, o fim.

Já havia feito isso tantas vezes, sabia que no final não teria nada.

Os ataques de não aguentar mais, de querer ser mais do que é. Ou de pelo menos fazê-los esquecer de sua existência. Ataques que nunca adiantavam.

Era apenas secar a lixeira. Colocar tudo de lado, com alguma impetuosidade, sim, mas com cuidado para aos poucos encher-se de novo. Um ciclo infernal.

Iria descer daquela janela e voltar àquele sorriso. Aquele que diz: sim, eu estou bem. Jogue tudo em cima de mim de novo, eu posso aguentar. Mesmo sabendo que não pode. Nem quer.

Quando já estava cansado, percebeu algo curioso.

Os braços não haviam soltado. Ele não fugira incomodado com os gritos. Ele ainda estava alí.

Por quê?

Virou-se após um tempo. Não queria dizer nada, ver nada. Então simplesmente esperou que a franja longa lhe cobrisse os olhos

Era a primeira vez que o havia esquecido. Que não tinha se importado com o horário. Que não tinha trancado a porta do quarto. Que não tinha tentado repelí-lo.

E justamente nesse dia...

Uma mão em seu queixo foi o bastante. Os olhares diziam coisas tão diferentes e tão iguais. O reflexo do seu desespero naqueles olhos que sempre adimirou. Era como a primeira vez.

Ainda haviam as lágrimas, ainda havia o aperto no peito, ainda havia a vontade de se jogar dalí e resolver seus problemas de vez, ainda havia a aflição no fundo dos olhos. Me salve.

Mas dessa vez não havia a solidão.

Ele estava alí e talvez isso significasse alguma coisa.

Talvez não precisasse mais procurar saídas inúteis.

Talvez estivesse salvo.

Notas finais
Ooi (:Então, quem eram eles? Me diz, me diz quem você pensou e *--* -qS*=
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!