Distantes

11 Capítulo Extra


Notas iniciais
Esse capítulo traz um novo personagem, que será trabalhado mais pra frente. Mas esta é uma oportunidade para compreender um pouco melhor a origem dos "dons" de nossos irmãos... Apreciem sem moderação...

As quatro da manhã ela ainda estava acordada. Era melhor levantar logo e começar o dia. Aquele seria um dia difícil. Levantou-se com um salto e, apesar da noite em claro, se sentia bem disposta e alerta. Benefícios da sua natureza em pleno desenvolvimento.

Arrumou o longo cabelo preto num rabo de cavalo alto. Vestiu uma jaqueta de couro gasta. Calçou botas de caça e foi até o frigobar, do outro lado do quarto. Numa vasilha com gelo derretido havia uma seringa preparada com um liquido amarelado. Destampou a agulha e injetou o conteúdo na coxa direita pelo rasgo na calça jeans, e sem nenhum tipo de assepsia.

Depois de jogar tudo no lixo, pegou uma garrafa e abriu a tampa na porta da geladeira, fechou-a em seguida com um chute de calcanhar. Bebendo a cerveja, arrastou a mochila jeans cheia de botons de bandas de rock do chão daquele quarto de motel barato. Pegou a chave da moto, no criado mudo e o celular.

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— Hei tia — um menino de uns sete anos a aborda quando chegava à moto, que passou a noite na calçada, do outro lado da rua, em frente ao prédio que fica o motel — arruma um dinheiro aí...

Ao olhar no celular, vê que não era ainda nem cinco horas, e o dia ainda não havia amanhecido. Olhou novamente o menino, e desconfiou :

— Não tá muito cedo pra você estar na rua não, menino?

— Tenho mais coisssass pra me preocupar que com a hora... — um pequeno vacilo naquela voz infantil revelou a verdadeira identidade da criatura. Com um movimento rápido, ela gerou um adaga de gelo, direto de seu pulso e apunhalou a garganta da criança a sua frente, mas já não era uma criança. Um tipo de criatura crocodiliana, com olhos laranjas e uma calda de serpente longa e fina que agarrou a mão da mulher, minimizando o estrago feito pela adaga de gelo.

A mulher revida com a outra mão, um punho de gelo sólido que acerta em cheio a cabeça do monstro que esfolava com as unhas o braço que mantinha a adaga firme contra sua garganta. Depois de mais dois socos, a criatura finalmente solta o braço da mulher e foge, na sua forma humana infantil.

A mulher puxa a manga da jaqueta para cima, para ver melhor o estrago deixado pelas garras do bicho. Mas as feridas já terminavam de fechar, e pele nova já se mostrava rosada e sensível no local onde há poucos segundos haviam cortes que mereceriam muito pontos.

— Malditos Mons... Estão perto demais! — ela cobre novamente o braço com a roupa, e analisa os rasgos — Droga, minha jaqueta da sorte! Meu tempo está acabando... Preciso encontrá-los logo. — então ela sobe na moto, coloca o capacete e sai à toda, mas ainda a tempo de ver pelo retrovisor, ficando para trás os sete meninos de rua que a seguiam agarrando-se às fachadas das paredes, correndo e pulando, como grotescas criaturas semi-humana.

Notas finais
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