Distance

1 Capítulo 1


Eu o amo. Não amava ou amarei, eu o amo, no presente. Eu, um total nerd fracassado, amo Bill Cipher um dos maiores valentões populares dessa droga de escola. Mas eu sei, sempre soube na verdade, que esse amor todo que existe em mim jamais será retribuído. Primeiramente porque o Bill é o Bill e o Bill que eu conheço nunca iria rebaixar-se ao nível de um idiota como eu. Por último é que sua fama não é muito boa, pelo que falam.

Mas porque logo ele? Eu me faço essa pergunta todos os dias. Eu fui cair de amores pelo garoto mais metido, garanhão, valentão, problemático, viciado em salgadinhos, hétero e o mais longe da minha realidade possível. Bem, não tenho muita certeza sobre a parte do hétero, já que o que sussurram pelos corredores dessa escola é bem o contrário disso.

Mas, mesmo assim, nunca vai dar certo, nem hoje, amanhã e nem em mil anos.

Se eu ao menos fosse mais parecido com a Mabel... Não, não me levem a mal, é que a garota tem tudo e eu não tenho nada. Minha gêmea e oposta é linda, divertida, engraçada e atrevo-me a dizer que ela está quase conseguindo toda essa popularidade que sempre procurou para si. Ela teria todas as chances do mundo de ficar com Bill Cipher. Eu não.

Suspiro enquanto sento-me em um banco qualquer no pátio escolar. Bill está, como sempre, num canto esquisito do mesmo local, com seus amigos que sempre achei estranhos e demais para ele. Como todas as outras vezes, eu apenas o vejo e ele nunca me vê, nem sequer olha para mim.

Às vezes me pego pensando, existem tantos outros caras pelo mundo afora. Então porque eu continuo aqui, sofrendo por alguém inalcançável? Cipher sempre me perturbou, bateu e me humilhou, mas eu continuo sendo um idiota por ele. Por quê? Nunca achei uma resposta para essa pergunta. Acho que o amor tem dessas, não saber o significado desses vários porquês.

Eu apenas sinto. Sinto todo esse turbilhão de sentimentos quando o vejo passar, sinto esse conforto sempre que ele ri de alguma brincadeira que seus amigos fazem, sinto meu corpo todo se remexer de ponta cabeça e voltar ao lugar simplesmente quando estou no mesmo ambiente que ele.

Será que um dia vamos sair disso? Quero dizer, Bill sempre vai ser o Bill, perturbando com todos, imerso em seu próprio mundo de loucura e beleza. Mas e eu? Será que algum dia irei superá-lo? Talvez em algum momento de minha vida, eu o veja e simplesmente ria desse sentimento que eu nutria por ele, veja isso com naturalidade, arranje outra pessoa, supere tudo isso.

Mas porque amar alguém que só lhe machuca e faz mal? Chame-me de masoquista ou o de qualquer coisa, que seja. Não existe explicação. Ele me dá ataques de pânico e eu chamo isso de amor. Na minha concepção, isso é amor, mesmo sendo bizarro.

Continuo sentado, sem emitir nenhum som, sozinho, discreto, apenas observando aquele que nunca será meu. Ele se aproxima com um sorriso no rosto e meu estômago embrulha. Viria ele falar comigo finalmente em uma conversa civilizada? Mas não, ele apenas continua andando e se encaminha ao banco do lado, onde várias pessoas começam a cumprimentá-lo, abraçá-lo e o caralho a quatro.

E ele continua lá, há alguns metros de distância de mim, com toda aquela gente babando por ele. Acho que sempre vai ser assim, somos como linhas paralelas. Sempre perto, nunca juntos.

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