Distance
5 Haruno Sakura - I Twist In My Story
Notas iniciais
- Secondhand Serenade
Os raios de sol ultrapassaram as finas cortinas brancas e adentraram o cômodo, mesmo sabendo que não eram bem-vindos. E, como se numa travessura planejada durante toda a noite, incidiram sua luz diretamente em meus olhos.
Fiz uma leve careta, desaprovando a brincadeira de mau gosto que a natureza insistia em me pregar. Afinal, não lembro se alguma vez já adormeci um sono tão profundo e gostoso como esse. Resmunguei algumas palavras incompreensíveis, e tentei rolar na cama e evitar a luminosidade da manhã ensolarada.
Entretanto, braços fortes me prendiam e não pude me mover. Subitamente, abri meus olhos cor de esmeralda. A claridade, como que me castigando pelo ato, impediu-me de abri-los por completo. Franzi o cenho, tentando ignorá-la ao máximo. Aos poucos, uma figura tornava-se mais visível. Mas, foi só quando vi os grandes orbes azuis – um azul Naruto, aquele azul tão brilhante, vivo e expressivo que nunca achei nada a que pudesse comparar -, que me lembrei do motivo pelo qual meu sono naquela noite foi tão tranquilo, gostoso, quentinho, confortável...
Os orbes azuis me encaravam, transbordando uma ternura e admiração que nunca imaginei possível ver nos olhos de alguém. Seus braços me prendiam contra seu peito, de forma possessiva – como se suspeitasse que eu sumiria a qualquer instante. Seus cabelos dourados estavam mais rebeldes que nunca, mas de uma forma tão charmosa que foi difícil me concentrar novamente. Em seus lábios havia um sorriso, tão pequeno, tão terno, tão sincero. Ele estava ali, como em outros sonhos que já tive e nunca admiti.
Não era como nos meus sonhos reprimidos, os quais eu sonhava e pela manhã me censurava como uma criança que havia comido escondido aquele doce que tanto queria e desejava, mas que não deveria pegar. Não era o mesmo, porque nesses sonhos eu sempre sentia que o despertador tocaria a qualquer momento.
E não sinto isso agora. Não quando ele está tão próximo – acariciando meu rosto com sua respiração, não quando ele me olha dessa forma tão sincera – aquele olhar bobo que ninguém nega ser de alguém fascinado por algo, não quando mal posso lembrar como respirar – efeito dessa proximidade, que me permite sentir as batidas do coração dele contra meu peito.
Devagar
Meu peito... meus seios... eu estou... nua?
Foi só então que consegui raciocinar, pela primeira vez desde a noite passada, a minha mente funcionou.
Meus olhos se arregalaram levemente, e levei uma mão até minha boca – tapando-a. As lembranças da noite anterior me invadiram, me deixando envergonhada.
Puxei o lençol – o único pedaço de pano que impedia que estivesse nua -, e afastei meu corpo do dele, cobrindo-o. Percebi, para a minha felicidade, que estava de calcinha e ele de cueca. Uma cueca box preta, que o deixava tão sexy e másculo e... ah, meu Kami-sama! O que eu fiz?
– Na-naruto! – Exclamei, sentando-me na cama e me cobrindo com o lençol.
Ele também se senta, ficando de frente para mim.
– Shhhh! – Ele apenas murmura, levando o dedo indicador e o médio até meus lábios, em sinal de silêncio.
O mundo não nos está assistindo quebrar
É seguro dizer
Estamos sozinhos agora, nós estamos sozinhos agora
Nem um sussurro
Ficamos assim por vários instantes, talvez mais que um, dois ou três minutos. Não podia ter certeza, pois nada parecia ser racional naquele momento. Não enquanto ele estivesse me olhando de forma tão calma e terna – e não enquanto ele estivesse de cueca box na minha frente.
Estávamos ali, apenas eu e ele. Parecia tão irreal – tão ideal. Foi então que entendi o que ele queria: um pouco mais daquele momento, um pouco mais daquele silêncio, um pouco mais da sensação de que qualquer palavra era dispensável – nenhum delas seria capaz de expressar ou descrever o momento. Por que, então, usá-las? Era muito melhor apenas sentir o momento que eu mais quis eternizar, o melhor momento de todos. O momento não era apenas o agora – era também a noite, a madrugada, o sono, a manhãzinha, o amanhecer... todos os momentos que se passaram desde que Naruto esteve aqui, no meu quarto.
Eu estou contando os segundos
Até você quebrar o silêncio
Então, por favor, quebre o silêncio
Mas o momento não poderia ser eterno. Pois ele era errado – então, por que eu não sinto que é errado?.
Como eu poderia reagir agora? Como poderia encará-lo? Como poderia encarar qualquer um dos nossos amigos, principalmente e noiva dele? – por que é que eu sinto como se nada disso importasse? Porque parece que cada segundo que passamos juntos, jamais será motivo para arrependimentos, independente das consequências?. É tão errado sentir como se eu não me importasse?
Esse silêncio perfeito não pode durar para sempre. Uma hora teremos que encarar o que fizemos – e como isso é errado, segundo toda e qualquer tradição social. O que eu direi, já que não posso dizer a verdade? – que eu não me importo com as consequências, que quis ele por tanto tempo que nada mais importa... eu finalmente tive o que tanto quis. Ele. Aqui. Ao menos um pouco. Mesmo que doa depois de acabar -. O que eu posso dizer agora, então? Por favor, seja mais corajoso. Diga que é errado. Diga que estávamos confusos. Diga que essa não é nossa vida, que você irá se casar com uma herdeira Hyuuga e que nós sempre seremos apenas amigos, velhos e bons amigos que fingem estar tudo bem. Diga que tudo não passou de desejo, que eu concordarei. Juro que serei forte o suficiente para fingir que não dói – como fingi com o amor pelo Sasuke, como fingi com a morte dele, como fingi com o amor por você, como fingirei ainda mais com a falsa promessa de que logo te esquecerei.
– Naruto... – Sussurro. No fundo eu não sabia se era forte suficiente para ouvir o que precisava ouvir, para sentir a dor que viria depois. Não depois de tudo que já ouvi, não depois de toda a dor que já senti.
Os sussurros viram gritos
– Você precisa dizer algo. – Digo, segurando a mão dele que estava sobre meus lábios. Ainda a segurando, coloquei-a sobre meu colo.
– Você não pode só me olhar e não dizer nada! – Falei mais alto, e percebi que quase gritava. Não podia conter o nervosismo, estava confusa, estava com medo... estava apavorada.
Ele apenas me observava, e logo seu sorriso tornou-se triste.
Os gritos viram lágrimas
Só então percebi que meus olhos estavam úmidos. Não. Eu prometi que nunca mais seria a menina que chorava na frente dos outros.
Eu só... me sinto tão segura perto dele... e eu sei, que mesmo que eu chore, que mesmo que eu seja sensível e vulnerável... ele jamais me machucaria.
Ele se aproximou ainda mais, até a distância ser tão mínima que não pude medi-la. Então, o Uzumaki me abraçou. Me prendeu em seus braços de uma forma acolhedora, firme e segura.
– O que quer que eu diga, minha flor? – Ele sussurra, sua voz rouca e abafada, pois sua boca mantinha-se pressionada contra o topo da minha cabeça.
– A verdade... – Sussurro, afastando-me o suficiente apenas para olhar em seus olhos.
Verde e azul nunca pareceu combinar tanto.
Ele sorriu de leve, girando na cama e deitando sobre mim. Seus braços permaneciam um de cada lado da minha cabeça, e ele me observava com um sorriso nos lábios.
Suas lágrimas viram risadas
E afasta os nossos medos
O sorriso dele era tão sincero, tão feliz, que não pude evitar sorrir também. Foi o necessário para o sorriso dele se alargar e seus lábios tocarem meu pescoço.
– A verdade...? Você cheira a cerejas e baunilha, e eu não sei se posso voltar a dormir sem esse cheiro. – Ele diz, fungando levemente no meu pescoço – o que me fez arrepiar-se toda.
Percebendo isso, nós dois rimos. O som da risada dele era tão incrivelmente lindo que eu percebi como faria de tudo para ouvi-lo sempre. Ele olhou em meus olhos, e subitamente paramos de rir.
Eu poderia passar o dia todo apenas olhando para você.
Então você vê, esse mundo não importa para mim
Eu desistiria de tudo o que eu tenho só para respirar
O mesmo ar que você até o dia da minha morte
Eu não posso tirar meus olhos de você
Aproximando-se lentamente, sem desviar os olhos dos meus, ele tocou seus lábios nos meus. Fechei meus olhos, bem devagar. Num primeiro momento, não houve nada mais que um roçar de lábios. Aos poucos, íamos avançando, com toda a calma e paciência. Sentia seus lábios se moverem, como se apreciasse cada mínimo toque e roçar de lábios.
E eu desejo
Palavras para descrever como eu estou me sentindo
Estou me sentindo inspirado
Meu mundo simplesmente virou de cabeça para baixo
E nada mais fazia sentido, nada mais sequer possuía importância. Literalmente, da noite pro dia minha vida virou de cabeça pra baixo. Todos meus sonhos reprimidos e impossíveis estavam tornando-se realidade. O problema com os sonhos impossíveis, é que eles não deixam de ser impossíveis apenas por terem acontecido – ainda é impossível vive-los por mais de alguns instantes. Ainda há consequências para tudo isso. E eu ainda não consigo me importar.
Esse é o som
É a batida do meu coração, está ficando mais alta
Meu coração bate, é mais alto do que nunca
Estou me sentindo vivo, estou me sentindo vivo
Senti seu corpo prender ainda mais o meu contra o colchão, a medida que o beijo ia se aprofundando. Agora era carregado de urgência e desejo, e as borboletas no meu estômago apenas me diziam – “você pode se comportar como uma mulher, mas perto dele ainda é a mesma garota boba e inocente”. Seu coração acelerava um pouco a cada segundo, batendo fortemente contra meu peito – e isso me dizia que ele também continuava sendo aquele garoto baka, hiperativo e cabeça-oca.
Estou finalmente acordando
E então eu percebi que talvez eu não devesse me arrepender, nem me sentir culpada. Percebi que talvez não fosse errado apenas ser feliz, e que mesmo que isso magoasse algumas pessoas, a verdade era sempre melhor que uma mentira agradável.
Nós podemos ser felizes?
Um toque na minha história
Apenas uma noite, um detalhe, uma mudança. Só um toque na minha história, que poderia mudar tudo.
Da completa indiferença, do viver por viver...
Nós podemos ser felizes?
É hora de me abrir
E deixar o seu amor entrar em mim
Poderia, depois de tantos anos, mudar apenas esse detalhe tão importante?
Ele acreditaria que eu realmente o amo, e que também amei o Sasuke? Ele compreenderia que eu pude amar ambos, mas que apenas um deles era o certo e eu sabia disso? Ele me perdoaria por ter escolhido salvar ele ao invés do seu melhor amigo? Ele entenderia que fiz aquilo não apenas por amá-lo – pois eu já o amava -, mas fiz também porque era o que Sasuke queria, e eu o amava – naquele momento quase como irmão -, então faria aquilo por ele – uma última prova de amor?
Ele poderia me perdoar por ter me fechado tanto desde a morte do meu primeiro e inesquecível amor, que sempre faria parte de mim, mas que há algum tempo já não era o que causava as borboletas no meu estômago?
Ele tinha que me perdoar, porque agora eu estava disposta a sair da minha zona de conforto – onde permaneci escondida por três longos anos, onde fugi dele e do que sentia, onde reprimi todos os sentimentos dentro de mim e segui a vida, dia após dia, sem motivação ou alegria suficientes. Estava disposta a errar novamente, a dar a cara para bater e me jogar de cabeça na esperança de voltar a ter aquilo dentro de mim – aquela felicidade boba e necessária, aqueles dias que não possuíam nada de especial em si, mas pareciam especiais só por vivê-los com a confiança de que sua vida é boa e que você tem motivos apenas para sorrir.
Eu estava pronta para não reprimir meu amor por ele, e apenas vivê-lo.
É isso que você ganha
Quando você vê sua vida
Pelos olhos de outra pessoa
É isso o que faltava na minha vida: simplesmente vivê-la. Tudo que eu precisava fazer era parar de me reprimir, admitir que em qualquer detalhe do meu dia eu te via. E eu me lembrava como era bom, três anos atrás, antes do Sasuke morrer e você juntar-se com a Hyuuga. Era tão bom, mesmo eu não o tendo para mim.
Porque você sempre esteva ali, todos os dias, ao meu lado. Desde quando éramos crianças e nem estávamos no mesmo time. Você me fazia rir, me irritava, eu te espancava e você fazia aquele biquinho tão infantil e irresistível.
E, por anos, eu não me importei em dizer o que sentia, porque nós éramos inseparáveis. Nada mais importava. Ele estava ali. Eu não precisava que ele soubesse o que eu sentia, nem que ele sentisse o mesmo. Porque ele estava ali, ao meu lado, e parecia que não ia acabar. Já era o suficiente para mim.
Então você vê, esse mundo não importa para mim
Eu desistiria de tudo o que eu tenho só para respirar
O mesmo ar que você, até o dia da minha morte
Não consigo tirar meus olhos de você
– Na-naruto. – O chamei, entre um beijo urgente.
Ele parou e me observou.
– O que... o que acontece depois disso.
Ele soltou um suspiro pesado, e logo rolou na cama, deitando-se ao meu lado. Segurou minha mão e entrelaçou nossos dedos, e virou de lado – fiz o mesmo, e ficamos frente-a-frente, apenas olhando um nos olhos do outro.
– Seria bom se dependesse só de mim. Se eu pudesse escolher o que eu quisesse e ter a vida que desejasse, mas você sabe que não é assim...
– Eu sei... – Não consegui proferir mais que um sussurro. – Você tem toda a vila para se preocupar e sua noiv-
– Não foi isso que eu quis dizer. – Ele me interrompeu, abrindo um leve sorriso. – Não me importo com o que os outros vão pensar. Saki, eu realizei o meu sonho de ser Hokage apenas porque aprendi a não me importar com o que os outros pensam ou dizem. As pessoas falam, elas falam sem saber, falam o que veem e veem o que querem. O que importa é eu saber o que sou e o que eu quero. E eu sei o que sou.
– E sabe o que quer? – Perguntei, olhando-o nos olhos.
– Sempre soube... – Ele sussurra, se aproximando mais e afundando o rosto na curva do meu pescoço. Seus braços me envolveram num abraço terno, e eu sabia que esse gesto expressava da forma mais fácil o que seria difícil proferir. Naruto nunca fez o tipo sentimental, nunca falou do que sentia abertamente... mas em ocasiões especiais, como quando precisa ajudar alguém, ele sabe o que dizer e escolhe as palavras certas, as mais profundas e verdadeiras. Eu sabia que ele não diria “eu te amo”, assim como eu não diria. Sabia também que esse abraço valia muito mais que qualquer sequencia de três palavras.
– E o que vai fazer? – Pergunto, me aconchegando nos braços dele.
– Depende do que você quer que eu faça. – Ele reponde após alguns segundos, dando um suave beijo nos meus ombros e me olhando nos olhos. – Não depende apenas de mim. Depende do que você quer, Saki.
Não soube o que dizer por alguns instantes. A resposta eu sabia, mas algo dentro de mim – aquela partezinha racional e insegura – questionava se era o certo. Se não era egoísmo, não era errado, não era injusto magoar outra pessoa para que eu possa ser feliz. Hinata...
– Eu quero você... – Sussurrei, carregada de insegurança.
A expressão de Naruto tornou-se triste, e ele colocou uma mecha do meu cabelo atrás da orelha.
– Por que senti duvida na sua voz?
– Porque... você e a Hina... – Não pude terminar, minha voz foi massacrada pelo sentimento de culpa.
Eu fiz o que sempre julguei imperdoável – eu traí alguém.
Seus braços me apertaram mais, e ele acariciou meus cabelos.
– Eu já devia ter resolvido isso há muito tempo, Sakura-chan... Já passou da hora. Você... pode esperar?
Me aconcheguei mais nos braços dele, escondendo meu rosto no peitoral musculoso.
– O tempo que for, espero pelo que vier.
Escutei uma leve risada abafada, pois sua boca permanecia pressionada contra o topo da minha cabeça.
– Tudo vai dar certo, florzinha. – Ele falou com seu típico tom confiante. – Prometo que nós seremos felizes.
"Eu sempre cumpro minhas promessas. Esse é meu jeito ninja de ser."
Notas finais
Estou de volta, assim rapidinho :3 pra compensar vocês desse tempinho que fiquei sem postar.
Comenteeem, please! Preciso saber o que estão achando da fic!
Kissus ~
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