Dissolução
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Eles não mais possuíam corpos. Não mais pertenciam à matéria. Encontravam-se onde conceitos de tempo ou espaço não poderiam ser aplicados.
Ainda assim, sabiam que estavam lado a lado. Os cosmos associavam-se, correspondendo aos chamados mútuos.
A exaustão das batalhas há muito abandonara-lhes.
– Shaka... – Áries manifestou-se primeiro.
Gradativamente os contornos das feições do cavaleiro de Virgem desenhavam-se naquela dimensão desconhecida: olhos azuis finalmente abertos, sorriso confortador.
– Estou aqui – dedos etéreos tomaram mãos incorpóreas. Um breve abraço, um breve beijo, unindo-lhes – com você, Mu. Nós temos a eternidade e duramos um piscar de olhos. Mesmo que nos desencontremos, nossas almas saberão localizar uma à outra. Nós nos reencontraremos.
Nada mais havia a ser dito ou temido. Estiveram unidos em vida. A convicção de que se reencontrariam fortalecia suas almas.
– Em breve – a voz do cavaleiro de Áries ressoou. Mu exibia um sorriso. Pensava no quanto modificaram-se mutuamente em vida. Agradeceu aos deuses pelos raros e preciosos momentos junto a Shaka. Sabia que Virgem fazia o mesmo.
– Eternamente – foi a resposta de Shaka antes que o completo silêncio se abatesse sobre eles.
Aqueles corpos há muito não mais pertenciam a eles, as almas estavam livres. As formas espectrais dissolveram-se, completa e definitivamente.
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