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Notas iniciais
De primeiro momento, Akutagawa quase usou Rashoumon instintivamente para dar um fim às maléficas frutas que Atsushi carregava, mas ele esperou, ainda em alerta, que o detetive se aproximasse.
“Você parece um gato que viu água” Atsushi falou e riu da própria piada.
Ryuunosuke o ignorou e perguntou, hostil. “Onde arrumou essas coisas. Para que fim elas serão utilizadas?”
“Por que você está alarmado em ver tangerinas?” o detetive rebateu, incrédulo.
Akutagawa não queria dizer, sequer recordar da fatídica lembrança dos seus 15 anos, mas era impossível tendo sido ela automática.
Incapaz de negar qualquer ordem de Dazai, seu tutor o obrigou à comer tangerina uma vez que revelou não gostar da fruta, porém não apenas naquele dia Akutagawa teve que suportar a fruta que tanto detestava. A partir daquele dia, Ryuunosuke encontrou tangerinas em cada canto do seu quarto, teve suco de tangerina misturado à seus três cafés matinais — sendo obrigado à tomá-los, houveram vezes que suco da fruta foi colocado no reservatório de água, levando à sair suco das torneiras e chuveiros por dois dias, e ainda tiveram vezes que Akutagawa acordou sob um círculo de magia, rodeado por tangerinas e sangue. Foram três meses de cazuke de tangerina, omelete com tangerina, pão com geléia de tangerina, wagashis de tangerina, tangerina após tomar sopa de missô… Tangerinas e mais tangerinas preencheram sua vida ao ponto de Akutagawa não querer mais vê-las. E ainda assim, ali estavam suas antigas inimigas, nos braços do seu namorado.
E oh! Ryuunosuke sabia quem era o mandante daquele crime, ninguém menos que o desalmado do seu tutor.
“Ryuu? Eu não entendi, mas se quiser, eu posso dar elas à algum restaurante, ou distribuir pelos comerciantes…” Atsushi sugeriu, envergonhado.
Akutagawa não entendeu porque ele estava envergonhado afinal de contas.
“Apenas deixe isso longe de mim e estamos bem.” Respondeu por fim, e o deu às costas, seguindo em frente ao seu apartamento.
Não demorou para Atsushi o seguir lado a lado, mas claro, o assunto não estava finalizado para ele.
“Por que não gosta de tangerinas?”
Ryuunosuke o olhou de soslaio.
“Dazai-san.”
Nakajima o encarou surpresa e riu, nervoso.
“Não, não. Dazai-san pode ter uma mente ardilosa, mas é impossível ele ter te feito odiar tangerinas à ponto de você temê-las.” Atsushi falou com descrença, mas parou para pensar uma segunda vez. “Ah, não, ele definitivamente faria.”
Akutagawa agradeceu pela realização em o garoto-tigre chegou por si próprio, esperando que aquilo de fato encerrasse o caso.
“Mas você sabe que são só frutas, certo?”
Ele suspirou pesadamente.
“Sim, Atsushi, eu sei.”
Só então, Akutagawa voltou à olhar para o namorado, e o viu tentando descascar uma tangerina com uma única mão e os dentes, enquanto segurava a enorme sacola com a outra.
Ele quase cogitou ajudar, mas descartou a ajuda antes mesmo de pronunciar.
“Elas são gostosas.” Foi a última coisa que Atsushi comentou, quando, já perto do seu apartamento, ele finalmente conseguiu pôr uma na boca.
O comentário não fez importância para ele, Akutagawa já tinha provado a fruta de todas as formas que a mente humana poderia imaginar, e não tinha nada que o faria provar elas novamente.
Sua certeza se provou fraca mais tarde naquele dia, após Atsushi comer metade do que tinha no saco quando se encontraram à tarde com avidez, deixando Ryuunosuke deveras interessado no sabor que tinha a boca de Atsushi misturado com tangerinas.
E acabou que Ryuunosuke gostou da mistura.
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