Notas iniciais
Oi gente, tudo bem? Eu sei que demorei, mas não me culpem, culpem o enem. Para quem está terminando o ano letivo e se preparando para o vestibular, assim como eu, sabe como é desgastante e estressante todo essa pressão, principalmente com o enem tão próximo. Eu falei que não demoraria para postar esse capítulo, mas espero que vocês entendam o motivo :) Então, eu acabei dando uma certa acelerada na história com esse capítulo porque convenhamos, já tá na hora deles começarem a se pegar -qq

E mais uma vez estávamos em um infeliz e entediante passeio escolar, dessa vez todo o ensino médio foi levado a um jardim botânico para que conhecemos e estudássemos as variedades de plantas e etc, etc. Uma coisa a qual eu jamais usarei na minha vida.

Eu caminhava solitário em meio das “panelinhas”, André estava ficando cada vez mais próximo de Alicia, a menina que lhe deu a tapa na cara no dia da minha conversa com Brendon, nem parece que eles haviam tido aquele momento. Se você olhasse para eles só os veria rindo, abraçados ou fazendo alguma brincadeira sem graça de namorados.

Continuei caminhando até que o professor parou em um lugar e começou a falar e falar sobre plantas e tudo o mais. Nem senti a aproximação que vinha pelas minhas costas, o que me custou um grito quando as mãos apertaram as minhas costelas em uma tentativa mais que sucedida de me assustar. E todo o mundo ficou me olhando como se eu fosse um bicho, e eu vi a hora do professor arrancar um tronco de árvore e jogar em mim pela cara que ele fez.

Acho que não preciso comentar o quão vermelho eu fiquei. O que me fez dar um “pisão” na ponta do pé do William. Esse projeto danificado de gente sabe que odeio levar susto. Depois de longos minutos de pura faladeira do professor eu finalmente pude dar um belo de um sermão naquele loiro. Ultimamente ele está assim, cheio das brincadeiras e piadinhas.

– É serio Brendon, não faça mais isso, você sabe que eu odeio levar susto!

– Ok, ok, mas não precisa fazer bico. – disse ele enquanto tentava controlar o riso.

– Mas eu não estou fazendo bico! – E com isso ele começou a gargalhar de verdade. Acabei desistindo e voltando a andar junto com o aglomerado de pessoas com o loiro às minhas costas.

– Tudo bem alunos, agora quero que formem duplas para o trabalho da matéria de biologia de vocês. Escolham três espécies de plantas apresentadas aqui hoje, estudem sobre elas e me façam um trabalho escrito com no mínimo 20 folhas. – O professor falou e logo veio os resmungos e implicâncias dos alunos sobre a grande quantidade de folhas.

Já estava na esperança que eu iria sobrar mais uma vez e ter que fazer o trabalho com alguém que não estaria dando a mínima para ele e ter que fazer tudo sozinho, até que senti o braço do Brendon circular meu pescoço. Um frio percorreu a minha espinha pelo toque repentino, mas tentei me acalmar. Estava tentando ao máximo não mostrar repugnância quanto ao dono de olhos verdes. Às vezes quando nós estávamos distraídos era fácil, parecia que não existia o passado, apenas o presente, mas havia outras que sentia náuseas apenas de olhar para a cara dele.

Nos ultimos tempos Brendon realmente tentava se aproximar de mim, e eu estava fazendo o maximo de esforço para que nós pudesemos ser amigos. Já haviamos saído algumas vezes, mas sempre André ia conosco. Eu sei que ele havia mudado, ao menos é o que parecia, ele também aparentava ser uma pessoa a qual se quer proxima, o que me faz repensar se eu deveria começar a confiar de verdade nele.

– A gente poderia fazer esse trabalho juntos, que tal? – perguntou ele removendo o braço dos meus ombros como se tivesse sido algo inesperado.

– Er... tem certeza que quer fazer comigo? E os seus amigos?

– Eles sabem se virar sem mim, e você nem tem uma dupla, ou tem? – questionou erguendo uma sobrancelha já com a razão.

– Não...

– Então, não tem do que reclamar. Espera aqui que eu vou dar os nossos nomes ao professor.

Não tardou e o loiro voltou ao meu encontro. Ele tinha um sorriso sincero no rosto, o que me fez questionar se ele gostava mesmo do assunto ou se aquilo era apenas por estar fazendo um trabalho comigo.

– Então, que tal a gente marcar para fazer lá em casa? – perguntou-me enquanto eu estava distraído com as minhas filosofagens e me espantei com o verbo Fazer naquela frase.

– Fazer o quê? – perguntei com os olhos arregalados o que lhe tirou uma gargalhada.

– O trabalho, idiota.

–Ah, o trabalho... É, pode ser. A gente marca quando?

– Pode ser hoje mesmo, ao menos a gente já fica livre desse trabalho chato.

– Mas já? Acho que vou ter que ligar para a minha mãe para saber se ela deixa.

– Tudo bem, diz que a gente vai direto pra minha casa quando voltarmos para a escola, e depois alguém te leva na sua casa. – Apenas afirmei com a cabeça enquanto discava o número já conhecido da minha mãe.

Não demorou e eu já havia confirmado com a minha mãe e ela havia me dado o horário máximo de seis horas para estar em casa. Brendon parecia animado com a minha ida à sua casa, por um milésimos de segundo eu acabei pensando uma grande besteira sobre toda aquela animação, mas resolvi esquecer logo essa ideia estúpida. Ele havia mudado, e estava provando isso não só com palavras, mas também com atitudes. Já o considerava um grande amigo, até porque não tenho muitos, mas enfim.

O passeio só durou mais algumas horas e logo estávamos de volta à escola. Apenas troquei algumas frases com André e logo segui Brendon ao seu carro. Era impressionante como o cheiro do loiro estava impregnado naquele veículo

Foi uma viajem curta e silenciosa, não durou mais de vinte minutos e já havíamos parado em uma casa de três andares e com um portão extravagantemente largo. Isso sem contar os inúmeros metros de cerca que definia o terreno da casa, ou melhor, mansão.

O portão não tardou a abrir, afinal não precisava de identificação. Quando o carro passou pelo portão meu queixo caiu. Aquilo era enorme! O jardim enfeitado de árvores e flores, estátuas e chafarizes enfeitavam canteiros que eram acompanhados de bancos.

Brendon manobrou o carro até a garagem e mais uma surpresa, a quantidade de carros estacionados ali era monstruosa. Uma verdadeira coleção.

– Para que tantos carros? Vocês usam todos? — sucumbi à curiosidade e acabei perguntando, mesmo parecendo um pouco grosseiro, ou invejoso, para ser sincero não me preocupei muito com isso.

– Na verdade não. Meu pai gosta de colecionar, aí sempre está comprando carros novos. Você acredita que tem carro aqui que ele sequer ligou? E ele nem deixa que eu pegue para dar um passeio. É um saco! Vamos subir logo para almoçar, espero que você goste de lasanha de frango.

– Você está brincando, não é? Eu amo lasanha de frango!

Logo subimos e formos em direção à mesa de jantar. Era impossível não se impressionar com aquela casa. Ela era repleta de quadros, vasos e fotografias. Tudo parecia estar calculadamente em seus lugares. O que me fez pensar se haviam contratado alguém para fazer o enfeite de tudo aquilo.

A mesa de jantar era ridiculamente enorme! Devia ter uns 6 metros, era de madeira pura e combinava com a decoração amadeirada da sala. Eu e Brendon sentamos um pouco afastados, questão de cadeiras. Mas se fosse comparar a distância com o tamanho da mesa era como se eu estivesse sentado no colo dele. Tipo, sentado em um sentido metafórico... nem venha com malícia, você me entendeu!

A lasanha foi servida por empregadas, o que me deixou um pouco desconfortável, afinal a única coisa que já me serviram foi um cafezinho e olhem lá. Mas não poderia reclamar, aquela lasanha estava divina! Mal consegui conter o gemido que fugiu dos meus lábios na minha primeira garfada o que fez o anfitrião me encarar com uma olhar meio espantado, e depois riu confirmando que a comida realmente estava deliciosa. Depois de não aguentar comer mais nada, a gente foi para o quarto dele.

Se eu fiquei admirado com a casa, não tinha palavras para dizer a surpresa quando entrei no quarto de Brendon. As paredes pareciam ser do mesmo tom dos olhos verdes dele, haviam prateleiras com alguns livros e troféus de futebol, um vídeo game com inúmeros jogos espalhados pela mesa e uma televisão enorme presa à parede de frente para a cama de casal.

Não consegui evitar o “Lol” que escapou, o que fez Brendon soltar um grunhido que não consegui saber se era de contentamento ou desaprovação. Preferi ficar calado quanto a isso, mesmo que aquilo tenha me deixado um pouco perturbado.

Ele me ofereceu uma toalha para que eu pudesse tomar um banho e me apontou o banheiro. Meu banho foi rápido e vesti a minha roupa de antes, afinal eu não havia levado mais nenhuma roupa . E logo depois o loiro foi em seguida, saindo apenas com uma bermuda xadrez que contrastava com o bronze da sua pele, sem comentar o peitoral meio definido e os músculos salientes divididos perfeitamente. Não vou negar, aquilo me deixou incomodado de maneira que eu não gostaria de ficar.

Resolvemos fazer logo o trabalho e depois a gente ficou jogando videogame para passar o tempo. Foi espantoso a facilidade que Brendon conseguia fazer o trabalho, como conseguia pegar um texto complicado e fazer ele virar um simples resumo. Para ser franco, quem fez a maior parte do trabalho foi ele, eu apenas dava sugestões do que colocar ou não em certas partes.

Depois de cerca de quase duas horas fazendo aquele trabalho, ele me chamou para jogar Call of Duty. Um jogo que a propósito eu me descobri ser horrível. Sempre errava todos os tiros e sempre acabava morto pelo William que me enchia de piadinhas. Não importava o jogo que ele colocasse, eu sempre perdia feio. E ele ficava no pé do meu ouvido falando que eu não jogaria melhor fazendo movimentos bruscos com o controle. Se eu já estava perdendo mexendo o controle, imagina ele parado!

E a tarde se passou assim, e quando fui me dar conta já eram cinco e meia, e precisava cerca de quarenta minutos para chegar na minha casa, ou seja, eu estava frito. Brendon mandou eu relaxar que um dos motoristas me levaria em casa, ele só não me levaria pois teria um jantar importante com sócios de seus pais naquela noite.

– Que tal a gente jogar uma última partida antes de você ir? Eu prometo que só jogo com uma mão dessa vez.

– Ha-ha-ha, que engraçado! Você só está me ganhando porque tem mais tempo de prática do que eu, apenas por isso. Se eu jogasse todo dia, aposto que te daria uma surra de te fazer chorar.

– Se é você quem diz, quem sou eu para engar...

E assim a partida começou, estava mais na cara que ele estava me deixando ganhar, mas quem se importa? Eu estava ganhando! Quando estava quase matando ele, o desgraçado puxa o controle da minha mão, o que me fez pular em cima dele para tentar recuperar o controle e conseguir ganhar ao menos uma partida. Mas em meio à confusão, eu acabei ficando cara a cara com ele, e não pude não admirar a beleza que ele tinha. Os cabelos dourados, os olhos verde-mar, a pele bronzeada e eu nunca havia percebido, mas ele tinha uma pequena falha na parte superior do lábio. Não sei o que deu em mim, mas por um segundo, um mísero segundo, senti vontade de beijá-lo. E pelo visto, eu não fui o único que teve essa vontade, já que ele impulsionou a cabeça para a frente e selou os seus lábios com os meus em um selinho.

Senti meu rosto ficar vermelho instantaneamente. Me sentei normalmente enquanto tentava desviar o olhar para qualquer outro lugar que não fosse ele. Senti minha respiração se acelerar e borboletas voarem pelo meu estômago. Foi apenas um selinho! Se recomponha Thomy!

– Olha.. desculpa eu não queria... – começou ele enquanto articulava freneticamente com as mãos, mas logo o interrompi .

– Eu... er... eu tenho que ir no... han... banheiro! É isso. Eu tenho que ir no banheiro. – Quase gritei enquanto me levantava totalmente sem jeito em direção ao banheiro. Não havia número que conseguisse numerar o nível da minha vergonha.

Quando entrei no banheiro tranquei a porta e fui para a frente do espelho. Meu rosto ainda estava vermelho , muito vermelho. Sem contar que as borboletas ainda estavam lá. Esse beijo foi diferente, mesmo para um selinho. Não foi igual ao primeiro beijo que ele me deu, não foi nojento ou bruto. Foi delicado e suave. Como uma mãe quando vai beijar um machucado do filho prometendo que vai melhorar com aquilo.

Eu sei que não deveria estar sentindo isso, não por ele, mas meu corpo estava quente e sentia meus lábios formigarem. E eu estava com vontade de voltar no quarto e lhe dar outro beijo... Mas que porra eu estou pensando?! Eu não posso estar sentindo tudo isso pelo Brendon William, isso deveria ser impossível. Tudo bem que ele mudou, e que ele sofria de uma dupla personalidade, mas isso acaba apenas se tornando mais um motivo para eu me afastar dele, certo? Não, Thomy! Você já pensou e repensou sobre isso um milhão de vezes, você prometeu tentar perdoar ele. Ok, eu estava começando a perdoá-lo, mas ele me beijou! Tudo bem que eu também queria beijá-lo, mas foi ele quem beijou!

Ouvi leves batidas na porta e a voz preocupada do menino que havia acabado de implantar a discórdia na minha cabeça perguntando se estava tudo bem. Saí do banheiro e falei que depois a gente conversaria sobre aquilo, afinal eu tinha que pensar sobre o que aconteceu, eu não estava totalmente com raiva dele por ter feito isso, mas também amores, na verdade não tinha a mínima ideia de como eu estava. Eu só queria ir para casa o mais rápido possível.

Ele me acompanhou até à entrada da casa aonde havia um carro me esperando, ele se despediu de mim de uma forma meia sem graça e disse que a gente poderia conversar amanhã na escola sobre o ocorrido. Eu apenas confirmava tudo de cabeça baixa, pois sentia meu rosto tomar um tom rubro só de pensar em olhar para ele.

A viajem de volta para casa foi tranquila, atrasei apenas alguns poucos minutos, os quais minha mãe não deixou passar batidos e começou a dar um sermão, eu apenas concordava com tudo enquanto ia para o meu quarto, pois a única coisa que queria era deitar na minha cama e me trancar em meu mundo imaginário com a lembrança das borboletas agitadas na minha barriga.

Notas finais
Então, o que acharam? Como eu disse dei uma pequena acelerada no relacionamento entre os dois, o que me preocupou um pouco foi deixar vocês, leitores, perdidos em relação a toda a aproximação anterior entre eles, mas acho que deu para quebrar o calho :) Obrigado pela paciência e colaboração de todos que me ajudaram até aqui, vocês moram no meu