Disgusting
12 Capítulo 12
Notas iniciais
A porta fechou-se silenciosamente atrás de Albert, levando consigo a pouca luz que iluminara a sala. Nathan fechou os olhos e suspirou, tentando se acalmar e formar algum plano. De certeza que Dimitri acordou e notou que Nathan não estava mais no quarto, em pouco tempo estaria à sua procura, e Nathan só podia rezar a qualquer deus que o quisesse ouvir para que o seu companheiro se apressasse.
Nathan abriu os olhos e voltou a focar-se na figura que estava com ele naquela sala. O outro, Allen, continuava do outro lado da sua prisão partilhada, mas a sua postura estava diferente. Antes parecia que tinha desistido de tudo e não havia mais nada pelo qual lutar, mas agora o seu olhar parecia decidido.
— O Mestre disse... Você... Você tem um companheiro?
Nathan sentiu quando ouviu as palavras e a voz rouca do outro que parecia gasta e hesitante, como se não esperasse obter resposta.
— Sim. – Nathan assentiu murmurando, enquanto olhava para a porta.
O outro seguiu o seu olhar, acenando e estremecendo levemente, como se tivesse medo que a porta se abrisse ao som da sua voz. Allen respirou profundamente e tentou se aproximar do mestiço, mas falhou. Nathan arregalou os olhos quando viu o outro tentar se mexer, podia ver que o outro estava desnutrido e uma miríade de cores cobria a pele pálida que estava visível.
—Espere! – Exclamou, vendo como Allen congelou no seu lugar e se encolheu, – Não se mexa! Eu... Eu vou até si.
O pequeno inspirou e assim que conseguiu levar o seu corpo dolorido até ao outro lado da sala deixou-se cair contra a parede.
— Oi, o meu nome é Nathan. — Arfou, mas sorriu para o outro, recebendo um sorriso fraco em resposta.
Allen observou-o, parecendo ponderar se devia continuar a falar ou não.
— Nathan... Eu sou Allen... Obrigada. — O loiro desviou o olhar para o chão.
Nathan sorriu tristemente na direcção do outro, levantando tentativamente a sua mão para o confortar, mas parando com medo de o machucar. Não havia nenhum local onde pudesse pousar a mão sem ter receio de causar mais dor do que o outro devia estar a sentir.
— Faz quanto tempo que aqui estou? — Nathan decidiu questionar em alternativa, esquadrinhando a sala e se focando na pequena janela por onde entravam poucos raios de luz da madrugada.
— Não sei ao certo... Mas não muito... Penso eu... — balbuciou, brincando com os seu dedos, — O tempo parece passar muito lentamente aqui....
Nathan sentiu o seu coração apertar, vendo o ar perdido do outro. Levantou novamente a sua mão, desta vez encontrando o olhar de Allen, que inspirou em surpresa.
— Posso? — perguntou em dúvida.
Os olhos azuis fixaram-se nele e escureceram levemente. Allen assentiu após alguns momentos. Quando a mão se aproximou do seu ombro, o seu corpo tensionou.
Nathan parou momentaneamente, mas suspirou e puxou o outro para um abraço fraco, o medo de o machucar sendo ligeiramente superior ao desejo de o trazer mais próximo para provar que estava lá com ele.
— Shh, está tudo bem, nós vamos sair daqui. — Nathan murmurou quando o loiro soltou uma lamentação.
Nathan apertou levemente o corpo definhado, temendo gerar mais dor, e apoiou a cabeça no ombro do outro, ouvindo o seu choro e tentando oferecer algum conforto.
Algum tempo passou, até que o choro passou a um fungar intermitente. Allen afastou-se e sacudiu a cabeça, esfregando o nariz. O loiro pareceu tomar uma decisão e fixou o outro.
— Sim, nós vamos sair daqui. — "eu perdi o meu companheiro, não vou deixar o Mestre, não. Albert. Não vou deixar Albert quebrar outro vínculo de companheiro".
Quando Nathan ouviu a certeza na voz do outro, não conseguiu evitar o sorriso que puxou os seus lábios.
— Sabe como podemos sair daqui?
— O Mestre. — O loiro começou, mas apertou os lábios e sacudiu a cabeça. — Albert, tranca sempre a porta quando sai... Vamos ter de aproveitar um momento em que ele entre na sala, mas...
Nathan franziu as sobrancelhas mas assentiu, olhando para a porta, perdido em pensamentos, "Será que Dimitri está a caminho?", "Não, não posso ficar esperando, tenho de fazer alguma coisa!".
—E o seu companheiro? — A voz do loiro o puxou dos seus pensamentos.
— Dimitri já deve ter dado pela minha falta, ele e o meu pai não me vão deixar aqui.
Quando o nome "Dimitri" saiu dos seus lábios, Allen estremeceu com se tivesse recebido um choque e começou a abanar a cabeça.
— Não, não, não pode ser, Dimitri é o seu companheiro?
Nathan assentiu levemente, olhando preocupado para Allen que começou a tremer ainda mais e agarrou os seus braços.
— Não, você não entende, se Dimitri é o seu companheiro-.
A porta abriu, batendo na parede com um estrondo. A luz iluminando Albert que estremecia de raiva.
— Como ousa dizer o nome do meu companheiro, cadela? – Vociferou, marchando até ao lobo de olhos azuis e o jogando para o outro lado da sala. – Acha que tem o direito de falar do meu companheiro com a sua boca suja? – questionou enquanto golpeava Allen que se encolhia no chão.
Nathan olhou para a cena na sua frente arregalando os olhos. Estremecia enquanto observava o loiro que se encolhia, mas não fazia som nenhum, apenas deixando escassas lágrimas escapar dos seus olhos, como se tivesse desistido de gritar há muito tempo, porque gritar só faria tudo pior. "Não! Pare!", Nathan sentiu o seu corpo se mexer por conta própria e se lançar sobre Albert, fazendo com que este cambaleasse para o lado.
— E você, sua vadia, o que acha que está fazendo? – Albert uivou, golpeando Nathan, fazendo com que este caísse contra a parede, – Acha que pode corromper o meu Dimitri? Sua vadia suja, acha que pode dizer o nome do meu Dimitri? Você nem merece respirar o mesmo ar que ele! — Fechou a sua mão em torno do pescoço de Nathan levantando-o do chão e jogando-o contra a parede.
Nathan sentiu o ar sair dos seus pulmões, e um novo pulsar iniciar na sua cabeça. A sua visão ficou turva e as palavras que Albert dizia pareceram deixar de fazer sentido. Sentiu os seus olhos se fecharem lentamente, mas forçou-os abertos, virando o olhar para a pequena figura no chão que parecia deixar de tremer pouco a pouco. "Pelo menos Allen está bem..."
— Está sorrindo porquê? Criatura perversa, eu vou fazê-lo sofrer e vou limpar este mundo da sua existência nojenta. — Albert voltou a bater com a cabeça de Nathan contra a parede, fazendo com que desta vez Nathan sentisse um líquido espesso quente começar a escorrer pelo seu pescoço. — Você pode ter enganado todos em "Ecstasy" mas eu sei a verdade. Você não passa de uma vadia usada que está procurando dinheiro e um novo pau onde se sentar! — Cuspiu golpeando o outro. — Pensa que ninguém ia notar nos seus olhos depravados? Está só corrompendo o meu Dimitri e fazendo com que ele não perceba o que está mesmo na sua frente, Eu!
Nesse momento Allen gritou, agarrando nas pernas de Albert e o arranhado, tentando que este largasse Nathan.
— O que quer cadela? Não vê que estou ocupado? — Albert gritou, largando Nathan e pontapeando Allen.
Quando Albert se virou de novo para Nathan, com veneno nos seus olhos, ouviu-se um estrondo e pés a correr do outro lado da porta, entrando uma figura ofegante que olhou para Albert com medo.
— Senhor, acabaram de entrar na mansão, precisamos de si!
Albert endireitou-se e assentiu, ajeitando as lapelas do seu casaco e sorrindo docemente para os dois que se encolhiam no chão.
— Meus caros, parece que a minha presença é requerida noutro lugar. Irei receber os meus convidados, mas não temam! A nossa pequena conversa não terminou. — Sorriu com desprezo e virou-se, saindo da sala.
Silêncio preencheu o ar, só se ouviam respirações pesadas e gritos que vinham do exterior. Nathan gemeu no chão, tentando controlar as lágrimas que escorriam pelo seu rosto. Sentiu duas mãos esguias nos seus ombros o abanando, viu a boca de Allen que se mexia, mas a estática nos seus ouvidos não o deixava ouvir nada. Pontos negros começaram a aparecer nos cantos da sua visão, e sentia a sua consciência começar a escapar.
Do nada o mundo pareceu voltar a entrar no seu eixo, e a luz e som penetraram o seu crânio. Junto com os seus sentidos, veio uma dor que pareceu afogar o seu corpo, fazendo com que Nathan se engasgasse e arquejasse.
— Nathan! — Allen gritou agarrando o outro. — Calma, calma, respire.
Nathan assentiu e tentou acalmar a sua respiração em vão, olhando desesperadamente para o outro.
— Você tem de sair daqui. — Allen murmurou apressadamente. — Consegue se levantar? — Questionou enquanto olhava para a porta que tinha ficado entreaberta.
Primeiramente Nathan abanou a cabeça em negação, mas estremeceu e assentiu olhando determinadamente para a porta. Apoiou-se na parede e empurrou o seu corpo para cima, sendo apoiado por Allen.
— A porta, tem de aproveitar, tem de voltar para o seu companheiro. — O loiro se arrastou com Nathan em direção à porta.
Pararam em frente à porta, para recuperar o fôlego. Allen se inclinou e olhou pela abertura, puxando Nathan levemente.
— Venha, venha, estão todos ocupados.
O mestiço assentiu e seguiu o outro lentamente, olhando para todos os lados em alerta. Ouviam-se gritos ao fundo do corredor, "Dimitri...", será que Dimitri tinha chegado? Nathan tentou contactar o outro pelo seu vínculo, mas sentiu mais uma vez uma dor nauseante.
— Ainda não consegue contactar o seu companheiro? — Allen perguntou, percebendo a reação de Nathan, que abanou a cabeça.
— Não, mas desta vez não me machucou tanto. — Arfou.
Allen assentiu e puxou Nathan para uma esquina.
— Se não me engano, a saída é por aqui... — O loiro murmurou, guiando o outro.
Olhando pelas janelas dos corredores, podiam ver vários carros pretos impedindo a saída principal da mansão, mas Nathan não era capaz de reconhecer nenhuma das pessoas que corriam para em direção à mansão com a sua visão turva.
— Conhece alguém? — Allen indagou quando notou na direção do olhar do mestiço.
— Não... — Nathan sussurrou, olhando para a frente. Com ajuda ou não, eles tinham de sair dali.
Allen suspirou e ouviu passos na sua frente, empurrando Nathan para uma porta que estava na sua esquerda.
— Se esconda! Vem aí alguém! — exclamou em voz baixa, enquanto fechava apressadamente a porta.
Ouviram passos passar lentamente na frente da porta, acompanhados por um leve assobiar que não parecia combinar com a situação. Após longos minutos, Allen abriu a porta e espreitou, puxando Nathan consigo quando confirmou que o corredor estava vazio.
— Estamos quase numa das saídas secundárias da mansão.... O Mestre... Albert... Gosta de ter sempre um plano B.... — Allen sussurrou.
— E onde pensa que está indo? — Uma voz gélida perguntou das costas dos dois lobos. — Hum? Achava que eu não ia notar? Muito ocupado com os meus novos convidados? — Albert perguntou com desdém. — Não se preocupem era só uma víbora, Oscar? Omar? Oliver? Acho que era esse o seu nome, ninguém com quem se preocupar.
Nathan arfou quando ouviu o nome que o outro disse, "Será que....".
— Corra! — Allen empurrou Nathan, incitando-o a correr.
— Ah, ah, não, não, não pense nisso. — Albert correu atrás deles, empurrando Allen para o lado e fechando uma mão nos cabelos de Nathan. — Vadia, você nunca mais verá o meu Dimitri! — Albert estica a outra mão em direção ao pescoço de Nathan, olhos loucos e mente preenchida por um desejo de sangue.
Allen vê Albert atacando Nathan, sente o seu lobo lutar para se libertar, e deixa-se transformar no seu animal. Mal as suas patas tocam o chão, salta sobre o seu "Mestre" mordendo o seu braço.
— Cadela vadia! — Albert vocifera, sacudindo o loiro do seu braço e golpeando o topo da sua cabeça com um punho fechado, mas Allen não largaria o seu braço até que Nathan fosse liberto. — Acho que a deixei viver tempo de mais e agora decidiu atacar o seu dono. Sabe o que se faz a cachorros que atacam o seu dono, você se livra deles!
Nesse momento, é possível ouvir passos a correr na direção dos três, Nathan levanta o seu olhar e sente os seus olhos se encherem de lágrimas de alivio.
A poucos metros de distância está Vincent, seguido de Dimitri, que rapidamente escrutinaram na cena que decorre na sua frente. Assim que os olhos Vincent pousaram no pequeno lobo cinza, em quem se podia ver as costelas, várias zonas sem pêlo e feridas novas e velhas que ainda sangravam, mas mesmo assim se agarrava ao incubo tentando desviar a sua atenção de Nathan, Vincent não conseguiu suprimir o grunhido que escapou dos seus lábios.
Vincent cruzou olhares com Dimitri, que assentiu, e lançou-se sobre Albert, agarrando o lobo antes que este pudesse tocar no chão. Quando Vincent bateu contra ele, o incubo largou Nathan, que caiu no chão com um gemido, fazendo com que Dimitri tensionasse e corresse em direção a Albert.
Foi nesse momento que Albert notou a presença de Dimitri, sorrindo loucamente quando este o empurrou contra a parede do corredor.
—Dimitri! Veio me visitar? — Albert exclamou alegremente.
— O que é que você pensa que está fazendo? — Dimitri rosnou com raiva.
— Eu? Nada de mal, isso eu posso dizer. — Respondeu docemente, — Estou só limpando alguma sujeira do seu caminho. Alguma vadia decidiu que era o seu companheiro e não posso permitir que uma putinha tome o que é meu.
Dimitri apertou a sua mão em torno do pescoço do outro, fazendo com que este lutasse para respirar. Dimitri desviou o olhar para o seu companheiro no chão, reafirmando o seu aperto quando viu os hematomas que preenchiam a sua figura.
— Como se atreve? — Dimitri vocifera.
— Não Dimitri, você está a ser enganado por esta vadia usada! Ela entrou no "Ecstasy" e enganou todos vocês, fez com que todos acreditassem que ela é o seu companheiro Dimitri! Mas está enganado.... Eu te amo, eu sou quem te conhece melhor, eu sou quem deve ser o seu companheiro! Ela não merece viver! — Albert cuspiu. — Eu devia ter tratado dela mais cedo!
Dimitri rosnou e levou a sua mão até ao peito do outro, com a intenção de arrancar o seu coração.
— Quem não merece viver é você! — Dimitri exclamou, a sua mente coberta de uma névoa vingativa, "ele ousou machucar o meu companheiro, tenho de proteger o meu companheiro, tenho de eliminar todas as ameaças..."
— Dimitri... — Uma voz doce penetrou nos sentidos de Dimitri, fazendo com que este travasse e desviasse o seu olhar para a fonte daquela voz. — Não faça isso... isso não é você! — Nathan pediu.
Dimitri perdeu-se por alguns momentos nas profundezas dos olhos ametista do seu companheiro, se acalmando. Fechou os olhos e inspirou profundamente. Desviando relutantemente o olhar para Albert.
— Você devia agradecer a Nathan. — Dimitri murmura. — Nunca chegará nem aos pés do meu companheiro. — Afirma nocauteando Albert, e deixando-o cair no chão sem graça.
Dimitri se vira para Nathan e corre até ele, o abraçando.
— Bebé! Me desculpe.... — Dimitri murmurou no ouvido de Nathan. — Eu devia ter percebido mais cedo...
— Shh — Nathan sussurrou, puxando um dedo contra os lábios do outro. — Não é sua culpa. Chegou a tempo, é o que importa. — Sorriu docemente.
— Oh, Nathan. Me desculpe, eu agora estou aqui. Está tudo bem agora. — Dimitri disse beijando todas as manchas que marcavam a cara de Nathan.
Nathan assentiu, fechando os olhos e sorrindo. Quando ouviu novos passos a se aproximar rapidamente, viu Layton e Scott a correrem na sua direção com as expressões carregadas de preocupação.
— Nathan! — Ambos gritaram, caindo de joelhos ao lado do par. — Estava tão preocupado! — Layton suspira.
Nathan olha para os três que o rodeiam, sentindo-se encher de alívio e felicidade, por finalmente ter uma família e poder voltar para uma casa onde pertence.
—Está tudo bem, agora pode descansar, nós estamos consigo. — Scott sussurrou.
Nathan sentiu o cansaço pesar nos seus olhos, assentiu e deixou-se adormecer. Amanhã seria um novo dia.
***
No dia seguinte, Nathan acordou no seu quarto, sentindo o seu cabelo a ser acariciado pelo seu companheiro. Nathan remexeu-se um pouco e virou-se para abraçar Dimitri que estava deitado ao seu lado.
— Acordou agora? — Dimitri murmurou contra os cabelos negros do outro.
— Hum, hum. — Nathan assentiu, esfregando a cara sobre o peito de Dimitri, procurando deixar o seu cheiro nele.
Nathan esticou os braços sobre a sua cabeça e espreguiçou-se, voltando a se aconchegar contra o outro.
— O que se passou? — Nathan indagou curioso, sentindo-se muito melhor que há horas atrás.
—Hum... — Dimitri vocalizou, afagando o cabelo de Nathan e sorrindo docemente para ele. — Por onde começar? Ontem voltamos para casa depois de você ter adormecido. Eu e o seu pai discutimos o que seria feito com Albert depois de tudo o que ele vez a si e ao outro lobo que estava consigo, Allen. De momento Albert está sob vigia em "Vindicus", a prisão de maior segurança paranormal. Tem acusações o suficiente para ser sentenciado a prisão perpétua, se você e Allen estiverem de acordo. — Enquanto Dimitri contava sobre o que tinha acontecido com Albert, Nathan sentiu-o tensionar e tremer, tentando conter a sua raiva, fazendo com que o mais pequeno se chegasse mais ao incubo, procurando o confortar.
— Está tudo bem agora... — Nathan sussurrou, — Você não tem culpa, se alguém tem culpa nisto tudo, é ele. — Estremeceu levemente relembrando o que tinha passado naquela sala escura. — Eu estou de acordo com o que vocês decidiram, por mim ele pode passar todos os anos da sua vida fechado em 4 paredes... — Admitiu, sentindo-se um pouco culpado pelo veneno que escorregou na sua voz.
Dimitri, assentiu e puxou o outro para mais perto de si.
— Quando voltamos o Doutor Raynar viu como você estava e disse que com muito descanso, o seu corpo iria curar em poucos dias. — Dimitri continuou, acariciando o outro. — Allen está numa situação mais crítica, mas com uma boa alimentação e alguns cuidados voltaria a ficar em forma, no entanto, não se pode dizer o mesmo quanto ao trauma...
Nathan assentiu, suspirando em derrota. Era impossível passar por aquilo que o outro passara sem que nada ficasse para trás. O agressor podia desaparecer, mas as suas marcas continuariam por algum tempo, isso era algo que o pequeno lobo sabia sem dúvida. Nathan só podia desejar que as pessoas que estariam agora à volta de Allen o pudessem ajudar, assim como Dimitri, Layton e Scott ajudaram Nathan, e iriam sem dúvida continuar a ajudar.
— Hum... Espero que Allen se consiga recompor. — Nathan sussurrou, no pouco tempo que estivera com o outro, sentiu que tinham formado uma conexão, e só queria que o loiro pudesse ser feliz depois de tudo aquilo por que passou. Se mais ninguém ficasse do seu lado, Nathan ficaria.
— Sim, parece que ele o ajudou bastante. — Dimitri assentiu.
— Se ele não me tivesse ajudado eu não teria conseguido fazer tanto como fiz. — Nathan concluiu. —Mais tarde temos de o ir visitar!
— Iremos, mas primeiro, você tem de descansar! — Dimitri insistiu, apertando o outro mais próximo.
Nathan assentiu e sorriu. Ainda podia sentir a tensão no outro, a preocupação e a culpa. Parecia que mesmo após ter sido assegurado que a culpa não era sua, o seu companheiro ainda ia continuar a se culpar... Nathan suspirou. Tempo, o tempo ajudará sem dúvida, o que podiam fazer agora era ficar juntos e deixar tudo passar, tudo estava arrumado e no passado, só tinham de reconhecer isso e viver o que estava por vir.
— Te amo. — Nathan sussurrou no vínculo que partilhavam, sentindo-se encher de felicidade por já não estar cortado do seu companheiro.
— Também te amo, meu pequeno. — Dimitri respondeu, sorrindo levemente.
É verdade, tudo o tempo cura. E o que eles mais tinham agora era tempo, tempo para se amar e viver felizes....
~Fim~
Fale com o autor