Notas iniciais
Heey. Adivinha quem demora pra postar? o/ Sorry, guys. Vestibular tomando minha vida, na moralzinha. Espero tirar uma boa nota no ENEM agora e3e
Enfim!
MUUUUUITO obrigada pelos reviews! *----* Eu quase chorei bubub ;3;
Espero que gostem! Como dito antes, a história vai ser contada em flashbacks pq flashbacks são legais '3'

Três meses atrás.

Um adorável dia de outono. Ás sete horas da manhã, Londres ainda acordava depois de uma agitada noite de sexta-feira. O céu estava com uma leve coloração acinzentada, haveria chuva sobre a capital inglesa em poucas horas e o clima por volta dos 17 graus, um pouco frio, mas bem agradável para John.

Colocou os pés para fora do táxi, em frente de seu flat na Baker Street. John trajava uma jaqueta preta, calças azul-marinho e sapatos sociais. Respirou fundo e ajeitou os cabelos loiros, tentando inutilmente melhorar sua aparência, mas as bolsas negras embaixo dos olhos não disfarçavam a ressaca que sentia.

Deparou-se com Sra. Hudson logo na entrada do pequeno prédio branco de três andares. A senhora agachava-se para regar os vasos de bonitas glicínias ao lado da porta, quando ouviu o carro parar e levantou-se. Recebeu Dr. Watson com um gentil sorriso.

- Bom dia, John! – O cumprimentou, ainda com o regador de metal nas mãos.

- Bom dia, Sra. Hudson. – Disse sem muito ânimo, estava mais preocupado em tentar achar suas chaves nos bolsos do casaco.

Ela analisou o médico dos pés a cabeça.

- Alguém teve uma noite agitada. – Comentou e depois riu baixo.

John nada respondeu, talvez estivesse muito envergonhado para dizer algo. Subiu rapidamente os lances da escada e encaixou a chave na fechadura. Porém, antes de girá-la, lembrou-se de um pequeno detalhe.

Sherlock. Pensou em um suspiro.

Sua cabeça latejava violentamente e sua única vontade era cair sobre a cama e dormir pelas próximas oito horas, no mínimo. Não estava com a menor disposição de encarar os comentários de seu colega de quarto.

Arrastou a manga do casaco e checou seu relógio de pulso. Havia a possibilidade que Holmes ainda estivesse dormindo.

Girou a chave delicadamente e tentou abrir a porta, fazendo o menor barulho possível. A velha porta de madeira rangeu ruidosamente, John apertou os olhos e franziu os lábios, tentando conter o ruído.

- Desista, John. Já estou acordado há três horas. – Ouviu uma voz grave vinda do lado de dentro.

Watson bufou e terminou de abrir a porta normalmente, com uma expressão carrancuda.

Encontrou Sherlock deitado no sofá, com os cabelos castanhos mais bagunçados que o normal e trajando pijamas, com um robe quadriculado azul por cima. Segurava algumas correspondências que acabaram de chegar. Pôs os olhos azuis em John logo quando ele chegou, mas rapidamente voltou sua atenção aos papéis em suas mãos.

- Como foi a noite? Ela era bonita, pelo menos? – Perguntou, distraidamente.

- Como você...? – John logo se calou. Estava óbvio para qualquer um o que tinha acontecido com ele na noite passada.

Decidiu ignorá-lo, tirando o casaco e colocando-o no cabide. Por baixo vestia um suéter listrado em branco e preto.

- Suas saídas estão ficando cada vez mais frequentes. – Abaixou os papéis. – Foi com quem desta vez? Ashley? Tiffany? – Sherlock levantou uma sobrancelha. – Eu gosto mais de Tiffany apesar de sua irritante mania de enrolar os dedos no cabelo. A voz de Ashley é um tom acima do tolerável.

- Não é da sua conta. – John o cortou imediatamente.

- Vamos. Diga-me pelo menos um nome. – Insistiu.

- Chega. Não vamos brincar de “Descubra tudo da vida do John” outra vez. –

- Mas é tão divertido.

- Só você acha divertido, Sherlock. – Respirou fundo. – Se me permite, irei para meu quarto.

Virou-se e foi em direção aos seus aposentos.

- Para onde pensa que está indo? – Perguntou o detetive, no mesmo tom indiferente de sempre. – Temos um trabalho.

- Trabalho? – Lamentou. Era tudo que John menos queria naquele momento. – Será que não posso resolver isso daqui a, pelo menos, duas horas?

Sherlock nada respondeu, limitou-se a fitar o médico com olhos azuis de julgamento. Não era preciso dizer algo, John sabia que seu cochilo estava fora de questão.

Massageou as têmporas por um momento.

- Está bem. – Desistiu, em fim. – O que temos?

Holmes indicou a mesa de trabalho ao centro da sala.

- Abra-o.

John sentou-se na cadeira. A velha mesa de madeira estava um caos (como tudo naquele flat), cheia de papéis de telegramas e jornais velhos. E um velho cinzeiro de vidro, porém estava vazio, Sherlock não tocava em um cigarro há muito tempo. No centro, estava o velho notebook vermelho de John. O médico levantou sua tampa e um site de notícias imediatamente apareceu na tela.

- Está ligado. – Lançou um olhar raivoso para o colega de quarto. – Você andou mexendo no meu computador de novo?!

- A data de seu aniversário não é uma senha segura, John. – Sherlock terminou de ler todos os telegramas e os jogou no chão, como sempre fazia.

- Pare de mexer nas minhas coisas. – Afirmou, tentando ser o mais ameaçador possível.

Sherlock contorceu os lábios em algo que pareceu ser um sorriso. John realmente era muito engraçado quando estava com raiva.

- Leia em voz alta. – Ordenou.

John já estava farto de Sherlock lhe dando ordens a torto e a direito, como se fosse seu chefe. Mas decidiu ficar calado, não estava com muita vontade de iniciar uma briga.

- “Um Pacote Macabro.” – Leu o título da notícia. E logo continuou:

“A Srta. Susan Cushing, residente da Rua Cross, em Croydon, foi vítima de algo que pode ser considerado como uma brincadeira particularmente revoltante, a não ser que demostre que um significado mais sinistro está conectado a esse incidente. Às duas horas da tarde de ontem, um pequeno pacote enrolado em papel de embrulho comum foi entregue pelo carteiro. Dentro havia uma caixa de papelão, cheia de sal grosso. Ao abri-la, a Srta. Cushing ficou horrorizada ao divisar duas orelhas humanas, que aparentemente haviam sido cortadas havia muito pouco tempo. O caso está sendo investigado pela nossa polícia local e por enquanto está isento de suspeitos.”

- Sabe o que isso significa? – Perguntou Sherlock.

- Que o Daily Chronicle está apelando para o velho sensacionalismo?

- Isso também. – Revirou os olhos. – Mas, que temos um caso em potencial.

- Um caso em potencial? – John parecia um pouco surpreso demais. – Sherlock, você já recusou casos muito mais complexos por julgá-los entediantes! Está na cara que isto é apenas uma brincadeira de mau gosto, não é algo que precisamos investigar.

- Ou talvez não. – Sherlock fixava o olhar no teto, ele juntou as duas mãos como em uma oração e levou-as até os lábios. Sempre fazia isso quando estava pensando. – Talvez Moriarty esteja envolvido.

Aquilo tirou John do sério.

- Você perdeu o maldito juízo?! Isso não tem nada a ver com Moriarty! Será que pensa em outra coisa além dele?! Você está começando a ficar obcecado!

Sherlock voltou o olhar para o amigo. Vestiu um sorriso pequeno e provocador.

- Está com ciúmes? – Indagou, com a voz grossa e brincalhona.

As bochechas de John tomaram um bonito tom rosado.

- Ouça o que está dizendo, pelo amor de Deus. – John falou entredentes, um pouco desconcertado.

- Me passe meu celular. – Sherlock estendeu a mão, mudando o assunto rapidamente.

Watson deu uma olhada rápida pela mesa, mexeu alguns papéis e por fim achou o celular escondido do detetive. Levantou-se com dificuldade e entregou o Iphone nas mãos de Holmes.

Voltou ao seu lugar enquanto Sherlock digitava freneticamente. Passou os dedos pelos lábios e desviou o olhar para a janela, pensativo.

Pensava se o seu encontro da noite anterior iria resultar em outros.

Gostava da moça e tiveram uma ótima noite juntos, mas algo o dizia que ela não era boa para um relacionamento. Ela era dona de um rosto perfeito, mas não poderia dizer-se o mesmo de seu cérebro. As conversas entre os dois eram maçantes e superficiais. Talvez a culpa fosse mais de si próprio do que da moça, depois que conheceu Sherlock, as outras pessoas pareciam comuns e desinteressantes.

Voltou a fitar o colega de quarto, que ainda digitava no seu celular. Sherlock usava uma camisa branca com a gola em V e John pegou-se fixando seu olhar naquele pequeno pedaço de pele exposta. O pescoço de Holmes era comprido e pálido, e por ele escorreu uma pequena gotícula de suor. Os traços de seu rosto longo, os lábios um pouco rosados em contraste com a pele extremamente branca e os cabelos castanhos e cacheados.

Sua mente estava vazia. Ele apenas o admirava.

Sherlock moveu os olhos rapidamente, flagrando John. O médico desviou o olhar o mais rápido que pode.

O detetive nada falou, adorava a confusão que Watson sentia quando estava perto dele.

As feições do rosto foram dadas aos seres humanos como um meio para expressar emoções, e as de John o serviam muito bem. Mordidas de lábio, dedos tamborilando na mesa, pupilas dilatas. Todos aqueles mínimos detalhes que apenas uma mente como a de Sherlock podia perceber.

Muitas vezes, conseguia deduzir o que o médico estava pensando apenas por olhar seu rosto. John era o objeto de estudo favorito de Sherlock, e ele sequer sabia que o detetive estava tecendo uma teia meticulosa com o seu perfil psicológico completo. E que estava a par de todos os pensamentos confusos que ele estava tendo nos últimos dias para com o detetive.

Sherlock pegou-se devaneando, já havia terminado de digitar a mensagem de texto há tempos. Enviou o SMS e levantou-se de súbito.

- Vamos, John. – Disse, tirando o robe quadriculado. – Temos muito trabalho a fazer.

- Para onde? – Perguntou o confuso médico. Acompanhando, com os olhos sonolentos, Sherlock no seu trajeto pelo flat.

Holmes sequer incomodou-se em tirar o pijama, apenas colocou o sobretudo preto, calçou rapidamente seus sapatos sociais e enrolou seu cachecol azul no pescoço.

E saiu depressa do apartamento.

- Sherlock?! – Gritou John, esticando o pescoço inutilmente para ver aonde o detetive tinha ido.

Não obteve resposta. Revirou os olhos.

- Maldito lunático. – Falou baixo.

Fechou a tampa do notebook fortemente, levantou-se e pegou seu casaco no cabide.

Um sorriso pequeno escapou de seus lábios enquanto descia as escadas.

Estava começando a adorar as aventuras que seu problemático amigo o arranjava.

Notas finais
Um capítulo um tanto sem graça. :3 Mas o caso em si vai começar no 2º cap! Espero vê-los até lá!
Digam o que acharam, pretty pls.
Beijo -v-
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.