Disenchanted

51 Capítulo 51 - Experiências Estranhas


Notas iniciais
Capítulo Tenso...
Boa Leitura.

X – x Dois Meses Depois x – X

Gerard e eu havíamos acabado de chegar do médico, fui fazer minha primeira ultra-sonografia, o médico disse que estava tudo bem comigo e com o bebê, mas que eu deveria evitar estresses por enquanto, já que eu estava apenas de dois meses, e esse é o período mais perigoso de uma gestação.

Eu já havia engordado cinco quilos nesse início de gravidez, o médico também implicou com isso, disse que eu não podia engordar mais de dez quilos na gravidez inteira, e eu já estava na metade desse limite com apenas dois meses.

— Gerard, por favor! – eu falava o caminho inteiro do consultório até nosso apartamento.

— Não, Layla – ele respondia sempre.

— Mas é desejo de grávida, ou você quer que nosso filho nasça com cara de pastel de chocolate? – perguntei, irritada.

— É claro que não – ele respondeu, no mesmo tom.

— Então deixe-me comer um, prometo, é só um – jurei.

— O médico disse que você não pode exagerar nas frituras – ele lembrou-me.

— Mas é só um! – choraminguei. – Ta legal! – estourei. – Mas quando o nosso filho sofrer bullying na escola e me perguntar por que ele tem cara de pastel de chocolate, eu vou dizer que é sua culpa! – gritei, deixando lágrimas caírem.

— Ele não vai nascer com cara de pastel – ele revirou os olhos.

— Como você pode garantir isso? Só teremos certeza se eu comer a porcaria do pastel! – esbravejei. – Não vai fazer diferença, Gee – choraminguei. – Eu vou vomitar tudo mesmo, não vai mudar nada...

— Você já procurou algum psicólogo para ver essas suas mudanças de humor repentinas? – ele disse, encarando-me assustado.

— Não – dei de ombros. – Mas pelo jeito o nosso filho vai precisar de um, já que ele vai ter cara de pastel de chocolate – falei.

— Está bem, senhora Dramática – ele disse. – Mas onde eu vou achar pastel de chocolate?

— Tem uma lanchonete aqui perto – sorri. – Eles vendem pastel de tudo lá, doces, salgados, enfim...

Gerard parou em frente à lanchonete e voltou com seis pastéis.

— Seis? – perguntei, sorridente.

— Eu vou comer também – ele advertiu.

— Ah – desanimei.

— Só quero ver tirar esse cheiro de pastel do meu carro agora – ele disse, irritado.

— Passa um perfuminho – disse.

— Você vomita quando sente um perfume, Layla – ele lembrou. – Prefiro cheiro de pastel do que ter que limpar mais uma vez algo assim do meu carro.

— Foi só uma vez – disse, indignada. – E eu não tive culpa, okay?

— O carro havia acabado de vir da lavação, estava lindo por dentro e por fora, e é óbvio que ele ia estar perfumado – ele dramatizou. – Foi só você entrar aqui, que o estrago foi feito...

Não respondi.

— Tive que levar o carro para a lavação de novo, e você não pôde entrar nele por uma semana, já que provavelmente vomitaria novamente por causa do cheiro – ele riu, irônico.

— Sem graça – falei.

— Também acho – ele disse, entrando no estacionamento de nosso prédio. – Ainda mais para quem teve que ver seu lindo carro sendo sujo por aquilo...

— Gerard, você está me enjoando com essa conversa – falei, tampando minha boca.

— Não ouse vomitar aqui de novo! – ele disse, histérico.

— Eu não vou vomitar, Gerard! – gritei. – Isso está virando paranóia! Eu não sou uma máquina de vômito!

Ele estacionou rapidamente e eu saí do carro.

— Está esquecendo os pastéis – ele disse, atrás de mim.

— Dane-se eles – rosnei.

— Mas o bebê vai nascer com cara de pastel de chocolate – ele ironizou.

— E a culpa ainda vai ser sua por que demorou de mais – falei, entrando no elevador.

Gerard correu para alcançá-lo.

— Minha mãe vem aqui amanhã – ele disse, sem assunto.

— Hum – murmurei.

— Tem certeza que não vai querer pastel? – ele perguntou, gesticulando para a sacola.

— Me dá essa droga – rosnei, arrancando a sacola dele.

— Quem é o melhor marido do mundo? – ele perguntou, sorrindo.

— Talvez o Frank... – respondi, sem emoção. – Que nunca reclamou de nenhum enjôo sequer de Diana.

Ele revirou os olhos.

Quando entramos em casa eu fui direto até a cozinha para comer os pastéis. Gerard comeu dois e eu comi os outros quatro.

— Não ficou enjoada? – perguntou ele, sentado no sofá enquanto eu passava por ali, indo da cozinha até o quarto.

— Não – falei, dando de ombros.

— Então os pastéis vão fazer diferença – ele disse, olhando para mim.

— De minha boca o médico nunca saberá – falei. – Espero que da sua também não – disse, olhando-o com um olhar meramente psicopata.

— Pedindo com jeito assim, é claro que não – ele respondeu, virando-se novamente para a televisão.

Na verdade eu omiti alguns detalhes dele, por exemplo, que eu não havia ficado enjoada até então, mas depois de nossa conversa eu fui ao banheiro para vomitar.

— Ainda está irritada? – Gerard perguntou, deitado na cama, enquanto eu vestia meu pijama.

— Não – falei simplesmente.

— Okay – ele sorriu. – Quer conversar?

— Sobre o que? – olhei-o curiosa.

— Sobre... qualquer coisa – ele sugeriu.

— Tanto faz – dei de ombros.

— Tudo bem, ainda está irritada – ele riu.

— Não estou, não – irritei-me.

— Viu? Está irritada – ele riu novamente.

— É, agora estou, mas só por que você está falando isso – disse.

— Vamos dormir, Layla – ele disse, levantando-se a apagando a luz.

Deitei na cama e me cobri com o edredom, Gerard falava algumas coisas e eu simplesmente respondia alguns “uhum” e “hum”.

- -

Layla’s Dream – On

Abri os olhos, o quarto estava escuro e eu sentia-me estranha. Meu corpo parecia leve de mais, minha cabeça parecia girar, e eu não sentia a cama sob meu corpo.

Fechei os olhos novamente, tentando recuperar os sentidos, não estava entendendo, tudo parecia tão real. Quando abri os olhos novamente, arfei.

Eu me encarava, do alto, parecia estar no teto de meu quarto. Pude ver-me dormindo na cama, Gerard ao meu lado, tudo parecia real e normal de mais, se não fosse pelo fato de eu estar flutuando enquanto meu corpo estava lá embaixo.

Tentei falar algo, mas minha voz não saía, eu não sentia-me respirar, nem sequer meu coração eu conseguia ouvir, era como se... eu fosse um espírito agora.

Eu não posso deixar meu corpo!, pensei, nervosa. Meu bebê..., foi o último pensamento que tive antes de ver tudo escurecer e sentir meu corpo cair, logo depois veio um solavanco, como se eu tivesse atravessado algo.

Layla’s Dream – Off

- -

Acordei rapidamente, ofegante. Sentei-me na cama e olhei para Gerard, dormia tranquilamente. Lembrei-me do sonho que acabara de ter, olhei para o teto do quarto, obviamente não havia nada ali. Olhei novamente para Gerard, intrigada. Comparei a posição em que ele se encontrava agora e a que eu havia visto no sonho... arfei ao perceber que se tratava da mesma.

- -

Dois dias se passaram desde que tive aquele sonho estranho, eu não entendia o que acontecia enquanto eu dormia, o porquê daqueles meus pesadelos inexplicáveis.

Gerard saiu de manhã para ir ao estúdio, eles fariam uma pausa, curta, mas o suficiente para Frank cuidar de Alice e Diana.

Eu estava assistindo televisão na sala quando a campainha tocou, olhei pelo olho mágico, era Madame Shelly, abri a porta rapidamente.

— Olá – falei, sorrindo.

— Oi Layla – ela sorriu. – Desculpe por não ter vindo antes lhe visitar, estava esperando a poeira abaixar.

— Tudo bem – falei.

Convidei-a para entrar, sentamos no sofá, ela parecia preocupada.

— Preciso falar com você sobre um assunto – ela disse, com a voz tensa.

— Pode falar – disse. – É sobre o que?

— Seu bebê – ela disse, tocando minha barriga. – Está grávida há quanto tempo?

— Dois meses e meio – respondi.

— Hum – ela murmurou. – Os seus pesadelos acabaram?

— Aqueles sim – respondi. – Mas agora estou tendo outros.

— Com o bebê... – ela deduziu.

— Sim.

— Você já sabe sobre a história de suas vidas passadas, não é? – ela perguntou.

— Sei – concordei com a cabeça. – Eu morria...

— Exatamente – ela disse, preocupada. – Então, consequentemente você nunca havia tido filhos.

Não respondi.

— Você acredita em espíritos ou demônios? – ela perguntou.

— Não sei... Talvez.

— Alguém tentou levar você há algumas noites, Layla – ela quase sussurrava agora. – Alguém que não se conforma com você ter conseguido mudar seu destino, alguém que não se conforma com essa criança estar há caminho.

Eu sabia quem era. Era o homem de meus pesadelos, mas eu não o conhecia, então não conseguia entender o porquê disso.

— Por quê? – perguntei.

— É uma espécie de espírito. Sabe, existem anjos da guarda, feitos para nos proteger; e também existem demônios que andam próximos a nós, assim como os anjos, para tentar nos influenciar. Esse homem é um deles, e você é o alvo dele – ela explicou. – Ele lhe acompanha por todas as suas vidas, e podemos ver que ele sempre vencem, afinal, você sempre morria. Mas agora, você conseguiu viver, e além disso... você gerou um bebê, e agora o ódio dele é muito maio, e estará extremamente focado em você e no bebê...

— Eu me vi dormindo há duas noites – sussurrei. – Era ele, não era?

— Sim – ela respondeu. – Ele vai tentar lhe assustar, criar situações perigosas, deixá-la atormentada, pois assim, com você mais frágil, será mais fácil para ele conseguir o que quer...

— E o que ele quer? – perguntei, amedrontada.

— O seu bebê...

Nesse momento ouve um grande estrondo na cozinha, levantei-me assustada e corri até lá, Madame Shelly veio logo atrás. O armário de panelas havia se aberto e algumas delas haviam caído no chão.

— Eu preciso pensar nisso – falei, arrumando as coisas.

— Okay, lhe darei tempo – ela disse.

— Ligarei para você quando tomar uma decisão.

Ela apenas sorriu. Acompanhei-a até a porta, depois fui até o quarto, precisava pensar em tudo isso, não era fácil pensar que um demônio estava perseguindo-me por que não conseguiu com que eu morresse e agora quer o meu bebê.

Notas finais
O.O Oh! Que tenso tudo isso! auhsu'
REVIEWS? REVIEWS? REVIEWS?
-x-x-x-
Beijos.