Disenchanted
89 Capítulo 89 - Conversa Estranha...
Notas iniciais
Boa Leitura;
Layla’s P.O.V.
— Olá – falei enquanto entrava no quarto e fechava a porta.
— Lay – Gerard exclamou, parecia estranho.
— Não liga – disse Mikey. – Ele está grogue.
— Ah – dei uma leve risada. – Como se sente? – perguntei a Gerard.
— Tonto... – ele riu. – Parece que eu... estou voando... e é engraçado... – ele riu novamente.
Fui obrigada a rir também, ele estava muito bobo.
— Onde estão Helie e Arth? – ele perguntou de repente.
— Estão na sala de espera com Leticia – respondei, sentando ao seu lado na cama do hospital.
— Eles ainda não tiraram essa agulha de mim – ele disse, mostrando-me a mão. – Isso não é legal...
— Mas é necessário – falei.
Eu estava falando assim como se falava com uma criança, afinal, era assim que Gerard estava, como uma criança.
— Isso não é legal! – ele repetiu, deixando uma lágrima escapar.
— Que vergonha... – Mikey disse, indignado, sem tirar os olhos de sua revista de moda.
— Quais as tendências do verão? – perguntei a ele.
— O laranja está em alta – ele sorriu. – Assim como as outras cores quentes.
— Odeio laranja – comentei.
— Idem – ele concordou.
— Hey, eu estou aqui – disse Gerard, chamando nossa atenção.
— Eu sei – sorri para ele, acariciando seu rosto.
Gerard bocejou longamente, devia ser o efeito dos tranqüilizantes.
— Se eu fechar os olhos, assim... – ele disse, fechando os olhos bem forte como demonstração. – parece que eu estou flutuando...
Gerard começou a rir novamente, eram gargalhadas divertidas, ele realmente estava se divertindo com aquilo.
— E como é flutuar? – perguntei.
— É... bom – ele abriu os olhos novamente. – Não dá para explicar.
— O quanto isso é bom? – Mikey riu, provavelmente pensou alguma besteira.
— Você sabe... – Gerard respondeu, sorrindo maliciosamente.
Os dois começaram a gargalhar, claro, não deveria existir assunto melhor para dois irmãos conversarem.
— Essa conversa está tomando rumos pervertidos de mais – falei, encerrando o assunto.
— Eu só disse que era bom – Gerard deu de ombros. – O malicioso é ele – ele apontou tortamente para Mikey.
— Okay, okay – ignorei.
Nesse momento Dr. Hill apareceu, entrando no quarto.
— Já temos os resultados dos exames – ele sorriu.
— E o que ele tem? – perguntei rapidamente.
— Parece que o Sr. Gerard não anda cuidando muito de sua alimentação, nem de sua saúde – começou Dr. Hill.
Gerard revirou os olhos, bufando logo em seguida.
— Ele está em um caso inicial de anemia – Dr. Hill encerrou.
— Anemia? – fiquei surpresa.
Gerard sempre fora o que podemos chamar de “gordinho”, era estranho pensar que ele estivesse com anemia.
— Eu não tenho isso – Gerard contestou, grogue.
— Os exames não mentem, Gerard – Dr. Hill sorriu.
— Quando Layla estava grávida... – Gerard começou. – fizeram vários ultrassons e nenhum apontou que na verdade, esperávamos gêmeos. Ou seja... eles mentiram!
— Gerard é inteligente quando está dopado – Mikey riu.
— Fique quieto, bastardo – Gerard retrucou.
— Eu estava elogiando, droga! – Mikey ficou irritado, voltando sua atenção novamente à revista.
— Bem, aqui estão os exames – Dr. Hill entregou-me alguns papéis. – Podem conferir.
— Não, nós acreditamos em você – respondi.
Gerard bufou novamente, olhei torto para ele, que revirou os olhos e olhou para o outro lado.
— Bem, você receberá alta amanhã – Dr. Hill disse a Gerard. – Terá apenas que passar a noite aqui, em observação.
Gerard fingiu não ter ouvido, ele realmente estava agindo como uma criança.
— Boa noite, Gerard – disse o médico, saindo do quarto.
— Idiota – Gerard resmungou.
— De onde você tirou essa implicância com Dr. Hill? – perguntei a Gerard.
— Ele quer você... – ele respondeu, atropelando um pouco as palavras.
— Você é louco – revirei os olhos.
— Não querendo me meter... – disse Mikey. – Mas, Layla, Gerard está certo... Esse Dr. Hill arrasta uma asa por você – ele riu.
— Calem a boca vocês dois – disse. – Trate de dormir, Gerard! Eu vou ir falar com Leticia, ver se Frank, Diana, Ray e Michele estão ali, e depois volto aqui para deixar Mikey ir para casa.
— Se quiser eu fico aqui, Layla – Mikey se ofereceu.
— Não, pode ir, eu passo a noite aqui com Gerard – falei.
Gerard não respondeu, acho que estava com sono, por isso estava tão irritado.
Saí do quarto e caminhei pelos corredores, estava quase chegando à sala de espera quando uma voz feminina chamou minha atenção.
— Layla? – ouvi alguém falar.
Olhei rapidamente em direção à voz. Era uma garota de cabelos negros, pele clara, olhos negros e levemente puxados.
— Sim? – respondi, estranhando.
— Ah, esqueci que você não me conhece – ela sorriu. – Sou Aline.
Aline. A garota que Gerard “salvara” há alguns dias. Odiei ver que ela era bonita, mais até do que eu imaginava que fosse.
— Ah, olá – sorri também.
— O que está fazendo aqui? – ela questionou.
— Gerard não passou muito bem hoje – respondi.
— Ele está bem? – ela ficou realmente preocupada.
— Sim, foi apenas um mal-estar – achei que não era necessário falar os reais problemas de saúde de Gerard. – Mas e você? O que está fazendo aqui de novo?
— Vim buscar alguns exames que fiz naquela noite – ela respondeu.
Ficamos alguns instantes em silêncio.
— Eu posso pedir uma coisa? – ela perguntou, de repente.
— Claro – disse rapidamente.
— Eu posso ver Gerard? – ela parecia temer minha resposta. – Como ele se preocupou comigo naquela noite acho justo fazer-lhe uma visita rápida. Prometo que não demoro!
Pensei rapidamente.
— Okay – decidi. – Quarto 813, apenas não repare muito em algumas besteiras que ele possa lhe falar, tiveram que dar alguns tranqüilizantes a ele.
— Claro! – ela disse, animada. – Bem, nos vemos depois?
— Provavelmente – sorri.
Ela correu para o outro lado, indo em direção aos quartos. Respirei fundo e andei novamente até a sala de espera.
Assim que cheguei lá pude ver Frank sentado com Diana em um dos sofás, Alice estava em um carrinho, ao lado dos carrinhos de Helie e Arth, os três dormiam tranquilamente. Leticia estava conversando com Diana e Michele, Ray estava sentado ao lado de Michele em outro sofá.
— Olá – falei a todos.
— Como ele está? – Ray perguntou.
— Bem, Dr. Hill disse que ele está em um caso inicial de anemia – informei-os. – Mas agora está tudo bem.
— Nossa, anemia... – Diana disse, um tanto surpresa também.
— Ele está dormindo? – Michele perguntou.
— Não, agora ele está... bem, um pouco aéreo – sorri.
— Aéreo? – Frank ficou confuso. – Drogaram ele?
— Tecnicamente... Eles tiveram que dopar ele por que Gerard ficou um pouco irritado por causa das agulhas – expliquei.
— Ele deu um chilique? – Frank perguntou, rindo.
— Mais ou menos – acabei rindo também.
De repente um celular começou a tocar, logo Michele pegou sua bolsa e vasculhou até encontrar o pequeno aparelho.
— Preciso atender – ela disse, olhando no visor e correndo para fora da sala.
— Estranho... – Ray comentou, olhando para a porta por onde Michele acabara de sair.
— Bem, podem ir vê-lo se quiserem – disse, mudando de assunto.
— Oh, claro – Diana respondeu.
Frank e Diana entraram primeiro. Os acompanhei até o quarto, quando chegamos lá pudemos ver Aline conversando animadamente com Gerard e Mikey.
— Aline! – Frank disse, abraçando-a.
— Olá, Frank! – ela correspondeu ao abraço.
— Quem é ela? – Diana perguntou baixinho para mim.
— A menina que foi atropelada em frente ao aeroporto – respondi no mesmo tom.
— Bonita – ela comentou, vi que também não gostou da empolgação de Frank ao abraçar a menina.
— Bem, acho que preciso ir – Aline disse, depois de alguns minutos.
— Já? – Gerard perguntou, estava um pouco sonolento.
— Minha mãe deve estar me esperando no carro, e acho que você tem mais visitas para receber – ela disse, sorridente.
— Okay – Gerard deu de ombros, bocejando novamente.
— Quer que eu lhe acompanhe até lá fora? – Mikey se ofereceu, surpreendendo todos nós.
— Ah, pode ser – ela ficou um tanto surpresa também. – Boa noite! – ela disse a todos nós enquanto saía do quarto, acompanhada de Mikey.
— Mikey esqueceu que Leticia está aqui? – Frank riu.
— Não faço ideia – Diana riu.
— Leticia? – Gerard ficou confuso.
— A namorada de Mikey – falei, pasma. – Gerard, como você esqueceu dela?
— Ah, sim... – ele lembrou. – Desculpe.
— Qual é a sensação de desmaiar? – Frank perguntou a Gerard, de repente.
— Eu sei lá – Gerard deu de ombros. – Só sei que é estranho.
— Sabia que desmaiar é coisa de mulher, Gerard? – Frank riu.
— Idiota – Gerard bufou, bocejando mais uma vez logo em seguida.
Ficamos por mais alguns minutos ali, depois acompanhei Frank e Diana novamente até a sala de espera.
— Michele ainda não voltou? – estranhei.
— Não – Ray disso, inquieto.
— Ray e Leticia, podem entrar se quiserem – falei. – Vou lá fora pegar um ar.
— Okay – Leticia respondeu.
Provavelmente Mikey e Aline não passaram por ali, devia ter saído por outra porta, se não Leticia não estaria tão calma assim.
Fui até o lado de fora do hospital, respirei um pouco de ar puro. Caminhei pelo jardim que havia ali, era grande e bonito. Sentei em um banco que havia ali, olhando o céu estrelado que havia ali, em Nova York quase nunca se podiam ver as estrelas no céu.
De repente ouvi uma voz masculina que parecia-me irritada, logo depois ouvi uma voz feminina que também estava alterada. Olhei em volta e logo vi a origem das vozes.
Michele estava discutindo com um homem alto, de pele queimada de sol. Ele vestia roupas escuras e parecia muito irritado.
Aproximei-me deles, escondendo-me atrás de um grande arbusto.
— Não interessa se você está tendo problemas, ela não pode mais esperar! – o homem dizia, irritado.
— Diga a ela que colocarei o plano em prática assim que possível, mas não tenho culpa se a todo momento algo acontece! – Michele retrucou.
— Você sabe o fim que a outra levou por ter falhado, eu não me arriscaria se fosse você – o homem falou, um tom ameaçador estava em sua voz.
— Eu não vou falhar – ela disse, confiante. – Sou mais inteligente que a outra, ela não soube trabalhar, misturou o lado pessoal.
— Está avisada – o homem disse, sério.
Ela não respondeu, logo ouvi passos pesados se afastando.
— Idiota! – Michele murmurou, caminhando até o hospital novamente.
Levantei-me lentamente, certificando-me de que não havia mais ninguém ali. Não entendi droga nenhuma daquela conversa, apenas que Michele não podia falhar em alguma missão, e que alguém já havia falhado e pagado por isso. Mas o que isso significava? O que Michele estava escondendo?
— Layla? – uma voz masculina fez-me pular.
Era Mikey. Suspirei e tentei me acalmar.
— Oh, olá – falei a ele.
— O que está fazendo aí? Escondida? – ele riu.
— Nada, apenas... pensando – respondi. – E você? Onde estava?
— Ah... eu... Estava conversando com Aline – ele disse, perdendo o sorriso.
— Mikey... – falei, em tom implorativo. – Por favor, não magoe Leticia.
— Não vou magoar – ele sorriu.
— Assim espero – encerrei.
Voltamos ao hospital, Leticia e Ray já estavam de volta à sala, Michele estava sentada ao lado de Ray, com um sorriso tranquilo no rosto, não pude deixar de olhá-la intrigada.
— Layla – chamou Leticia. – Pensei se você não gostaria de deixar Helie e Arth conosco esta noite – ela sugeriu. – Afinal, você quer ficar aqui, e eles não podem entrar...
— Realmente, eu não havia pensado nisso – falei. – Não será incômodo?
— De maneira nenhuma – ela sorriu.
— Okay – sorri. – Eu busco eles amanhã de manhã.
— Perfeito – ela sorriu.
Logo todos foram embora, voltei ao quarto de Gerard, ele estava quase dormindo.
— Boa noite – falei a ele, afagando seu cabelo.
— Boa noite... – ele murmurou, já de olhos fechados.
Toquei meus lábios nos seus levemente e depois me acomodei na poltrona ao lado de sua cama, até que era confortável. Acabei pegando no sono rapidamente.
Notas finais
O QUE SERÁ QUE A MICHELE TA ESCONDENDO??
BEIJOS'
Fale com o autor