Disenchanted
16 Capítulo 16 - Fazendo as Pazes Novamente
Notas iniciais
Beijos, Boa leitura.
Segunda-feira de manhã. Acordei e me arrumei para ir trabalhar. Bati na porta do quarto de Diana e ninguém respondeu, depois bati na porta de Leticia.
— O que foi? – ela resmungou sonolenta.
— Está na hora de acordar, você vai acabar se atrasando – falei.
— Droga! – ela choramingou.
Leticia levantou alguns minutos antes de eu sair, Mikey estava lá ainda e iria levá-la até o hotel onde ela trabalhava como recepcionista.
Fiquei séculos esperando algum táxi parar, e ainda por cima pegamos transito, o que resultou em um atraso de quinze minutos.
— Atrasada? – disse Sheila, quando cheguei correndo.
— Um pouco – falei.
— Margareth ainda não chegou, fique tranquila – ela sorriu.
Margareth era a gerente, e era uma bruxa. Eu não gostava dela, ninguém gostava dela, e ela também não gostava de ninguém, acho que nem dela mesma ela gostava.
Não saí para o almoço, estava sem fome e também queria repor o meu atraso. Também me ofereci para fechar a loja naquele dia, mas Sheila disse que fecharia.
Quando estava saindo da loja, percebi um carro familiar estacionado do outro lado da rua, e eu sabia muito bem quem era.
Ignorei sua presença e comecei a caminhar pela calçada, ouvi a buzina do carro, será que ele pensou que eu não o vira? Acho que não, ele fez aquilo de propósito. Revirei os olhos e continuei caminhando, eu não sabia ao certo onde estava indo, já que eu queria pegar um táxi e poderia pegar ali mesmo.
Vi os faróis do carro acenderem, ele havia o ligado.
O carro atravessou a rua e veio lentamente até o meu lado, abrindo o vidro.
— Está indo aonde? – Gerard perguntou.
— Até a farmácia – menti.
— Entra, eu levo você até lá – ele disse.
— Não precisa, é aqui perto – falei.
— A mais próxima fica há uns quinze quarteirões daqui – ele falou, revirando os olhos.
— Eu estou precisando emagrecer, Gerard! Quero caminhar – quase gritei.
Ele parou o carro e saiu, continuei caminhando. Ele veio andando atrás de mim rapidamente para me alcançar.
— Layla! – ele disse, pegando em meu braço.
— Me solta! – rosnei.
— Fala sério! Eu não acredito que você está assim ainda – falou ele, indignado.
— Não acredita? Gerard, ela pulou no seu colo! E você não fez nada para impedi-la! – eu estava gritando agora.
— Pare de ser dramática, Layla – ele quase gritou.
— Dramática? Bem, então porque está aqui? Talvez Jessica sege menos dramática – falei entre dentes.
— Talvez sege mesmo – ele disse.
Aquilo foi a gota d’água.
— Então o que ainda está fazendo aqui? – gritei. – Vá atrás dela! Aposto que ela vai ter receber com um grande abraço! Ela vai adorar saber que você está livre para ela!
— Deixe de ser idiota, eu não vou atrás dela!
— Idiota? Do que mais quer me chamar? Porque parece que você está adorando me insultar, Senhor Gerard!
Ele não respondeu, apenas ficou me encarando com uma expressão incrédula.
— Agora, me dê licença que eu quero ir para a minha casa – falei, já dando as costas para ele.
Ouvi a porta do carro bater. Já estava tranquila, pensando que ele estava indo embora, mas logo o carro aparece do meu lado novamente.
— Entra aí! – ele disse, abrindo a porta do carro.
— Nem morta! – falei, fechando-a.
— Layla! – ele a abriu novamente.
— Me deixa Gerard! – fechei-a novamente.
— Eu não estou brincando, Layla, entra nesse carro! – ele abriu a porta pela terceira vez.
— Eu quero ir para casa, okay? Me deixa em paz! – fechei ela novamente.
— Okay, eu te levo, é só entrar dentro do carro – ele a abriu novamente.
— Pára de abrir essa porta! – eu disse, fechando-a novamente.
— Quando você entrar eu paro – ele bufou, e a abriu mais uma vez.
— Eu não vou entrar! – fechei a porta mais uma vez.
— Vai sim! – ele a abriu. Eu já estava cansando disso.
— Não vou! – eu bati a porta com força.
Ele bufou e saiu do carro novamente, veio até o meu lado e abriu a porta.
— Eu não vou entrar, já disse – falei, dando de ombros e andando novamente.
Quando pensei que ele finalmente tivesse desistido, senti algo me puxar, quando dei por mim, Gerard estava me carregando no colo.
— Me coloca no chão agora, Gerard! – gritei, me debatendo.
— Pára, assim eu vou te deixar cair! – ele gritou também.
— É justamente isso que eu quero, droga!
Ele ignorou, apenas me jogou sobre o banco do carona.
— Ai! – gritei, quando cai.
Ele fechou a porta rapidamente e entrou no carro.
— Você sabe que eu posso fugir – falei.
— Sei, mas você não vai – ele riu, debochado.
Não respondi. Porque ele sempre estava certo? Eu odiava toda essa certeza que ele tinha sobre todas as coisas.
Fiquei calada o tempo todo, silêncio de mais sempre me irritou, mas eu é que não iria quebrá-lo, não agora.
Percebi que ele estava pegando um caminho diferente, então perguntei por reflexo:
— Onde estamos indo?
— Você não queria ir à farmácia? – ele perguntou.
Droga, eu não queria realmente ir lá.
Paramos em frente à farmácia e eu desci do carro, vasculhei as prateleiras por alguns minutos, procurando algo que poderia ser útil para mim. Peguei um desodorante e uma caixinha de pastilhas para a garganta – eu tinha desodorante em casa e não estava com dor de garganta, mas foram as únicas coisas em que vi alguma utilidade.
Voltei para o carro e coloquei a sacola dentro da bolsa, para que Gerard não visse as porcarias que eu havia comprado.
Paramos em frente ao meu prédio e me preparei para descer.
— Espere, Layla – ele disse, com a voz doce.
Eu odiava quando ele falava assim, ainda mais quando eu estava irritada.
— Que foi? – perguntei, seca.
— A gente precisa resolver isso, não acha?
— Não – dei de ombros.
— Pare de fingir que não se importa com isso, eu sei que você se importa – ele disse.
Okay, ele tinha razão, mas eu não precisava admitir isso.
Não respondi.
— Desculpa – ele disse.
— Pelo o que? – perguntei.
— Droga, eu não sei! – ele disse, em prantos. – Mas você está chateada e me disseram que quando não conseguimos entender uma reação desse tipo de uma mulher, devemos pedir desculpa, seja lá o que você fez – ele falou rapidamente.
Acabei rindo, aquilo era engraçado. Pedir desculpas sem nem saber o que fez.
— Você preferiu ficar lá com a Jessica do que comigo – lembrei-o.
— Você sabe que foi você quem saiu de lá – ele disse.
— Você queria o que? Que eu ficasse vendo ela te agarrar na minha frente? Isso seria masoquismo, Gerard! E eu não sou masoquista.
Ele revirou os olhos.
— Eu pedi desculpas – ele lembrou.
— Mas pediu da boca pra fora, apenas por pedir! Quero que peça direito!
— Okay, me desculpe por abraçar uma amiga, Layla – ele ironizou.
— Direito, Gerard! – o adverti.
Gerard bufou.
— O que você quer que eu diga? – ele perguntou.
— Você vai repetir tudo que eu disser – falei.
— Okay.
— Eu, Gerard Arthur Way... – comecei.
— Eu, Gerard Arthur Way… — ele repetiu.
— Peço desculpas por ignorar o fato de uma mulher estar me agarrando em público...
— Peço desculpas por ignorar o fato de uma mulher estar me agarrando em público... – Gerard repetiu novamente.
— E também pelo fato de não ter ido atrás de Layla quando ela saiu de lá... – falei.
— Eu não sabia que você queria que eu fosse atrás de você – ele disse.
— Repete o que eu disse! – falei, dura.
— E também pelo fato de não ter ido atrás de Layla quando ela saiu de lá... – ele bufou.
— Me desculpo também por tê-la chamado de idiota de dramática, por ter gritado com ela mais uma vez e por não dar a mínima por seus sentimentos – terminei.
Ele revirou os olhos.
— Me desculpo também por tê-la chamado de idiota de dramática, por ter gritado com ela mais uma vez e por não dar a mínima por seus sentimentos – repetiu.
— Ah – continuei. – E prometo nunca mais agir assim...
— E prometo nunca mais agir assim...
— ... E obedecer tudo que Layla me disser, respeitando suas decisões – finalizei.
Ele me olhou, incrédulo.
— Repete! – gritei.
— E obedecer tudo que Layla me disser, respeitando suas decisões – ele repetiu. — Pronto?
— Sim – sorri.
— Então você me desculpa? – ele perguntou, fazendo uma carinha de cachorro sem dono.
— Okay – não resisti.
Ele sorriu, feliz.
— Boa noite! – falei, abrindo a porta do carro.
— Só isso? – ele ficou sem expressão.
— Quer mais o que? – perguntei, fingindo não entender.
Ele revirou os olhos e puxou meu rosto para o seu, tocando meus lábios com força.
Nosso beijo foi curto, eu tinha que subir porque havia prometido fazer o jantar para as meninas.
Quando cheguei Leticia já havia preparado o jantar, então eu não tinha mais utilidade. Falei para elas o motivo de meu atraso e elas riram da minha cara por ter feito todo esse drama. Até elas estavam me chamando de dramática.
Notas finais
Beijooos! sz
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