Discredited
2 The Scientist
Notas iniciais
A mulher sentada em uma espreguiçadeira, a sua frente, uma piscina que não tinha como ver seu fim, indo de encontro com as águas cristalinas de um mar maravilhoso. Pouco tempo depois, um homem com as famosas vestes de 'pinguim' apareceu, trazendo consigo uma bebida que a jovem não soube identificar.
Tranquilidade. Era isso que o lugar transmitia. O sol beijava seu rosto, nada muito quente, pois a brisa natural do lugar acrescentava para que tudo ficasse ainda mais perfeito. Quando pensou que fosse pegar no sono, começa a sentir uma dor em sua coxa. Olha para baixo, mas não vê nada. Parecia alguém cutucando, mas não havia ninguém. Sentiu novamente, e já começou a achar estranho, porém de novo não viu ninguém.
O último empurrão foi tão forte que se sentia cair do lugar que estava... Mas quando abriu os olhos, encontrou um lugar mal iluminado e um carpete marrom.
Annabeth caiu com tudo no chão, e ainda praguejando baixo, viu a figura de um garoto a menos de dois metros de distância. A criança estava com o braço esticado em sua direção, e carregava no rosto uma expressão de surpresa. Logo compreendeu quem a havia acordado.
Ainda sentindo dor pela queda, a jovem direcionou sua atenção para a sua criança, e olhando atentamente, percebe que havia algo de errado. O urso de pelúcia firme nos braços e o rostinho amassado indicavam que estava dormindo. Mas as bochechas marcadas e os olhos ainda úmidos indicavam que o menino havia acordado de uma forma nada tranquila.
Annabeth saberia de longe identificar o que havia se passado com o filho. Olhou para o relógio, marcava 01h19min da manhã. Pesadelos, foi o que ela pensou, enquanto sentava na cama e indicava com a mão para o pequeno se aproximar. Deixando o urso na beirada da cama, logo foi para o colo da mulher.
— eu tive aquele sonho, mãe – Nicolas falou, enquanto encostava a cabeça no peito da mulher e ela o abraçava. Sabia que naquela situação não poderia fazer muita coisa, infelizmente. A dor que sentiu com que o filho disse não poderia ser explicada – e você não estava lá de novo.
— é verdade, eu não estava com você naquela hora. Mas estou agora, e não vou deixar nada e nem ninguém fazer mal algum com você – Annabeth afirmou para a criança, que se agarrou ainda mais a ela. Pegou o menino, não tão pequeno quanto fora um dia, e o colocou ao seu lado na cama. Entregou a ele o urso, o vendo secar as poucas lagrimas que havia derramado, sentindo angústia e raiva em proporções iguais. Deitou-se ao lado dele e o abraçou – vamos dormir, já está tarde e amanhã você tem aula.
Nicolas beijou o rosto da mãe e se agarrou no urso. A jovem mãe fez uma pequena oração, pedindo que o filho não tivesse o pesadelo novamente. O menino acordou com o mesmo pesadelo mais uma vez.
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Annabeth acordou antes do som escandaloso que seu despertador faz, o que indicava ser antes das 06h30min. Mal havia dormido a noite, e sentia que tinha fechados os olhos por apenas alguns segundos. Olhou para o lado e viu seu bem mais precioso todo encolhido entre as cobertas. Sabia que a noite não havia sido fácil para ele também, e queria prolongar o máximo de tempo que seu filho tinha dormindo.
Se levantou, foi tomar banho e se arrumar para o trabalho. Era só a palavra trabalho aparecer em sua mente que sentia uma pontada na cabeça, as boas-vindas de uma enxaqueca terrível. Trabalhava em uma empresa de contabilidade, como Chefe de Departamento Pessoal. Além de o trabalho ser desgastante, não era remunerado com a devida relevância. Ganhava uma mixaria para dar o sangue por aquela empresa.
Não gostava nenhum pouco do rumo que sua vida profissional levou, mas mesmo assim agradecia todos os dias por tudo o que tinha conquistado com muito custo. Foi preparar o café da manha, uma das poucas refeições que não precisava se preocupar. Quando terminava de passar o café, ouve o som de um bocejo. Ela sorrindo, se vira e vê o filho coçando os olhos, não muito abertos devido ao sono.
— bom dia, querido! – ele sorri para a mãe, e abraça as pernas dela como resposta. Sabia que era bom não comentar sobre a noite, o menino ficaria mais abatido do que se estivesse doente.
Annabeth estava terminando de colocar a mesa, e o menino tirou a sua bolsa da cadeira para poder sentar. Com a bolsa aberta, e o sono ainda falando mais alto, acabou por cair um pequeno retângulo da mesma. A mulher avistou o objeto de embalagem amarelada e suspirou. Droga. O menino olhou para a mãe com os olhos brilhando.
— mãe, eu posso comer? Por favor, eu prometo que só na hora do jantar! – a mulher ajuntou a bolsa e se abaixou na altura do menino.
— meu amor, você sabe que não pode – ela disse, pegando o chocolate da mão do menino. Ele não soltou o chocolate, olhando emburrado para a mão. – Nicolas.
— por favor, mãe, só dessa vez. Você nunca deixa, nem lembro a última vez que eu comi! – ele disse, puxando da mão da mãe e sentando na mesa. Ela suspirou, primeiro porque sabia que sua criança era difícil, e segundo porque lembrava exatamente a ultima vez que o menino comeu chocolate.
— você sabe que não pode. É chocolate ao leite, filho, e você não pode ingerir leite. Você lembra o que aconteceu da ultima vez? Saiu com seu pai, tomou um sorvete e passou mal os próximos dois dias – olhando para a criança, via que seus olhos não tinham mais o mesmo brilho. Sabia ser por tristeza, ele lembrava o que aconteceu. – você passou os outros dias inteiros mal. Se você quiser, pode comer, mas já sabe qual vai ser a consequência.
Nicolas estava ponderando, Annabeth o conhecia bem demais. Ele queria comer o doce, mas sabia que não o faria bem. Por fim o devolveu, apesar de só ter sete anos, o menino sabia muito bem já distinguir as coisas. Suspirando, ele pegou uma bolacha de água e sal.
Mas Annie não iria deixar seu filho sem os prazeres de um doce, principalmente depois de uma noite tão turbulenta como a dele. Foi até ao forno e pegou algo que tinha feito mais cedo.
— panquecas com geleia de morango! Minhas preferidas, obrigado mãe! – ela entregou o prato a ele que, em milésimos de segundos, as panquecas estavam sendo devoradas. E isso foi o suficiente pra que ele se esquecesse do chocolate.
Annabeth fazia o possível e impossível para que mesmo com essa deficiência, o filho tivesse uma infância normal. Parece um problema pequeno, mas para uma criança controlar? Não, nenhum pouco fácil. Ainda mais com festinhas na escola, e lanche dos amigos. Todo cuidado era pouco para que ele não passasse mal.
Por muitas vezes passou pela cabeça que não fosse uma boa mãe. Lembrava-se de todas as ocasiões que não conseguiu comprar o brinquedo que o filho queria, ou então o deixar ir naquele passeio da escola que todos os seus amigos iriam. Eles tinham um teto sobre a cabeça deles, não passavam fome e nem frio. Tinham um lar, mesmo sem as regalias que o mundo oferece.
Desde que Annabeth descobriu que o filho tinha intolerância à lactose, a vida dela deu uma apertada ainda maior. Muitos produtos tinham leite, e se o filho ingerisse, teria consequência. Foram ao médico, mas não tem cura, você aprende a conviver com a doença. Mas para uma criança é muito mais complicado. Envolve cólicas, vômitos, dores que podem durar horas.
A renda em casa já era curta, e então Nicolas precisa de alimentos isentos de leite. São caros, os preços são absurdos. Qual a saída que Annie encontrou? Ela própria fazer o que o filho iria comer. Leite sem lactose ele podia ingerir, mas no mercado não é encontrado uma variedade grande, o que causa a sua supervalorização.
A maioria de tudo o que ele ingeria era ela que fazia. Teve que aprender receitas e receitas para o filho não enjoar, e acabou criando algumas também. Apesar de tudo isso ter acontecido, ela não desanimou. Eles não desanimaram. E Annabeth sabia, enquanto via o filho lamber os dedos quando desistiu de comer com o garfo, que apesar das circunstâncias, era uma boa mãe.
Logo quando terminaram o café, colocou o menino no chuveiro. Terminaram de se arrumar e o levou para a escolinha. O apartamento deles, apesar de ser pequeno, é localizado numa área boa. Só por ser perto do Central Park já valia a pena.
A escola do menino era perto de casa, poucas ruas, nunca chegava atrasado. E nem podia, Nicolas tinha bolsa integral, conseguiu pelas notas, sempre foi um menino muito curioso e estudioso. Estudava num dos melhores colégios da região. Possuía uma inteligência nata por conta de Annabeth, não precisava de muito esforço para entender o que a professora explicava.
Logo chegaram, e a moça que fica no portão veio até o carro para busca-lo, uma senhora de face bondosa chamada Meredith.
— bom dia, senhora Stevens! – Nicolas logo já tirou o cinto e pulo do carro, dando um abraço na senhora. A mulher riu e beijos de leve os cabelos do menino.
— bom dia, pequeno príncipe! – ela respondeu o vendo torcer o nariz. A mulher riu da atitude dele. Olhou para Annabeth e lhe direcionou um sorriso. – bom dia, Annie.
— bom dia, Meredith. – a jovem sorriu para a mulher. Depois olhou para o filho. – se comporte, mocinho. E respeite a senhora Stevens.
— ta bem, mãe. Não vou fazer nada de errado. – por trás daquele sorrisinho, Annabeth sabia que tinha menino maroto. Olhou descrente pra ele, que revirou os olhos e se aproximou da janela do carro. Deu um beijo na bochecha da mãe e voltou para perto da senhora. – eu prometo, de dedinho.
— de dedinho. – ela respondeu, mandando um sorriso para o menino. Se despediu dos dois e foi para o trabalho.
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Annabeth trabalhava numa empresa de Contabilidade, Cia Olympus. O dono de tudo, Cronos Adamantino, era descendente grego, e tinham uma fissuração com a mitologia. Não que pudesse reclamar de alguma coisa, o nome de sua mãe era Atena.
Falar da mãe de Annabeth nunca foi fácil. Uma das razões, além de ter pegado o filho nos braços e saber que ali era o lugar dele, foi o desejo de que essa criança nunca passasse pelo que ela passou. Crescer sem uma mãe foi ruim, tinha "coisas de mulher" que seu pai não entendia e não sabia como a ajudar. A única certeza que tinha era a de que seu filho não passaria por isso. Independente se tivesse um pai, independente do apoio que tivesse. Óbvio que foi, e ainda é difícil. Mas é só olhar para aquele olhos sorridentes do seu pequeno anjo que qualquer dúvida se perdia.
Seus devaneios foram profundos o bastante para que ela só percebesse que havia chegado quando estacionou numa vaga. Olhar para aquele prédio já a fazia sentir uma dor de cabeça vindo. Saltou do carro, pegou a bolsa e entrou no prédio. Cumprimentou a recepcionista e foi em direção ao elevador.
A empresa era grande, faria bodas de ouro naquele ano. Na setor onde Annabeth trabalhava, a maioria era mulher. O que acaba em ter muita fofoca e um pouco de intriga. Ela tentava ao máximo não se meter, mas sempre acabava sabendo de tudo. O chefe do setor era linha dura, mas sempre respeitou e foi prestativo com todas elas.
Trabalhava numa mesa — mais conhecida como ilha — com mais três mulheres. Rebecka, Sarah e Priscila. Apesar de um pouco fofoqueiras, eram boas colegas. Quando chegou as três já estavam em seus lugares, e se cumprimentaram normalmente. Annabeth sentou e começou a trabalhar, e começou a contar também em quanto tempo alguém iria pedir auxílio.
Apesar de não se sentir feliz, realizada com o que faz ali, ela sabia o que fazer, e muito bem. Treze minutos foi o tempo que levou para alguém ir pedir auxílio em algo, e era assim o dia todo. Por sorte conseguia fazer todo o seu trabalho também. Cada vez que via alguém se aproximando, sentia que estavam sugando todas as energias dela. Fazia tudo por ali, e mesmo assim, recebia tão pouco. É o suficiente, ela sempre pensava. A vida dava uma atrás de outra rasteira, estar com aquele emprego fixo era uma dádiva. Uma dádiva ruim, mas uma dádiva.
A dor de cabeça já havia começado, e ela estava prestes a se levantar para tomar um remédio quando sente uma mão em seu ombro. Um aperto calmo, leve, e que trás aquela calma e segurança que todo pai trás. Olhou para cima e encontrou olhos carinhosos a fitando.
— bom dia, Annie — o mais velho desejou, enquanto pegava uma folha em sua mesa.
— bom dia, Quíron — Annabeth respondeu, lhe direcionando um sorriso.
Quíron era amigo de seu pai, do tempo da faculdade. Quando soube de toda a dificuldade que ela estava passando, conseguiu esse emprego para que pudesse ajudar com as despesas do bebê recém-nascido. Acabou por se tornar a tenda da família que ela constituiu. Era extremamente grata por ele, e por ele também, que não desistia desse emprego.
— como vai o meu menino? Espero que aprontando muito com as professoras — ele disse brincalhão, mostrando um sorriso bondoso e característico que ele possuía. Quíron era o mais perto de um avô que Nicolas conhecia. Eles simplesmente se amavam, e era lindo de ver.
— você não pode incentivar o menino desse jeito. Depois eu sou chamada no colégio por sua culpa! — ela disse severa, mas rindo do mesmo jeito.
Conversaram mais um pouco até que um garoto o chamou para assinar uns papéis. Ele logo foi, não sem antes cobrar uma visita deles a sua casa. Ele era viúvo, e amava a companhia deles. Se despediu e sumiu das vistas de Annabeth.
Pouco depois de voltar ao trabalho, seu telefone toca. Sem nem ver quem era ela atende. Mas nada, e repito, nada a estava preparando para o que iria ouvir.
—alô?
— EU ESTOU NOIVA! JESUS, MARIA, JOSÉ, EU ESTOU NOIVA!— não deu nem tempo de afastar o aparelho do ouvido, o estrago já estava feito. Mas ainda não havia identificado a voz — ANNABETH, EU... O que você ta olhando? Se eu quiser eu berro, e se quiser berro duas vezes! Não importa se estou num banco. Saia da minha frente que tenho mais o que fazer.— ah, agora sim ela sabia de quem era a voz. Um sorriso gigante invadiu o rosto da mulher. — Annabeth, você tá aí?
— que história é essa de casamento? Thalia Grace vai casar? Estou num mundo paralelo e ninguém me avisou? — Annabeth riu, sabendo que a amiga estava revirando os olhos.
— muito engraçado da sua parte, Chase. Talvez eu nem te convide.
— e quem mais seria a sua madrinha?
— eu posso colocar uma cadela. Se ela tiver o pelo loiro ninguém vai perceber a diferença.
— Thalia! — Annabeth riu, ela era mesmo uma mulher fora de controle. Notou três cabeças a espiando, e também a montanha de folhas a sua frente. Bufou baixo. — Thals, eu preciso desligar. Trabalho cheio hoje e temos mais platéia nos ouvindo. Conversamos mais tarde?
— claro, até porque quero Nicolas como meu pagem! Vai ser lindo, e...
— Thalia.
— eu já calei a boca. Vai trabalhar, até mais tarde, beijos!— nem teve tempo de se despedir. Essa era a Thalia. Anuncia um casamento como quem fala do tempo.
Lembrava exatamente como conheceu a amiga, uma fase totalmente obscura da sua vida. As únicas coisas boas daquele tempo foram Thalia e Nicolas. Ela podia perder tudo, mas perder os dois, era o mesmo que uma parte sua sendo arrancada.
Voltou ao trabalho, com muitas e muitas folhas para assinar e colocar em ordem. Faltando pouco menos de um hora para terminar seu turno, recebeu a visita de um novo cliente. Um cara alto, bonito, com um porte que chamava a atenção. Estava querendo abrir uma franquia de iogurte natural, e precisava de um contador.
Annabeth conhecia aquele olhar. O homem a estava estudando, estava mais estudando o corpo dela. Conhecia aquele tipo de homem. O sorriso sacana e olhar cheio de malícia já o entregavam. Começaram a falar da empresa e abre assuntos burocráticos. Quando ela estava convencida de que havia se enganado, o homem se manifesta.
— então, senhora...? — ele questiona. Queria saber se ela era casada, sendo que nem aliança Annabeth tinha no dedo.
— senhorita Chase — ela respondeu, com um sorriso forçado. Ele mandou um sorriso galanteador.
— senhorita. Que bom então, você trabalha aqui a muito tempo? — ela disse que não, e continuaram conversando por mais um tempo.
Annabeth sabia que era uma mulher bonita. Podia ter sido mãe cedo, e por vezes nem ter tempo para se cuidar como deveria. Mas ainda assim estava sempre impecável. Chamava a atenção, não na proporção que imaginava, mas chamava sim.
O homem já estava indo longe demais, fazendo perguntas demais e se metendo demais. Annabeth sabia que ele ia a convidar pra sair, já podia ouvir as palavras saindo da boca dele. Mas já sabia como aquela historia ia terminar.
— então, e o que você acha da gente sair sexta? Eu pego você a sua casa — ele parecia entusiasmado, quase eufórico com a ideia. Annabeth deu três segundos pra expressão dele mudar com a resposta.
— claro, mas só se meu filho poder ir. Sabe como é, mãe solteira. — e exatamente no tempo, de entusiasmo foi para surpresa. Depois para desagrado, e então para desgosto. O cara ainda tentou um sorriso é disse que havia se lembrado que já tinha compromisso, mas que iria remarcar.
Claro, obviamente que ele ia.
Annabeth riu internamente, quando viu o homem se afastar meio afetado. A realidade é que homem nenhum quer uma mulher que já tenha um filho. Não englobando todos os homens, mas em sua grande maioria. Ter a responsabilidade de um relacionamento, e mais ainda de uma criança? Não, muitos não querem.
A mulher sorriu triste, mais um que a fazia ter a certeza que o amor que ela conhecia era somente pelo filho e pelos amigos. Uma amor entre homem e mulher? Difícil, praticamente impossível.
Viu que terminou seu trabalho e foi buscar Nicolas, bem na hora. Desligou o computador e se despediu de todos. Parou o carro na frente do colégio e esperou o filho sair. Ela trabalhava o dia inteiro, o menino estudava de manhã e a tarde fazia os deveres e tinha recreação. Se não fosse esse colégio, sua vida seria muito mais corrida. Olhou para a entrada é viu Meredith trazendo seu filho. O menino acenou para a mulher se despedindo, o mesmo feito por ela para Annabeth. Logo que colocou o cinto, começou a tagarelar.
Por mais que estivesse cansada, e que sua cabeça implorasse para que ele parasse de falar, ela não cansava de ouvir a voz dele. Todas as novidades e surpresas que ele teve no dia e que foram "ultra mega incrível, mãe!" fazia o dia dela mais feliz, porque ele estava feliz, e tudo valia a pena.
Logo chegaram em casa e foram se lavar para o banho. O menino não precisava mais de ajuda, gostava de lembrar que já tinha quase oito anos todos os dias. Ela apensa ria, enquanto ia preparava o jantar. O jantar estava congelado, havia feito no fim de semana anterior. Era mais fácil cozinhar no final de semana e congelar, do que cozinhar todos os dias.
Jantaram e ela logo o foi colocar na cama, ele teria aula no outro dia e já estava mais do que na hora de dormir. Contou mais algumas coisas do dia, enquanto o sono já estava se aproximando, e disse sobre uma amiga que havia ganhado um porquinho-da-índia. Disse que amou o bichinho, e queria muito um.
O coração de Annabeth se entristeceu. Ela disse que ele teria que esperar até o aniversário se quisesse mesmo, ser paciente. Ele disse que tudo bem, que entendia e que iria esperar. Mas sabia que até ele não tinha realmente esperança de ganhar o bichinho. Beijou o rosto do menino, que já havia fechado olhos e se enterrado nas cobertas. Disse que o amava.
Sentiu o peso novamente da palavra mãe, uma palavrinha tão pequena com um significado tão grande. A dúvida se estava fazendo corretamente o trabalho a assombrou, mas foi só ouvir um "também te amo, mãe" dele, mesmo morrendo de sono, sabia que valia a pena.
Sempre valeria.
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