Discovering A New World

7 Capítulo 7 - New day, new discoveries.


Na manhã seguinte Lilith acordou sentindo-se completamente segura e feliz, tendo os braços de seu companheiro apertados protetoramente ao seu redor. Sorrindo satisfeita, ela levantou levemente a cabeça do peito musculoso que lhe servia de travesseiro e beijou aqueles lábios com gosto de pecado, gemendo quando mãos fortes se enredaram pelos seus cabelos e a pressionaram de encontro ao corpo másculo, aprofundando o beijo.

- Eu poderia me acostumar a ser acordado dessa maneira. – olhos vermelhos se abriram e se fixaram nas esferas douradas, brilhando com amor.

Lilith riu abertamente e voltou a beija-lo, mas se separou tão logo o beijo começou a crescer em intensidade, fazendo com que seu companheiro rosnasse e a encarasse contrariado. Ela apenas sorriu maliciosamente e se levantou, espreguiçando-se, muito consciente daquelas esferas rubis que a encaravam com luxúria e desejo. Seu riso se transformou em verdadeira gargalhada quando, com um salto, Tom tentou alcança-la, falhando por poucos centímetros, o que só o fez rosnar ainda mais alto.

- Lili! Volte para a cama. – ele exigiu ainda encarando-a contrariado.

- Perdoe-me, meu Lorde, mas você prometeu que iria me levar para conhecer seu povo hoje. – a Kittyara lembrou-lhe, o sorriso malicioso ainda perdurando em seu rosto. – Eu prefiro estar perfeitamente impecável quando isso acontecer, por isso eu preciso de um bom banho.

Ainda sorrindo, a morena se dirigiu à discreta porta que levava ao banheiro, rebolando levemente, apenas para parar no limiar e lançar um olhar provocante por cima do ombro para o homem deitado na cama.

- Você não vem? – ela perguntou com um ronronado, ao que Tom se apressou em segui-la.

Uma hora mais tarde ambos estavam devidamente apresentáveis e desceram para a sala de refeições familiares, onde um suntuoso café da manhã os aguardava. Entretanto, o casal estancou na soleira da porta, surpresos ante a cena que os recebeu em dita sala. Em cima da mesa, coexistindo agradavelmente, se encontravam três animais na mais improvável das posições. Uma gata de pelagem preta comia calmamente uma rosquinha em um prato, enquanto mantinha o que parecia ser uma conversa agradável com uma enorme serpente negra, que bebia delicadamente uma xícara de chá. Na frente de ambas, um gato de pelagem branca se concentrava nas páginas de um jornal com uma fumegante xícara de leite ao seu lado. Atordoados, o par se sentou pesadamente na cabeceira da mesa, atraindo a atenção dos animais para eles.

- Ah, messstre! Que bom que vocêssss se juntaram a nósss. – a serpente sibilou agradavelmente. – O Sssenhor deveria ter me apresentado aoss nossssos convidados mais cedo, messstre.

- Ah, eu ssinto muito Nagini. – Tom sorriu amorosamente ao réptil, saindo de seu estupor. – Lili, querida, eu gostaria de apresenta-la ao meu segundo familiar, Nagini.

- É um imenssso prazer conhece-la, Lady Nagini. – a Kittyara sibilou suavemente, para assombro da serpente e de Tom.

- A ssenhora fala a nobre língua das serpentesss! – a cobra zumbiu com imenso prazer, arrancando uma risada divertida da mulher.

- Como..? – Tom ainda estava ligeiramente surpreso.

- É comum aos membros da Família Real ter a habilidade de Animatonge. – Ártemis esclareceu deixando o jornal de lado. – Nossa Senhora pode agora se comunicar com qualquer tipo de animal... O senhor também terá esse poder se for coroado Rei. – o felino admitiu a contragosto, embora o Lorde das Trevas não tenha perdido o tom enfático no “se”.

- Mudando para assuntos mais sérios. – Lilith pediu, interrompendo o que certamente seria uma discussão entre seu companheiro e seu guardião. – Vocês saberiam me dizer como eu faço para entrar em contato com o que restou do meu povo?

- Você não tem com o que se preocupar minha Senhora. – Luna respondeu. – Provavelmente algum Kittyara sentiu que o seu poder despertou e está a caminho para conhecê-la.

Lilith assentiu e eles submergiram em um momento de tranquilidade enquanto desfrutavam de um reforçado café da manhã. Tranquilidade esta que foi quebrada quando um ligeiro alarme soou, indicando que algo ou alguém se aproximava da mansão. Tom fechou os olhos e se concentrou nas barreiras mágicas que protegiam a sua propriedade, tentando sentir quem seria àquela hora, soltando logo em seguida um rosnado gutural quando reconheceu aos inesperados convidados.

- Só me faltava essa! Um cachorro, uma raposa, um pássaro e um lagarto superdesenvolvido acompanhados de quatro pequenos gatinhos. – ele bufou, entre divertido e irritado. – Widdley!

- Meu senhor mandou me chamar. – um estalo foi ouvido indicando a presença do elfo doméstico.

- Sim, Widdley. Temos visitantes. Leve-os para a Sala de estar e sirva um chá. — quando o elfo desapareceu com uma reverência, ele se voltou para os outros ocupantes do aposento que o encaravam, intrigados.

- Lilith, por favor, mantenha Ártemis e Luna com você e não entre no salão a menos que eu diga o contrario, esta bem? – ele pediu, suspirando satisfeito quando recebeu um assentimento dela. Voltou-se para encarar ao réptil. – Nagini, fique com ela e a proteja.

- Mas e você Tom?! – a Kittyara exigiu preocupada.

- Eu estarei bem amor. – o Lorde a tranquilizou, beijando-a levemente nos lábios e caminhando em direção ao salão onde os convidados esperavam.

Nem bem ele entrou no recinto, suas narinas foram agredidas com o cheiro de desafio proveniente de quatro seres mágicos Dominantes, ante o qual ele rosnou em aviso, sua magia negra pulsando perigosamente a sua volta e seus olhos vermelhos brilhando com desconfiança, embora um pequeno sorriso sarcástico tenha aparecido em seu rosto.

- Ora, ora, ora. Quem diria. – Tom sibilou, seu corpo tenso esperando por algum ataque. – Os Quatro Grandes? Em minhas terras? O Japão é meio longe para esta ser apenas uma visita social. Posso saber a que devo a honra de sua inesperada aparição?

- Não nos venha com suas manhas, Príncipe dos Demons. – um macho alto e forte, de cabelos negros espetados e estranhas vestes pretas, rosnou ameaçadoramente, seus olhos vermelhos fendidos flamejando com desafio.

- Sabemos que você está com ela. Entregue-a, agora! – exigiu outro macho de cabelos negros na altura do ombro e olhos azulados, com duas asas de penas negras saindo de suas costas. Seu corpo ligeiramente musculoso recoberto por um simples quimono negro.

- Nós não desejamos nos envolver em uma luta. Apenas queremos devolve-la para a sua espécie. – um terceiro homem, com compridos cabelos prateados, olhos âmbar e vestes brancas pediu suavemente, suas orelhas e rabos de raposa se contorcendo em aborrecimento.

O quarto dominante, de comprida cabeleira cinzenta, marcas avermelhadas no rosto pálido e uma meia-lua azul na testa, permaneceu calado, sua face inexpressiva, embora seus olhos dourados brilhassem com visível desagrado. Seu corpo musculoso estava coberto por um tipo de quimono branco com detalhes avermelhados, um cachecol grosso e felpudo ao redor dos seus ombros.

Os quatro rosnaram quando a única reação do Demon foi sorrir secamente e encara-los, seus olhos vermelhos destelhando farpas de gelo e sua voz gotejando sarcasmo.

- E como, se me permitem perguntar, um Ryujin, um Tengu, um Kitsune e um Inukai irão me derrotar? – ele sorriu quando os rosnados aumentaram e garras foram desembainhadas.

- Isso é suficiente! –uma potente voz feminina gritou e logo uma jovem mulher de cabelos negros compridos e olhos chocolates, trajando um belo quimono florido, apareceu detrás do Inukai, seus ouvidos felinos e sua cauda se contorcendo em aborrecimento.

- Rin! – o macho de cabelos cinzentos rosnou em aviso.

- Não, Lorde Sesshoumaru! Nós viemos aqui apenas para ver a nossa princesa e não para assistir a um grupo de Dominantes com excesso de testosterona se digladiando para ver quem é o dono do pedaço. – ela resmungou, encarando aos olhos dourados friamente.

- A senhorita Rin tem razão. – um jovem rapaz, de compridos cabelos rosados e calmos olhos esverdeados saiu detrás do Kitsune, sorrindo ligeiramente, embora suas orelhas e cauda felinas também balançassem em sinal do seu mau-humor.

Ele foi seguido por uma jovem de cabelos dourados e olhos cor de amêndoa, com orelhas e cauda castanhas, e por um jovem de cabelos loiros pálidos um pouco abaixo dos ombros, estranhos olhos bicolores, o da direita sendo azul claro e o da esquerda dourado, e com cinzentos atributos felinos, que saíram detrás do Tengu e do Ryujin respectivamente.

- Shuichi! – chamou o Kitsune.

- Misao! – o Tengu advertiu.

- Phi! – grunhiu o Ryujin.

- Oh, pelos Deuses! O que há com vocês Dominantes e sua mania de desafio?! – a menina loira se desesperou, avançando emburrada até o divertido Lorde das Trevas, e ignorando olimpicamente o rosnado de advertência de seu companheiro. – Pedimos desculpas pelos maus modos, Lorde Demon, mas a energia de nossa princesa nos trouxe até aqui e nós não iremos embora sem antes vê-la.

O homem de olhos vermelhos ergueu uma sobrancelha divertida ante o tom exigente da jovem Kittyara, mas assentiu, voltando-se para a entrada do salão, sua voz suavizando imediatamente.

- Lilith, você pode vir agora. Mas tenha cuidado. – ele sibilou levemente, se aproximando de forma que seu corpo a escondesse parcialmente da vista dos outros dominantes.

Assim que avistaram a mulher que passou pelas portas do salão, e, mais especificamente, a imagem da Lua Crescente em sua testa, os quatro Kittyara soltaram pequenos gritos de júbilo, correndo até Lilith e ignorando os chamados de aviso de seus companheiros.

- Princesa! – entoaram, as duas fêmeas com os olhos marejados pelas lágrimas e os dois rapazes com sorrisos maravilhados em seus rostos.

Lilith ficou momentaneamente sem reação, para grande divertimento do seu consorte, mas logo se recompôs, sorrindo suavemente para os chorosos Kittyara e alisando levemente atrás da orelha de cada um, fazendo-os ronronar em contentamento.

- É uma alegria encontra-los, meus irmãos. Venham, deixem-me conhece-los melhor. – ela pediu, conduzindo-os até onde estava posta a mesa com o chá.

Entretanto, ela parou em seu caminho quando escutou um ligeiro rosnado as suas costas. Ao se voltar ela encontrou aos quatro dominantes encarando ameaçadoramente seu companheiro, que apenas sorria com sarcasmo, atiçando-os.

- Tom, por favor, pare de implicar com as visitas e venham se sentar antes que o chá esfrie. – ela solicitou, servindo dez xícaras de chá.

- Mas amor, eu não fiz nada. – o Demon resmungou, embora seus olhos ainda brilhassem com divertimento.

- Sei, sei. Mas, como Senhor da Casa Slytherin, Príncipe dos Demons e futuro governante de toda a Europa, você deve dar o exemplo. Então venha sentar-se conosco e tomar o chá civilizadamente como um educado anfitrião.

Tom bufou contrariado, mas obedeceu e se sentou em uma poltrona de espaldar alto, aceitando uma xícara de chá fumegante de sua companheira e recebendo um lindo sorriso agradecido como recompensa. Os outros quatro dominantes se entreolharam incertos, mas, após um olhar de censura de seus próprios submissos, eles se acalmaram e se sentaram, aceitando também as xícaras que lhes eram oferecidas.

- Muito bem, agora que estamos todos confortáveis que tal começarmos com as apresentações? – Lilith pediu, sorrindo levemente para os outros Kittyara enquanto se fazia confortável no colo de seu dominante, que imediatamente começou a lhe acariciar as orelhas.

- Mais uma vez nós pedimos desculpas pelos nossos maus modos, majestade. – disse a pequena Kittyara de cabelos negros, lançando um ligeiro olhar de censura para o homem de cabelos cinzentos ao seu lado quando este bufou contrariado. – Eu sou Rin, companheira de Lorde Sesshoumaru, Inukai, Senhor do Leste.

- Eu me chamo Shuichi, alteza. Companheiro de Lorde Kurama, Kitsune e Senhor do Norte. – continuou o rapaz de cabelos rosados, apontando para si e para o homem de olhos âmbar e orelhas de raposa ao seu lado.

- Eu sou Lorde Phi. E este resmungão ao meu lado é meu companheiro, Lorde Kurogane, Ryujin, Senhor do Oeste. – apresentou-se o rapaz de cabelos loiros, um sorriso malicioso estampado em seu rosto quando escutou o rosnado de seu dominante.

- Meu nome é Misao. Sou consorte de Lorde Kyo. Tengu, Senhor do Sul. Nós viemos das longínquas terras japonesas até aqui porque sentimos a energia de nossa princesa e queríamos averiguar – finalizou a Kittyara de cabelos dourados, apontando para si e para o homem de cabelos pretos e asas de corvo.

- Possa o brilho de nossa Mãe nos abençoar no momento deste nosso encontro, meus irmãos. – a jovem princesa sussurrou, arrancando ronronados satisfeitos dos outros Kittyara. – Mas, se não for soar descortês, porque mandar quatro jovens no lugar dos Anciões?

O semblante dos quatro adolescentes se ensombreceu e eles se entreolharam por alguns instantes, antes que a jovem loira respondesse.

- Infelizmente, minha Princesa, apenas um dos Anciões sobreviveu ao massacre de 25 anos atrás e ela não se encontra em condições de fazer uma grande viagem.

Ante este fato a expressão de Lilith empalideceu e seus olhos se nublaram com lágrimas que ameaçavam cair. Tom, sentindo o desespero de sua submissa, abraçou-a delicadamente, transmitindo todo o amor e carinho que ela necessitava, enquanto ela chorava pelo seu povo chacinado. Vagamente ele notou que os outros dominantes também se aproximavam de seus respectivos submissos, dando-lhes apoio silencioso. Passados alguns minutos as lágrimas de dor se converteram em pequenos rosnados de ódio e, quando a Princesa Kittyara ergueu o olhar, os visitantes não conseguiram conter um suspiro surpreso ante a intensidade do brilho nos orbes dourados.

- Dumbledore. – ela sibilou, todo seu corpo tremendo, pura magia colorida saindo em ondas, fazendo com que as janelas tremessem, tamanha era a sua intensidade. – Você vai pagar caro por tudo o que fez.

- Shhhh, meu amor. Acalme-se. Nós teremos a nossa vingança. – Tom sussurrou, sua própria magia negra envolvendo os feixes arco-íris, tentando acalmar a Kittyara.

- Você me promete? – Lilith exigiu encarando as intensas esferas rubis. – Você me promete que eu terei a cabeça daquele velho em uma bandeja de prata?!

- Eu irei servi-la em uma bandeja de ouro. É uma promessa. – o Lorde das Trevas sibilou, beijando-a apaixonadamente e arrancando um ronronado satisfeito dela.

O surto de poder se acalmou e Lilith sorriu ligeiramente acanhada para seus visitantes.

- Me perdoem por este pequeno deslize.

- Dumbledore... Milady se refere a Alvo Dumbledore, diretor da Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts? – Misao expos as dúvidas de todos, recebendo um ligeiro assentimento. – Mas o que ele tem haver com o massacre do nosso Reino?

- Ele era a cabeça por trás de tudo. – Lilith rosnou.

- Como você pode ter tanta certeza? – Lorde Sesshoumaru perguntou, olhando-a com desconfiança, ainda não querendo acreditar que aquela pequena mulher fosse a futura Rainha do Milênio de Prata.

Lilith encarou as esferas douradas do macho e viu a desconfiança dentro delas. Rosnando contrariada, ela se ergueu em toda a sua altura e liberou o controle sobre a sua magia, fazendo-a dançar a sua volta, enquanto desfraldava suas asas, sua marca de Lua Crescente emitindo um leve resplendor. Ao seu lado, Luna e Ártemis assumiram suas verdadeiras formas, imitando ao rosnado de sua dona.

- Eu sou Lady Lilith Serenity Arcana Millenium! Futura Rainha do Milênio de Prata! Nomeada pela Magia como Senhora do Conhecimento. – ela rugiu, seus olhos brilhando loucamente. – Ouse me desafiar novamente, Senhor do Leste, e eu lhe provarei da pior maneira possível porque não são os gatos que puxam o trenó. – terminou, em um sussurro ameaçador.

O Inukai ficou estático ante tal mostra de poder, enquanto os outros três dominantes bufaram divertidos e os jovens Kittyara soltaram pequenas risadas. Tom, por sua vez, tentava a todo o custo conter as gargalhadas que ameaçavam escapar, embora um sorriso cheio de orgulho tenha se formado em seu rosto ante a imagem majestosa de sua adorada companheira. Deuses! Se não fosse por aqueles inconvenientes convidados ele estaria agora mesmo fazendo sexo loucamente com a sua deliciosa companheira.

- Por que você não a defendeu? – uma voz sussurrou ao seu lado e ele se viu encarando duas avaliativas esferas azuladas.

- Não estava em meu lugar interferir. – o Lorde das Trevas respondeu impassível. – Esta é a sua luta e eu quero que ela saiba que eu acredito nas capacidades dela, que eu a considero como uma igual e não como alguém inferior. Se a situação assim o requeresse eu iria lutar ao seu lado. Sempre ao seu lado.

O leão branco soltou o que pareceu um ligeiro zumbido, mas não se pronunciou mais, voltando a prestar atenção aos visitantes. Um som de uma tapa foi ouvido e todos se voltaram para a pequena Rin, que havia eficazmente proferido um golpe na parte de trás da cabeça do seu dominante.

- Rin! – Lorde Sesshoumaru sibilou indignado.

- Serve-lhe como aviso por ter duvidado de Milady. – ela rosnou de volta, encarando-o com olhos estreitos. – Nós não iremos permitir que ninguém, nem mesmo nossos parceiros, a difamem. – finalizou, recebendo acenos afirmativos dos outros submissos.

- Oh, Deuses! – a ingestão aguda de ar chamou a atenção de todos de volta para Lilith, que encarava aos outro quatro Kittyara como se os visse pela primeira vez. A magia ainda pulsava a sua volta e seus olhos brilhavam como duas joias douradas.

- Minha Senhora? – Shuichi a chamou delicadamente.

Lilith balançou a cabeça bruscamente, como se tentasse expulsar um pensamento inoportuno e desabou no colo do Demon, seus olhos abismados voltando ao normal. Segundos depois, para maior assombro de todos, ela começou a gargalhar, lágrimas se formando nos cantos dos seus olhos.

- Lili? – o Lorde das Trevas chamou-a cautelosamente. – Amor, você está bem?

- Sim, sim, eu estou bem amor. Não se preocupe. – ela respondeu enxugando as lágrimas e se voltando decididamente deslumbrada para encarar aos ainda chocados visitantes. – Quem os mandou até mim, filhotes?

- A nossa Anciã. – Phi respondeu cauteloso, meio contrariado por ela tê-los chamado de filhotes.

- E vocês sabem por que ela enviou especificamente vocês quatro? – a Princesa Kittyara perguntou, um sorriso divertido se espalhando pelo seu rosto. Ao receber quatro acenos negativos seu sorriso aumentou. – Oh, isso vai ser divertido... Vocês sabem como ocorre a coroação da próxima Rainha?

Novamente ela recebeu acenos negativos. Respirando fundo, Lilith se fez mais confortável no colo de seu companheiro, dando início ao seu conto.

- Antes da coroação, toda Princesa Kittyara passa por um ritual onde ela deve criar o seu próprio Cristal de Prata, que é o símbolo de sua realeza e de seu poder. Sem ele a futura Rainha não conseguirá manter o equilíbrio da Magia da Mãe Terra e esta se descontrolará, levando o mundo ao caos. Para cria-lo a Princesa deve reunir os poderes de todos os Sete Elementos da Magia e condensa-los com o seu próprio Núcleo Mágico. Entretanto, para isso, ela deve procurar pelos seus Sete Pilares Mágicos, sete jovens Kittyara que possuem o domínio de um dos Elementos. Toda Rainha tem os seus Pilares. Eles sempre nascem alguns anos depois que a nova Princesa vem ao mundo e se tornam parte do Círculo de Prata, a corte do Reino do Milênio, geralmente assumindo cargos de conselheiros. – Lilith fez uma pausa para tomar ar e encarou aos jovens a sua frente, que ainda a olhavam confusos.

Um ligeiro som de ingestão de ar, seguido de cinco idênticos gemidos, a fez sorrir maliciosamente. Pelo menos Tom e os outros dominantes já haviam entendido as implicações por trás do que ela havia dito, e não pareciam estar nada satisfeitos com os resultados.

- Oh, por favor, diga-me que isso não é verdade! – o Lorde das Trevas implorou encarando-a consternado e voltou a gemer quando tudo o que recebeu foi um brilhante sorriso. – Estou tão condenado!

- Acredite Príncipe dos Demons, nós também não estamos felizes com o desenrolar da situação. – Kurogane grunhiu, esfregando levemente a ponte do nariz para abrandar a enxaqueca que começava a se desenvolver.

- Ora, para que tanto drama?! – Lilith bufou ligeiramente divertida. – Vocês não precisam necessariamente viver no Reino do Milênio. Só precisam comparecer quando houver alguma reunião do Conselho.

Cinco suspiros aliviados arrancaram uma gargalhada da morena, que voltou a encarar aos agora surpresos Kittyaras, realização amanhecendo em seus rostos. Suspirando, a jovem princesa se ergueu novamente e se aproximou, fazendo um gesto para que eles se erguessem também. Quando parou em frente a Rin, Lilith fechou os olhos e se concentrou. Logo ela pode sentir o fluxo de magia que inundava o recinto, formando um lindo arco-íris de poder. Um leve ronronado escapou de sua garganta quando sentiu a poderosa magia negra de Tom atrás de si, pronta para protegê-la, mas não a abrangendo completamente, ao que ela ficou agradecida. Sentiu também as intensas energias dos outros quatro dominantes, envolvidas em torno de seus próprios submissos, protegendo-os. Suspirando, dessa vez em aborrecimento, a Kittyara reabriu os olhos e os fixou nos quatro homens a sua frente.

- Vocês poderiam, por favor, levantar um pouco a magia que vocês mantêm em torno deles? Eu preciso ser capaz de acessa-los. – Lilith explicou quando os quatro franziram o cenho para ela, contrariados.

Bufando em desagrado, eles assentiram. Concentrando-se novamente Lilith teve que conter uma risada quando percebeu que, embora tivessem se retirado, as quatro magias dominantes ainda estavam por perto, prontas para entrarem em ação se a situação exigisse. Deixando-os de lado ela voltou a se focar na Kittyara morena a sua frente. A magia de Rin era alegre, forte e certeira, relampejando a sua volta com uma bela coloração amarelada, com pequenas farpas brancas. Lilith sorriu e entrelaçou sua magia com a de Rin, arrancando um leve suspiro de contentamento desta.

- Bem vinda, Senhora das Tempestades, Pilar do Trovão. – Lilith murmurou numa voz cerimoniosa, pousando suavemente sua mão na fronte da Kittyara. – Que a Grande Mãe lhe dê força para realizar essa missão.

- O brilho Dela assim o fará. – Rin respondeu, seus olhos nublados pela magia que a envolvia.

Lilith retirou a mão da testa da jovem, revelando uma marca em forma de raio que brilhou por um momento e desapareceu, e se voltou para o jovem de cabelos rosados, que a encarava com calmos olhos esverdeados. Após uma ligeira troca de sorrisos, ambos fecharam os olhos simultaneamente e Lilith imediatamente sentiu o poder dele chamando-a. Era calmo e delicado, porém intenso, como as árvores de um bosque em um dia de primavera.

- Bem vindo Senhor dos Bosques, Pilar da Madeira. – Lilith avançou e pousou uma mão na testa do rapaz. — Possa a Grande Mãe compartilhar de sua sabedoria com você, guiando seus passos.

- O brilho Dela assim o fará. – Shuichi sussurrou levemente, seu sorriso aumentando quando sentiu a poderosa magia ao seu redor.

Ao retirar sua mão, Lilith pode apreciar como o contorno esverdeado de uma folha pulsava levemente na fronte do Kittyara antes de desaparecer. Seus olhos dourados então pousaram na pequena forma da Kittyara loira, que a encarava com admiração e respeito. Se aproximando Lilith colocou a mão em sua testa, deixando que seu poder a envolvesse novamente. A magia de Misao era quente e acolhedora, num belo tom amarelado, e transmitia a mesma sensação que se tem quando se está de volta a sua terra natal depois de anos de peregrinação.

- Bem vinda Senhora do Lar, Pilar da Terra. A Grande Mãe se orgulhará em recebê-la e ajuda-la em sua jornada. – Lilith murmurou elevando sua mão para deixar entrever uma marca triangular, que pulsou em uma delicada coloração amarelada e sumiu.

- O brilho Dela assim o fará.

A Princesa Kittyara se voltou então para o rapaz loiro, que também a encarava com um leve sorriso. Entretanto, a morena percebeu que havia algo estranho naquele sorriso e, quando suas magias se entrelaçaram, ela não pode deixar de franzir o cenho, preocupada. A magia de Phi era calma, fria, mas que detinha um sentimento cortante, duro e afiado, brilhando em prata como a espada de um guerreiro pronto para a luta. Ao analisar a magia sua carranca se aprofundou, seus olhos se abrindo para encarar fixamente aos orbes bicolores do jovem Kittyara.

- Bem vindo, Senhor dos Minerais, Pilar do Metal. Que a virtude da Grande Mãe prevaleça sobre seus atos. – ela murmurou, pousando sua mão na testa dele e revelando uma marca em forma de um diamante, que brilhou em prateado e desapareceu. Em nenhum momento seus olhos se apartaram dos do jovem.

- O brilho Dela assim o fará. – Phi respondeu ainda com um sorriso divertido no rosto, embora seus olhos parecessem duas farpas de gelo, enquanto continuavam a encarar aos dourados olhos de sua Princesa.

Suspirando, Lilith resolveu não abordá-lo no momento. Iria tentar mais tarde quando os dois estivessem a sós, de preferência longe de seus dominantes. Sorrindo para os quatro, a jovem princesa Kittyara voltou a se acomodar no colo de Tom, ronronando satisfeita quando este instantaneamente começou a acariciar uma de suas orelhas felinas.

- Então filhotes, contem-me mais sobre vocês, sobre os outros da nossa espécie. Quantos grupos existem? Quantos convivem com vocês? Como vocês conheceram seus companheiros? Como... – ela foi interrompida por um par de lábios postos sobre o seu.

- Você está deixando-os confusos, Lili. – o Lorde das Trevas murmurou, divertido com a ligeira carranca emburrada de sua companheira.

- Por que você insiste em nos chamar de filhotes? Você não parece ser muito mais velha do que nós. – Phi pediu, franzindo o cenho contrariado e atraindo assim a atenção de todos para si.

Lilith soltou uma ligeira risada antes de encarar fixamente aos orbes bicolores, um doce sorriso ainda em seu rosto. – Quantos anos vocês acham que eu tenho? – perguntou divertida.

- Pensamos que Milady não tenha mais que vinte anos. – Misao respondeu hesitante.

- Ora, sinto-me lisonjeada então! Suponho que vocês estejam mais ou menos nessa faixa etária, não?

- Sim senhora. – foi a vez de Rin assentir. – Eu e Shuichi acabamos de completar dezesseis. Misao tem dezessete e Phi dezoito.

- Apenas recém-despertaram a sua herança. – Lilith murmurou mais para si mesma do que para os outros. – Mais um motivo para chama-los de filhotes.

- Mas por quê? – Phi pediu novamente, seus olhos brilhando revoltados.

- Primeiro porque eu sou uns sete anos mais velha do que você, Phi. – ela respondeu com um sorriso, surpreendendo a seus visitantes. – Segundo porque, como Senhora do Conhecimento, eu tenho uma mente quase tão antiga quanto a dos Anciões, de forma que meu lado Kittyara não me permite enxergá-los ainda como adultos. De fato, se não estou enganada, a maioridade de um da nossa espécie só ocorre aos 25 anos, mesmo que nós já tenhamos desenvolvido nossa herança mágica e estejamos ligados a um companheiro. Eu mesma ainda iria ser considerada um filhote pelos Anciões se não fosse pelo meu título.

- Então... O que Milady planeja fazer agora? – Kurama perguntou suavemente após alguns momentos de silêncio.

- Eu tenho que procurar pelos meus outros Pilares e pelo castelo do Milênio de Prata. Mas primeiro eu preciso me livrar de uma inconveniente cabra velha. – Lilith murmurou com um rosnado, seus olhos dourados voltando a brilharem com ira.

- Não se preocupe meu amor, nós iremos nos desembaraçar dessa pequena praga detestável. Eu estou reunindo todos os seres mágicos da Inglaterra sob o meu comando. Logo, todos nós estaremos livres das manipulações daquele senil. – o Lorde das Trevas a tranquilizou, beijando-a levemente.

Lilith sorriu para ele, dourado se encontrando com rubi, e o beijou com sofreguidão, ambos irradiando amor. Um ligeiro pigarro quebrou o momento, fazendo-os se voltarem para seus convidados, um pequeno rubor se formando na face morena da princesa Kittyara.

- Desculpem por isso. Foi grosseria de nossa parte.

- Eu não vi nada grosseiro... Ouch! – Lorde Kyo resmungou, enviando um olhar contrariado a sua consorte, enquanto acariciava levemente seu estomago no local onde ela havia lhe agredido, embora um sorriso provocante tenha se formado em seu rosto.

- Comporte-se. – a loira chiou, arrancando risadas dos outros Kittyaras e sorrisos presunçosos dos dominantes.

- Muito bem! Vocês devem estar cansados da longa viagem que fizeram. Que tal eu leva-los aos aposentos de hóspedes para que vocês possam descansar? – Lilith pediu alegremente, pulando de seu acento e agarrando a mão do Kittyara loiro, enganchando-a no seu braço.

- O QUÊ! – os cinco Dominantes exigiram em alta e boa voz.

- Mas de jeito nenhum eu vou permitir que esta corja fique em meus domínios. – Tom resmungou, encarando aos outros dominantes com visível desgosto.

- Então ainda bem que eu não estava pedindo permissão, mas sim emitindo um comunicado. – a Kittyara morena sorriu docemente, já se dirigindo para as portas do salão, arrastando um aturdido loiro de olhos bicolores. – Venham filhotes!

E, diante os rostos atordoados dos cinco, Lilith deixou calmamente o salão, acompanhada pelos divertidos submissos.