Discovering A New World
11 Capítulo 11 - Saving a Broken Soul
Há quilômetros de distância de Surrey, a jovem princesa Kittyara acordou em sua cama na Mansão Riddle com um grito agonizante, ainda sentindo o chamado de ajuda de um de sua espécie ecoando dolorosamente em sua mente. Ao seu lado no leito, o Lorde das Trevas se ergueu com um salto, varinha em riste, seu corpo tenso e seus olhos vermelhos esquadrinhando todo o ambiente, a procura de uma possível ameaça. Ao não encontrar nada, ele se voltou para a sua companheira, seus olhos se enchendo de preocupação ao vislumbrarem as lágrimas que caiam pelo belo rosto.
- Lili? Amor, o que houve? – pediu, ficando ainda mais preocupado quando ela se jogou em seus braços e se apegou a ele como se sua vida dependesse disso, todo o seu corpo tremendo.
- Tom! Por favor, ajude-o. Salve meu filhote. – ela implorava entre soluços.
- Do que está falando, minha pequena? – o moreno pediu, ligeiramente confuso.
Como resposta, a Kittyara liberou a sua magia, prendendo a mente dele na sua. Logo, imagens de uma casa simples, com um número quatro estampado na fachada, e de um homem obeso espancando um pequeno menino preso à cabeceira de uma cama em frangalhos, desfilaram pela mente do Lorde das Trevas. Com um rosnado furioso, o homem se levantou da cama e vestiu-se apressadamente, chamando dois dos seus mais fiéis seguidores através da marca negra.
- Não se preocupe, eu irei salvá-lo. – ele prometeu, apressando-se para fora do quarto, deixando a sua preocupada companheira na companhia de seus dois guardiões felinos.
Assim que ele saiu do quarto, se chocou com três preocupados Kittyaras e seus três dominantes, que vinham caminhando do outro lado do corredor.
- O que está acontecendo? – Lorde Kurama pediu, olhando preocupado para seu companheiro quando ele, Phi e Lucy passaram pelo Príncipe Demon sem sequer cumprimentá-lo, rumando para os aposentos principais da Mansão, onde sua Senhora os esperava.
- O que deu neles? – secundou o Ryujin, cujos olhos vermelhos também encaravam com ligeira confusão ao seu companheiro loiro.
- Está tudo bem com a Princesa, meu Senhor? – Lantis perguntou com preocupação.
- Parece que um filhote Kittyara enviou um pedido de ajuda. Estou em meu caminho para salvá-lo. Vocês podem vir comigo ou ficar aqui. – o Lorde das Trevas respondeu, continuando seu caminho. Os três homens se apressaram em segui-lo.
- Devo chamar Zagard? – o Demônio do fogo inquiriu ao emparelhar com os passos apressados do seu Senhor.
- Não. Eu preciso que ele fique no palácio com Cléf e garanta a segurança do nosso povo.
Os passos dos quatro homens ecoavam pelos corredores desertos da Mansão Riddle e, antes que eles alcançassem o ponto de aparição, se depararam com o elfo Mestre de Poções, que vinha caminhando por um dos corredores com um semblante preocupado no rosto.
- E Lúcius? – foi o cumprimento do Lorde das Trevas.
- Não consegui estabelecer contato com ele... Meu Senhor, se me permite, o que está acontecendo? – Severo pediu preocupado.
- Depois. – o homem moreno cortou-o, caminhando apressado para os limites dos escudos mágicos que cercavam a sua mansão. – Estamos aparatando para a Rua dos Alfeneiros, Surrey. – informou ele, antes de desaparecer com um sonoro estalo.
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Os quatro desembarcaram em um bairro obviamente trouxa, cheio de casas incomodamente iguais, com cores iguais, cercas iguais, gramados iguais...
- Que porra de lugar chato é esse? – foi o comentário espirituoso de Lorde Kurogane.
- Qual a direção? – Kurama pediu, ignorando aos resmungos do outro Youkai.
- Número quatro. – o Lorde das Trevas começou a descer a rua, tentando não fazer uma careta para as casas militarmente enfileiradas.
- Número quatro..? Meu Senhor, esse local é...
- Eu sei que lugar é esse, Severo. Estou ciente de quem mora lá, do que envolve invadir o local e não dou a mínima para isso. – foi o comentário rosnado do Príncipe dos Demons.
Quando eles finalmente chegaram a casa com um número quatro estampado na frente, o homem moreno de olhos rubis não conseguiu conter um bufo entre divertido e indignado. Os escudos mágicos que protegiam o local eram ridiculamente fracos, sendo o mais forte deles a proteção de sangue, o que não era dizer muito, já que essa barreira não funcionava desde que ele havia usado o sangue de Potter para recuperar o seu corpo. Não havia nem mesmo um membro da Ordem da Fênix para garantir a segurança do rapaz! Se ele quisesse literalmente valsar para dentro da casa, como ele planejava fazer naquele exato momento, não haveria qualquer resistência.
- Isso não está certo... – o sussurro confuso de Snape soou ao seu lado. – Dumbledore nos disse que o menino estava sendo mantido sobre fortes escudos e com uma vigilância constante.
- Parece que o bode velho tem muito pelo que responder. – Tom murmurou de volta, se dirigindo para a entrada da casa e abrindo a porta com um aceno de mão.
Em silêncio, os quatro homens entraram no edifício e imediatamente o cheiro os atingiu. Sangue, suor, urina e o cheiro inconfundível de sexo se misturavam, deixando-os completamente nauseados.
- Que merda! – o Ryujin fez uma careta enojada e ergueu a gola da sua túnica para cobrir o nariz. Ao seu lado, o Lorde Kitsune foi menos discreto e levou uma das mãos ao nariz.
- Vem do andar de cima. – foi a sugestão do demônio do fogo, que começou a subir as escadas, seguido de perto pelos outros homens.
Chegando ao andar superior, eles passaram por dois quartos, onde um rapaz do tamanho aproximado de um filhote de orca e uma mulher com a cara de um cavalo dormiam placidamente, até se deterem em frente a última porta do corredor, de onde provinham gemidos abafados. Apenas registrando a grande quantidade de trancas e cadeados que adornavam a porta, o Lorde das Trevas não perdeu tempo em explodi-la das dobradiças e invadir o quarto. A cena que os recebeu os fez estancar no locar, horrorizados.
Preso por algemas a cabeceira da uma velha cama estava o corpo quebrado e ensanguentado de um pequeno rapaz moreno, o salvador do mundo mágico. Se elevando sobre ele, com um olhar de extrema satisfação, estava o ser mais grotesco que eles já haviam visto em suas vidas. Nessa hora, os olhos de Tom se ascenderam com puro ódio. Com um urro, ele deixou que sua magia corresse livre, eficazmente empurrando aquele animal (ele se recusava a classificá-lo como um ser humano) de cima do rapaz e arrojando-o contra a parede, deixando-o desacordado. Recuperando o controle de seu poder, ele deixou que Lantis se encarregasse do corpo e se adiantou para ajudar ao rapaz, que estava sendo atendido por um irado Kitsune e um igualmente colérico e muito pálido Mestre de Poções, que estava utilizando todas as suas poções e conhecimentos de cura para aliviar as lesões do adolescente.
- Severo?
- Ele está muito mal, meu Senhor. Ele perdeu muito sangue, tem vários cortes, contusões, pelo menos duas costelas quebradas e... – aqui o homem fez uma pausa, olhando tristemente para o corpo em seus braços. – Ele foi violentado... Nós chegamos tarde demais.
Um silêncio pesado se abateu sobre eles, sendo quebrado pelos ocasionais gemidos provenientes do rapaz moreno. A magia se condensou, quase tangível, tamanha era a ira dos ocupantes do recinto. Com um rosnado, Voldemort se aproximou e ergueu o corpo quebrado delicadamente, engolindo em seco quando notou o quão magro e pequeno o jovem era para a sua idade.
- Estamos voltando. – ele anunciou, assentindo satisfeito para Lantis e Kurogane ao notar que eles haviam atordoado e amarrado aos três Dursley. Com um novo estalo, ele desapareceu daquele buraco dos infernos, jurando para todos os Deuses que Albus Dumbledore iria se arrepender pelo resto da sua patética existência.
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Ao aparatarem de volta para os limites da Mansão, Tom entregou a sua carga para Severo, indicando que ele o levasse para os outros Kittyara. Enquanto o elfo negro se afastava, o Lorde das Trevas se voltou para Lantis, que detinha os prisioneiros.
- Leve-os para o salão principal. Estarei chamando os Comensais para uma reunião. – e, olhando para os dois Lordes Youkais, ele acrescentou. – Vocês são bem vindos a participarem, se for do seu interesse.
- Eu não perderia a tortura desses pedaços de merda por nada nesse mundo. – foi o comentário rosnado do Senhor do Oeste. O Senhor do Norte assentiu ao seu lado, seus olhos âmbares destelhando com ira.
Enquanto os três Lordes caminhavam rumo ao salão do trono, Severo se dirigia aos aposentos principais da Mansão, seus passos apressados ecoando pelas paredes de pedras dos corredores. Por fora seu rosto aparentava uma fachada calma e indiferente, mas por dentro ele fervia com ira apenas contida. Jamais imaginou que o velho diretor pudesse se rebaixar àquele ponto. Deixar uma criança, um filhote, ser submetido àquelas condições! E o pior é que ele, Severo Snape, principal espião para as forças das trevas, não havia notado nada no comportamento do rapaz... Não. Ele havia feito muito pior... Ele ignorou tudo sobre Potter, chegando ao ponto de esnobá-lo e tratá-lo com descaso em todas as vezes que eles se encontraram. Culpa atingiu o elfo negro e ele prometeu que, a partir daquele momento, ele faria todo o possível para se redimir com o rapaz.
Com um brilho decidido em seus olhos obsidianas, o homem moreno chegou às portas dos aposentos de seu Senhor e bateu levemente, antes de abrir e entrar. Imediatamente o corpo em seus braços foi arrebatado por uma preocupada Princesa Kittyara, que o embalou com todo o cuidado, seus olhos dourados analisando todos os cortes, hematomas e feridas a vista.
- Qual a extensão dos danos? – ela exigiu em um rosnado abafado.
- O estado dele era bem grave quando o encontramos. Ele possuía vários cortes que sangravam de forma alarmante, contusões em forma de punhos por todo o corpo e pelo menos duas costelas quebradas. Eu consegui curar grande parte dos danos, mas... – aqui Severo fez uma pausa, um pouco receoso ao vislumbrar o brilho assassino que se estabeleceu nos olhos dos quatro Kittyaras.
- O que?! – a pergunta saiu como um silvo irado. Lilith estava além da fúria. Alguém tinha feito mal a um de seus filhotes, e esse alguém ia pagar muito caro.
Respirando profundamente, o Mestre de Poções soltou:
- Ele foi violado, minha Senhora... Nós chegamos tarde demais para impedir.
O silêncio durou exatamente cinco segundos, antes de gritos irados ecoarem em sincronia, provenientes dos quatro submissos felinos. Severo teve que dar um passo aterrorizado para trás quando um leopardo das neves, uma tigresa e um lince ibérico surgiram a sua frente rosnando ameaçadoramente, sendo apoiados por um leão branco e uma leoa preta. Em meio ao grupo de felinos, Lilith mantinha o pequeno moreno embalado protetoramente em seus braços, suas asas negras em volta deles como forma de proteção e seus olhos dourados destelhando com a promessa de tortura, dor e morte.
- Quem? – ela perguntou em um sussurro estrangulado.
- Seus parentes trouxas. – foi a resposta curta do Mestre de Poções.
- Onde eles estão?
- Meu Senhor os tem em sua posse.
Com um novo grunhido, a mulher morena depositou suavemente o corpo pequeno na sua cama, acariciando as mechas negras com ternura. Voltando-se para os outros Kittyara, que haviam voltado às suas formas humanas, ela os encarou por alguns segundos, ficando satisfeita ao receber dois assentimentos e ver a determinação brilhando em suas esferas fendidas. Eles iriam proteger o filhote a todo custo.
- Cure-o. – foi o comando curto que ela dirigiu em direção a Snape, antes de se voltar e deixar a habitação com passos resolutos.
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