Notas iniciais
Hey! — Eu gostei muito de escrever essa fanfic, explorar a cabeça da Mirajane quando tudo ocorreu foi uma ótima experiência para mim! Vou confessar que eu não fazia ideia de como a one ficaria no final, escrevi ela sem absolutamente nenhum planejamento, mas gostei muito do resultado, embora ache que talvez ela tenha ficado um tanto corrida. — Não vou enrolar muito aqui em cima pois eu me sinto chata quando faço isso, hahaha — Espero que gostem :3

Sentada em frente à seu pequeno tabuleiro, Mirajane fechou os olhos com força, cansada. Esfregou as têmporas com as pontas dos dedos, tentando inutilmente amenizar a dor de cabeça que ameaçava virar uma forte enxaqueca. Muitas pessoas diriam que era crueldade, insensibilidade e coisa de psicopata ter um tabuleiro representando pessoas, mas isso a ajudava a entender o que estava acontecendo.

—Lady Garroway?

Abriu os olhos lentamente, um tanto frustrada, para depois dirigir-se ao guarda atrás dela – não sabia dizer quem era, pois não estava em condições de se virar para olha-lo.

—Pois não?

—Tiranos foi morto hoje por Pietra Samos, aliada de Ella van der Kamp, na frente de batalha.

Rosnando baixo, a maga agarrou o cérebro que se mantinha em pé no tabuleiro desde o início da guerra – uma das poucas peças com essa condição – e arremessou-o do outro lado do cômodo, onde ele se espatifou na parede branca. Com raiva, avançou a garra que simbolizava Pietra um espaço.

—Pode se retirar, soldado.

Não esperou uma resposta, apenas se levantou de seu trono, passando a dar voltas pelo quarto, pensativa. Aquele era seu jogo, ela não deveria estar perdendo. Não que ela se importasse com aquela maldita guerra, mas eles teimavam em insistir que ela continuasse lutando, perdendo cada vez mais soltados e amigos. Lembrou do rosto sorridente de Tiranos, com seus cabelos pretos e olhos azuis elétricos e inquietos, e permitiu que as lágrimas começassem sair. Ele não era apenas um soldado ou um amigo, era muito mais que isso. Ela o amava com todo o coração e com toda a alma, com cada fibra de seu corpo.

Quando era apenas uma criança inocente, sonhava que ele fosse ser seu parceiro, que a ajudaria a ganhar da vilã de sua estória. Era tão ingênua naquela época, e percebia isso agora. Mesmo quando a pressionaram e ela cedeu, quando aceitou o fardo de ser quem era, ele não saiu de seu lado, lutou com sua Mirajane, sua Mira, até o fim. As lágrimas jorravam cada vez mais rápidas, soluços sufocados saiam mais fortes e a dor em seu peito não parava de crescer.

Nunca quis ser a vilã. Era apenas uma criança sorridente de cabelos castanhos e olhos escuros que cobiçava o melhor cargo que sua vila poderia oferecer: ser a heroína da próxima Estória. Mas todos sempre souberam o que seu coração esperançoso se recusava a enxergar: este cargo sempre fora de sua colega de sala: Ella. Ela era a aluna perfeita, com cabelos ruivos, volumosos e cacheados, olhos verdes brilhantes, sempre disposta a fazer o bem e salvar os outros; sua melhor amiga, Pietra, era durona e não se deixava abalar facilmente, o que supria a falta de insensibilidade da ruiva. Ironicamente, Tiranos deveria ser o herói que lutaria ao lado dela e viraria seu par romântico no final, mas ele se recusou a deixar o lado de Mirajane, e isso acabara de resultar em sua ruína.

Pegou uma mecha de seus curtos cabelos ralos, e sorriu ironicamente. “Francamente, Mirajane, você realmente achou que seria a heroína com isso? O único motivo para ele brilhar é porque é oleoso”. Se possuísse um espelho, ela se depreciaria ainda mais: seus olhos eram quase pretos e opacos, sem nenhuma vida necessária para ser a heroína, era apenas uma questão de tempo até alguém incluir seu poder na equação e perceber que ela era a vilã perfeita. Seu poder. Seu ponto fraco, sua perdição. Não era culpa dela se nascera com a habilidade de causar desespero e dor, até mesmo morte. Não é como se ela tivesse pedido aquilo, muito pelo contrário, meia hora atrás daria de tudo para troca-lo. Meia hora atrás, ela o odiava com todas as forças, o repudiava e tratava como uma maldição. Mas eles mataram Tiranos, e isso não era algo que ela deixaria passar facilmente.

Eles sempre quiseram que ela fosse a vilã. “Isso não é coisa de vilã”, “Você está muito simpática”, “Por que não está de preto?”. Já havia cansado daquilo há tempos, sempre tentava explicar que não era maligna, mas nunca lhe davam ouvidos. E Mirajane, que sempre tentava agradar a tudo e a todos, cedeu. O que recebeu em troca de fazer o que lhe pediam? Uma guerra que não queria, ódio nacional e seu melhor amigo – e amor – assassinado. Nunca matou alguém sem que fosse absolutamente necessário, mesmo assim não o fez com as próprias mãos, e os ditos “heróis” dizimavam seu exército e seus amigos sem piedade alguma.

Ainda não havia lutado sério, não havia utilizado nem metade de seu poder, e a guerra estava equilibrada. Era a vilã, não devia possuir pudores, ainda assim mantinha uma boa conduta e era daquela maneira que era recompensada? Provavelmente estava ficando completamente maluca, mas não importava mais. Já era muito tarde para que qualquer heroizinho tentasse fazer com que ela parasse, que pedissem misericórdia – pois era isso que eles iriam fazer. Quando ela lutasse com tudo o que tinha, quando fizesse que os soldados deles caíssem um por um, do mesmo modo que Ella estava fazendo com os de Mira, eles implorariam por compaixão. E quando fosse rotulada de sádica por fazer o que estava fazendo, ela riria. Uma risada cruel, cheia da amargura e do rancor que engolira com o passar dos anos, uma risada insana.

Passou a vida inteira ouvindo que deveria ser do mal, e agora iria dar o que sempre lhe fora cobrado. Provavelmente iria perder aquilo, os heróis sempre vencem, mas não deixaria Ella sair impune, sem uma dor que chegasse perto do que ela estava sentindo naquele momento. Tiranos poderia não ter ido lutar ao lado dela, mas a ruiva possuía um amor. Seu nome era Kile, e a morena o mataria com o maior prazer de suas quase 23 primaveras. Não havia sofrimento pior do que perder uma pessoa amada, Mira via isso agora, conseguiria fazer Ella provar ao vivo e em cores o tamanho da angústia que proporcionara a outra pessoa – faria questão de que ela soubesse que havia feito uma pessoa sofrer tanto quanto ela, senão mais. Sabia que o frágil emocional da garota não aguentaria tamanho peso, e então ela desmoronaria, sua alma para sempre assombrada por esse fantasma. Sabia que, após matar Kile, perderia, seria condenada e morreria, mas não ligava. Se fosse cair, cairia sabendo que todos teriam que viver conscientes de que eles a fizeram assim, e não que ela ficara daquele jeito por um simples acaso da vida. Eles queriam que ela fosse vil, então teriam o ser mais desprezível que um dia poderiam conhecer

Mirajane nunca quis ser a vilã, mas todos sempre esperaram que ela fosse.

E ela nunca gostou de desapontar.

Notas finais
Então? O que acharam? - Espero que tenham gostado, eu realmente gostei de participar desta coletânea do CcL! - Como eu não tenho mais o que dizer, vou deixar por aqui! - Beijin :*
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!