Dirty Secret
1 Grey Enterprices Holdings
Notas iniciais
Megan Martin POV
O barulho do meu despertador ecoava por todo o quarto. Acordo emburrada já sabendo como seria meu dia. Desligo o despertador e deito na cama novamente, na esperança de cair no sono profundo. Tentativa falha, graças a minha querida amiga que dividia o apartamento comigo.
– Megan! Pode ir acordando! — Denise grita e bate na porta do meu quarto. — Anda logo, você precisa se arrumar e ir para a empresa.
Hoje eu iria entregar meu currículo na Grey Enterprices Holdings. Eu estou precisando de um novo emprego, já que o meu trabalho a noite não estava dando pra cobrir minhas despesas.
– Já acordei. Esta feliz? — grito e ouço o riso da minha amiga do outro lado da porta.
– Muito na verdade. — Denise diz e eu bufo.
Denise e eu nos conhecíamos a mais ou menos 3 anos. Os pais dela moram em Nova York, porém ela resolveu vir para Seattle construir sua vida longe deles. Por coincidência do destino, ela era minha vizinha e daí começamos a sair juntas e hoje ela era minha melhor amiga.
Quando as dívidas começaram a apertar, eu acabei perdendo meu apartamento e agora eu morava junto com ela.
Me levanto, faço minha higiene matinal e me visto. Saio do quarto e vou para a cozinha onde um café bem quente me esperava.
– Esperançosa? — Denise pergunta e eu suspiro.
– Na verdade não. Uma empresa daquele porte nunca irá aceitar uma pessoa como eu, sem experiência. — digo.
– Na propaganda eles disseram que não precisava de experiência. — ela diz e eu a encaro agradecida.
– Obrigada amiga. Por tudo mesmo. — digo e Denise sorri.
– Já disse que não precisa me agradecer. Agora, se você conseguir o emprego, a noite nós vamos sair para comemorar. — ela diz e eu suspiro novamente.
– Eu não posso. Tenho que trabalhar a noite. — digo e ela me encara.
– Megan você não precisa daquele trabalho. — Denise diz seriamente.
– Eu preciso sim. Eles me pagam muito bem. Mais do que qualquer outro emprego que eu já tive. — digo convencida.
Eu trabalho como dançarina num grande bordel de Seattle. E não, eu não sou uma prostituta. Eu não transo com os homens que frequentam aquele ambiente, eu apenas danço, digamos, de forma sensual e só. Mas eu odiava aquilo. A forma como aqueles homens me olham quando estou dançando, me dá nojo. Tanto nojo, que desde que comecei a dançar, eu nunca mais tive um namorado ou um sexo casual.
– Bom, a única coisa que eu posso te desejar é boa sorte. — Denise diz por fim. — Agora tenho que ir pois minha aula já vai começar.
– Obrigada... Boa aula. — digo e ela saí.
Termino de me arrumar, pego minha bolsa e também saio rumo ao centro de Seattle, onde ficava a Grey Enterprices.
Theodore Grey POV
Eu estava na minha mesa, lendo alguns documentos que meu pai, Christian, tinha me mandado. A empresa estava passando por grandes mudanças e mesmo sendo o diretor geral, eu ainda precisava de ordens superiores.
A porta da minha sala se abre e Mike, meu amigo e também coordenador das relações públicas, entra.
– Bom dia chefe. — ele diz em um tom de brincadeira e eu lhe lanço um olhar lascivo.
– Bom dia só se for pra você. Olha o tanto de documentos que meu pai mandou. — digo, apontando para a mesa.
– Christian realmente confia em você. — Mike diz e eu o encaro.
– Eu sei, por isso não quero decepcioná-lo. Nem ele, e nem minha mãe. — digo chateado.
Meu pai construiu essa empresa com a força do seu trabalho e da sua determinação. Hoje, quem comandava tudo era eu, e por isso precisava ser firme assim como ele foi.
– Não se preocupe Theodore. Você está fazendo um ótimo trabalho. E por isso hoje a noite nós vamos sair. — Mike diz, dando uma piscadela.
– Não posso. Natalie não gosta que eu saia depois do trabalho. — digo e vejo Mike me lançar um olhar zangado.
– Vocês nem casaram e ela já manda em você. — Mike diz e eu sorrio. Ele não gostava da minha noiva Natalie.
– Ela não manda, apenas me aconselha. — digo e Mike gargalha.
– Até parece... Mas, se ela apenas lhe aconselha, você vai sair sim comigo hoje, e eu não aceito desculpas. — ele diz e eu levanto as mãos, em gesto de paz.
– Okay. Eu vou sair com você sim. — digo sorrateiramente quando alguém bate na porta.
– Bom dia senhores, não queria incomodar, mais uma mulher chegou querendo tratar sobre a oferta de estágio para o cargo de secretária. — a recepcionista diz.
– Tudo bem. Pode mandar ela entrar. Vamos aproveitar que meu coordenador de relações publicas está aqui comigo. — digo encarando Mike.
Poucos minutos depois, uma pessoa bate na porta.
– Pode entrar. — Mike diz e a porta se abre.
– Com licença. — Uma mulher diz, entrando na sala.
E que mulher. Meus olhos se alargam ao vê-la mais perto. A mesma possuía cabelos loiros, olhos azuis e uma pele branquinha. Noto que ela cora ao perceber que eu estava a encarando.
– Eu vim saber sobre a proposta de vocês sobre o estágio. — ela diz e antes que eu pudesse falar, Mike se antecipa.
– Qual seu nome? — Mike pergunta e eu espero a resposta.
– Megan Martin. — ela responde, colocando uma mecha do seu cabelo loiro atrás da orelha.
– Bom, eu sou Mike, coordenador de relações aqui da empresa, posso conversar com você na minha sala, dar uma olhada no seu currículo e ai amanhã eu te dou uma resposta. Tudo bem? — Mike diz e eu vejo Megan dar um sorriso que me atinge por inteiro.
– Claro. — Megan responde e se levanta ao ver Mike indo em direção a porta. Ela me olha como se esperasse alguma coisa, e ai me dou conta que não tinha falado nada.
– E eu sou Theodore. Diretor geral da empresa. — digo me levantando e estendendo a mão.
– Prazer. — Megan diz, corando ainda mais. Ela lança um sorriso tímido e saí da sala junto com Mike.
Me sento na cadeira novamente e a vejo pela janela passando pelo corredor ao lado da minha sala. Mike falava algumas coisas, porém seus olhos se encontraram justamente com os meus. Megan me encara por alguns segundos e depois desvia o olhar. Eu faço a mesma coisa, voltando minha atenção para os papeis em cima da mesa. Quando olho novamente, ela não estava mais lá.
Sinto um forte arrepio correr por minha espinha. O que estava acontecendo comigo? A imagem de Megan entrando na minha sala volta na minha cabeça repetidas vezes, até que o toque do meu celular me tira dos devaneios.
– Alô!– digo, massageando as têmporas.
– Bom dia meu amor! – a voz melosa de minha noiva, Natalie, ecoa no outro lado da linha.
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