Dirty Little Secret
15 Quinze
Notas iniciais
Acordei de manhã, sem sentir frio. Espreguicei-me e abri os olhos, ainda cansado, havia uma coberta por cima de mim, ou deveria chamar aquilo de pano velho? Tanto faz, alguém esteve ali, e me cobriu. Também, eu deveria ter quase pegado uma doença séria, atirado naquele lugar. Sentei-me desajeitado, e assim notei que eu vestia uma grande camiseta e uma calça de moletom. Como eu havia ido parar dentro daquelas vestes, se tornou um mistério.
- Mas que diabos? – Falei comigo mesmo, eu estava tão “morto” que não acordei nem quando tiraram minhas roupas! – Droga. Onde devem estar? – Falei calçando os sapatos e me levantando.
- Estão ali. – Uma voz fininha disse e me virei para ver quem era. – Pendurei-as no varal que fiz com uma corda, estavam muito molhadas, você iria ficar doente. – Continuou a menina.
- Quem diabos é você?
- Eu sou eu ué, quem é você? – Perguntou me fazendo ficar mais irritado do que já estava.
- Eu sou eu também, o que você está fazendo aqui? – Ela passou por mim se atirando no sofá.
- Eu moro aqui, dã! – Riu debochada. – Se você não tivesse dormido na minha cama, eu não teria que ter dormido no papelão! – Disse apontando para uma “cama” de papelão, parecia mais a casinha do cachorro.
- Ninguém pediu sua ajuda. – Respondi grosso.
- Ué, você não queria acordar, eu também não ia te deixar morrer! – Gritou emburrada, fazendo um beicinho muito fofo. – Quando pedi para você me ajudar a colocar essas roupas, você colocou-as dormindo mesmo!
- Tá desculpe. Qual seu nome? – Pedi sentando-me na outra extremidade do sofá.
- Ambar. – Ela disse.
- Hm, meu nome é...
- Eu sei – me interrompeu – Sei quem você é. – Terminou.
- Ah, ok. – Fiquei em silencio, não sabia o que falar para aquela menininha morena, com os olhos extremamente azuis e os cabelos negros. Ela era muito pálida, lembrava-me a mim mesmo, mas estava suja, as mãos e o rosto estavam completamente sujos.
Não aparentava ter muito mais que 10 anos, parecia ser forte e tinha feições fofas, vestia um casaco comprido, que ia até o inicio da canela, com uns tênis azuis velhos, quase podres. Me perguntei o que essa menininha fazia morando aqui, sozinha.
De repente, me senti a pessoa mais sortuda do mundo. Eu vinha me achando um lixo, que minha vida era a pior de todas, mas agora consigo perceber, que eu tenho muita sorte, tenho tudo que alguém precisa tudo! Só que mesmo tendo tudo, ainda falta o mais importante, alguém com quem compartilhar tudo isso.
- O que aconteceu? Porque veio parar aqui? – Ela pareceu curiosa, a hostilidade havia sumido de sua voz.
- Fugi. – Disse apenas.
- Ah, eu também. – Concordou e riu.
- Você é homem e adulto, porque fugiria?! E ainda é rico! Imagina quanta comida eu poderia comprar com todo o dinheiro que você tem! – Ela riu e seus olhos azuis brilharam.
- Você está com fome Ambar? – Perguntei
- Não muita, comi ontem ao meio dia! – Sorriu, os dentes eram incrivelmente brancos e bem cuidados para uma menina de rua. – E tomei banho também. A senhora da casa a umas duas quadras daqui sempre me deixa tomar banho lá, antes que o marido dela chegue. – Sorriu novamente.
- Hm, por acaso você caiu na chuva? – Ri fraco.
- Ah, detalhes! – Ela fez pouco caso.
Levantei e caminhei até a beira da cama de papelão que ela havia feito, havia ali uma caixa com várias coisas, uma escova de dente, pasta de dente, pacotes de bolachas e uma tesoura. Sorri, ela deveria ter roubado essas coisas de alguém.
- Hey Ambar, você cortaria o meu cabelo? – Sorri segurando a tesoura. – Você pode?
- Ah? Eu? Mas, por que? – Perguntou.
- Para ninguém me reconhecer quando formos fazer compras! – Sorri e cheguei perto dela, os seus olhos brilhavam de tanta felicidade e incompreensão, mas ela fez o que pedi, cortou todo o meu cabelo, deixando-o bem curto.
Gerard POV’s Off
Gerard vestiu suas roupas já secas e colocou uma touca que a menina tinha guardada, vasculhou em alguma outra caixa e achou um vestidinho cinza, muito bonitinho. A menina colocou o mesmo e ficou parecida com uma boneca de porcelana.
Não chovia em San Diego. Fazia sol, porém continuava frio.
Os dois caminhavam um do lado do outro, Ambar fazia continuas perguntas sobre como era ser famoso, ter dinheiro e muitos fãs, Gerard perguntava a menina sobre a vida dela. Ela havia perdido os pais aos 5 anos de idade, passou a morar sozinha, a dona da casa ali perto lhe dava comida de vez em quando, mas o marido não gostava da menina então não deixava a velha adotá-la.Faria 9 anos daqui três dias, era incrível saber que essa menininha sobreviveu quatro anos praticamente sozinha.
Gerard parou em frente a um hotel, pegou a menina no colo e entrou, sorrindo e apertando a bochecha da mesma. A mulher no balcão o encarou com uma face curiosa, deveria ter reconhecido seu rosto.
- Você é Gerard Way? – Perguntou a mulher abismada, mas quem respondeu foi à menina.
- Meu papai é tão lindo que parece com aquele moço famoso? – Ela parecia um anjinho, comparada a garotinha que ele havia conhecido poucas horas atrás. – Só parece! Papai não tem talento nenhum para cantar. – Ela continuou a rir se sentindo feliz por chamar Gerard de pai, ele por sua vez estranhou um pouco.
- Eu gostaria de um quarto para dois, por favor. – Disse por fim, sorrindo para a mulher do balcão.
- Claro! – Respondeu-lhe. – Aqui estão os papéis, é só ler isto, isto, assinar aqui e lhe entregarei a chave. – Apontou para alguns locais no papel. Gerard depois de uns 15 minutos assinou o papel e se direcionou para o elevador, puxando Ambar por uma mão e segurando a chave na outra. – Onde estão suas bagagens? – perguntou a recepcionista.
- Não temos! – Riu Gerard, apertando o botão do 10° andar.
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