Dirty Little Secret
11 Capítulo 11
Notas iniciais
– Jesse chegou! – gritou Beth, animada, do andar de baixo.
– Já vou! – respondeu Rachel, terminando de subir o zíper do vestido escolhido para adorna-la na noite pela qual ela estivera aguardando desde que deixou de achar garotos nojentos e passou a sentir vontade de beija-los: A noite do Baile de Inverno de 1997.
Ela sabia que deveria estar muito mais animada do que realmente estava. Definitivamente, se olhasse em retrospecto, ela estivera bem mais animada nos anos anteriores, quando ela, Quinn, Tina e Santana eram somente garotas que não tinham idade para entrar no Baile e mal podiam esperar pelo dia seguinte á grande noite, quando as fofocas começavam a borbulhar: quem era a mais bem vestida e também quem usou a pior combinação; quem foi com quem; quem beijou quem; quais foram as brigas e quem saiu acompanhado ao lado de quem.
Essa noite ela seria a protagonista das fofocas de amanhã.
Tentou imaginar como seria inserida nas fofocas sobre o Baile de Inverno: “Rachel Berry usou um longo vermelho, Dior Vintage. Parece que nada nas lojas a havia agradado e sua mãe... Sim, sua mãe é Shelby Coccoran Berry, a grande ex-bailarina... Shelby emprestou a ela o vestido de gala que usara para jantar com seu futuro marido na noite após seu primeiro grande recital. Um presente muito especial, definitivamente. Rachel não prendeu seus cabelos, mas eles estavam perfeitamente cacheados e combinaram muito com a maquiagem quase inexistente e o vestido provocante. Rachel foi acompanhada de Jesse. Sim, eu sei! Eu também pensei que os dois tivessem terminado, mas parece que voltaram em grande estilo bem a tempo do baile. Ele fez um grandioso pedido. Muito me admira que tenha pedido a ela para acompanha-lo, já que nesses últimos tempos ela foi vista tantas vezes em companhia de Finn Hudson...”
Rachel suspirou, derrotada. Nos últimos dias vinha tentando, demasiadamente, não pensar em Finn mas vinha fracassando todas as vezes. As coisas com Jesse foram um pouco estranhas no inicio, quase forçadas, mas voltaram ao normal rapidamente. Bem, pelo menos é o que diziam suas amigas. Rachel não sentia como se a relação entre eles estivesse igual. Todas as vezes que via Jesse, esperava pelo sentimento de excitação que a acompanhara tantas vezes antes... O problema é que ele não havia aparecido uma vez sequer. As borboletas que antes dançavam em seu estomago quando Jesse a beijava também não haviam se dignado a dar as caras; e Rachel não podia evitar pensar, de vez em quando, se não havia algo mais. Era por aquilo que ela havia se desesperado¿ Era aquilo que ela queria desesperadamente ter novamente¿ Agora que tinha Jesse de volta, ele não parecia tão incrível assim. Ela sempre olhava duas vezes para o namorado, esperando reencontrar nele qualquer coisa que a fizesse se sentir nos céus. Mas tudo o que sentia quando estava com ele era que as coisas estavam cômodas daquela forma. Seus pais adoravam Jesse, ele era educado e cortes; suas famílias eram amigas e seus pais faziam negócios juntos; tinham o mesmo círculo de amigos e Rachel o amava. Ou pelo menos achava que amava. Quando havia contado às amigas sobre a sensação que tinha, de que tinha algo errado com Jesse e ela, Tina prontamente havia respondido:
– Você se sente assim pois o tempo que deram colocou algumas dúvidas na sua cabeça. Mas vocês já estão bem novamente: o velho Jesse a velha Rachel, felizes e sempre juntos. Assim que toda essa loucura do baile passar, com a campanha para Rei de Inverno que o Jesse está fazendo e tudo mais, você vai sentir alguma familiaridade de novo. Confie em mim.
E Rachel queria desesperadamente que Tina estivesse certa. Queria que tudo aquilo estivesse ocorrendo por causa da correria dos últimos dias e não porque sentia falta da companhia de um certo garoto e sua jaqueta de couro.
Ela balançou a cabeça, tentando desviar seus pensamentos do caminho errante que estavam tomando e olhou-se no espelho uma última vez. Usava, com certeza, o vestido mais bonito e especial que poderia pedir para aquele dia. Geralmente ela não se achava bonita, mas tinha que admitir que hoje estava linda. Não se sentia animada para o baile, ainda, mas tinha certeza que assim que fosse inserida no cenário completo se sentiria eufórica.
Rachel pegou sua carteira de mão e saiu do quarto, hesitando somente uma vez antes de começar a descer os degraus. Tudo iria ficar bem, disse para si mesma enquanto apertava com força a carteira. Assim que desceu o primeiro lance de escadas, conseguiu fingir um pequeno sorriso. Jesse a aguardava no último degrau, usando um smoking preto e os cabelos para trás, e os seus olhos brilharam quando vislumbraram a namorada. Ao seu lado, Beth estava eufórica e soltou um pequeno gritinho animado ao reconhecer o vestido que Rachel estava usando. Shelby estava parada um pouco mais atrás, segurando a câmera fotográfica da família nas mãos e Hiram, seu pai, tinha um dos braços ao redor da cintura da esposa, sorrindo fracamente ao constatar como sua garotinha havia crescido. Pela janela da sala de estar, Rachel vislumbrou, mesmo com o céu encoberto pela nevasca, a lataria brilhante de uma limusine. Quando chegou perto do último degrau, Jesse estendeu a mão para ela, que aceitou ao mesmo tempo em que alargava o sorriso. Ele tirou uma caixinha prateada de um dos bolsos e, dentro dela, estava uma versão ainda mais bonita do pequeno buque de pulso que ele havia oferecido no dia do pedido.
Ali estava. O cenário perfeito, que ela havia aguardado por tanto tempo.
Enquanto atendia o pedido da mãe, para que se postasse ao lado de Jesse para as fotos, Rachel ficou esperando pela sensação de euforia.
Mais uma vez, ela não veio.
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Jesse havia insistido para que os dois chegassem o mais cedo possível ao Baile de Inverno, para que ele pudesse circular e ser simpático com o maior número de pessoas possível, fazendo o último esforço para angariar o máximo de votos para Rei de Inverno que conseguisse.
– Eu sei que chegamos um pouco cedo, mas... – começou Jesse, assim que ambos adentraram de braços dados o ginásio de esportes da Carmel e Rachel o interrompeu com um movimento de cabeça, assentindo com um pequeno sorriso para demonstrar que entendia. – Você é a melhor. – Ele tomou o rosto dela nas mãos e a beijou, longa e delicadamente. Rachel retribuiu, um pouco desconfortável e reprimindo a vontade de afasta-lo após alguns poucos segundos. Assim que ela finalizou o beijo e Jesse se afastou, Rachel contemplou pela primeira vez o cenário que a envolvia.
O ginásio não se parecia nem um pouco com um ginásio. As arquibancadas haviam sido cobertas com tule e outro tipo de um esvoaçante tecido branco, em uma tentativa de deixar o local mais etéreo, ela desconfiava. Afinal, o tema do Baile de Inverno de 1997 era “Sonhos de Uma Noite de Inverno”. Bem, Sheakspere devia estar se revirando no túmulo ao ver que sua obra prima havia dado origem àquele nome tão pouco criativo e à decoração um tanto quanto exagerada: O teto estava coberto por pequenas luzes fracas em formato de estrela, que deixavam qualquer um zonzo caso fossem encaradas por muito tempo. Havia brilho nos tecidos, nas taças, e na mesa de comes e bebes. O piso que formulava a pista de dança piscava alternando luzes roxas e azuis e o globo de luzes era prateado. Algumas garotas carregando bandejas circulavam pelo local vestidas como fadas e na placa em frente ao ponche estava escrito: “Poção do Amor”.
– Isso aqui está o máximo, não é¿ — exclamou Jesse, e Rachel fingiu que não ouviu.
Um grupo de garotas entrou pela porta, soltando risinhos animados e Jesse empertigou-se ao seu lado.
– Amor...
– Eu sei. – Rachel assentiu. – Vá falar com elas.
Jesse deu um selinho apressado em sua boca e correu na direção das garotas, que não tiraram o olhar dele nem por um segundo. Rachel não podia dizer que não as entedia. Ela costumava ser exatamente assim em relação à Jesse e sabia que era difícil se manter ilesa perante ao sorriso galanteador e á aparência de um galã de Hollywood adolescente.
Mas não mais.
Rachel desviou o olhar da cena, e reparou que uma banda começava a ajeitar os instrumentos no palco. O guitarrista conectou seu aparelho ao gerador e dedilhou as cordas para afinar o instrumento, e Rachel reconheceria as notas que ele produziu em qualquer lugar.
Ela engoliu ar, nervosa, quando lembranças da cabana e de Finn invadiram sua mente, e ignorou a sensação de desolação que se instalou em seu peito. Olhou novamente para a Poção do Amor e se encaminhou até ela. Era bom que alguém já tivesse batizado aquele ponche, pois aquela seria uma longa noite.
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Após algumas taças do ponche que sim, já estava batizado, a sensação de que algo estava extremamente errado ainda não havia ido embora. Um leve zunido zumbia em sua mente e o barulho da banda começou a ficar um pouco insuportável. O salão já estava bem cheio, e um grupo fervia na pista de dança, mas Rachel não havia visto Jesse em lugar algum. Nem se importava.
Aquele era, de longe, o pior baile de todos.
Quanto mais ponderava sobre Jesse e seu namoro, mais convencida ficava do fato de que estava no caminho errado. Tomou mais um gole do ponche e deixou que seu olhar recaísse sobre um casal que dançava à sua frente. Os dois riam a todo momento, balançando seus corpos no ritmo da música. Seus olhares não se desviavam por um mísero segundo, como se não existisse nada além deles e sua dança estúpida. Rachel tentava se imaginar daquela forma com Jesse, mas simplesmente não conseguia. Por mais que Tina dissesse – e ela tentasse acreditar – que a estranheza só havia aparecido após o pequeno incidente entre eles, a verdade estava nítida para quem quisesse ver: as coisas haviam sido sempre dessa forma. Rachel achava que era o suficiente antes, pois aquilo era tudo o que conhecia. Mas como ela, supostamente, deveria se contentar com um relacionamento tão vago e inerte, após ter vivenciado algo tão absurdamente arrebatador ao lado de Finn¿
E foi aí que tudo fez sentido.
Apesar daquela jaqueta de couro surrada, daquele carro vermelho ridículo, de seu comportamento tão inapropriado, Finn Hudson era o caminho certo para ela. Pois era por Finn que Rachel estava completamente apaixonada.
Tola, estúpida, burra. Todos os adjetivos que pudesse aplicar à sua falta de bom senso, seriam aplicados. Estava apaixonada. E havia o deixado partir.
– Rach¿ — perguntou Quinn, cautelosamente. Rachel desviou a cabeça em sua direção, mal se dando conta da presença da amiga. E foi só quando a loira correu até ela, a abraçando, que Rachel se deu conta que as lágrimas que vinha segurando o inverno todo finalmente começaram a cair. Por Finn. Por ela. Pelo caminho errado que tinha tomado, escolhendo Jesse ao invés dele; e também por todas as coisas que estavam erradas na sua vida e ela só havia reparado agora. Havia esperado anos por um baile fútil, por um homem fútil, por um vestido fútil e isso a estava levando em direção a um futuro fútil também. E aquela não era Rachel. Não a verdadeira Rachel, ao menos. A garota de vestido Dior e namorada do herdeiro St. James era a garota que seus pais esperavam que fosse. Mas a verdadeira Rachel era a Rachel dos dias da cabana, com seus sapatos jogados de lado, as estrelas sob sua cabeça, sonhando com um Nobel de literatura ao lado do garoto mais errado – e tão, mas tão certo para ela – e se sentindo tão leve que poderia voar.
– Esses sapatos estúpidos machucam meu pé. – ela murmurou, entre lágrimas. – Eu odeio esse baile. E eu amo o Hudson, Quinn. Eu amo o Hudson.
– Ah meu Deus... – Quinn tomou a amiga nos braços e seu choro aumentou, tornando-se alto o suficiente para chamar atenção das pessoas ao redor. A loira segurou a amiga pela cintura e a empurrou a área externa do ginásio, o único lugar que poderia estar completamente vazio por causa da noite fria. Assim que Rachel se acalmou o suficiente, explicou toda a situação para Quinn.
–... Eu vou concertar isso. Depois que esse baile estúpido acabar e o Jesse estiver com aquela coroa estúpida na cabeça, eu vou terminar com ele. E eu vou atrás do Finn. Por mais que ele não me queira por perto agora, eu vou insistir todos os dias até que ele me ouça. Não importa o tempo que levar.
Quinn mordeu os lábios e esfregou as mãos nos braços, inquieta.
– Na verdade, importa o tempo que levar sim. – Rachel a olhou, o questionamento no olhar. Quinn inspirou profundamente uma vez e depois se pôs a falar. – Finn está indo pra Nova York. Amanhã a noite. Ele se inscreveu na Universidade de Nova York. Ainda não sabe se foi aceito ou não, mas ele quer tentar a vida lá de qualquer forma. E antes que você me crucifique por não ter contado antes, saiba que eu não podia fazer isso.
Rachel a encarou, incrédula.
– Você tem falado com o Finn¿
– Sim. Quer dizer, eu não. O Jake e o Finn são amigos, você sabe disso, e na semana passada o Finn foi até a casa do Jake pra conversar com ele, e eu estava lá também. Eu não deveria ter ouvido a conversa, mas ouvi sem querer. E sabe, você e o Jesse pareciam bem. Você parecia feliz e tinha feito a sua escolha, não cabia a mim interferir em qualquer coisa.
A morena continuava a encarando, os lábios abertos em um O perfeito. Ela se encostou na parede levemente molhada pela neve, fazendo com que seu corpo inteiro tremesse ao contato com a superfície gélida, mas ela não ligou. Finn ia partir. Ela tinha 24 horas, ou menos, para convence-lo de que havia feito uma gigantesca burrada e que o amava. Quinn parou ao lado dela, incerta sobre aproximar-se mais e Rachel ter um acesso de fúria, mas tudo o que a morena fez quando a amiga se aproximou foi encara-la com os olhos acesos de determinação.
– Você me colocou nessa, Quinn Fabray. E você vai me ajudar a encontrar uma forma de conversar com o Finn.
Quinn assentiu prontamente, aliviada. Depois retomou mentalmente cada palavra da conversa entre Jake e Finn. Jake havia perguntado à Finn se ele iria ao baile, e ele havia dito que sim, mas não o baile convencional. Era um outro tipo de baile, um tipo de anti-baile, e o nome era...
– O Baile dos Miseráveis!
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Rachel correu até as ruas cobertas de neve, ao mesmo tempo em que vestia o casaco. O Baile dos Miseráveis. É claro que ela havia ouvido falar sobre isso, mas nunca pensou em participar. O Baile dos Miseráveis era um anti-baile: todos os anos, enquanto alguns adolescentes se esbaldavam em Carmel, outros se reuniam em algum lugar não-fixo e comemoravam o final do semestre à sua própria maneira. Era um baile para os excluídos, os perdedores, os problemáticos. Exatamente o tipo de local do qual a velha Rachel fugiria. Mas não essa noite.
Ela só tinha um pequeno problema: não fazia a mínima ideia de como chegaria ao Auditório do McKinley, onde o baile aconteceria esse ano. Jesse a havia trazido de limusine e era assim que eles pretendiam voltar para casa mais tarde. O seu Subaru não estava por perto e os saltos que usava eram finos demais para caminhar sob o chão escorregadio. Além disso, uma fina nevasca caía, tornando o simples fato de ficar parada do lado de fora uma verdadeira prova de sobrevivência. Rachel fechou os olhos o mais forte que pôde, torcendo silenciosamente para que conseguisse encontrar uma solução a tempo.
Um barulho de gritos e lixeiras caindo logo atrás dela chamou sua atenção, fazendo-a se virar imediatamente. Dois garotos vestidos como as garçonetes do Baile estavam sendo jogados para fora da porta da cozinha do colégio. Eles se levantaram, rindo, e correram em direção á um popular preto que estava estacionado mais à frente, enquanto a gerente do Buffet berrava algo que Rachel não fez esforço algum para compreender, pois uma ideia surgiu em sua mente. Os dois garotos tinham um carro. Tudo bem, não parecia a ideia mais inteligente do mundo pegar carona com dois completos desconhecidos vestidos de fada, mas era o que ela tinha em mãos e não podia se dar ao luxo de escolher outra opção.
– Ei! Espera! – ela berrou, sinalizando para os rapazes que já entravam no carro. Um deles, o mais baixo e de cabelos claros, parou com a mão na maçaneta e a encarou. Rachel correu o mais rápido que pôde na direção deles. Assim que os alcançou, se apoiou no carro, ofegante.
– Eu te conheço¿ — Perguntou o outro garoto, colocando a cabeça morena pra fora do carro.
– Rachel... – ela disse, finalmente, ainda puxando o ar. – Rachel Berry.
– Blaine Anderson. – disse o garoto de dentro de carro e depois, apontando para o loiro que estava de braços cruzados parado do lado de fora, completou. – E ele é Kurt Hummel.
– Olá! – disse Kurt, sorrindo, enquanto ajeitava as asas de fada de modo que pudesse entrar no carro.
– Bem, se nos dá licença, precisamos realmente ir...
– Não! Calma! – gritou Rachel, fazendo com que os dois a olhassem, curiosos. – Eu preciso de uma carona. Uma carona para o Baile dos Miseráveis.
– Meu amor, você definitivamente não parece o tipo de raxa que frequenta esses lugares! – disse Kurt, olhando-a de cima à baixo, e Blaine concordou.
– Me dê um bom motivo pra te levar até lá. – disse Blaine, ajeitando-se no banco do motorista.
Rachel respirou fundo e então, o mais rapidamente que pôde, resumiu os últimos meses aos completos desconhecidos: O término com Jesse, o acordo com Finn, como se apaixonaram, como ela havia sido e burra e o fato de Finn estar indo embora dentro de um dia. Ao final do relato, ela estava congelando e Kurt tinha lágrimas nos olhos.
– Eu adoro uma boa história de amor! Assim como a nossa. – disse ele, pegando nas mãos de Blaine. Rachel sorriu para eles.
– Srta. Rachel Berry, — começou Blaine, sorrindo. – Você acaba de ganhar duas fadas madrinhas por essa noite.
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Para duas fadas madrinhas, Blaine e Kurt se comportavam como dois malucos. Blaine acelerava o máximo que podia – não diminuindo a velocidade nem nas curvas – e Kurt tinha a cabeça pra fora do carro, imitando o barulho de uma ambulância e ocasionalmente gritando: “Emergência amorosa aqui, bees!”.
Rachel estava atônita no banco de trás, se segurando no estofado, mas achando muita graça da situação.
– Por que foram chutados do baile¿ — ela perguntou para Blaine, tentando se distrair do barulho de ambulância que Kurt fazia.
– Nós participamos do Baile dos Miseráveis. Quer dizer, os únicos dois garotos homossexuais dessa cidade não são vistos com bons olhos. Nós estudamos no Carmel. Eu não ligo muito para esse tipo de festividade idiota, mas Kurt queria demais ter participado do Baile de Inverno. – pelo retrovisor, Rachel viu Blaine dirigir um olhar terno na direção de Kurt, que havia finalmente colocado a cabeça para dentro um pouco. – Já é uma loucura diária ter de lidar com os brutamontes quando estamos no colégio... Imagine como seria ter de lidar com eles no Baile de Inverno, na área deles¿ Preferimos não arriscar participar.
– Mas, minha querida, — cortou-o Kurt – Kurt Hummel não é o tipo de pessoa que torna ainda mais fácil a vida dessa gentinha de cabeça interiorana. Então eu decidi que iríamos apagar duas garçonetes e roubar os uniformes de fadas delas. – Rachel pareceu um pouco assustada e Kurt riu. – Só estou brincando. Nós alugamos essas roupas de fada só para podermos entrar no baile despercebidos.
– Estávamos usando perucas também, mas as perdemos na confusão. – disse Blaine, e Kurt assentiu. – De qualquer forma, fomos nós que batizamos o ponche. E depois, mijamos em uma garrafa de champanhe não-alcoólico que foi servida há algumas horas.
– Eu espero, do fundo do meu coração, que você não tenha tomado o meu xixi.
– Enfim, nós fomos pegos e o que aconteceu foi o que você viu.
Rachel sorriu para eles.
– Que bom que eu não tomei o champanhe.
Em poucos minutos, eles chegaram ao McKinley High School, uma antiga escola desativada que ficava perto da estrada de Lima. Blaine estacionou o carro e Rachel observou o estacionamento improvisado, em busca do carro de Finn. Assim que avistou a lataria vermelha e antiga, sentiu seu coração falhar uma batida.
– Ele está mesmo aqui. – sussurrou.
Kurt deu um gritinho animado e Blaine se virou no banco de motorista, tomando as mãos de Rachel nas suas.
– Agora preste bastante atenção. – Rachel assentiu. – Você foi uma vadia. Foi uma vadia sem coração e o Finn não vai querer te ver nem pintada de ouro e coberta de diamantes. Mas nós te entendemos. Entendemos o que é sofrer pressão pra ser o que não é. Portanto, vamos te ajudar nisso. Você vai ficar dentro de uma das salas de aula, quieta e sem fazer perguntas. – depois, virando-se para Kurt, Blaine continuou. – Baby, você leva algumas das velas da decoração até a sala em que a Rachel estiver. E eu... eu levarei o Finn.
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Rachel mordeu os lábios, nervosa, e sentou-se na velha mesa que ainda se encontrava dentro da sala 15 do Colégio McKinley. Kurt já havia trazido as velas há pelo menos meia hora e desde então não havia nenhum sinal sequer de Blaine. O aquecedor estava quebrado e ela se abraçou, em uma tentativa fraca de se aquecer. Mais alguns minutos passaram e Rachel suspirou, derrotada. Não deveria ter confiado em dois desconhecidos. Era claro que eles não trariam Finn. Ela estava pronta para apagar as velas e dar o fora dali, quando ouviu a voz de Finn no corredor.
– Me solta, seu psicopata!
Rachel levantou-se da mesa, assustada, e correu até a porta. Se colou nas pontas dos pés afim de observar a movimentação no corredor e avistou Blaine e Kurt empurrando um Finn vendado, que se debatia nos braços deles.
– Abre essa porta, raxa maldita! – berrou Kurt, claramente insatisfeito com a situação.
Rachel abriu a porta e logo os dois haviam jogado Finn ali dentro, Blaine sorrindo e Kurt suando.
– Olha aqui, Cinderela, é bom não sair dessa sala até que tenham transado como dois animais. – eles fecharam a porta e depois Kurt se virou para Blaine, choramingando. – Nunca pensei que essa vida de fada madrinha fosse tão complicada.
– Que merda tá acontecendo aqui¿ — disse Finn, com a voz grossa, atrás dela. Rachel engoliu em seco e, devagar, se virou na direção dele.
Ele usava uma calça social combinada com uma camiseta, sua inseparável jaqueta de couro, e um all star. Rachel quase sorriu, afinal, Finn era o único homem que conhecia que tinha a capacidade de ficar extremamente lindo em roupas como aquelas. A única coisa que a impediu de sorrir era o fato de que Finn tinha se livrado da venda e agora a encarava, furioso.
– Eu... Eu precisava falar com você.
Ele deu uma risada tão cínica que, imediatamente, lembranças dos primeiros dias da aposta se formaram na mente de Rachel. Aquele era o velho Finn novamente. Não o Finn doce, que conversava com ela sobre estrelas, História. E definitivamente, não o Finn que havia feito uma canção para Rachel. O Finn que a amava.
– Você não deveria estar no baile com o seu namoradinho¿ — disse, finalmente.
– O Baile de Inverno não tem a mínima graça. Não com ele. — e depois completou, um pouco mais suavemente. – Não tem graça sem você, Finn.
Finn a olhou, cruzando os braços em direção ao peito, como se dessa forma pudesse se proteger dela. A dureza em seu olhar se esvaiu por um minuto, tornando-o mais suave.
– O que você quer, Rachel¿ — disse ele, por fim.
– Que você me ouça. – ela mordeu os cantos da bochecha, nervosa, e Finn sentou-se na mesa.
– Você tem 5 minutos.
Rachel sorriu.
– Eu sei que eu fui uma idiota. Uma grande e estúpida idiota, ok? Eu estava assustada demais com a possibilidade de te amar. Por que você, Finn... – ela suspirou e engoliu em seco em seguida. – Você é o Finn Hudson. Você é o garoto pelo qual todas as garotas suspiravam e a principal razão das lágrimas delas também. Eu vi tantas colegas se acabarem por causa de você, e tudo o que eu pensava era como elas se deixavam abalar por alguém como Finn Hudson. Quando eu te pedi pra me ajudar, eu te escolhi exatamente porque você era o tipo de garoto pelo qual eu pensei que não me apaixonaria. Nunca. E aí você fez aquele jogo adorável na floresta só pra me conhecer melhor, e foi a partir desse momento que meu mundo virou de cabeça para baixo. Porque eu descobri que você era mais, tão mais do que eu pensei, e eu me vi caindo por você. Caindo por você rapidamente. Eu perdi o controle com você. Eu me tornei uma pessoa diferente. E tudo isso me assustou demais. E eu precisei voltar pra minha antiga vida, voltar a ser a Rachel de antes do Finn, pra reparar que nada daquilo me satisfazia mais. Você me libertou, mas eu fui medrosa demais pra enxergar isso. Hoje o Baile foi uma porcaria. Eu sempre ficava esperando algo mais: algo mais do baile, algo mais das pessoas, algo mais do Jesse. – Finn revirou os olhos perante o nome do namorado da garota. – E aí eu percebi que o que faltava era você. Porque Finn... Você me deixou ser livre e eu só consigo ser eu mesma do seu lado. Você me mostrou sentimentos que eu nem ao menos sabia que existiam. Eu não tenho mais medo, Hudson. Eu não tenho mais medo porque eu amo essa sua jaqueta estúpida e nojenta, eu amo as músicas que você me faz ouvir e a pessoa que você me fez ser. Mas acima de tudo isso, eu te amo. Eu amo muito você e, por favor, me desculpe por ter sido tão idiota. – Rachel olhou para Finn, esperado alguma reação por parte dele, mas o garoto continuava imóvel, a fitando com um olhar que ela não soube classificar.
– Você ainda tem 3 minutos... – Rachel murchou um pouco, segurando as lágrimas que lutavam pra cair. – Pode gasta-los falando o quanto quiser. Ou... Ou pode gasta-los me beijando.
A garota levantou o olhar dos próprios pés, observando o sorriso maroto que havia se formado no rosto de Finn. Ela sorriu também, sentindo-se leve pela primeira vez no Inverno todo e deu três passos largos em direção a ele, colando seus lábios assim que estavam próximos o suficiente. Ele rodeou o corpo de Rachel com seus braços fortes, colocando-a entre as suas pernas e apertando sua cintura com uma pressão delicada. Se beijavam vorazmente. Não tinham tempo para delicadezas ou cerimônias, não quando haviam estado tão longe por tanto tempo. Rachel rodeou o pescoço de Finn, arranhando de leve sua nuca e deixando os seus pelos eriçados. Separaram-se quando o ar faltou, afastando-se somente o suficiente para que conseguissem respirar.
– Eu senti tanto a sua falta. – murmurou Finn, ainda de olhos fechados.
– Eu também. Todos os dias.
Rachel voltou a beijá-lo, com mais lentidão dessa vez, saboreando Finn da forma que ensaiara em seus devaneios tantas vezes antes. Em pouco tempo, o beijo acabou adquirindo um tom mais sensual e as carícias passaram a ser mais ousadas. Finn passeava os dedos com delicadeza na pedaço de pele das costelas de Rachel que a fenda do vestido exibia e Rachel, por sua vez, havia colocado ambas as mãos por dentro da camiseta do rapaz, arranhando sua barriga firme.
– Rachel... – sussurrou Finn, em um gemido baixo, quando ela beijou sua clavícula. – Eu não vou parar. Não se você continuar a me beijar assim.
Rachel levantou o olhar, mordendo os próprios lábios ao encarar o olhar quente de Finn.
– Essa noite eu não quero que você pare, garoto das estrelas.
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Rachel suspirou, contente, apoiando-se no peito de Finn. Quando pensava em sua primeira vez, antes, associava-a à dor. Nunca imaginou, nem em um milhão de anos, que fazer amor com Finn teria sido tão maravilhoso. Ela sorriu para ele, recebendo outro sorriso como resposta.
– Você é realmente boa nisso, garotinha petulante. – Finn estendeu sua jaqueta para Rachel.
Ela gargalhou, aceitando a jaqueta e a vestindo. O garoto assoviou em resposta.
– Devo admitir que você usando só a minha jaqueta é coisa mais sexy que eu já vi.
Rachel deu-lhe a língua, voltando a deitar-se em seu abraço e o beijando nos lábios.
O Baile dos Miseráveis a muito havia terminado, e ambos aceitaram de bom grado o silêncio quase sepulcral que havia se instalado no colégio. Rachel sabia que já deveria ser muito tarde e que seus pais estariam procurando-a como louca, mas não se importava. Deixaria que aquilo a atingisse pela manhã. Deitados no chão, aquecidos somente pela jaqueta de Finn e pelas chamas das velas, tudo parecia certo. Em paz. E Rachel prolongaria aquela sensação pelo maior tempo que pudesse. E foi assim, ouvindo o ressonar tranqüilo do peito de Finn, que Rachel adormeceu.
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Finn acordou com a luz do sol batendo diretamente no seu rosto. Abriu os olhos, visualizando a janela sem cortinas do Colégio McKinley. As velas ao seu redor à muito haviam se apagado, mas o corpo nu de Rachel em contato com o seu fazia o papel de aquecê-lo. Ele deu um leve sorriso, lembrando-se da noite passada, e abriu um dos olhos só para se deparar com o olhar atento de Rachel em sua direção.
– Bom dia. – disse Finn, com a voz rouca, alargando o sorriso.
– Bom dia. – Rachel ronronou como uma gatinha, espreguiçando-se em seguida.
Finn se virou por cima dela, beijando-a nos lábios devagar. Abriu a jaqueta que Rachel usava, correndo os dedos por sua barriga nua. Rachel suspirou alto, mordendo os lábios dele o puxando entre os seus dentes. O garoto distribuiu beijos por todo o rosto da morena, descendo para o pescoço e clavícula, e finalmente chegando aos seus seios. Ele acariciou o mamilo com a língua molhada, fazendo Rachel soltar um leve gemido e arquear o corpo em direção ao seu rosto.
– Finn... Para. – disse Rachel, empurrando-o levemente. – A gente... A gente precisa conversar.
– Eu não sei se gosto do seu tom, mocinha insolente. – respondeu Finn, voltando a deitar-se e exibindo sua gloriosa ereção. Rachel não pode evitar corar um pouco ao olhar para aquela direção, e voltou a fechar a jaqueta.
– Como vai ser daqui pra frente? – ela disse, enfim, sem olhar nos olhos dele.
– Como assim? – ele perguntou, se sentando.
– Você... Você vai pra Nova York hoje a noite, e eu ainda tenho mais um ano na escola. Eu te amo, realmente te amo, e nunca te pediria pra desistir dos seus estudos por mim. Mas eu não sei se consigo manter um isso, seja lá o que tenhamos, à distância, te vendo somente nos feriados e nas férias. – Somente expor aquela perspectiva já deixava Rachel aflita e ela mordeu os lábios, tentando controlar as lágrimas que já começavam a se formar no canto de seus olhos.
– Ei... Quem te disse isso? – perguntou Finn, passando um dos braços ao redor dela e a apertando contra si.
– A Quinn. – respondeu, com a voz já embargada. – Não briga com ela, ela ouviu sem querer quando você foi até a casa do Jake.
E então Finn começou a rir, jogando a cabeça para trás e deixando Rachel estática e irritada em seus braços.
– Por que está rindo, idiota?
– Porque a Quinn precisa limpar os ouvidos. Eu realmente vou pra Nova York hoje a noite, mas é pra checar um dos apartamentos que vi pela internet, com a minha mae. Eu não vou me mudar agora, Rach. Eu ainda tenho mais um semestre na escola. – Rachel o encarou, confusa. – É. Eu entrei atrasado na escola, quando era pequeno. Me formo no meio do ano. Por isso me apliquei à faculdade só agora. Porque as aplicações para o meio do ano iniciaram no mês passado.
– Isso significa...
– Que ainda temos mais seis meses juntos. – Finn completou por ela.
Rachel soltou um pequeno gritinho, pulando no pescoço de Finn e derrubando-o no chão, ambos rindo. Finn a beijou, sendo retribuído. Após alguns segundos, separaram os seus lábios.
– O que vai acontecer depois a gente deixa pro futuro, tá legal? – perguntou o garota, acariciando o rosto dela afetuosamente. – Agora eu só quero fazer amor com a minha namorada antes de devolve-la para os tiranos que ela chama de pais.
– Namorada? – Rachel arqueou uma sobrancelha, sorrindo. Finn assentiu.
– É claro. Não vou te deixar cair nos braços daquele St. James de novo. – ele fez uma careta fofa, fazendo-a rir.
– Eu nunca, nunca, vou para os braços de mais ninguém.
Finn virou os corpos de ambos, ficando por cima de Rachel e a beijando novamente. Depois, começou a abaixar o zíper de sua jaqueta, expondo o corpo da namorada enquanto dizia:
– Acho bom... Mas, só por precaução, acho que vou ter que te castigar.
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