Dirty Laundry

1 I'm just a bad girl that's why we get along


Notas iniciais
A história não tá baixaria pra eu colocar esses avisos, mas vai que o site se revolta comigo né?

I’ve got a bad boy and that’s alright with me

His dirty laundry is nothing that I can’t keep clean

And when he needs an alibi

He can use me all night

Clint Barton estava novamente fazendo o trabalho sujo para o chefe. Ele estava mais do que cansado de sempre ser mandado para fazer coisas ridículas, sendo que seu potencial era maior do que o de qualquer outra pessoa por ali. Bufando, ele recolocou a pistola no cós de sua calça social e saiu da casa segurando uma maleta cheia de dinheiro. Clint estava cansado de cobrar as dívidas de jogo para aquele merda. Aquilo teria de acabar.

Entrando no carro de mau humor, mandou o motorista dirigir de volta para a empresa. Era um prédio imponente e feito todo de vidro fosco. A única coisa que compensava aquele emprego era a assistente do diretor, uma russa chamada Natasha Romanoff. Clint nunca vira em sua vida mulher mais deslumbrante e inteligente que aquela. Natasha se mostrava na maioria das vezes como ingênua e cumpridora do dever, sempre certinha e pronta para qualquer coisa.

Clint um dia a convidara para sair depois do trabalho e, para sua surpresa, ela aceitara. Depois de uma noite de bebedeira e muita diversão em um pub perto dali, ele percebeu que Natasha era muito mais. Ela tinha trabalhado para o governo, falava diversas línguas e tivera um treinamento rígido de artes marciais.

Desde então, eles eram parceiros. Tirando, claro, a semana em que Natasha o ignorara que sucedeu àquela noite.

Eles se encontravam às escondidas pela empresa e saíam quase todas as noites, que acabavam no apartamento de um ou outro. Clint jurara manter segredo sobre ela e ambos mantinham segredo sobre aquele relacionamento casual e intenso.

Ele sorriu ao se lembrar da textura de sua pele clara contra a dele, do sabor de seu beijo, do cheiro daqueles cabelos ruivos espalhados no lençol.

Natasha tentava se distrair enquanto mexia na papelada do diretor, tentando organizá-las, o que não estava dando nem um pouco certo, já que precisava organizar a própria cabeça. Seu relacionamento com Clint faria três meses e no dia anterior ela recebera um envelope lacrado com um selo que conhecia muito bem: o governo russo. Ela tentara se distrair saindo com Clint, mas tudo voltara à tona quando acordou para mais um dia tedioso naquela empresa ridícula, onde só trabalhavam endinheirados que se achavam os donos do mundo e que a viam como um objeto colocado ali para o seu exclusivo prazer. Porcos nojentos.

Depois do término da União Soviética, Natasha fugira da Rússia por conta própria, tentando recomeçar a vida no lugar inimigo, os Estados Unidos. Queria uma vida de paz, de felicidade, que nunca tinha tido antes. E conseguira. Principalmente quando Clint entrou em sua vida, e Natasha se tornou outra pessoa.

E agora aquilo.

Ela precisaria contar a ele, mas não conseguia arranjar coragem. Depois de passar por diversos experimentos para retardar seu envelhecimento, aumentar sua resistência física e melhorar o sistema imunológico de seu corpo, depois de quase ser morta em diversas missões e se arriscar fugindo para o lado inimigo, Natasha estava com medo de, simplesmente, ferir os sentimentos de alguém. Pior, caso falasse em voz alta, tudo se tornaria realidade, e os seus sentimentos seriam feridos.

Egoísta. Ele tem o direito de saber.

Naquele momento, alguém irrompeu pela porta. Clint, dando-lhe um sorriso rápido, se dirigiu ao diretor e lhe entregou uma pasta. Procedimento padrão. Engolindo em seco e fechando os olhos, Natasha tomou a decisão. Ela lhe contaria naquela noite, precisava lhe contar.

O pub estava mais cheio do que o normal naquela noite. Eles já haviam tomado várias doses de tequila e dançado até os pés doerem, como sempre. Agora, Clint estava em cima dela, tentando matar a saudade que seus lábios sentiram, satisfazer suas mãos que ansiavam por aquele corpo. Natasha queria se deixar levar, não desejava mais nada no mundo do que deixá-lo tirar sua roupa, abusar de cada centímetro de seu ser, mas, naquela noite, aquilo teria de esperar.

— Clint... – disse ela, colocando uma mão em seu peito e abrindo os olhos. – Podemos sair daqui? Preciso falar com você.

O homem a olhou estranho, surpreso por aquela mudança de atitude tão drástica. O relacionamento deles não era nem sério, o que ela precisaria tanto falar? De repente, os olhos de Clint se arregalaram.

— Você não está grávida, está?

Natasha levou alguns segundos para compreender o desespero dele.

— O quê...? Não! Não, não. Não é isso, Clint. – ela engoliu em seco. – Vamos logo. – Natasha acenava a cabeça quase que desesperadamente, com medo de perder a coragem se ele enrolasse demais.

Ao entrarem no carro, ela pegou sua bolsa e tirou um envelope grosso.

Jogando-se no banco, Clint suspirou.

— Tasha, o que é?

— Eu pensei em te contar em um lugar mais seguro, mas não posso adiar mais. – Natasha apertou os lábios e encarou o selo do papel. – Por que você não abre?

Os olhos dele ficaram passeando pelos papéis enquanto a ruiva esperava e ficava cada vez mais nervosa. Ela tinha lhe contado coisas, sim, mas não todas. Clint era a primeira pessoa em que ela conseguia confiar na vida, mas não podia simplesmente entregar todos os seus segredos, que eram guardados a sete chaves até pelo governo.

...espionagem... número um... missões de elite... Black Widow? Natasha, o que isso diz é verdade? – Clint Barton estava totalmente sério pela primeira vez com ela. Seu semblante mostrava diversas emoções, mas Natasha não podia decifrá-las. – Porque segundo o que diz aqui...

— Clint, olha... eu sei o que diz. Eu sei que você deve estar morrendo de raiva de mim por eu não ter contado antes, mas você tem que entender...

— Entender, Natasha?! Entender o quê? Que você é uma assassina russa, que tem não sei quantos anos de vida por causa dessas experiências, que é capaz de qualquer coisa? – ele engoliu em seco. – Que eu fiz sexo e cheguei a gostar de uma mulher capaz de me matar a qualquer segundo? Olhe isso! Olhe as coisas que você fez!

Natasha fechou os olhos e baixou a cabeça. Ela não era mais daquele jeito, precisava encontrar um modo de mostrar.

— Clint, por favor, eles só mandaram tudo isso para me lembrar de quem sou. Eu me cansei dessa vida, recomecei aqui, Clint, aqui, com você. O problema é que... eles acham que eu devo tudo a eles, que minha conta está no vermelho e eu tenho que compensar isso. Eles querem que eu volte.

— É. – disse ele. Seu maxilar estava quase trincando. – Eu percebi. – seus olhos estavam cheios de raiva... e mágoa.

— Eu não quero voltar, você tem que entender! Mas eles são capazes de tudo, de tudo, eles sabem de tudo, eles virão atrás de você!

— Ótimo. – ele murmurou, encarando o teto do carro. Olhando novamente para Natasha, ele continuou: — Bem, então parece que eu já estou metido nisso, não é?

— Clint...

— Então vamos fugir, pronto. Eu e você. A gente larga esse emprego de bosta, vai para o México, como eu sei que você já deseja, curte e morre lutando quando eles nos encontrarem. Mas eu não vou deixar você voltar para eles, Natasha, eu quero você para valer e ninguém vai estragar isso. Eu quero você assim.

As malas foram feitas naquela mesma noite. Eles encontraram um contato de Natasha no litoral e seguiram para o México por mar. Eles tomaram todo o cuidado possível para não chamarem a atenção e não foram incomodados.

Era madrugada, e o barco balançava. A brisa estava quente e trazia cheiro de maresia até eles.

— Clint. – Natasha pousou a mão em seu braço. Os músculos estavam contraídos sob a camiseta. – Você nunca tinha me dito que me... queria... antes.

— Eu não tinha percebido ainda. – Clint falava lentamente – Mas você tem algo que, não sei, me deixa louco, Tasha. – ele se virou e a pegou pela cintura. – Minha vida ficou mil vezes melhor com você. Você é exótica.

Ela sorriu.

— Se diz isso é porque não conheceu muitas estrangeiras.

— Muito pelo contrário, mocinha. – ele baixou os lábios até sua orelha. – Também sei o que é trabalhar para o governo.

Os olhos verdes da russa se arregalaram.

Você? Por que não me contou logo?

— Acho que ambos guardávamos segredos. Mas minha história não é nem de perto tão estranha quanto a sua, apesar de desempenharmos a mesma função. Fiquei bravo, sim, por você não ter me contado, e acho que não deveria ter agido daquele modo, dado ao meu passado. Me desculpe. – ele colou seus lábios nos dela. Natasha correspondeu ao beijo instantaneamente. Seu corpo já estava mais do que acostumado àquilo. Apesar de nunca ter se dado ao luxo de sentir algo, aquilo era real. Ela sentia e sabia que sentia. Não queria que acabasse e, dia após dia, parecia que a intensidade só aumentava. Ela gostava mesmo daquele homem e, se Clint realmente a queria, ela realizaria seu desejo.

Eles não eram santos, Clint ou Natasha. Eles estavam no México, na praia e iriam aproveitar. Foi dia após dia de sol, calor, mar e margaritas. Beijos e amassos eram bônus. Quando chegava a noite, ambos estavam cheios de tesão e loucos para saciarem aquele desejo insano.

Estava completando dois meses e meio quando eles ouviram os helicópteros. Era manhãzinha e eles ainda estavam na cama, rindo como um casal de adolescentes. Um helicóptero e eles acharam que fosse algum hóspede rico. Uma dezena deles e eles souberam que era hora de levantar.

Vestindo pela primeira vez uma roupa decente, ambos se equiparam com todo tipo de armamento, até da época em que ainda trabalhavam para o governo. Uma russa e um estadunidense no México lutando por suas vidas, juntos. Quão ridículo isso deveria parecer. E, no entanto, bem real.

Eles já podiam ouvir a pensão simples em que estavam ficando sendo invadida, os gritos de outros hóspedes em diversas línguas, o tiroteio. Ambos estavam parados atrás da porta, prontos para o confronto.

— Pelo arco, você era aquele conhecido como Hawkeye. – ela murmurou, ainda olhando para frente. A compreensão a tinha atingido. Ela já havia ouvido falar dele. No final, eles eram o casal perfeito.

Em um último segundo, os olhares se cruzaram. Tanta coisa para ser dita e eles nem sabiam se sairiam vivos. Eram baixas as chances. Um rápido beijo, inundado de emoções.

O barulho de uma explosão. E fogo. Eles estavam em chamas com aquele pequeno contato, e tudo estava pegando fogo. E, no meio, homens vestidos de preto e empunhando armas os encaravam.

Notas finais
Ai cara, que medo. Não me matem se não gostaram. Bai.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!