Dirty Darling

1 Ódio Indiscriminado


Notas iniciais
É, venci a preguiça neste final de ano e estou digitando as fanfics escritas nos cadernos. Boa leitura~~

Eu já deveria saber que você não era certo para mim. Ou talvez, eu não fosse certo para você também.

Te amar foi doloroso. O sentimento mais intenso não é nenhuma merda bonita. As pessoas só acham isso porque são correspondidas ou se iludem com a chance de um dia serem. E eu nunca poderia ser.

Acho que a primeira vez em que me dei conta de você foi quando te chamaram e eu respondi, como se me chamassem. Tínhamos o mesmo nome, deveria ser um sinal de predestinação. Porra nenhuma. Estas falsas esperanças são uma merda. E por sua causa criaram para mim um apelido escroto, só para que não nos confundissem. Mas são bem poucas as pessoas que me chamam pelo nome. Sou detestável o suficiente para afastar a maioria.

Eu te odiava quando sorria. Quando esbarrava no corredor e pedia desculpas. Quando se lembrava do meu nome, já que era representante de turma. Sabe que já me imaginei com você num armário qualquer? Nos fodendo como loucos, ainda que eu prefira a ideia de que era você quem me comia.

Não vou me desculpar pela boca suja. Esse ódio me emputece. Porque suas qualidades fizeram com que eu me apaixonasse mais, e as odiava. E seus defeitos me mostraram que, apesar de toda a idealização que montava para você, era humano como eu. Odiei suas qualidades, amei seus defeitos.

Amava seu jeito autoritário e arrogante. Amava essa sua pose, consciente de que está acima de todos. Amava a maneira com que sutilmente menospreza os fracos, não lhes dando atenção. Amava sua educação mascarada para esconder sua prepotência.

Como pode não perceber estes detalhes? Estive sempre olhando para você. Nunca avancei, porque a negação é mais dolorosa que a dúvida. Alguns detestam a dúvida; eu me agarro a ela como covarde. Então venha! Atenda aos meus desejos egoístas, ao menos uma vez. Nunca mais lhe peço nada novamente.

Mas isto é impossível, não é? Estava sempre acompanhado daquelas meninas. Era obviamente, escandalosamente hétero. E eu nem podia culpá-lo. Odiei cada uma de suas namoradas, mas elas provavelmente eram bem mais fortes, em todos os aspectos, do que um covarde rabugento como eu. Na verdade, você sempre preferiu as mulheres fortes. É algo que admirava e detestava em você. Seria mais fácil se preferisse aquelas sonsas tímidas. Eu poderia ter alguma chance, como homem fraco que sou. Seria fácil me mascarar de dócil. Mas para além destas barreiras de gênero, você me impõs esta porra de condição!

Eu poderia fingir força. Também poderia me esforçar para ser ousado. Ou talvez seja apenas eu tentando mascarar minhas falhas com tantos “e se”.

****

Quando o Hotsushi-senpai me perguntou se eu queria ir até a casa dele, eu já sabia o que ele queria. E mesmo que em momentos eu tivesse prometido ser fiel (obviamente em pensamentos), já estava cansado da rejeição. Eu aceitei! Esperando, talvez, que você me impedisse por ciúmes. E você não percebeu. Ou eu apenas queria ferir este sentimento maldito, traindo sua confiança, ainda que você nunca tenha parecido notar minha existência.

Eu não me imaginava com você ― quando transei com ele, sabia que era outro garoto a tocar meu pênis, a me fazer gozar. Não era ingênuo. Desejei estar ali, por mim mesmo. E o prazer, tanto nas mínimas carícias quanto nas estocadas violentas, fez com que eu me esquecesse de você. É, sexo me fez esquecer de você. O que se sente valendo menos que uma boa trepada?

A quem estou enganando. Mesmo que conseguisse te esquecer durante o sexo, a dor e a memória (e a culpa) viriam logo depois. E eu chorei. Que ridículo. Se você já odiava garotas choronas, imagine se me visse, estirado nu sobre um colchão qualquer, a derramar lágrimas e soluçar. Eu sei, é uma visão patética. Mas fui eu. Martirizei-me, arrependido, logo após ter o rabo encharcado de porra. Ou ao menos achava que sim, porque não foi a última vez.

Me deixei sujar. Assim não iria merecer seu amor. Ou talvez fosse apenas a raiva. Transei com todos eles. Yobuchi-senpai. Ketsu-san. Até mesmo o pequeno Yama-kun, embora eu tenha sido o ativo daquela vez. Me enterrei naquele menino para aliviar minha frustração porque você mesmo estava com uma namorada nova para comer.

Ao final não me ressentia por eles. Assim como eu, eles queriam sexo. Não conseguia entender que contigo eu queria mais?! Eu queria esse amor besta, até! Ainda que nenhum de nós tenha sido assim tão babaca, pois eu sei que de inocente não tem nada. Eu não poderia experimentar ao menos um pouco de sua perversão? Aquela, da qual as vagabundas da escola tanto se gabavam por ter experimentado.

A cada pau que eu enfiava na boca, logo me atormentava ao desejar o seu. Talvez eu só quisesse seu corpo. Sim, seu filho da puta! No início, eu poderia desejar a retribuição, pura e simplesmente. Mas mais tarde, queria apenas me aproveitar de você. Te fazer sofrer como eu. Não é belo esse amor, seu merda? E adivinhe de quem é a culpa.

Queria me lembrar de quando era antes de me apaixonar. Se eu era uma pessoa melhor. Gosto de pensar que era. Que o amor por você me corrompeu. É melhor do que pensar que sempre fui este maldito covarde egoísta. É, a culpa é sua. Sempre foi.

****

Foi o fim quando você me pegou com o imbecil do Takahiro. Sempre odiei este moleque, mas ele aceitou ficar comigo nos armários da Ed. Física. Apesar de ter nos apanhado no meio de um amasso, você não demonstrou nenhuma reação. Nem nojo. Adorei isso. Mas você também não sentiu ciúmes. Não percebeu que, de alguma maneira, sempre fiz isso para chamar sua atenção. E eu te dei um tapa. Um tapa bem dado, daqueles que deixam a marca da mão por dias.

Isto depois de toda a sua atenção ao explicar que poderíamos ser suspensos, ou na pior das hipóteses, expulsos. Que deveríamos fazer isto em casa. Eu vi seu sorrisinho e sabia que se aproveitava de seu status para foder aquelas vadias na sala do conselho. Ou ao menos era o que diziam os boatos. Porque não podia ter nenhuma certeza sobre você.

Porém, sua calma se foi com a porrada, e você me perguntou qual era o meu problema. Como eu queria dizer que me problema era você. Cacete, como eu queria! Porque assim eu seria obrigado a te explicar tudo. Te dizer tudo. Provavelmente com a pressão eu até roubaria um beijo seu.

Este é meu problema. Eu fantasio demais.

Mas você teve que piorar minha inexistente sanidade mental perguntando se havia algo me perturbando. Eu sinceramente queria ter dito tudo isso. Falado de uma vez, esperando sua resposta. No entanto, eu fiquei quieto, porque tive vergonha, e medo, e confusão. Em que ordem diria as coisas? No final, perdi a chance. Talvez minha última oportunidade. Somente assisti você ir embora, irritado com meu silêncio. E nada fiz para te impedir. Porque... eu acho que já expliquei o suficiente.

****

Acho que o fato de termos o mesmo nome sempre foi indício de que nunca daria certo. Porra, nem ao menos começamos nada! Mas... a única pessoa que eu queria que me chamasse pelo nome era você, assim como queria ser o único a ter este privilégio. Ainda que esta fosse uma ideia estranha, porque se eu gemesse seu nome, estaria gemendo o meu também. Isto corrobora o egoísmo deste sentimento. Eu te queria para mim ― para minha satisfação. Nunca quis das suas vontades, e sim das minhas. Que se fodessem os bons modos, os costumes.

A vida é uma vadia injusta. Mas como ela é boa com as ironias. Porque a pessoa que mais amei tinha o mesmo nome que eu. O que significa que ao odiar “Shigeru”, podia odiar a você e a mim mesmo.

Notas finais
Perdão pelo uke desiludido. O coitado sofreu demais. Espero que tenham gostado.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!