Direção única
1 Ida
Notas iniciais
A garotinha entrava na mata apressada.
“Cuidado” era o que lhe diziam,
Mas estava tão animada!
...Não podia mais fugir do que temiam.
Aquela grande casa ao fundo:
Escura, sombria, traiçoeira,
Aparentava esconder-se do mundo
Com grama até a soleira.
O caminho já era sabido,
Já que não seria a primeira vez.
Mas seria melhor ter sentido
Que aquele seria seu último passeio, talvez.
O vestido longo da garotinha arrastava-se na trilha:
Juntava terra, frutos, folhas e galhos.
Um aviso eminente de uma armadilha?
Nada parecia importar enquanto fosse pelos atalhos...
Sua chegada não foi nenhuma novidade.
Ele sabia que uma hora ela voltaria.
Em uma tão rústica cidade,
Algo como aquilo com certeza a encantaria.
Por fora, a casa até poderia parecer mal-assombrada.
Mas por dentro...
Por dentro parecia até que era encantada.
“Não entre na casa do meio da mata...”
“Não entre na casa do meio da mata...”
“Não entre na casa do meio da mata...”
“Não entre na casa do meio da mata...”
“Não confie naquele que mora lá... É o mal encarnado!”
“Não confie naquele que mora lá... É o mal encarnado!”
“Não confie naquele que mora lá... É o mal encarnado!”
“Não confie naquele que mora lá... É o mal encarnado!!”
“Não te deixes enganar...”
“Não te deixes enganar...”
“Não te deixes enganar...”
“Não te deixes enganar... Por favor... Eu te amo tanto... Não te vás!”
As súplicas de sua mãe de nada adiantaram...
As lágrimas derramadas de nada adiantaram...
Ela entrou.
“Desejas tomar um chá?” perguntou, convidativo.
“Aceito sim!” respondeu, prontamente.
“Não deverias me temer, tal qual os demais?” continuou, com interesse gradativo.
“Por que temer alguém que mal conheço?” devolveu, de forma inteligente.
“Talvez porque seria melhor assim.” terminou, negativo.
“...”
“Não creio que vás machucar-me.”
“Mesmo sendo quem sou?”
“Mesmo sendo quem és.”
“Então confias em mim...?”
“...”
“Ao menos acreditas...?”
“...Talvez. Se eu negasse ou afirmasse, estaria mentindo.”
Ao fim, mais uma xícara foi servida.
De cenário, aquela magnífica estufa.
Agora, ela seria esquecida...
E teria o resto da vida para se arrepender.
E teria o resto da vida para aprender.
E teria o resto da vida para morrer.
...Lentamente... e...
Presa.
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