Dinger chegou em casa, cansada é óbvio. Da cidade até a onde ela morava, era muito cansativo.

Sua mãe já avia preparado a janta, como as vendas foram mais ou menos, tudo graças a mulher misteriosa, a sua mãe tinha ficado muito feliz.

Dinger, comentou com a sua mãe sobre a mulher novamente, e sua mãe lhe disse:

–Dinger, seja lá quem for essa mulher, deve ter um coração de ouro, porque ela sempre nós ajuda, comprando coisas... Ela pode não saber que passamos necessidades, mas eu acho, que ela imagina a nossa situação.

–Será?-Dinger. — Mãe... É... Eu não sei exatamente porque, mas essa mulher... Sei lá... É estranho... Eu fico alegre ao ver ela, mas porque ela não fala comigo? Elogia às nossas coisas, já que ela adora? Pelo menos é o que parece.

–Querida... Vai ver é o jeito dela, não podemos reclamar, já que ela é a única que compra muito!... Agora, sirva-se porque o jantar está pronto.

A pequena Dinger, vivia com isso na cabeça, porque aquela mulher era tão misteriosa? Porque ela não falava com Dinger? Pelo menos um "bom dia" ou talvez um "oi". Mas, é como a mãe da Dinger disse, vai ver, é só o jeito dela...

No dia seguinte, a menina estava ajudando a mãe a fazer o vinho, pisando nas uvas, quando a sua amiga da Vila chegou pelos fundos do quintal. A garota se chamava Lilian, mas todos ali apenas a chamava de Lili. Lili era muito amiga de Dinger, elas viviam juntas, realmente eram muito amigas uma da outra, porém, sua mãe dizia para Dinger não se misturar com Lili, porque ela era "má influencia", Dinger, não concordava com mãe, e nesse termo ela "desobedecia" a sua pobre mamãe. Fazer o que né? Lili, era a única amiga de verdade de Dinger.

–Precisa de ajuda com as uvas? — Lili — Estou livre agora.

–Ah, não precisa não, já estou quase acabando mesmo.-Dinger.

–Bom, se precisar de ajuda, estou aqui.

–Tá... Hey! Você já vai?

–Claro!

–Nossa! Mas porque, disse que estava livre!

–E estou! Mas você esqueceu que sua mãe não me suporta?

–Não é verdade!

–Claro que é, eu já ouvi ela dizendo pra você se afastar de mim.

–Não ligue com isso, você sabe que eu nunca me afastarei de você. Você é minha única amiga... E isso a minha mãe não pode mudar.

–Me emocionei agora!

–Terminei... E espere, eu tenho que falar com você!

–Tá.

Dinger lavou seus pés numa bacia que tinha ali do lado, e sem secar, colocou seus chinelos e foi correndo conversar com Lili que estava sentada na grama do quintal.

–Sabe a Misteriosa?

–A quem?

–A mulher misteriosa, que vive comprando meus queijos... Sabe?

–Ah sim, já tinha até me esquecido dela.

–Enfim... Ela comprou de novo.

–E a novidade nisso?

–Bom, é que eu acho essa mulher muito estranha. Eu sinto algo quando eu vejo ela... Sei lá, só que quando eu tento falar com ela, ela nunca me responde. E eu não entendo porque, já que ela gosta tanto das nossas coisas, pelo menos, é o que parece.

–Ah Dinger, eu não sei nem o que dizer, sei lá, talvez é o jeito dela!

–Acredite ou não, foi isso que a minha mãe me disse ontem!

–Bom, eu nunca pensei que eu fosse dizer isso... Mas... A sua mãe tá certa.

–Não sei, tem alguma coisa nessa mulher, que eu não sei o que é, e acredite, ela não compra em banca nenhuma lá, só na minha, nem na do chapéu, nem na de cosméticos, nem na de ninguém só na minha.

–Ela é gorda? Feia? Careca?

–Não! Muito pelo ao contrário, ela é muito bonita... Eu acho...

–Ahn, vai ver ela gosta mais de queijos do que de qualquer outra coisa!

–É... Pode ser...

–Ah Dinger, mas a onde você quer chegar com isso mesmo?

–Sei lá, essa mulher... Sei lá!

–Ah..

–DINGER, VOCÊ JÁ TERMINOU? — Gritou a mãe de Dinger fazendo com que ela e Lili levasse o maior susto!

–Sim mamãe!- Dinger — Já terminei tudinho.

–Então entre, e venha me ajudar com as coisas de casa! E vem logo.

–Sim mamãe, já estou indo! — Dinger olhou para a amiga que estava ao seu lado e disse — Amiga, vou ter que entrar, depois a gente se fala!

–Tá vai lá, antes que a sua mãe te engula!

(risos).

–O que eu já te falei querida? — Mãe de Dinger.

–Mãe, ela é minha amig...

–Má influencia! — Interrompeu a mãe de Dinger com fúria.

–Ela não é má influencia.

–Você já viu a mãe dela?

–Não.

–Viu! Como você pode ter uma amiga, que você nem conhece a mãe.

–Porque a mãe dela morreu! — Disse Dinger num tom de tristeza.

–Morreu?- Perguntou a mãe dela, com um tom de surpresa.

–É mãe, morreu... E ela só tem o pai e a irmã mais velha agora, tirando eu...

–Poxa, e porque você nunca me disse isso?

–Porque você vive me interrompendo quando eu vou falar dela.

–Nossa filha, deve ser muito ruim pra ela.

–É! Mas mãe porque você diz que ela é má influencia? Só porque ela não tem mãe?

–Bom, eu nunca vejo ninguém chamando ela pro jantar, ela vive na rua ai largada.

–Mãe, o pai dela tá doente, ela vende doces nas cidades, e ela que arruma aquela casa, porque a irmã dela trabalha fora, ela faz até comida, e ela fica na rua vendendo doces, e pedindo para que as pessoas compre, pra ela poder ter dinheiro pros remédios do pai dela...

A mãe de Dinger, ficou sem reação ao ver que a filha estava falando daquele jeito, num tom de tristeza e quase chorando. No fundo a mãe de Dinger estava tão triste quanto a própria filha. Ela ficou realmente mal e triste consigo mesma ao saber daquela descoberta. E pensar que um dia chamou aquela pobre menina de desocupada, e má influencia. Certamente, a mãe de Dinger estava muito magoada, e muito arrependida. Mas o que ela faria agora? Não poderia mudar aquela situação.

–Chame Lili para jantar com a gente!

–Sério?- Pergunto Dinger espantada com a mãe.

–Estou rindo?

–Nã...

–Então estou falando sério. Rápido, chame ela para jantar com a gente hoje.

–Tá bom!

Dinger foi correndo chamar a amiga para jantar, Mona, caprichou em seu cardápio e em seu tempero, para que a menina comesse uma comida muito gostosa, porque... Vai saber se ela come direito ou não.

Mona, estava preparando aquele jantar para se desculpar com a menina, e pedir perdão por tudo. E nada como comida para dar um ar de alegria na menina.

–Sério que sua mãe me chamou pra mim ir jantar com vocês?- Lili, perguntou surpresa.

–Estou rindo?- Dinger

–Nã...

–Então estou falando sério... Você vem ou não?

–Mas é claro que eu vou, se sua mãe tá me chamando, é porque ela quer alguma coisa, e eu quero ver a cara dela quando eu falar "NÃO".

–Como assim falar não? Poxa, a minha mãe tá se matando fazendo uma comida fantástica pra se desculpar com você, e você vai falar não?

–Sua mãe quer se desculpar comigo?

–Estou rindo?

–Ah... Mas, porque isso agora?

–Pelo simples fato de que eu contei a sua situação pra ela!

–Porque você fez isso?

–Qual é, é a minha mãe, ela precisava saber, pra parar de tratar mal. E depois, quando a minha mãe te conhecer que nem eu te conheço, ela vai mudar totalmente os conceitos dela sobre você!

–Será? Ou ela tá fazendo isso pra ficar me aborrecendo?

–Lógico que não, minha mãe também não é essa bruxa que você imagina.

–Desculpa, mas a sua mãe sempre me tratou mal... Pode ser que ela mude, mas eu tenho que ver isso com meus próprios olhos.

–Então tá, estamos te esperando... Tchau!

–Tchauzinho. E pode deixar, que eu vou aparecer.

Lili estava muito contente, pós quem ia imaginar que a mãe de Dinger, a mulher que mais te tratava mal fosse mudar assim, da água pro vinho?

Notas finais
Esse jantar, vocês não podem perder. É um momento de reconciliação!!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.