Dinastia de Cinza
6 A NOITE DOS IMPERADORES
Washington brilhava como uma vitrine naquela noite.
A festa da vitória de Carlisle Cullen transformara a capital em um espetáculo de luz, poder e promessas. O salão principal do hotel histórico reservado para o evento estava envolto em dourado, cristal e bandeiras impecavelmente alinhadas. Senadores, empresários, chefes de Estado, jornalistas selecionados a dedo. Todos ali para testemunhar o nascimento oficial de uma nova dinastia na Casa Branca.
No centro de tudo, como peças perfeitamente posicionadas em um tabuleiro antigo, estavam os Cullen e os Swan.
Carlisle sorria para câmeras com a serenidade de quem parecia realmente acreditar na própria integridade. Esme mantinha a elegância doce que a tornava intocável, quase santa. Alice circulava como uma estrela pequena e elétrica, garantindo que cada detalhe estivesse impecável.
Mas atrás da cortina dourada daquela vitória havia sombras.
Edward observava o salão do mezanino superior, um copo de uísque intacto nas mãos, enquanto Charles Swan aproximava-se com passos calculados. Os dois homens não precisavam de formalidades; eram arquitetos do mesmo império, apenas em lados diferentes do contrato.
— Parabéns pela vitória — Charles disse, a voz grave, diplomática. — Primeiro turno. Impressionante.
Edward inclinou levemente a cabeça.
— O mercado aprecia estabilidade.
Charles sorriu de canto.
— O mercado aprecia previsibilidade. E nós garantimos isso muito antes das urnas abrirem.
O olhar de Edward não vacilou.
— As transferências foram limpas. Nenhum rastro.
— O FBI vai continuar tentando.
— Eles sempre tentam.
O silêncio entre os dois era carregado de entendimento. Fundos desviados, fundações filantrópicas que lavavam cifras impossíveis, contratos internacionais “ajustados” para garantir apoio político silencioso. A vitória de Carlisle não fora apenas popularidade. Fora engenharia.
— Agora começa a fase mais delicada — Charles murmurou. — Precisamos parecer irrepreensíveis.
Edward deu um leve sorriso frio.
— Eu nunca pareço nada que não queira parecer.
Do outro lado do salão, Bella descia a escadaria principal como se tivesse nascido para aquele palco. O vestido preto moldava seu corpo com uma elegância que não implorava atenção — exigia. Os olhares a seguiam não apenas pela beleza, mas pela consciência coletiva de que ali estava a futura primeira-dama.
Quando seus olhos encontraram os de Edward no mezanino, o mundo pareceu estreitar.
Ela subiu.
Lentamente.
Sabendo exatamente o efeito que causava.
— Você está sorrindo como um vilão de filme antigo — ela comentou ao parar diante dele.
— E você está linda demais para ser inocente — ele respondeu, os olhos descendo e subindo sem pudor.
Ela apoiou os cotovelos na balaustrada ao lado dele.
— Está satisfeito? Seu pai presidente. Seu império intacto. Seu nome nos jornais.
— Ainda não.
— O que falta?
Ele virou o rosto lentamente para ela.
— Você parar de lutar contra o óbvio.
Bella soltou uma pequena risada, mas seus dedos apertaram a borda da sacada.
— Você acha que isso é inevitável?
— Eu acho — ele respondeu, aproximando-se um passo — que você me odeia com intensidade demais para não sentir o oposto na mesma proporção.
A respiração dela ficou levemente irregular.
— Cuidado, Edward.
— Ou o quê?
Ela virou-se para ele, ficando perigosamente próxima.
— Ou eu paro de jogar.
O salão abaixo explodia em aplausos enquanto Carlisle fazia outro discurso, mas no mezanino havia apenas o som da respiração dos dois.
— Então para — ele desafiou, a voz baixa, provocativa.
Ela sustentou o olhar por segundos que pareceram minutos.
Depois desceu as escadas sem responder.
A festa continuou, mas algo havia mudado. O ar estava mais pesado. Mais elétrico.
Horas depois, quando a maioria dos convidados importantes já havia partido e a segurança estava distraída com diplomatas estrangeiros, Bella entrou em uma das suítes reservadas para a família Cullen. Sabia que ele a seguiria.
Edward fechou a porta atrás de si sem pressa.
— Fugindo da própria festa? — perguntou.
— Fugindo de você.
— Mentira.
O quarto estava iluminado apenas pela luz da cidade entrando pelas janelas. Bella caminhou até o centro do espaço, tirando os brincos lentamente, mantendo os olhos nele.
— Você gosta de vencer — ela disse. — Gosta de controle. De ter a última palavra.
— Gosto de verdade.
Ela riu, amarga.
— Você gosta de poder.
Ele se aproximou.
— E você gosta de me provocar.
O silêncio ficou denso.
Bella deu um passo em direção a ele.
Depois outro.
Até que não houvesse mais espaço entre seus corpos.
— Você quer ouvir? — ela murmurou, a voz mais baixa do que jamais estivera com ele.
Ele inclinou o rosto, quase tocando o dela.
— Sempre.
O orgulho dela lutava, gritava, tentava puxá-la para trás.
Mas havia semanas — talvez anos — de tensão acumulada sob aquela superfície de guerra.
Ela segurou o colarinho do terno dele.
Os olhos firmes.
E disse:
— Me fode.
A palavra não foi sussurrada como fraqueza. Foi dita como rendição estratégica.
Como escolha.
Como desafio.
Algo mudou no olhar de Edward. Não havia deboche. Não havia arrogância. Apenas intensidade crua.
Ele a beijou como se o mundo tivesse parado de existir.
Sem pressa. Sem plateia. Sem disputa.
O vestido deslizou pelo corpo dela como um segredo revelado. As mãos dele exploraram com uma mistura perigosa de desejo e reverência — como se estivesse finalmente tocando algo que sempre fora dele e nunca fora ao mesmo tempo.
Não havia mais provocações.
Havia entrega.
Quando ele a levantou e a levou até a cama, o gesto não foi dominador — foi inevitável.
Bella não implorou.
Mas não resistiu.
E naquela noite, pela primeira vez desde a adolescência deles, não havia competição. Não havia cálculo. Apenas dois corpos que sempre souberam exatamente como se encaixavam.
O quarto foi preenchido por respirações entrecortadas, sussurros que nenhum dos dois repetiria em público, promessas não declaradas.
E quando tudo terminou, quando o silêncio voltou como uma maré lenta, eles permaneceram deitados lado a lado, olhando para o teto.
A cidade continuava brilhando.
O mundo continuava acreditando na pureza da nova presidência.
E ali, entre lençóis amassados e sentimentos perigosamente despertos, estava a única coisa que nenhum dos dois sabia administrar:
Vulnerabilidade.
Bella virou o rosto primeiro.
— Isso não muda nada.
Edward passou a mão pelo cabelo, tentando recuperar o controle que sempre o definira.
— Eu sei.
Mas ele não sabia.
Porque algo no modo como ela dissera seu nome durante a noite havia atravessado as defesas que ele levara anos construindo.
E algo no modo como ele a segurara — não como rival, não como peça, mas como mulher — tinha abalado as certezas dela.
Do lado de fora, fogos de artifício explodiam celebrando o novo presidente dos Estados Unidos.
Dentro do quarto, uma guerra silenciosa começava a tomar outra forma.
Eles eram orgulhosos demais para admitir.
Ambiciosos demais para recuar.
Corrompidos demais para serem inocentes.
Mas naquela noite, na festa que marcou o nascimento de um império político, Edward Cullen e Isabella Swan descobriram que havia algo mais perigoso do que poder absoluto:
Sentimento.
E isso…
Nenhum dos dois sabia controlar.
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