Os dias que se sucederam foi um verdadeiro emaranhado de acontecimentos. É claro que Renesme não aguentou ficar esperando informações de Belgonia e embarcou para Volterra sem que Aro soubesse. Manteve apenas Edward e Esme sabendo sobre tudo, além de William, é claro. Afinal de contas precisava de ajuda para escapar sem Emily ou James saberem. Ambos inventaram uma viagem qualquer de interesse da monarquia para disfarçar o seu real destino.

O que mais temia era que tudo evaporasse pelas suas cabeças. Antonius conseguiu com a ajuda de Alec grapear o celular de Aro e nada de ligações suspeitas. Ele era esperto o suficiente para isso. Renesme temia que ele não fosse mesmo em busca de Mattias e estava começando a se desesperar.

A revista que publicou as notícias sobre Aro disponibilizadas anonimamente pela princesa fez o barulho necessário. Todos comentavam sobre o assunto, não só em Volterra, mas em toda a Itália. Em Belgonia tudo chegou timidamente por conta da grande influência que Aro tinha por lá. Ele bem que tentou desmoralizar a revista que tinha publicado tais informações. Afinal, quem acreditaria em tablóides? Mas todo o burburinho foi o suficiente para que o tribunal superior cobrasse do príncipe explicações concretas sobre o caso já que interferia diretamente na questão da sucessão com Antonius.

Ele bem que tentou dizer que tinha sido armação do sobrinho contra a si próprio, pois não existiam provas alguma que o incriminava. Renesme sentia que Aro estava se enrolando em sua própria cauda. De jeito ou de outro, ele teria que procurar Mattias. Ele era o único que podia acusá-lo ou inocentá-lo. Alec e Renesme seguiram atentos. Com certeza Aro tentaria suborná-lo. Porém, o tempo foi passando e ambos já estavam perdendo a paciência.

— Não adianta mais esse método Alec. Seu pai claramente tem outros meios de resolver os seus assuntos.

— Eu estava pensando aqui... Talvez mamãe tenha o ajudado a se esconder. Ele sabia que papai poderia fazer qualquer coisa contra esse homem e ele era importante demais para deixar assim fácil.

— Então, talvez Aro também esteja procurando por ele.

— Espero que sim. Isso explica por que ele ainda não foi atrás dele.

— Onde sua mãe poderia escondê-lo?

Alec ficou pensativo, estava agitado tanto quanto Renesme estava. Andava de um lado para o outro pelo quarto. Era muita energia negativa em volta e muita sede de justiça. Não tinha como não ficar elétrico numa hora daquela. A princesa às vezes tinha vontade de gritar.

— Acho que sei... – Alec disse baixinho, como se conversasse com ele mesmo.

— Onde?

— Numa casa de campo em Sardenha. Essa propriedade pertenceu ao meu avô materno. Íamos lá de vez em quando. Acredito que seja o último lugar que papai iria procurá-lo.

— Quem cuida dessa propriedade? Ela foi herdada pela sua mãe?

— Não. Pertence ao meu tio. Foi uma das poucas casas que o governo não ficou por conta das dívidas do vovô.

— Por que acha que ele poderia estar escondido lá?

— Não é uma casa habitada com frequência. Precisa de um caseiro e mamãe pode ter sugerido ao meu tio o nome de Mattias.

— Sim, é uma possibilidade. Talvez com um nome diferente... Se ela realmente fez isso, sua mãe era uma mulher inteligente.

— Ela era. Mas não vamos criar muitas expectativas. É só um palpite.

— Mas o que temos agora? Temos que ir lá averiguar.

Logo ao amanhecer, eles se encontraram para pegar a balsa que os levaria para o outro lado dos mares. Sardenha está localizada a oeste da parte continental da Itália, logo abaixo da ilha francesa da Córsega. Renesme ainda não conhecia o lugar que talvez fosse belíssimo no verão. Mas nem a bela paisagem litorânea podia distraí-la de seu propósito. Em seu pensamento pediu muito a mãe e aos céus que Alec estivesse certo a respeito da localização de Mattias. Estava cansada de andar em círculos e temia que Aro tivesse a situação em seu controle.

Alec seguiu dirigido cada vez se embrenhando pela ilha até chegar à propriedade que ficava bem distante dos pontos turísticos que certamente seriam escolhidos por milhares de turistas que passavam por ali. A casa era bonita, tinha um estilo clássico greco-romano, mas estava envelhecida, precisava de reforma urgente para recuperar o seu status anterior.

Não foi difícil passar pelo portão grande. Ao que parecia ninguém andava mesmo por ali e nem mesmo bandoleiros se importavam em invadir lugar pela facilidade de acesso que havia para entrar lá.

Andaram mais um pouco e viram um senhor idoso agachado cuidado de uma das poucas plantas que se mantinham vivas perto da entrada. Renesme olhou bem para ele e tentou ver o seu rosto. Se lembrava da foto de Mattias dos arquivos do castelo, é claro que ele tinha envelhecido, mas alguma coisa ela reconheceria nele.

Alec já ia falar com ele, mas o velho homem nem esperou muito para entrar assustado na casa. Quando os dois chegaram à porta principal, ele já tinha entrado. Renesme então não teve dúvida de que aquele era o homem que procuravam. Sulpícia tinha mesmo dado uma grande cartada final.

— Mattias, por favor, nos receba. – pediu a princesa. – Viemos em paz.

— Eu não sei quem são vocês e nem sei a quem se referem.

— Então, por que se esconde? – perguntou Alec.

— Saiam daqui. Sou um pobre homem que protege essa casa abandonada.

Renesme respirou fundo e pegou em sua bolsa um conjunto de fotos do acidente de Bella e colocou por debaixo da porta. Eram imagens pesadas, dolorosas para ela e esperava que o conteúdo também tocasse Mattias de alguma forma.

— Veja Mattias. Essa mulher é a minha mãe. Há quase dois anos, ela perdeu a vida brutalmente por que cortaram os freios do carro dela e o acionamento do airbag que poderia protegê-la desse acidente. Desde esse momento, todos nós vivemos agoniados. Só queremos fazer justiça com aqueles que fizeram isso com ela. Pode me entender?

Então veio o silêncio. Alec olhou aflito para Renesme, mas ela não queria desistir. Era a única chance que tinham para acabar com aquele pesadelo sem fim. Ficaria ali até que ele saísse. Estava decidida e pronto. Passou longos minutos até que a porta abrisse. Renesme respirou aliviada.

Alec e a princesa entraram no recinto escuro. Parecia que a casa havia parado no tempo. Estava envelhecida como todo o resto, mas trazia uma melhor representação do que a família de Sulpícia foi um dia.

Mattias estava nervoso. Sentou-se na poltrona como se não conseguisse mais ficar de pé. Coçava as mãos desesperadamente. Renesme sentia uma pitada de culpa em seus gestos. Tinha uma desconfiança forte que Aro talvez o tivesse usado alguma situação cara a esse homem para obrigá-lo a fazer algo tão horroroso.

— Minha mãe é Sulpicia. – Iniciou Alec. – Foi ela que o escondeu aqui, não foi?

— Eu estou lhe reconhecendo assim como a reconheci. Achei que estava perdido quando ela me achou. Afinal, estava diante da esposa de Aro Volturi. Mas ela me convenceu com sua história. Sulpícia era uma alma boa.

— Sim, ela era. – Alec concordou sentindo-se tocado.

— Na verdade temos muito a agradecê-la. – Renesme falou. – Se ela não tivesse dado busca do que aconteceu com Marcus, jamais saberiamos. O filho dele, Antonius, está querendo justiça para o seu pai tanto quanto eu quero para a minha mãe. Não podemos deixar Aro livre para continuar fazendo mal as pessoas.

— Eu fui obrigado a mexer no carro da sua alteza. Na época eu precisava de dinheiro. Estava desesperado. Aro me ajudou, mas em troca...

— Se importa se gravarmos isso? Sei que é difícil para você toda essa situação, mas precisamos do seu depoimento para derrotar Aro. Por favor, é sua chance de se redimir.

Renesme observou o velhor homem em pranto. Suas mãos tremiam mais agora do que antes. Ela achou que ele teria algum colapso, mas o leve balançar da cabeça dele confirmou o que ela previa.

— Faça o que quiser, menina. Estou cansado dessa culpa e não quero mais me esconder.

A princesa assentiu e ligou o gravador do seu celular. Alec foi até a cozinha pegar um copo de água para Mattias e quando ele estava mais calmo começou a relatar toda a história.

— Eu trabalhava há dez anos no castelo quando tudo aconteceu. Era mais do que um emprego pra mim, era uma tábua de salvação. Eu era um imigrante de Guiné, preto, quem poderia me garantir que eu teria chances de sobreviver na Itália? Eu tinha conseguido conquistar a confiança dos Volturi e isso era muito pra mim.

— Eu imagino. Aro consegue extrair as fraquezas de todos para conseguir o que quer. – concordou Renesme.

— Sim, verdade. Naquele momento, eu tinha um filho pequeno. Mesmo tão jovem tinha um problema sério no coração. Eu e a minha esposa ficamos elouquecidos quando soubemos. O tratamento era muito caro e não tinhamos esse dinheiro.

— Então Aro usou a doença de seu filho.

— Tudo tem um preço, não é? Só que eu paguei bem caro por isso.

Renesme não se surpreendia com tudo que Mattias vinha contando. Toda a estratégia que ele pensou na época para matar o próprio irmão era muito do que ele talvez tenha feito para que James e Emily cercassem a sua mãe e contribuísse para o seu destino final.

Quando Mattias chegou ao fim da história, Renesme desligou o gravador e salvou em uma nuvem como tantas vezes Tom lhe sugerira no passado. Alec olhava para o homem com uma cara de vergonha. A princesa imaginava como deveria ser difícil descobrir que seu próprio pai era um monstro terrível.

— Mattias aceite as minhas desculpas pelo gesto de meu pai. Me sinto profundamente envergonhado.

— Tudo bem, meu filho. Eu também tive os meus pecados. Quero tanto quanto vocês que a justiça seja feita. Por isso eu decidi me entregar à polícia.

— Você não pode fazer isso agora. – Renesme interviu. – Se fizer isso, Aro pode dar um jeito de se livrar de você. Acredite, ele é bem capaz disso.

— Mas não quero ficar segurando esse pecado por mais tempo, filha.

— Você vai para Belgonia comigo. Ninguém sabe que eu estou aqui e não vão desconfiar de sua saída do país. É melhor que esteja lá. Além de mais seguro, também dificultará a chances de Aro achar você. Depois que tudo se resolver ai você pode fazer o que achar melhor.

Mattias assentiu e Renesme deu espaço para que o homem pudesse recolher as suas coisas para embarcar para o estrangeiro.

— Quais serão os passos agora, Renesme?

— Vou encondê-lo em um lugar seguro e pedir para Adem interrogar mais uma vez James e Emily. Acredito que essa gravação vai fazê-los entender que Aro está perdido e confessarão.

— Vou entrar em contato com Antonius para providenciar uma audiência no tribunal superior.

— Alec, você está mesmo preparado para ver o seu pai ser punido? Ele deverá até ser preso.

— Não é uma tarefa fácil, confesso. Mas é o certo.

Renesme assentiu e tocou o rosto de seu marido. Mais uma vez lamentou que tudo tivesse ocorrido de tal forma, que os dois vivessem juntos em situações desagradáveis. Teria sido bom conhecê-lo em outras circunstâncias. Mas estava satisfeita em poder ter chegado a uma maré boa com ele. Agora finalmente ambos farão a justiça que deveria ter sido feita há muito tempo.

Pouco depois, Emily foi chamada a sede do Serviço Secreto para mais um interrogatório. Tinha que confessar que pela primeira vez se sentiu temerosa. Realmente tinha ido longe demais com Bella e agora ali estava o alto escalão da polícia para interrogá-la. Sentiu a beira do abismo pela primeira vez. Porém, nunca foi de aceitar facilmente a condição que a vida lhe trouxe. Tinha que colocar a sua cabeça no lugar e entender até que ponto estava comprometida. Não sairia por baixo e de alguma forma tinha que reverter à situação.

Não nasceu rica e sempre soube o quão difícil era ter que contar com a própria sorte para ganhar um lugar ao sol. O mundo nunca foi justo com quem não tinha nenhum tostão no bolso. Então, desde muito jovem colocou na cabeça que não seria uma costureira como a mãe ou mesmo se subordinaria a um emprego de tão baixo nível como o seu pai que dirigia feito escravo para ricassos italianos.

Sua fé era grande e sua vontade de vencer era ainda maior. Começou a estudar bastante e a treinar o seu lado doce. Observava bem as pessoas, as mais “mansas” pareciam ganhar mais complacência dos grandes, para se aproveitarem ou não, ela queria que eles a estendessem a mão. Estava pronta para ser quem quer que eles quisessem que ela fosse.

Foi num restaurante de luxo que ela conheceu Aro Volturi. Ela era garçonete do estabelecimento e não era a sua vez de atender uma mesa. Mas logo quando ela pousou os olhos no príncipe regente de Volterra sabia que seria a sua chance. Fez de tudo para chamar a atenção dele. Sabia que ele estava viúvo e precisava de “atenção”. Dito e feito. Ele parecera ficar bastante encantado com ela.

Porém, Emily sabia que não podia entregar o ouro tão facilmente. Um homem se cansava fácil de coisas que não precisavam de muito esforço. Aro passou a frenquentar o restaurante quase que assiduamente e Emily gostava da ideia de que era para vê-la. Até que um dia ele a fez um convite mais ousado e ela disse que precisava de um emprego melhor. Não precisou muito para que Aro soubesse então qual era a moeda de troca.

Emily, então passou trabalhar no castelo dos Volturi ganhando muito mais do que poderia num restaurante granfino. A partir daquele momento ela se tornara o objeto de desejo do homem mais importante de Volterra. Aro não era lá o príncipe dos contos de fadas e nem o garanhão que toda mulher desejava, mas era bom ter o status de ser a cortesã de alguém como ele, dava-lhe um certo respeito em volta dela.

Mas ela sabia que também mulheres como ela podiam escorregar pelos dedos dos seus amantes. Bons presentes deviam ser apreciados aos poucos. Emily sabia bem deixar Aro a ponto de querê-la sempre mais e que isso lhe trouxesse grandes vantagens. Tanto que ao longo dos anos, ela podia se considerar uma confidente. Alguém que o príncipe confiava lhe contar os seus planos, segredos e acontecimentos. Isso lhe deu até uma dose de esperança que a situação dela evoluísse para quem sabe, namorada assumida.

Porém, inesperadamente, Aro jogou-lhe para escanteio sem aviso prévio. Isso deixara Emily furiosa, é claro, e também desapontada. Mas não abaixou a cabeça. Sabia que Aro tinha planos grandiosos em Belgonia e convenientemente lá estava uma vaga para secretária da Duquesa de Richomond, futura rainha consorte do país. Era a oportunidade perfeita que depois iria servir como isca para o seu antigo amante.

Como previra, foi exatamente isso que aconteceu. Emily sabia que Aro, como ela própria, agia por conveniência, então ela tratou de dar a ele a faca e o queijo. Só que nesse meio tempo ele não ficou sozinha a espera dele. Acabou se envolvendo com James, o segurança pessoal de sua alteza real e patroa. Não era bem o tipo de homem que ela gostaria de ter um relacionamento. James não tinha nada a lhe oferecer, mas com certeza lhe dava mais orgasmos que Aro se quer um dia chegara a dar. Ele também era o tipo de homem “golden retriever”. Estava sempre lá quando precisava e fazia o que ela queria. Muito conveniente.

Quando Aro retornou a cena, Emily ainda pensou se seria útil para ela manter acordos com ele, mas a ideia de tê-lo em suas mãos eram irresistíveis demais. Ele pediu que ela vigiasse a família real, fácil! Difícil foi armar contra a duquesa. Tinha que confessar que gostava de sua patroa. Ela era uma pessoa simples, com bondade no coração, coisa que não via em muita gente em sua posição, mas se arriscava muito.

Vigiá-la não era problema até ter certeza que teria que fazer mais do que isso para ganhar a confiança de Aro. Para o plano dele dar certo tinha que deixar a pobre mulher paranóíca. Então teve que escolher em que lado ficaria, difícil missão, mas sacrifícios tinham que ser feitos no meio do caminho.

Quando Timur colocou uma gravação, onde o tal de Mattias lá na Itália revelava como Aro armara para colocar o irmão longe do trono, ela soube que escolheu errado no passado. Diante disso, não pensou duas vezes. Ficar ao lado de Aro agora era entrar na fogueira. Descobriu que a situação dele estava mais preta do que ele desconfiava. Não tinha outra alternativa a não ser entregá-lo e pegar a pena mais leve. Vestiu a sua capa de pobre mulher e até chorou algumas vezes ao relatar o quão Aro havia sido bruto com ela e a forçado a fazer o que ele queria. É claro que teve que esconder que boa parte dos planos de elouquecer a duquesa partiram dela e também não contou como convenceu James a mexer no carro da patroa. Tudo era culpa do maldito vilão italiano!

— Tenho certeza que foi ele que mandou matar Tom na cadeia. Eu ouvi sem querer uma conversa dele falando sobre isso. Ele disse que era conveniente que Bono fosse considerado culpado pelo assassinato da duquesa e o ex- segurança da princesa sabia coisas sobre Aro. Tom era inteligente e descobriu que não era somente ele que estava ali contra ela. Aro tinha medo do que ele podia dizer.

— Tem como provar isso?

Não, ela não tinha, mas sabia que Aro tinha mandado eliminar Tom. Ele mesmo a tinha confidenciado isso: “Que era certo tirar o segurança do caminho antes que ele falasse demais”. Emily quando soube que Aro tinha feito o que prometera, achou justo, antes Tom do que ela. Mas na frente de Timur e Adem, não economizou em lágrimas e balançou a cabeça negativamente.

— Tom sabia que ele tinha nos forçado a mexer no airbag dela. Acho que ele viu quando Aro veio até nós aos gritos. Ele nos deixava loucos. Por isso, mandou matar Tom na cadeia.

Renesme assistia tudo aquilo com indignação. Tudo que Emily dizia era muito favorável para o que ela pretendia, mas não conseguia acreditar muito nela. Alguma coisa nos seus gestos a denuciavam. Era triste ver que uma pessoa que trabalhara ao seu lado e de sua mãe fosse uma cobra dessa forma e elas não haviam desconfiado disso. Aro pode tê-la convencido de alguma forma, mas ela não tinha sido a vítima como ela pintava. Aquelas lágrimas eram de crocodilo. Se uma coisa tinha aprendido nesses últimos tempos foi a reconhecer a verdadeira cara das pessoas.

— Bom, com isso podemos dizer que finalizamos o caso da duquesa. – afirmou Timur quando todos já estavam na sala adjacente. O silêncio tinha assolado a todos. Ninguém conseguia realmente acreditar que tudo tinha chegado ao fim com aquele desfecho.

James tinha dado o seu depoimento com a mesma história que nada tinha feito, mas diante do depoimento de Emily não havia mais escapatória. A prisão dos dois foi decretada. Adem que acompanhou todo o interrogatório via uma psicopatia na ex-secretária como via em Aro Volturi, os dois davam muito certo juntos. Sabia que ela só tinha se entregado por ter todas as provas diante dela, mas apostava tudo que nesse momento ela já pensava em como sair dali.

— Ainda iremos chamar a sua alteza sereníssima para dar a versão dele dos fatos. Depois disso, declararemos o caso encerrado e tudo será julgado nos tribunais. – ele falou.

— Quero todos os arquivos do interrogatório de hoje. – Renesme pediu. — Vou levar para a suprema corte de Volterra. Acreditem, Aro só irá ser punido de verdade quando perder o trono que nunca foi dele.

William assentiu ainda pensativo sobre tudo. Todo mundo citado tinha sido suspeito, mas ainda assim a sensação era estranha. A conclusão era macabra e não deixava de ser inesperada de alguma forma.

— Mas diante desses prints de mensagem e tudo que foi revelado por Emily. Não vai ter escapatória para ele. – disse Joel.

— Eu gostaria de agradecer imensamente a todos vocês pelo empenho em descobrir o que realmente aconteceu, especialmente a você, Joel, e ao William que nunca desistiram do caso. Seremos eternamente gratos. – Renesme agradeceu.

— Era a nossa obrigação, alteza. – declarou Joel por fim.

Edward ainda observava tudo com grande surpresa. Estava devastado com o fato de estar cercado de pessoas ruins e se deixar levar por elas sem nem se dar conta. Se sentia ainda pior em saber como sua Bella fora vítima desde o princípio de forças tão malignas e ele não fez nada a respeito. A velha culpa o atormentava. Tinha vontade de se bater. Mas com certeza sairia mais atento à realidade em sua volta. Sentia que toda a sua concepção de mundo mundou naquele minuto. Nada era como parecia ser. Só tinha uma certeza de uma coisa, não iria deixar barato. A punição iria ser a pior que houvesse e ele garantiria isso.

O final que todos esperavam, porém, foi além do que se podia imaginar. Aro Volturi tinha sido encontrado morto na manhã do dia 13 de janeiro de 2046. Segundo o laudo pericial, o motivo da morte havia sido suicídio por overdose de medicamentos. É claro que isso caiu como uma bomba, nenhuma das pessoas que conviviam com ele poderia supor que ele faria tal coisa.

Na manhã do sábado, uma das faxineiras do castelo de Volterra entrou nos aposentos reais e viu uma cena estranha. Seu patrão estava ainda na cama com a cabeça virada por baixo dos travesseiros. Ela tentou acordá-lo, mas notou que ele não respirava e verifiou o pulso do príncipe regente, não conseguiu senti-lo. Pouco depois, os paramédicos confirmaram o óbito.

Na mesma semana, Antonius com a gravação do depoimento de Mattias e de Emily conseguiu pedir uma audiência com o juiz depois da última ter sido adiada devido aos rumores contra Aro que rodavam na mídia italiana. Com as provas em mãos, o juiz da suprema corte chamou o príncipe regente de Volterra para prestar depoimentos antes que tudo viesse realmente a público.

Aro com sua grande autoconfiança jamais poderia supor que algo assim poderia acontecer. Nunca imaginou que Antonius pudesse ter encontrado Mattias e conseguido aquele depoimento o acusando. Quando ouviu Emily exagerando em muitos pontos a cerca do que aconteceu com Bella, entendeu que tudo isso só poderia ter vindo de sua nora, que tinha agido na surdina contra ele e aliada com o seu sobrinho interesseiro. Não podia negar que aquilo o pegou desprevenido. O colapso em sua mente foi grande demais. Pela primeira vez sentiu que estava perdido.

Foi para casa e tentou pensar em mil coisas para poder dar a volta por cima, mas nada vinha em sua mente. No dia anterior a sua morte, se reuniu com três advogados e todos deles deram alternativas que Aro não considerava satisfatório. Dizer que não haviam provas e desmentir tudo era o óbvio, mas não evitaria os boatos na mídia e a má fama que iria ser criada. Fora o fato que certamente iria perder o seu trono enquanto tivesse sendo julgado. No caso de Belgonia, chegou a receber uma intimação do Serviço Secreto para prestar depoimento, mas ai seria só mais uma tora para avivar a fogueira.

Passou a noite pensando no que iria fazer e sentia uma dor de cabeça terrível. Pegou o remédio e o tomou como um grande algoz.

Renesme ficou surpresa com a notícia do falecimento de seu sogro. Não esperava que isso pudesse vir a acontecer. Alec tinha lhe avisado ao telefone e disse que ainda não divulgariam na mídia até que o médico realmente declarasse o que havia acontecido. A princesa pegou o primeiro avião e se juntou ao marido em Volterra.

Assim como Alec, Renesme percebeu que nenhum dos outros filhos queriam crê que o pai tinha partido. O médico já tinha atestado o falecimento, mas ninguém parecia querer anunciar a má notícia. Aro era a força motriz do lugar. Nada saia ou funcionava sem ele coordenar ou permitir. Todos pareciam perdidos naquele momento.

Quando a notícia foi dada ao público, de maneira vaga e sem muitos detalhes, já haviam passado horas após o falecimento. Renesme sentia que Alec, apesar de todo o ressentimento que ele havia tido nesses últimos dias, ainda sentia muito o que tinha acontecido, afinal de contas era pai dele, independente de qualquer coisa. A princesa se recusou a sair do lado dele enquanto tudo parecia desmoronar em sua volta.

Após o comunicado oficial do falecimento de Aro, a justiça deu causa ganha a Antonius e imediatamente o declarou como príncipe regente de Volterra. Antonius chegou ao castelo e foi recebido com aminiosidade pelos primos. Apenas Alec o parabenizou.

Renesme percebeu o quanto Antonius foi respeitoso com tudo, mesmo Aro não merecendo nada disso. Ele combinou com os primos para não divulgarem a princípio a causa morte, seria um grande escândalo dizer que havia sido suicídio. Caius e Jane solicitaram ao médico para colocar no laudo apenas “ataque cardiovascular por intoxicação de medicamentos.”, era uma versão menos pior. Antonius também não divulgou nada a respeito dos crimes do tio. Estava disposto a passar uma borracha em tudo e começar do zero. Deus já tinha escrito o destino de Aro.

Renesme ficou em Volterra até o funeral que ocorreu três dias depois. Sempre ao lado de Alec, foi ao velório e depois ao enterro. Seu sentimento era de que tudo estava sendo escrito conforme a força divina. A sensação era de que a justiça estava sendo feita, afinal todos estavam pagando os seus preços. Não queria esse fim para o seu sogro, mas agora estava jogando para o destino. Ele havia colhido tudo que plantou e era isso.

Quando entrou no avião para retornar para casa, ela sentiu que o sol saia depois de uma grande tempestade. Olhava para as nuvens e ainda não acreditava que não havia mais Aro Volturi para controlá-los. Estava finalmente livre. Deu um pequeno sorriso ao constatar isso. Passaram esse tempo todo tomados pela tensão e pela vigília constante do vilão de Volterra que nem dava para acreditar que agora a realidade seria outra.

Alec decidiu ficar na Itália para ver como as coisas iriam se suceder em seguida. Ambos estavam de acordo que era hora de seguirem caminhos separados definitivamente, a missão que os mantinham juntos havia sido finalizada e foi à primeira decisão que a princesa tomou ao chegar em Belgonia foi a abertura do pedido de divórcio.

Não sabia bem como iria tratar com relação às últimas descobertas com relação a caso de sua mãe. Conversou com Esme a respeito e acabou decidindo manter tudo em silêncio a respeito de Aro e seu envolvimento com Tom, pelo qual se sentia inteiramente envergonhada, ambos já tinham pagado os seus preços. Bono é que havia sido o verdadeiro culpado e iria ser punido como deveria. Às vezes, ela pensava que poderia ser um tanto injusto até mesmo com a sua própria história, mas em respeito a Alec, e por não querer que outras coisas fossem descobertas pelo público, preferiu o silêncio. Ela agora estava mais disposta em seguir em frente, finalmente. Iria mudar a sua equipe e amar William Lamb como se não tivesse amanhã. Estava pronta para escrever uma nova vida e deixar o passado, onde ele deveria estar.

PESSOAL, ESTAMOS CHEGANDO AO FIM! COMENTEM O QUE ESTÃO ACHANDO. JÁ COMECEI A ESCREVER A HISTÓRIA SEGUINTE, QUE DESSA VEZ SERÁ NA PERSPECTIVA DE ESME. VAI TER UM FORMATO COMPLETAMNTE DIFERENTE DAS DUAS PRIMEIRAS FINCS, ONDE A NOSSA RAINHA VAI CONTAR A SUA VERSÃO DA HISTÓRIA DESDE O INÍCIO QUANDO SE CASOU COM CARLISLE ATÉ AGORA. PARA QUEM ACOMPANHOU AS DUAS FINCS VAI AMAR! ;)