Dinastia 2: A Coroa de Espinhos
50 Capítulo 50
13 de Setembro de 2045
— Para encerrar o meu discusso, o meu único pedido aos candidatos a primeiro ministro de nosso país, é que afirmem o compromisso com o nosso povo. Encabeçam projetos para tirar o nossos jovens da criminalidade, do trabalho forçado, incentivem os estudos e as artes. É a única coisa que queremos para o momento ajudar a enfrentar essa grande crise. Obrigada!
Palmas e mais palmas dominavam todo o cenário do parlamento. Renesme agradeceu envergonhada o gesto e respirou fundo, aliviada por ter chegado o fim de sua missão. Naquela manhã tão signifcativa, aquela que seria o início das grandes comemorações pelo aniversário de sua mãe, fora escolhido para ser o dia da aprovação do primeiro projeto do “Youngs Together” que tentaria ajudar a milhares de jovens a se encaixarem no mercado de trabalho sem largarem os estudos. A princesa sentia-se confiante que o primeiro passo seria dado com louvor.
Desceu do pulpito e foi saudada por vários parlamentares. Mas ela focava em apenas um deles, Sean Renard. Ela sabia que não poderia conversar com ele um assunto tão sério em público. Todos iriam desconfiar que alguma coisa estava acontecendo. Queria apenas encontrar o momento perfeito para avisá-lo de suas intenções. Mas sabia que seria terrivelmente difícil diante de tudo que estava acontecendo.
Havia iniciado algumas semanas atrás, a CPI que investigava Bono. Era capa em todo lugar que o Serviço Secreto havia encontrado provas de corrupção em seu mandato e comprovava o envolvimento dele com os diversos grupos conservadores que andavam cometendo crimes por ai. Edward pedira, formalmente, o afastamento de Bono ao parlamento até que tudo fosse esclarecido e outro candidato do partido foi escolhido para concorrer às eleições. Então, em meio a grandes escândalos como aquele, decidirem dar uma pausa na CPI para aprovar o seu projeto era um grande louvor.
Renesme e William viam vigiando de perto Aro e os funcionários do palácio. Porém, não estava sendo uma tarefa muito fácil já que o príncipe de Volterra voltara as suas atenções para o seu país. Ele havia perdido na segunda instância para o seu sobrinho e por isso diminuira a sua constante presença em Belgonia.
Entretanto, ele parecia muito animado em incentivar a imprensa a associar a morte da duquesa a Bono Donnalson para formentar ainda mais a história. Renesme achava isso perfeito. Mas queria bem mais. Queria descobrir tudo logo de uma vez, porém sabia que tinha que ter calma e agir com cautela para não pôr tudo a perder.
O chefe do parlamento declarou uma pausa de cinco minutos antes dar início as votações e Renesme pediu a Emily que discretamente chamasse Sean para conversar com ela em um lugar mais tranquilo. A secretária levantou-se e foi até o deputado. Renesme foi à sala adjacente ao plenário e aguardou. Alguns instantes depois, Sean Renard entrou sozinho no recinto.
— Alteza! – Ele a reverenciou.
— Sean! Como vai?
Renesme estendeu a mão ao prefeito de Belgravia e ele a apertou. Não tinha como não ser estranho o fato de que aquele homem havia entrado para a sua família e ela mal o conhecia.
— Vou bem. Gostaria de prestar-lhe as minhas sinceras parabenizações ao projeto de lei que enviou para cá. Tenho certeza que será aprovado com louvor.
— Espero que sim e, por favor, quando tornar-se primeiro ministro. Pense em mais ações como esta proposta pelo projeto.
— Certamente. É um dos meus compromissos.
Sean não pôde deixar de notar na fala da princesa: “quando tornar-se primeiro ministro.”. Sabia que devido às circunstâncias não poderia haver outra predileção dela. Mas ainda assim ficou feliz com o seu apoio, mesmo ela não podendo declarar em público.
— Me dê notícias de Marlowe. Lamentei não poder vê-la na festa que deram ao meu aniversário e quase não tenho tido contato com ela.
— Ela está muito bem. A gravidez está saudável apesar de toda a ansiedade que temos tido diante da campanha.
— Que maravilha! Já sabem se será menino ou menina?
— Menina.
Renesme viu um olhar genuíno de felicidade em Sean. Sejam lá quais tivessem sido as intenções iniciais dele ao se unir a Marlowe, ele agora estava feliz em ser pai e isso a deixava contente.
— Que Deus abençoe muito! Preciso fazer uma visita a ela para vê-la, porém precisa ser um dia em que você esteja também.
— Será bem- vinda em nossa casa sempre que quiser, alteza. Não guardamos nenhum rancor pelo que aocnteceu... Porém agora... Está um pouco difícil devido às eleições.
— Sean, é um assunto muito sério. Sei que se encontrou com a minha mãe antes dela morrer.
— Sim, coincidentemente nos encontramos num evento e...
— Antes disso.
Sean tentou descobrir como ela havia descoberto aquilo. Havia sido um encontro estritamente secreto. Não sabia se ela estava apenas “tentando colher maduro”, mas aquilo o pertubou. Não queria estar no olho dos escândalos envolvendo o caso da duquesa bem perto do fim da sua campaha para primeiro ministro.
— Sei que anda ocupado demais e quer a sua imagem imaculada diante de tudo que vem acontecendo. Porém, eu vi te pedir aqui como uma filha que perdeu a sua mãe. Precisa me contar o que conversaram e qual foi a sua relação com ela. Estamos num ponto da investigação que não temos mais por onde correr. Preciso de sua ajuda.
Sean se ajeitou na cadeira e voltou-se imediatamente ao dia em que esteve com Isabella naquele flat. Sabia muitas coisas, embora boa parte delas já tenha vindo ao público. De lá pra cá uma das informações que ele recebera o fez refletir com o passar dos meses. Não seria de todo ruim que Renesme soubesse o que acontecia nos bastidores do palácio do parlamento. Quando fosse eleito queria garantir que teria o apoio dela contra os inimigos em potencial, no entanto que tudo viesse a ser revelado de forma confidencial.
— Ok. Digo-lhe um dia adequado.
— Não me deixe na mão, por favor! – Renesme implorou com os olhos suplicantes e Sean suspirou.
— Mas não quero meu nome envolvido em nenhuma notícia desse tipo. Pode me garantir isso?
— Posso e nem eu poderei me associar a você de qualquer forma.
— Entendo. Então é melhor que encerremos por aqui antes que alguém note a nossa ausência.
Renesme assentiu e viu Sean se levantar para sair pela outra porta da sala. Mas antes de abri-la, ele olhou bem para a princesa e disse:
— Só tome muito cuidado, alteza, com as pessoas que lhe cerca. Nem todas são confiáveis.
E saiu. Renesme sentiu-se impactada com o que ele disse. Mesmo sabendo disso há muito tempo. Porém, não teve como não deixar de pensar nisso durante todo o percurso para o palácio. Será mesmo que Sean se referia a Aro? Nunca ficou tão ansiosa para um encontro com alguém como agora.
Entrou no palácio às pressas, tinha que se preparar para o lançamento do livro de sua mãe. Estava ansiosa para esse momento também. Especialmente por que andava muito emotiva com relação a isso. Hoje era o dia do aniversário dela. Era para ser completamente diferente daquilo que estava para acontecer, um lançamento de um livro pós – morte. Era muito difícil ainda falar nela no passado e ainda mais diante de tantas pessoas desconhecidas.
Entrou no quarto e encontrou Alec a sua espera. Não sabia se surpreendia. Tinha ciência que eles sabiam que ela estava em seus dias férteis e Aro agora estava alucinado para pôr um herdeiro Volturi no trono de Belgonia para se garantir se algo acontecesse de ruim para ele em Volterra. Ela agora era um animal no cio pronta para o seu macho.
Alec nem se deu o trabalho de perguntar a ela como havia sido no parlamento ou nada do tipo, apenas a abraçou por trás, já tirando o seu vestido. Ela ficou paralisada, como sempre ficava. Sentia-se enojada e sem forças para escapar.
Ele agora a deitava na cama e retirava a sua calcinha. Renesme virou o rosto e se segurou para não chorar. Antes havia tentado ao máximo gostar de seu marido. Tentava sentir alguma coisa quando estavam juntos daquela forma, mas não conseguia. Simplemente não sentia nada. Porém, agora com tudo que vinha desconfiando, queria mesmo era que Alec se concentrasse mesmo em outras coisas e a deixasse em paz.
Ela já fazia questão de não dormir mais ao lado dele. Queria evitar esses momentos como o de agora. Sabia que Alec não se ressentia com aquilo. Ele sabia que não eram mesmo compatíveis como um casal e que no máximo se dariam bem nos eventos.
Renesme até o via com bons olhos, mas a sombra do pensamento de que Aro de alguma forma tinha sido responsável por todo o terror que eles estavam vivendo agora, influenciava em sua relação com Alec. Mesmo sabendo que muito provavelmente ele era inocente. Apenas suportava todos eles.
Alec deu um longo suspiro e pesou sobre o corpo de Renesme. Finalmente havia acabado a cópula. Ele não saiu de cima dela de uma vez, ainda ficou olhando para ela por alguns instantes.
— Hoje é o lançamento do livro de sua mãe, não é?
— É sim e eu estou atrasada para os preparativos. Ainda tenho que ensaiar o meu discurso. – Renesme falou enquanto se levantava.
— Boa sorte!
— Você não irá? – A princesa tentou falar sem dar uma impressão de alívio.
— Queria poder, mas fui convidado para um jantar na casa do duque de Belmont.
Duque de Belmont... Renesme pensou. O que Alec faria num jantar como aquele? Lembrava que o duque, como muitos nobres, havia sido convidado para a fadídiga festa de seu aniversário promovida por Aro dois dias atrás. Lembrava também de ver Alec todo animado conversando com a filha deles, Lovelace. William havia falado sobre ela para Renesme. A princesa não a conhecia bem. Ela era bem mais nova que ela, quase da idade de Antony e não fazia parte de seu escasso círculo de amizades na época da escola.
Não era a primeira vez que Alec demosntrava interesse nela. No primeiro baile da ordem dos cavalheiros que foram juntos, eles haviam sido apresentados e conversaram, mas em seu aniversário, seu marido parecia mais entretido a ela. Será que o convite para o jantar teria partido dela? Renesme não se importava com isso. Se essa amizade pudesse virar um caso extraconjugal, melhor para ela.
Entrou no banheiro e sentiu o esperma escorrer por entre as suas pernas se sentiu ainda mais suja, mas antes de ir ao chuveiro e se lavar, trancou a porta e pegou a sua pílula escondida e tomou. Não queria ter o risco de engravidar. Foi depressa para o chuveiro e esperou que toda a àgua e o sabonete tirassem Alec de seu corpo. Mas estava grudado não só em seu corpo, mas também em sua mente. Quanto tempo mais teria que suportar? Tentou não chorar. Não querer desperdir nenhuma lágrima por causa de nenhum Volturi.
Ficou sentada no azulejo do banheiro até ter certeza que Alec já não estava mais no quarto para sair. Vestiu a roupa que haviam escolhido para ela e seguiu para o seu escritório. Andou devagar, quase sem fazer barulho. Não queria que ninguém falasse com ela. Não era o seu melhor momento.
Pegou o retrato da mãe em sua mesa e lembrou-se dos momentos que passaram juntas. O dia 13 era sempre muito festivo. Como faziam aniversário sempre perto uma da outra, Bella fazia questão de muita comemoração. Renesme e sua mãe iam para a cozinha e elas mesmas faziam o bolo de aniversário. Cozinhar com Bella era sempre um grande momento! Depois saiam juntas e faziam coisas divertidas como ir ao parque, comer sorvete até sentirem o estômago cheio demais, ver apresentações de balé, andar a cavalo, comprar livros. Enfim, eram momentos memoráveis e impossíveis de se esquecer. Lembrar que isso nunca aconteceria novamente doia o coração da princesa.
Renesme sentiu duas mãos macias tocarem seus ombros e virou-se. Sabia que era Esme em suas costas. Podia reconhecê-la em qualquer lugar. Num impulso abraçou a avó e ficou retribuida com todo o carinho que sempre recebeu dela.
— Meu bem... Sei que esse dia é dolorido! Mas eu queria te dizer que fiquei tão orgulhosa de você nessa manhã. Tenho certeza que Bella também lá de cima.
— Obrigada vó.
— Muita sorte nesse evento de agora, meu amor. Tenho certeza que será um sucesso!
Renesme sorriu e ficou olhando para as mãos enrrugadas da avó. Sua mente girava e pensava sobre mil coisas. Mas uma em especial surgiu.
— Vó...
— Sim?
— Naquele dia... Quando disse que Aro estava no lugar que você queria que ele estivesse. O que quis dizer com isso?
Esme sentou-se na cadeira de frente a Renesme e não se surpreendeu nem um pouco com a pergunta da neta. Sabia que ela tinha guardado aquela informação e que ficaria remoendo aquilo. Há um tempo vinha investigando Aro com a ajuda do secretário geral do palácio. Ele se passava de aliado do príncipe regente para colher informações para a rainha mãe. É claro que ela não deixaria a neta e nem a sua família entrar para um beco escuro sem se assegurar da segurança do lugar.
— É só umas coisas que andei pensando...
— Vó, eu andei refletindo sobre algumas coisas...
— Sobre o que especificamente?
— Ando desconfiando que Aro tenha muita gente infiltrada aqui dentro do palácio e isso desde antes do falecimento da mamãe. Não é possível que alguém saiba tanto quanto ele.
— O que leva a acreditar nisso?
Renesme olhou bem para avó e verificou bem as expressões dela. Muitas vezes se sentia muito sozinha dentro do palácio. Se abrisse a boca para falar qualquer coisa muito provavelmente diria que era algo de sua cabeça. Agora entendia bem o que sua mãe sentira e isso era sufocante demais. Não sabia que sua avó e o seu pai fechavam os olhos de propósito ou realmente não queriam ver o que realmente estava acontecendo.
Mesmo assim, Renesme resolveu relatar tudo que desconfiava para a avó na mísera esperança que ela pudesse saber alguma coisa que não sabia. Mesmo com um certo receio, queria poder acreditar que sua vó poderia ficar ao seu lado e lhe ajudar.
Esme ouviu tudo silenciosamente e no final juntou as duas mãos da neta e ficou olhando para ela com uma serenidade acolhedora.
— Eu desconfio a mesma coisa, minha filha.
Renesme suspirou de alívio.
— Eu sei que é horrível o que eu vou lhe dizer agora, mas o seu casamento foi um grande teste para mim. Há um tempo eu já vinha desconfiando que algumas pessoas pudessem estar vazando informações confidênciais para a imprensa. Até ai tudo bem. Isso pode acontecer, mas comecei a observar que essas notícias vinham a sair por jornais que eram patrocinados por Aro.
O coração de Renesme começou a bater mais rápido. Muita notícia sobre Bella foi vinculada na imprensa antes de sua morte. Muitas ela sabia que eram pagas por Bono para desmoralizar a sua mãe. Porém, outras eram bem pessoais. A princesa lembrava bem que Bella chegou até a entrar em desespero ao ver que até comentários bem íntimos tinham vindo à tona na mídia. Comentários esse que podiam prejudicar a família real e que só poderiam ter sido feitos no círculo bem restrito. Anteriormente, Renesme pensou que poderia ter sido Tom, mas agora...
— Pedi a Antony, o nosso secretário, que descobrisse coisas para mim e já estou certa que Aro armou tudo desde o início para o seu casamento com Alec. Se infiltrou no partido conservador. Pagou uma galera daqui que é movido por uma ideologia de conservadorismo monárquico quase doentia para passar informações chaves daqui. Mas infelizmente não posso afirmar se ele tem ou não envolvimento com a morte de Bella.
Renesme agora estava se sentindo sufocada. Sua voz tinha sumido. Se sentia ainda mais suja agora por que um Volturi tinha acabado de pôr as mãos nela.
— Mas estou de olho, Ness. Nada aqui no palácio foge do meu controle, acredite.
— Vó... – a garganta de Renesme ainda estava seca. – Temos que bolar um plano para acabar com essa quadrilha.
— Temos sim. Mas antes quero que Aro caia na rede. Vou fazer, através de Antony, ele confessar o que quer que seja e o mandarei para o inferno onde ele nunca deveria ter saído.
Renesme assentiu e continuou a pensar em James e em todas as tramoias que Aro poderia estar tramando durante toda à tarde. Quando chegou a noite e enquanto se dirigia ao local do lançamento do livro de sua mãe, ainda se sentia entorpecida de pensamentos. Agora imaginava Aro articulando tudo nos bastidores para colocar Bono contra Bella e vice e versa. Tudo para que eles a destruíssem e levassem culpa por isso. Enquanto, ele ganhava apoio no parlamento através de seu dinheiro e o convessem a todos que a melhor saída era tê-lo como aliado através do casamento com Alec. Ao mesmo tempo que faturava milhões no seu empreendimento em New Visby. Não duvidava que ele poderia fazer de tudo para ter poder, mesmo que fosse por cima de tragédias, mas sinceramente, ainda queria acreditar que estava errada.
— Como veio à ideia de lançar um livro sobre a duquesa? – a garota em sua frente lhe perguntou e ela foi obrigada a voltar à vida.
— Não sei bem se mamãe aceitaria ter uma biografia sua publicada. Ela era muito discreta, porém, a ideia da Marta Kufh foi tão linda! E diante de tantas acusações errônias que foram feitas sobre ela, acho que chegou a hora de todos conhecê-la de verdade.
— E não tem melhor forma de fazer isso do que através dos depoimentos de quem viveu ao lado dela.
— Sim. Marta foi tão sensível na hora de coletar todos os depoimentos. E aqui temos um amaranhado de histórias verdadeiras sobre ela que dá uma boa margem para entender o quanto ela era justa, inteligente e preocupada com as pessoas em volta dela. É essa Bella que queremos que vocês conheçam.
— O livro, que vocês poderão ter acesso hoje, traz fotos da duquesa em vários estágios de sua vida, muitas delas inéditas, ok? Além disso, reune uma série de depoimentos sobre a vida dela dado por amigos, familiares, pessoas que trabalhara com ela. Tudo isso reunido em uma linha do tempo para que o leitor acompanhe todas as etapas de sua vida. – Disse a apresentadora do evento.
— Vale ressaltar que os depoimentos foram volutários. Ninguém foi forçado a nada. Tudo que foi dito sobre ela veio de lembranças reais que as pessoas tiveram dela. Fiquei muito mais orgulhosa da pessoa que ela foi depois que li tudo que nos mandaram. – Renesme acrescentou.
— Esse livro também ajudará em uma boa causa, não é?
— Sim. Boa parte dos rendimentos da venda dos livros será revestido para causas sociais. Hoje, o dia em que ela estaria completando 55 anos, tenho o prazer de anunciar a fundação “Youngs Togheter” que visa inteiramente ajudar jovens de minoriais para que eles possam ter um bom futuro e serem cidadãos de bem. Meu irmão e meu primo, que aqui estão, se juntaram a mim para trabalharmos em formas que possamos ajudar esses jovens da melhor forma possível.
— Que boa notícia! E como serão os trabalhos dessa fundação?
— É uma fundação criada por mim, pelo meu irmão e pelo meu primo Henry. Apesar de sermos ligados a família real, essa fundação não é associada à monarquia. A ideia é que possamos unir forças com outras pessoas, empresas privadas, com o governo público, com civis, que queiram ajudar em causas humanitárias voltadas para jovens. Vamos lançar meios para adolescentes saírem da criminalidade, através do esporte e das artes, e que consigam se inserir no mercado de trabalho.
— Um pouco sobre o que sua mãe queria fazer, não é?
— Era o que ela já fazia. Mas queremos ir além. Por que uma coisa ela dizia e acreditamos. Podemos usar a nossa voz e nossa influência para ajudar a vida daqueles que mais precisam e nossa maior missão é essa, sendo ou não membros da realeza.
— Acho que é o que todos nós precisamos nesses momentos de crise. Atitudes verdadeiras. Lhe desejamos boa sorte, alteza.
— Obrigada.
— Vocês poderão ter acesso a todas as propostas da nova fundação “Youngs Togheter” através do Instagram oficial da sua alteza real, @Belgonyprincessroyal. Acessem lá! Agora a princesa estará podendo conversar um pouco com o público e tirando algumas fotos enquanto os livros vão sendo distribuídos.
A princesa sorriu nervosa e agradeceu a moça em sua frente pela a entrevista. Quando se levantou viu o auditório inteiro se levantar e lhe aplaudir. Podia sentir as suas bochechas corarem, mas a vontade de chorar era ainda maior. Queria tanto que aquela congratulações fossem na presença de Bella. Queria dizer a ela que tinha aprendido a lição. Que continuaria lutando. Não queria que a saudade fosse tão grande!
Desceu do palco e continuou recebendo os carinhos vindo de diversas pessoas na fila que haviam comprado o livro. Recebeu abraços, lágrimas, beijos no rosto e muitos sorrisos. Renesme só queria que Bella tivesse aqui para receber pessoalmente todo aquele carinho. Não sabia bem com quantas pessoas tirou fotos e falou naquela noite. Mas fez questão de estar perto do maior número possível de pessoas. Só saiu dali quando estava realmente cansada. O seu celular tremeu no bolso e viu que era uma mensagem de William.
“Venha para o flat”.
Ela estranhou aquela mensagem, mas não quis pensar mais a respeito. Apenas pediu que Henry a deixasse no flat em seu carro para despistar paparazzis e a sua equipe em geral. Alguma coisa o jornalista queria e só podia ser sério para o encontro ser ali.
Ao chegar ao estacionamento, não viu o carro dele. Ele foi esperto, pensou. Sabia que os tabloides já começavam a especular a sua relação com William. Mas ela mantinha a sua mente tranquila. Colocou a peruca e os óculos e pegou o elevador. Chegou à frente da porta do flat e rezou para que William não lhe desse uma notícia ruim. Virou a sua chave e entrou. O que viu não era nada que ela poderia ter imaginado.
— Feliz aniversário! – William desejou enquanto se aproximava dela com um chapéu de festa.
— Meu aniversário foi há dois dias.
— É, mas não comemormos a altura.
William pegou a mão da princesa e a levou para a sala. Quando lá chegou, ela pôde ver um cenário típico de uma festa infantil. Balões por toda parte, salgadinhos fritos, docinhos e uma faixa enorme com um: “Feliz Aniversário Ness!”. Renesme olhou para William sorrindo e não imaginava que ele tinha ajeitado tudo aquilo.
— Para mim um bom aniversário tem que ter uma boa comida e uma dose de inocência da infância.
— Isso é simplesmente maravilhoso! – Renesme disse sorrindo, mas com uma pontada de emoção.
— Eu sei que seu aniversário era sempre comemorado com muita alegria quando a sua mãe era viva.
— Sim. Acho que você conseguiu traduzir um pouco do que era. Mamãe queria que tivessemos tudo de mais normal possível.
— Eu só quero que seja sincero e feliz.
— Já está sendo!
Renesme deu uma olhada ao redor. Tudo era muito incrível! Dava uma boa sensação de nostalgia, de uma alegria inocente que não lembrava mais de sentir. Tão diferente do que houve na segunda – feira. Aro tinha organizado um jantar enorme no palácio e obviamente nada aquilo era para celebrar a sua vida. Era mais uma solenidade para demonstrar poder. Havia apenas políticos e nobres que ela nem mesmo conhecia bem. Fora uma noite desconfortável! Agora ela só queria correr pela sala e comer todas aquelas guloseimas.
— Veja o que tem na cesta.
A princesa correu para a cesta e viu que ela estava cheia de cartas. Ia pegando os envelopes e ia reconhecendo as caligrafias. William tinha conseguido reunir depoimentos das suas pessoas favoritas. Tinha ali Henry, Antony, Esme e até amigos que ela não via há um tempo, como Louise que agora morava na França. Ela olhou para o jornalista com surpresa.
— Como você conseguiu tudo isso?
— Foi fácil quando temos alguém que é muito amada.
Renesme continuou andando pela sala enquanto observava os detalhes. Havia também um cartaz com grandes recortes de fotos suas com uma frase: “para aquela princesa mais linda!” que havia sido feito por Katlyn. Nos balões tinha algumas fotos pregadas ao lado de seus primos que com certeza haviam sido cedidas por Henry. Ela já queria chorar.
— Eu vou ter direito a um bolo?
— Você acha que eu esqueceria do principal?
William foi até a cozinha e voltou com um bolo de chocolate bem simples, mas que fez o coração de Renesme se desmanchar. Esse era o seu sabor favorito e o que sempre fazia com Bella. De repente, lembrou-se das manhãs que corria para a cozinha animada por sentir o cheiro de chocolate e ali estava Bella fazendo a calda no fogão. Aquilo sempre significava que seria um dia bom.
O jornalista acendeu a única vela em cima do bolo e se aproximou de Renesme. Podia ver a felicidade e a emoção nos olhos dela. Era isso que ele queria que ela se sentisse, amada e feliz.
— Faça um pedido.
Renesme olhou para ele se perguntando se aquilo era sério.
— Katlyn me disse que os desejos sempre se realizam ao apagar as velas de aniversário.
A princesa fechou os olhos e pediu para ser feliz. Apagou as velas e olhou para o William. Seus olhos só havia ternura.
— Posso experimentar?
— É claro! O bolo é seu.
Renesme sorriu e resolveu entrar na onda. Abriu a boca e mordeu o bolo. William deu uma gargalhada e ela continuou dando mordidas no bolo, se sentindo uma criança de novo.
— Está gostoso?
— Uma delícia! Sabe que eu sempre quis fazer isso?
— Aproveite! O momento é seu.
— Não. Vou deixar um pouco para você também. Quero te agradecer, William. Esse foi o gesto mais fofo que alguém poderia fazer por mim.
— Não me agradeça ainda. Tenho que dar o seu presente.
— Presente? Hum!
William colocou o bolo de lado e pegou um pacote embrulhado. Renesme tentou imaginar o que poderia ser e pegou o presente. Puxou o embrulho e viu um lindo diário com uma capa vermelha bordada.
— Uma coisa que sua mãe pôde me ensinar é que sempre precisamos desabafar. Sei que não pode confiar muito nas pessoas em sua volta, talvez esse diário possa lhe ajudar, apesar de que eu quero ser sempre o seu maior confidente.
Renesme sentiu um arrepio diante daquelas palavras, mas não olhou para ele. Passou a mão pela capa aveludada do diário e pôs a pensar. Aquele homem em sua frente estava sendo tão gentil, tão maravilhoso, e lembrar que naquele mesmo dia se sentira usada nas mãos daquele que deveria ser o seu grande amor. A vida não era muito justa.
— Obrigada William!
— Não me agradeça. Abra!
Ela abriu a capa e viu que ele havia escrito algumas palavras:
“Renesme, Quero que você sinta hoje e sempre muitas felicidades em sua vida. Sei que agora as coisas não andam tão fáceis. Mas não quero que perca as esperanças de que tudo venha a melhorar. Desejo que se sinta tão amada e tão feliz como eu sinto ao seu lado. Acredite em mim quando digo que não pensei que me sentiria assim novamente. Você rapidamente se tornou uma amiga em quem posso confiar e não posso expressar a plenitude de minha gratidão por tê-la em minha vida.
Todo o meu amor,
William Lamb.”.
Renesme olhou com gratidão para William e ele se deixou se envolver naquele olhar. Esticou a mão e limpou levemente as manchas de chocolate que estava no rosto dela. Era aquela Renesme que queria ver sempre. Natural, moleca.
A princesa sentiu os dedos de William passar pelo seu rosto e nem arriscou a tentar tirar a mão dele dali. Estava presa nos olhos dele e cheiro gostoso de sua pele a entorpecia de um jeito bom. Ela se sentiu segura ali. Acolhida, amada e protegida — como se ele podesse tirar todas as suas preocupações. Renesme abaixou a cabeça entre as mãos. Ela realmente estava se apaixonando por William Lamb? Ela sabia que o homem ao seu lado era doce, educado, gentil, justo, atencioso, compassivo, paciente, compreensivo.
Ela olhou para os lábios dele, mordendo os seus próprios. Ela deveria? Ela poderia? Aqueles olhos novamente que a fazia se perder completamente. Antes que ela pudesse engolir o impulso, ela se inclinou sobre o assento. Ele congelou com o contato repentino, mas sua hesitação durou pouco e Renesme beijou os lábios dele. JÁ ANSIOSA PELOS COMENTÁRIOS DE VOCÊS ;)
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